Ela acreditava em Anjo
1 Adeus!
é que não tinha como, pois apesar de tudo sei que impediria a minha partida. Me impediria de voltar ao lugar de onde eu nunca deveria ter saído.
Mãe, me perdoa. Mas eu estou quebrada, estou assim a muito tempo, não tenho mais como continuar. Somente poderia esperar que alguém me pegasse pelas mãos e dissesse que eu não estava sozinha nessa; mas seria impossível pois ninguém é capaz de me tirar desse abismo que é aqui em baixo. Mas eu quero e preciso voltar pra casa, estou cansando de muita coisa.
Lamento não ter dado o orgulho que tanto merecia, pois eu falhei. Eu sei.
Mãe, desculpa me despedir assim.
a culpa não foi de nenhuma de nós duas. Somos vítimas disso tudo. Pra falar a verdade queria que tivéssemos sido amigas, para que eu pudesse me sentir segura com você, talvez hoje eu não estaria assim. Mas, você me julga como os outros. Pois pode não parecer, mas eu não sou feliz como você imagina.
Desde que me entendo por gente sofro em silêncio, desde o tempo de escola e você nunca percebeu.
Chorava todo santo dia e quando me ouviam, dizia que era pesadelo. Ficava o dia no quarto com a luz apagada e fingia que estava ocupada para dar tempo de enxugar e esconder as minhas lágrimas.
Mas mãe, como todo mundo a gente se cansa de fingir que é forte. E se continuamos vivos, continuamos a nos matar por dentro.
Pois isso é o resto do que sobrou de um coração doce, puro e saudável de uma criança.
Mãe, desculpe me despedir assim.
Pois mesmo que você não queira ver, mãe. Eu sou um anjo, suicida.
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