Ela
1 Prólogo — Ela
Notas iniciais
Meu nome é Júlia, mas podia chamar-me Ela, porque sou apenas mais uma no mundo. Tenho uns olhos castanhos como argila, uns cabelos indefinidos e quando fico triste me fecho e escrevo.
Se fosse um animal seria coruja. Se fosse flor, seria a de cerejeira. Mas sou apenas eu, chamada Júlia, que sonha com um planeta sem ódio.
Nasci em uma manhã de inverno. Gosto de ouvir o som da chuva pingando na calha, de cheirar o café fresco e sentir o frio cortando minhas bochechas. Quando era pequena pensava que sempre estaria segura atrás dos meus pais, protegida da vasta imensidão.
Contam-me que fazia grandes espetáculos, cantando a plenos pulmões, com sorrisos imortais. Faz tanto tempo.
Os meus poemas preferidos são os sobre tragédias, pois me lembram dos erros que não podemos, que não devemos cometer novamente, e quando os leio em voz alta me sinto no controle. Às vezes fecho os olhos e peço como desejo que tudo dê certo.
O meu nome é Júlia, mas podia chamar-me Ela.
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