Notas iniciais
Primeiro poema de 2011.

Vamos novamente brincar de viver.

Feche os olhos.

Ela está sempre me entorpecendo.

Quando respiro sinto o agradável cheiro de flores mortas.

Ela sempre diz que terei um fim assim.

Eu adoro o meu corpo

Ela diz que só precisa de mais alguns cortes para ficar perfeito.

O vermelho é uma cor tão forte

Ele preenche o chão, as paredes, meu corpo, a faca.

Ela diz que eu sou idiota.

Eu sei que sou.

Eu continuo a ouvindo.

Eu odeio a sua voz.

Eu odeio quando ela me machuca.

Mas ela é tão verdadeira.

Ela vagando dentro do meu cérebro.

Ela é tão fria, tão calculista.

Transformou-me como um ser assim.

Ela sempre diz que devo fazer coisas.

Quando me sinto assim, estou tão melancólica.

Mas apesar de tudo isso que ela me diz

Eu gosto dela, muito

Ela é a única que está ao meu lado, sempre.

Pois todos já viraram as costas para mim.

Estou sozinha.

Eu só tenho minha mente me dizendo coisas.

Ela é o que me faz ser.

Ela faz parte de mim sem ela sou uma casca vazia.

Ela me diz tudo.

Converso aqui.

Ninguém me responde.

Ela continua a responder dentro de minha cabeça.

Minha mente é tão fantástica.

Tão macabra.

Não consigo mais dormir.

Estou machucada demais para isso.

Minha mente me faz ter dores de cabeça.

Eu a odeio.

Eu quero apenas fechar meus olhos.

Sentir minha respiração parar.

Meu sangue esfriar.

Esse jogo está tão chato.

Não tem mais razões para brincar.

Esta navalha já está enferrujada.

Não serve pra nada.

Não há motivações.

Não há ninguém.

Não consigo seguir em frente.

Estou me afogando.

Mar salgado.

Tenho de abrir meus olhos, encarar.

E cair.

Ah, mas eu já estou caída num poço escarlate.

Chega de brincar.

Acabou a brincadeira

A sete palmos do chão eu estou.

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