Ela
13 Tão mal
Mayumi e Sousuke conversam com o pai de Hiroto.
O pai do bandido é uma senhor de cabelos brancos,visivelmente debilitado,com profundas olheiras e aparenta ter muito mais idade do que verdadeiramente tem.
Ele está sentado em seu sofá e dando uns tragos em um cigarro enquanto diz:
- Apesar de tudo o que dizem do meu filho,ele não é tão mal como dizem. É apenas sofrido, ele tem ódio da vida porque aos 7 anos sofreu um acidente. Foi atropelado e teve que ser operado, mesmo com todo o esforço dos médicos ele ficou com um problema na perna,ficou manco. Desde então ele se tornou rebelde,não me respeitava,nem a mim,nem a mãe e quando ela morreu ele ficou ainda pior,nessa época ele tinha 12 anos e eu não pude mais controlá-lo. – o pai do bandido se emociona.
Mayumi está sentada de frente para o senhor e se sente um pouco comovida com a emoção dele:
- Calma senhor,é difícil,mas foi uma fatalidade e não precisa se culpar. Sinto muito pelo seu filho, mas se ele for o responsável por todos esses crimes ele vai ter que pagar.Não é justo que pessoas inocentes sofram por algo que ninguém teve culpa.
- Você tem toda a razão,filha. Mas,mesmo assim eu me culpo. Se eu tivesse sido mais severo...- breve pausa. Mas agora não tem mais nada a fazer, só ajudar a vocês. Podem perguntar qualquer coisa,eu prometo responder.
- Pra começar,eu quero saber se o senhor sabe se o Hiroto seria capaz de fazer algo contra o Hero,esse cantor que foi seqüestrado.
- Eu sei de quem se trata,minha jovem. Seria impossível não saber,meu filho não parava de falar nele,em como o odiava,em como o faria sofrer se o encontrasse. Com a morte da Lee tudo ficou pior,ele não falava em outro assunto,até eu já estava com medo. Uns dias atrás eu encontrei uns papéis estranhos, eu não consegui entender, mas agora que vocês falaram. – o senhor se levanta, vai até o quarto e volta com alguns papéis na mão.
- Aqui está. Ele estava escrevendo isso uma vez que veio aqui em casa.- Entrega os papéis à menina.
Mayumi dá uma olhada em um dos papéis e diz:
- Mas isso é toda a agenda do grupo,como ele descobriu? Não tem só horários de shows,nem de entrevistas,tem tudo falando sobre o que eles fariam nas folgas,aonde iriam...
- Meu filho é muito esperto. Ele descobre qualquer coisa.
- Não...- Mayumi se levanta enquanto ainda olha para os papéis.- mas isso não...alguém deveria falar disso para ele...e além do mais...foi muito fácil para eles seqüestrarem o Hero...eu desconfio de alguém de dentro...alguém que conheça muito bem o horário e a rotina deles.
Sousuke, que até então permanecia bem calado e sentado ao lado da moça, também se levanta e faz seu comentário:
- Agora que você falou isso... é bem provável Mayumi.Mas isso a gente investiga outra hora,a gente fala com o resto da banda,estou vendo que vamos ter que falar com eles de novo.
O pai do delinqüente está sentado, se demonstra bem nervoso,esfregando as mãos e raramente encara os dois investigadores,ele fala:
- Eu preciso falar de uma coisa para vocês. Quando eu ouvia o meu filho falando sobre esse Hero,eu via muito ódio nos olhos dele. Tenho certeza de que ele seria capaz de matá-lo,é difícil para um pai dizer isso,mas é isso que eu acho.
Mais uma vez Mayumi se desespera, mas acaba se controlando.Ela vira de costas para o homem e tenta respirar fundo enquanto uma lágrima rola pelo seu rosto.. Vendo o estado da menina,Sou quem continua a falar com o homem:
- Espero que isso não aconteça,ou a situação do seu filho vai ser muito pior.
Mas o senhor sabe para onde o Hiroto poderia levar alguém se tivesse seqüestrado? Algum lugar remoto,escondido,que servisse de cativeiro?
Ao ouvir essa pergunta o senhor fica ainda mais nervoso,agora é ele que se levanta,evita o olhar do tenente arrumando umas coisas que estão sobre a mesinha de centro da sala e diz:
- Me perdoem, mas minha memória já não é a mesma, apesar de ter 49 anos tenho um grave problema de memória. Mas se eu lembrar de algo eu aviso a vocês. Mas...se vocês quiserem,eu dou o endereço dos pais daqueles meninos que vocês disseram que são cúmplices do meu filho.
O tenente, que não é nem um pouco bobo, percebe que o homem está escondendo algo,mas sabe também que se colocá-lo contra a parede naquele instante não conseguirá nada. Então ele só diz com um falso sorriso no rosto:
- Ah...sim...seria de grande ajuda. Nós conseguimos o endereço de dois deles,o do Choi e do Toraichi,só não sabemos o do Daisuke,se o senhor puder nos dar...
- Claro! Eu vou buscar. – O senhor sai.
Vendo o estado da parceira Sou tenta mais uma vez confortá-la. Coloca a mão sobre seu ombro e diz.
- Viu só? Está quase tudo resolvido.
Mayumi se vira para ele e com os olhos vermelhos e de cabeça baixa responde:
- Tudo nada! Nós só sabemos que esse tal de Hiroto é o seqüestrador, mas não fazemos idéia de onde ele pode ter levado o Hero...e...- ela pára por alguns segundos, enxuga mais uma lágrima.
Sou a olha com expressão de interrogação:
- O que foi?
- Todos nós estamos aguardando um pedido de resgate,não é? Mas pelo jeito esse pedido não vai acontecer. Nós temos que agir.Temos que procurar por todos os cantos,vamos usar a mídia a nosso favor,ela foi de grande ajuda para saber quem era o Hiroto...A gente tem que fazer mais. – diz ela mais desesperada ainda.
- Hey! Calma! – acaricia seu rosto delicadamente. -Eu não acho bom. Se vazar alguma informação o caso pode ficar ainda pior. Pensa. Se o Hiroto descobrir que sabemos que foi ele vai ter mais uma razão para matar o Hero...
A jovem investigadora dá um breve suspiro e demonstra se desanimar abaixando ainda mais a cabeça:
- É verdade. Eu não sei o que eu faço.
- Se acalme. Eu vou pedir para o Saitou continuar a ver o trajeto que o carro que os seqüestradores estavam...Temos varias câmeras pela cidade e isso será fácil.
Ela olha para ele, dá um sorriso meio escondido e diz:
- Tá! É verdade,
O senhor volta e entrega o papel.
- Aqui está.
O investigador pega o papel, agradece, se despede e sai abraçado a Mayumi,que ainda está bem nervosa.
.
Já na delegacia, na sala do jovem tenente, ele diz ajeitando a gola de sua camisa e ajeitando seus escorridos cabelos escuros:
- Os meninos da banda estão ai. Você quer falar com eles?
Mayumi permanece sentada com um olhar vago:
- Não. Depois daquele vexame é melhor nem mostrar a cara,agora que sabemos de tudo isso então,eles vão ficar ainda mais preocupados e...
Sou se aproxima dela, segura rosto e diz, sério, olhando em seus olhos:
- Você não tem nada do que se envergonhar,cometeu um erro,mas já passou. Vou te dizer uma coisa.. Ter te colocado nesse caso foi a melhor escolha que eu podia ter feito. Você me ensinou várias coisas, se não fosse por você, com certeza nós ainda estaríamos no começo. Agora vamos lá, eles tem que saber que é você quem praticamente faz tudo nessa história, eles, principalmente aquele Max...- faz uma cara feia quando fala o nome do mais jovem integrante do grupo.- ...deve engolir a seco cada ofensa que te fez.
Mayumi dá um sorrisinho ao ver a expressão de Sou e lhe diz dando uma piscadinha:
- E que você ajudou a completar né?
- Sim...mas eu não fiz por mal,e além do mais, nem te conhecia como conheço agora,peço até desculpa pelo que falei.- diz o rapaz se demonstrando meio “arrependido”.
- Tudo bem,senhor. Agora pára de puxar meu saco,se não daqui a pouco eu vou começar a me achar a super poderosa e não vai prestar. – a jovem se levantando e sorrindo sinceramente.
O tenente acaba sorrindo junto e diz:
- Tá. Vou me calar. Agora vamos,
Se encontram com os meninos.
Logo que vê Mayumi entrando Max já se levanta e irônico diz:
- O que ela faz aqui? Veio pra servir o cafezinho?
Dessa vez Sou não tolera as ofensas que ele faz contra sua amada protegida que permanece calada e de cabeça baixa:
- Sente-se garoto. E ela não veio servir o cafezinho não. Eu peço que você tenha mais respeito por ela,ela é uma memorável agente desse distrito e merece respeito. Caso você continue com essas piadas serei obrigado a detê-lo por desacato.
O fofo sem entender nada tenta falar, mas é interrompido por Sousuke:
- Mas isso é...
- Isso é o que farei se você continuar agindo dessa maneira.
Xiah decide se pronunciar:
- Mas o que está acontecendo aqui? Nós viemos aqui saber o que está acontecendo com nosso parceiro e vocês nos tratam assim?
- Eu só quero que vocês saibam que aqui não é lugar para...
Mayumi interrompe Sousuke,coloca a mão sobre seu ombro e diz:
- Calma,senhor! Não vamos discutir. Ainda temos muito que falar.
Ela se vira para os meninos:
- Se vocês estão preocupados com o Hero como acho que estão,me ouçam. Existem muitos pontos que devemos discutir.
A assessora de imprensa Kaori Onuky chega atrasada e vai entrando na sala como um furacão.
Mayumi não gosta da atitude da moça.
- Mas quem você pensa que é para entrar assim? Isso não é um circo em que qualquer um entra e sai.
Max faz um comentário:
- Eu discordo disso. –diz olhando para os lados.
Mayumi o olha séria, mas se volta contra a moça:
- Quem é você e o que faz aqui?
Colocando seus cabelos tingidos de ruivo e meio esbaforida a jovem que não aparenta ter mais de 30 anos diz:
- Eu sou Kaori Onuky e devo acompanhar os meninos em qualquer ocasião.
- E por que não estava aqui na primeira vez em que eles vieram?-Mayumi mais séria ainda e erguendo uma de suas sobrancelhas.
- Por que eu estava doente.- Ela se senta ao lado deles. – Não falem nada que eles possam usar contra vocês na imprensa.
Mayumi respira fundo, se vira para Sousuke e pergunta ao pé de seu ouvido:
- Nós não podemos tirar essa nojentinha daqui não? A voz estridente dela já está me irritando.
Sou também fala em seu ouvido:
- Vou ver o que posso fazer, também estou com muita raiva dessa “ai gente...cheguei atrasada,mas quero aparecer” – imitando a voz da ruiva.
Mayumi dá um aberto sorriso, não conhecia esse lado humorista de Sou, e pra falar a verdade, ela adorou conhecer.
Ele por sua vez volta com sua expressão séria e se dirige a Kaori:
- Desculpe senhorita, mas intimamos os senhores \"Micky Yoochun, Xiah Junsu, ChangMin Max e Yunho U-Know a depor,não me lembro de ter chamado nenhuma Kaori...qual é mesmo seu sobrenome?
- Onuky,fofinho. – dá piscadinha.
Mayumi fica irada e se controla para não dar uns tapas na mulher. Ela pensa:
- Cadela, sem-vergonha! Será que ela não sabe que isso aqui é uma delegacia e não se deve ficar dando em cima dos policiais e ainda mais do Sousuke?!
.Sou fica envergonhado, olha para a policial que chega a estar vermelha de tanta raiva, então volta a falar com Kaori:
- Ahh...siim...Onuky. Não me lembro de ter chamado nenhuma Kaori Onuky para depor,como todos os depoimentos são confidenciais peço que se retire, só queremos falar com os quatro...
- Mas se é assim,só um deles poderia ficar. E se todos ficam, eu também fico.- a mulher chega a apertar os braços da cadeira que está sentada ao dizer isso.
Sou dá um suspiro,já quase sem paciência:
- Bom... É que se trata de um “interrogatório coletivo”... Ah...mas eu não tenho que dar tantas explicações. Vai sair,ou quer que te tirem a força?- Sou a olha com seu olhar fulminante.
A moça logo percebe que ele não está pra brincadeira, pensa, se levanta e diz:
- Não precisa,eu saio por livre e espontânea pressão.- se vira para os meninos e diz:
- Cuidado com o que vão falar,hein?!
Olha para Sou e May e sai furiosa,batendo a porta.
May comenta:
- Deve estar de TPM.
Sou completa:
- É a única explicação para a ‘’ai...ai...eu sou a Kaori Onuky,fofinho’’...- Faz careta.
- Ugh! Essa foi a pior que ouvi hoje...
Os dois sorriem
.
Max, irritado, bate na mesa:
- Quer parar de ficarem se paquerando e façam o que vocês devem fazer?
- Paquerar? – os dois juntos elevando um pouco suas vozes.
- O quê? De forma nenhuma! – juntos mais uma vez. Sou coça a cabeça envergonhado enquanto Mayumi faz sinal com as mãos.
Os meninos se entreolham. É inevitável não perceber o clima entre os dois e qualquer um percebe. Os olhares que Sou lança para sua agente demonstram todos seus sentimentos e May não fica atrás, apesar dela não se sentir “perdidamente apaixonada” começa a admirar seu superior e de uma certa maneira gosta dele e não é pouco.
Notas finais
ó.ò
Fale com o autor