Notas iniciais
Então, depois de muito tempo finalmente decidi postar essa história. Me dediquei muito, então espero que gostem e deixem sua opinião, é muito importante.

Por ser o primeiro capítulo, ele está bem resumido. É basicamente para apresentar o universo e o contexto para vocês.

Vejo vocês nos comentários.

Angélica acordou com o sol batendo em seu rosto e o som das botas de caça do pai sendo pressionadas contra o velho piso de madeira.

Ao seu lado a empregada da casa limpava cuidadosamente as janelas: Vidral por vidral. A moça era jovem, devia ter uns 30 anos. Mas tinha os olhos de uma pessoa muito bem vivida, era algo que Angélica admirava nela.

A garota cumprimentou a doméstica e vestiu um roupão por cima da camisola de seda branca. Estava frio embora fosse primavera, e a jovem morria de medo de acabar como a vizinha: Uma pneumonia terrível havia tirado a vida da garotinha de 7 anos que vivia irritando-a.

Assim que abriu a porta do quarto, soube o que a esperava: Bacon. Não que fosse uma novidade, já que, desde o início da guerra seus pais haviam deixado de se preocupar com variedade de comida para investir o dinheiro em munição.

Cumprimentou seu pai com um beijo no rosto, mas ele estava concentrado demais na leitura do jornal para retribuir.

Angie sentou-se na cadeira da extremidade, e, do outro lado da cozinha mãe dela fervia a água do café e servia as pequenas fatias de bacon nos pratos enquanto escutava o rádio.

-Hoje pela madrugada tivemos um bombardeio na cidade de Sevilla- A garota fez o que sempre fazia: Tentou ignorar o locutor. Ela odiava ouvir rádio, bem, pelo menos desde que a guerra foi oficialmente declarada. Era apaixonada por música, mas fazia um bom tempo que uma não tocava naquele pequeno rádio da cozinha. –Foram doze os mortos, entre eles estavam quatro crianças e um recém-nascido que sobreviveu por pouco.

-Chega. –A garota se levantou bruscamente da cadeira e desligou o rádio – Se não se importam, eu prefiro não escutar as notícias hoje.

-Até que enfim alguém desligou! –A mãe sorria, tornando mais perceptíveis as rugas de expressão, que, em contraste com os fios brancos a faziam parecer uns dez anos mais velha – Não gosto de escutar essas tragédias.

O pai finalmente tirou os olhos do jornal e encarou a esposa dando uma tragada no cachimbo.

-Essas tragédias são a nossa vida, não exclua a garota disso, Olive.

-Gerald, francamente...- Olive suspirou e terminou de servir as xícaras de café –Ela já tem 19 anos, logo estará se casando! E isso não vai mudar porque ela deixou de ouvir uma lista de mortos.

-A garota está aqui. E que história é essa de casamento? Não tenho nem namorado...-Ela estava mentindo, ela tinha. Mas não achava que fosse o momento dos pais saberem.

-Sobre isso, filha...-Sr. Gerald sorria nervoso – Sabe o nosso vizinho? Dr. Suliver?

-Oh, céus! –Ela o interrompeu balançando a cabeça de um lado para o outro e dando um passo para trás. – Não! Ele tem quase a sua idade pai!

Sr. Gerald se levantou e caminhou em direção a filha gesticulando com as mãos para que ela se acalmasse.

-Eu sei querida, mas veja bem: Ele é um dos maiores latifundiários da região, é meu amigo próximo, está viúvo e quer uma esposa...E bem, logo você fará 20 anos. Te acharão velha demais.

-Pai...Só me deixe dar uma volta. –Sua respiração era pesada e o coração batia rápido. O que aconteceria com Carlos se ela realmente fosse se casar com o vizinho? – Não decida nada até eu voltar. Preciso pensar.

-Filha...- A mãe parou de lavar a louça e se aproximo dos dois, colocando a mão sobre o ombro do marido –Nós só queremos o seu melhor! Me casei com o seu pai quando eu tinha 16, e olhe como estou bem hoje!

-Eu não sou você mãe. –Angélica tentava soar educada, embora por dentro estivesse uma pilha de nervos – E nem ele é o papai. E agora, se me dão licença, irei caminhar. –E saiu em disparada para o quarto onde Ruby, a empregada, arrumava a cama.

Angie despiu-se e colocou um vestido vinho rodado com um cinto dourado e suas típicas sapatilhas pretas.

-Discutiu novamente com o patrão? –Ruby perguntou enquanto ajudava Angélica com o cabelo.

-Não exatamente...É só essa história de casamento.

-Casamento? O que seus pais inventaram dessa vez? –A voz da empregada tinha um sotaque do interior bem carregado, e Angélica simplesmente amava falar com ela por isso. A fazia lembrar de seu avó falecido.

-Querem que eu me case com o vizinho. Tem medo de que eu fique muito velha e ninguém me queira... –Ruby imediatamente se agachou ao lado do banco onde a garota estava sentada e segurou suas mãos.

-Não deviam se preocupar com isso, você é uma moça bonita e com espírito forte! Com certeza encontra algo melhor que o Dr.Suliver. –A garota abriu um pequeno sorriso e terminou de prender o próprio cabelo –E além disso, nós duas sabemos que não vai ser um problema você se casar. –A empregada se aproximou mais de Angie e falou baixinho –Como anda o Carlos?

Angélica corou e se curvou rindo baixinho. Só falar dele a fazia se sentir alegre e com borboletas no estômago.

-Vai muito bem. Mandou lembranças.

-Vai encontrá-lo hoje?

-Sim. Irei para o porto agora mesmo. –Ruby sorriu e acariciou a mão da jovem.

-O que está esperando? Corra!

Angélica saltou da cadeira e correu para fora de casa seguindo o seu caminho de sempre até o porto.

Chegando lá seu coração acelerou. Ele estava ali. Faziam semanas que não o via, isso desde que havia sido recrutado pelo exército, mas agora estava de volta.

Seus cabelos haviam crescido as olheiras estavam mais fundas que o normal. Parecia exausto, mas mantinha um sorriso enquanto conversava com os colegas.

Ela se aproximou devagar e Carlos fez um sinal para que os companheiros saíssem.

Quando estavam finalmente sozinhos ela o abraçou e não conseguia mais largar. Tinha medo de que, se abrisse os braços, o exército o levaria novamente.

Notas finais


Bem, chegamos ao fim do primeiro capítulo! Espero que tenham gostado, de verdade.

Nos vemos semana que vem ( E nos comentários), ou se eu estiver muito disposta ainda esse fim de semana.

Kissus