Notas iniciais
Esta história me veio em mente quando estava tomando banho. Pode não ser um dos melhores momentos para uma pessoa ter tal idéia, mas enfim.

Era apenas uma manhã de Domingo. Acordei cedo, retirei cuidadosamente as mãos que me rodeavam e fui para o banheiro. Não era necessário me despir, pois já estava feita. Abri calmamente o chuveiro e esperei a água arrancar aquele cheiro do meu corpo.


Era sempre assim, as noites não mudavam nem um pouco. Me deitava com qualquer uma e, no dia seguinte, ia para o banheiro sentindo a necessidade de me livrar daquele cheiro indesejável que teimava em querer criar raízes por todo meu corpo. Não é que eu me arrependa, ao contrário, eu o fazia apenas para saciar meu apetite carnal. Mas ainda que o fizesse, sentia um vácuo se apoderar de mim.


Fechei o chuveiro. Peguei uma toalha que estava próxima e a enrolei em mim. Olhei para o enorme espelho daquele banheiro. Me perguntei que tipo de emprego ela teria para ter uma casa daquelas. Ri. Eu sabia que nunca iria descobrir. Ainda enrolada na toalha, saí do banheiro e fui para o seu quarto em busca das minhas roupas. Me vesti, e antes de sair, a olhei. Era incrível como não conseguia lembrar do nome dela. Mas era sempre assim, apenas uma transa e no outro dia, tudo era esquecido. Peguei minha bolsa e fechei a porta. Senti o cheiro que estava agarrado em mim, percebi que não era o dela. Ri satisfeita.


Retirei um cigarro que estava em minha bolsa. Certo, ele sempre me ajudava. Não importava aonde fosse, ele estaria comigo. Traguei fortemente, para logo depois, expelir a fumaça. Fechei os olhos e levantei a cabeça. Senti um vento incrível, suficiente para sacudir meus cabelos. Abri os olhos e me deparei com uma menina. Ela estava na varanda do apartamento em frente. Era linda, Pensei.


Eu a olhei. A olhei tão intensamente. A olhei na espera de poder encontrar algo. Algo que eu sabia que nenhum outro poderia me dar. Ela também me olhava. Penetrando aqueles lindos olhos castanhos em mim. Não me importava, pois fazia o mesmo. Agora, mais do que nunca, eu necessitava que aquele \"algo\" me preenchesse.


Atravessei a rua e fui para o apartamento em frente. Subi algumas escadas e pude vê-la. Ela se aproximou de mim e beijou minha face. Não me assustei, apenas deixei com que ela fizesse o que queria. Segurou minha mão e me levou para o seu aposento. Não notava o lugar por onde passávamos, eu apenas a observava. Abriu uma das portas que revelou ser um quarto. Uma pequena cama, um pequeno guarda-roupa e um criado mudo era tudo o que ocupava aquele lugar.

Ela soltou minhas mãos e andou um pouco para frente. Virou-se. Foi quando tratou de me olhar nos olhos. Nem de longe eu imaginei em desviá-los, então respondi ao que ela estava pedindo. Aquele olhar manifestava um pouco, se não tudo, do que estava desejando. Me aproximei sem deixar de olhá-la. Toquei minhas mãos em sua fina cintura. Ela enlaçou seus braços em meu pescoço e me atraiu para mais perto de si. Foi quando \"o beijo\" aconteceu.

Caminhávamos lentamente para sua cama, eu a deitei com todo o cuidado. As carícias aconteciam. As respirações se aceleravam. Os toques ficaram exigentes. Deslizei meus dedos por suas costas. Senti se arrepiar. Toquei cada centímetro daquele frágil corpo. Tive todo o cuidado para o deixar conservado. Sim, eu a queria.

Acordei. Senti seu cheiro. O aspirei bem fundo como se precisasse mantê-lo guardado em mim. Me levantei. Olhei para o relógio que estava sobre o criado mudo. Estava tarde. Me arrumei e peguei minha bolsa. Ela se remexeu na cama, foi quando acordou. Lançou seu olhar em mim. Um olhar gentil, quente e sereno.

- Nos veremos novamente? — Disse enquanto me encarava. Pensei o quanto sua voz era linda.

- Certamente... — apenas lhe retornei com um tímido sorriso. Compreendi que não precisava ser fria como era com as outras.

Ela se levantou da cama e, ainda enrolada em um lençol, me levou para a porta. A olhei novamente e percebi que parecia inquieta. Toquei em seu rosto cuidadosamente para então depositar um beijo em seus lábios. Lábios vermelhos e agradáveis. Ela sorriu. Abri minha bolsa, peguei o queria. Entreguei-lhe um pequeno papel amassado que continham números. Quando o recebeu, sorriu radiante.

Ao sair do prédio, senti aquele mesmo vento sacudir meus cabelos. Levei meu pulso bem próximo do meu nariz. Pude sentir que o cheiro dela continuava em mim. Sorri. Era certo que aqueles dias nunca mais seriam os mesmos.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Pensei em criar algo simples e rápido, mas não sei se chegou às minhas expectativas. Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!