Ela

15 Mais um voto de confiança


Todos estão fazendo seu trabalho.

O tenente foi até a casa do pai de Hiroto como lhe foi pedido, algo lhe dizia que o pai do delinqüente estaria escondendo algo e então ele chega à casa do homem disposto a tudo para descobrir o que tanto ele esconde.

Mayumi está observando atentamente cada detalhe do vídeo, apesar de seu coração se chocar a cada ato do bandido, ela se mantém forte, sabendo que só assim poderá ajudar uma das pessoas que ela mais admira nessa vida. Saitou chega interrompendo sua concentração quando ela acabara de notar um detalhe muito importante.

Ele lhe diz:

- A ultima câmera que conseguiu captar a trajetória do carro que você me pediu fica na saída da cidade, após esse lugar você só encontra mato e eu não sei mais o que fazer, desculpe por não poder ajudar mais.

Ela sem desgrudar os olhos da tela lhe responde:

- Não tem problema, isso já foi de grande ajuda. Eu acho que já sei para onde eles foram...- O olhar da jovem policial permanece distante,Saitou não consegue sequer imaginar em que ela está pensando,mas a moça sabe exatamente o que fazer.

Sousuke chega com o pai de Hiroto na delegacia, o senhor se demonstra muito prestativo, mas isso também não convence Mayumi.

Os três estão na sala de interrogatório e a morena perde por completa a “pouca meiguice” que tinha, apesar do homem lhe ter dito que não passa bem de saúde isso a ela pouco importa. O que ela só quer é salvar Hero e nada mais importa, nem as conseqüências que isso possa lhe trazer.

Sou começou a interrogar o homem com bastante paciência, ele dizia que sabia que ele estava escondendo alguma coisa e que seria melhor dizer, mas este permanecia negando tudo, o que fez Mayumi se pronunciar de uma forma bem concessiva.

Ela já não tolera mais a omissão do homem e num acesso de fúria bate na mesa e eleva a voz dizendo:

- Diga logo! Eu já cansei de perder meu tempo com você.

O barulho faz até com que o próprio Sousuke se assuste e se cale.

O senhor por sua vez continua negando:

- Eu não tenho nada para dizer, não sei de nada.

A jovem vai se aproximando dele com um olhar cheio de ódio, uma expressão jamais vista por ninguém, nessa expressão ela demonstra que seria capaz de tudo, absolutamente tudo para arrancar a verdade dele.

Ela chega bem pertinho do senhor, lhe olha bem nos olhos, seu olhar faz com que o homem estremeça diante de tanta fúria, ela então lhe diz bem baixinho, mas com um tom de voz capaz de fazer qualquer um ser tomado pelo medo:

- Eu não falarei mais uma vez. Já te mostrei o vídeo e fiquei prestando atenção em todas as suas reações, eu conheço muito bem o olhar das pessoas e você conhecia aquele lugar e eu vou te dizer...Eu tenho uma ligeira idéia de onde seja também, só não tenho certeza e preciso que você me fale. Mas se você não quiser falar, não tem problema, eu encontrarei do mesmo jeito e o pior vai ser para o seu querido filhinho, o coitado, vitima de uma fatalidade da vida. Você nos disse que sentiu todo o ódio que seu filho sente pelo Hero e que ficou muito assustado com isso, mas eu vou te dizer uma coisa, o ódio que ele sente pelo Hero não chega nem perto do que eu sinto por ele agora e se você não colaborar quando eu encontrá-lo, e você pode ter certeza de que o encontrarei, eu o farei sofrer mil vezes mais do que ele fez o Jae sofrer... Você pode contar com isso. E saiba que diante dessas circunstâncias se eu mata-lo eu serei vista como uma heroína. O idiota do seu filho não pensou no que aconteceria com ele quando fosse capturado, não é? Pois bem, ele é um imbecil e escolheu a pessoa errada para seqüestrar... — as palavras de Mayumi não são nem um pouco profissionais, mas ela não está nem um pouco preocupada com isso. Sou sabe que ela não deveria dizer muitas coisas, mas está com medo de interrompê-la. O pai de Hiroto, por sua vez, já está prestes a falar tudo, mas a menina continua a falar:

- E não pense que o senhor estará de fora dessa não, eu farei de tudo para te ver atrás das grades também. Não terei nenhuma pena de você, não vou ter pena de ninguém...

O homem começa a gaguejar e finalmente começa a falar:

- N-não... Por favor...eu não suportarei o clima de uma prisão, não do jeito que estou e eu tenho uma proposta a fazer...

As palavras do homem deixam a morena ainda mais descontrolada, tão descontrolada a ponto dela quase partir para cima dele. – Como ele pode pensar em fazer uma proposta? – pensa ela, mas Sou a segura e diz:

- Calma, eu acho melhor ouvirmos o que ele tem a dizer...

A policial não se sente muito feliz, mas faz o que seu superior lhe pedira e se mantém calada, enquanto isso o tenente fala:

- Pode falar, qual é sua condição... Mas muito cuidado com o que você for pedir...Devo lhe lembrar que a sua situação não é nada favorável...

O homem abaixa a cabeça e diz:

- Não é nada demais, eu só peço que quando vocês encontrem o meu filho não o machuquem. Eu sei que ele deve pagar por tudo o que fez, mas... Por favor....

Mais uma vez Mayumi levanta a voz:

- Tá doido? Ele deve ser cruelmente torturado assim como fez com o Hero.

Sou faz um gesto pedindo para que ela se cale, ele então fala para o homem:

- Não se preocupe com isso, apesar de tudo eu prometo garantir a integridade física do seu filho, mas só se você contar tudo o que sabe...

O homem olha para ele e lhe diz:

- No senhor eu acredito, mas nela não. – olha para May que demonstra não estar nem um pouco disposta q cumprir o que Sousuke acabou de prometer, mas o tenente faz uso de toda sua autoridade, esquece toda a paixão e submissão que tem pela moça e diz:

- Não importa o que a Mayumi ache, ela ainda recebe minhas ordens e fará o que eu mandar. Pode me falar tudo o que sabe...

Mayumi não dá uma palavra mais, simplesmente sai furiosa da sala, ela sabe que seu superior estava falando sério e para não discutir com ele teve essa atitude.

Ela se mantém pensativa, recostada a uma das paredes da delegacia, pensando no que fará se Sou não deixa-la participar da operação de resgate, o que ela mais quer é estar presente quando Hero finalmente for libertado, mas sabe que se Sou decidir que ela não poderá fazer mais nada ela terá que aceitar...

Finalmente o tenente sai da sala com a informação que salvará a vida do jovem cantor. May se aproxima dele e sem nem deixa-lo respirar direito já lhe faz a pergunta:

- Então, o que ele falou? Vamos logo! Fale! Não podemos perder tempo.

Sou respira fundo, permanece alguns segundos em silêncio, parece que quer prolongar toda a agonia da menina, ela por sua vez já não suporta mais tanto suspense e eleva a voz:

- Anda, pára com isso e fala logo.

Ele olha para ela e diz:

- Não precisa ficar tão desesperada, pode se acalmar, seu amado Hero já está salvo, já sei exatamente onde ele está e vou agora mesmo montar uma operação resgate.

May respira aliviada, certa tranqüilidade toma conta dela, mas essa tranqüilidade dura pouco, então ela faz uma pergunta:

- Mas eu estarei dentro de toda essa operação, você precisa fazer isso, eu fiz muito por esse caso e você seria injusto se me deixasse de fora depois de tudo isso...

Sou permanece calado, só olhando para o rosto aflito de sua amada, o que ele mais queria era mandá-la para casa, descansar e cuidar de tudo sozinho, pois ele sabe que a partir de agora tudo ficará mais difícil. O que lhe foi revelado naquela sala na verdade não foi nada tranqüilizador, o pai do delinqüente lhe revelou que seu filho estava disposto a matar ou morrer, tudo para conseguir o que tanto desejava, sua vingança. E do jeito que Mayumi estava, Sou tinha a certeza de que ela tinha o mesmo pensamento e que quando esses dois se encontrassem as chances de uma catástrofe seriam enormes e ele temia que May levasse a pior nesse encontro, por que por mais que ela tivesse demonstrado capacidade, ela ainda era muito jovem e inexperiente nessas ações. O tenente sabia que se algo de mal acontecesse a ela não se perdoaria nunca... Então ele só olhava para ela...

Finalmente ele decidiu falar:

- Mayumi, você não pode usar toda a sua eficiência nesse caso para me chantagear, eu sei que não será nada inteligente te levar comigo nessa operação...

A moça permanece calada, só olhando para ele com o olhar que tanto o comove, mas dessa vez esse olhar parece não surtir muito efeito...

- Pois então, você ainda é muito jovem, muito inexperiente e com certeza sua vida correria perigo...

- Mas eu não me importo senhor, eu...

- Me deixa terminar de falar?

Ela faz que sim com a cabeça.

- Eu sei muito bem que você esta disposta a tudo, você deixou isso bem claro várias vezes e é isso que me assusta... Mas...

Esse mas acaba devolvendo um pingo de esperança à garota... Então o tenente continua:

- Mas eu me lembrei daquela vez que você me pediu muito emocionada para entrar no caso e eu permiti, sabia que poderia estar cometendo um erro, mas decidi arriscar e acertei. Você se mostrou muito eficiente e importantíssima para a conclusão do caso por isso eu decidi arriscar de novo, sei que você amadureceu muito, apesar de ter se passado poucos dias. Mas eu vou te dar essa chance, eu preciso te dar essa chance. Você tem um grande potencial e eu não posso impedir sua evolução. Aconteceu algo parecido comigo uma vez e eu soube como aproveitar minha chance, espero que você faça o mesmo...

Tomada por uma intensa felicidade a jovem age por impulso e abraça bem forte seu superior.

Todos vêem aquela cena e é impossível controlar os comentários:

- Esse ai tá caidinho...

- Pois é... é só ela olhar para ele de um jeito comovente que ele se derrete todo...

- Ah... Ela sabe muito bem que o tem nas mãos...

Apesar de todos terem um pouco de razão, a historia não era bem assim. Sousuke tinha se comovido com o pedido de Mayumi, mas se ele quisesse proibi-la de participar dessa nova operação o faria, antes de tudo para protegê-la, mas ele não podia fazer isso. Não podia impedi-la de fazer algo tão importante para ela e além de tudo, a proibindo ele estaria indo contra seus sentimentos também, tudo porque o que ele mais admirava na garota era sua independência e sua forte personalidade. A tirando do caso somente pelo medo do que poderia acontecer a ela ele estaria sendo egoísta, Sou sentia uma imensa vontade de protegê-la, mas precisava deixá-la caminhar sozinha independente do que poderia acontecer.

Ele estava certo do que devia fazer, deveria apostar toda sua confiança em May