Notas iniciais
Espero que gostem. Essa é curta.

A luz não é forte, mas também não é fraca no quarto em que ela dorme. Eu gosto de acordá-la e beijar seus cabelos, respirar em seu pescoço. Eu sigo singelamente até lá e espero na porta, a observando. Seu quarto estava arrumado, e fechado, me fazendo sentir em demasia seu doce cheiro. As cortinas estavam mal fechadas, deixando apenas um fio de luz atravessando seu rosto, que mal podia se cobrir com o cobertor, que então estava no chão. Mesmo parado na porta, e ponderando ir para a cozinha, escuto-a se mover e se levantar com preguiça. Ela não abre as cortinas, apenas fica sentada na cama me observando.

Era assim todo dia.

Seus passos são pesados, e dão a impressão que ela irá se apoiar na parede e cair. Ela atravessa o pequeno corredor e acaba na cozinha, com a cabeça encostada na janela que fica atrás da bancada, de olhos fechados. Ela põe a água para ferver e abraça-me, distribuindo beijos em mim. Ela fala em seu idioma e depois sorri. Eu continuo parado, porém alegre. Ela pega meu prato e coloca um pouco de comida e algo para beber. Por mais que fosse algo que ela fizesse todo dia, era o meu gesto favorito. Ela poderia não parecer tão carinhosa e atenta ao fazer isso, mas ela o fazia.

Ela pega um conjunto de folhas e coloca junto à água que fervia. Mesmo enquanto como, sinto o cheiro calmante que era produzido pelas folhas encharcadas pela água quente. Chá. Termino minha refeição e fico próximo à ela, vendo seus pés que mais pareciam neve pairarem sobre o chão, indo e voltando. Olho para cima e vejo seu olhar fixo na xícara. Sento-me e espero ela terminar de tomar o chá.
Ainda preguiçosamente, ela se levanta e pega o telefone. Sigo-a de longe e fico ao seu lado, roçando os pés pálidos. Ela me olha e revolve os olhares para o teto, com o telefone segurado com firmeza. Ela conversa.

Não sei por quanto tempo. Eu continuo ao seu lado, esperando.

Vejo fotos na mesma estante no qual está o telefone. Reconheço seu rosto com os outros de sua espécie.
Ah! Como seria bom ser como eles! Eu finalmente poderia abraçá-la e dizer o quanto a admiro!

Ela pousa o telefone e pega-me no colo. Ela era tão cuidadosa, tão agradável e morna. Era uma sorte minha tê-la por perto. Mas antes dela entrar em um outro cômodo, viro a cabeça e olho novamente a fotografia em que ela está feliz ao lado de outros.

O quanto seria bom ser como eles...?

Notas finais
Gostaram? Deixem rewiews. Não mata e ajuda qualquer escritor!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!