Ela
10 27 de dezembro
Acordou com o barulho, não sabia a quanto tempo havia dormido, mas achou incrível não estar sentindo frio, visto que havia previsão de neve naquela noite. Sonolento, percebeu-se preso num emaranhado de cobertores, entendendo o porquê de não ter pego uma gripe. Só que foi o que viu ao seu lado que despertou-o completamente.
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Depois de Gerota-kun lhe ensinar como usar todos os pergaminhos mandados mais a kunai em forma de tridente, ela presenciou um momento mágico que em uma explosão de fumaça, seu mais desejado presente de aniversário apareceu. O vento mais o jutsu, desfez o belo penteado e soltou os cabelos negros de Hinata. E mesmo ajoelhada, desarrumada, tentou desajeitadamente por causa do quimono, correr para abraçá-lo. Mas mais rápido, se agachou para ficar na mesma altura que a morena e aconchegou a pequena figura em seus braços.
– Naruto-kun! Como senti sua falta! — Chorava, agarrava-se, tudo para certificar-se que o homem que amava estava ali.
– Desculpa Hina-chan. Demorei, né?
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Primeiro veio o calor, a aversão, a raiva. Depois veio a tristeza, a solidão, o frio. Sabia desse resultado desde o começo. Ele nunca poderia ficar com a princesa da pureza, ele não era o herói, ele era o vingador, aquele que tinha nas mãos, manchadas de sangue inocente e lágrimas, e somente uma espada para se sustentar.
– Baka! — Aquilo surpreendeu o loiro, nunca esperaria que ela o chamasse de idiota! — Se podia fazer isso, por que não o fez antes? — Chorosa, ela afastou-se para ter certeza que as safiras claras não mentiriam perante as pérolas.
– Eu queria fazer uma grande surpresa pra Hina-chan... Me perdoa? — O loiro secou as lágrimas dela com beijos, e com a manga do casaco limpou o nariz que escorria deselegantemente.
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Deveria partir, mas só conseguia ouvir seu coração rachando, mais uma vez. Sua família, seu irmão, todos que amou partiram desse mundo, mas o que fazer com esse sentimento? Ela estava na sua frente, ela não havia ido embora, ela só... Só estava feliz nos braços de outro, e não nos dele. Na verdade, nunca a vira sorrir ao seu lado, e só se sentia mais arrasado por constatar esse fato.
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– ... Se prometer não contar que me viu nesse estado... — Murmurou envergonhada e escondendo o rosto no peito do amado secreto.
– Por que não contaria? Quando encontro-a tão bela e sexy? — Disse galanteador, levantando o queixo feminino e apreciando a pequena figura de cabelos desarrumados, bochechas coradas e a boca entreabertas. Um convite para o beijo que Naruto certamente aceitou e devorou com vontade.
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Mas mais que só tristeza, que o dominou por alguns instantes — que lhe pareceram horas — a raiva de si mesmo instalou-se e uma lágrima solitária deslizou de seus olhos, aqueles que juraram que nunca mais iriam demonstrar ou perder tempo com essas coisas chamadas sentimentos. Ele nem ao menos sabia o aniversário dela...
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– Mentira, ninguém precisa saber que você é tão linda! — E abraçou-a novamente. — Feliz aniversário, Hina-chan!
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