Ela é minha...
1 onde ela está
Notas iniciais
então essa é a continuação de A minha lua... bom aproveito
Pouco mais de duzentos anos se passaram, muita coisa e nada aconteceu nesse tempo. Muita coisa aconteceu, porque o mundo mudou demasiadamente e nada, pois não me importava com nenhuma das mudanças. Vaguei por muito tempo sem saber o que fazer ou o que queria. Somente as palavras que dela me moviam a continuar. “Seja livre”. Mesmo hoje ainda me sinto culpado pelo que aconteceu. Ela tentou me convencer que não era minha culpa e que deveria sorrir, porém, no fundo, sei que deveria ter tentado mais, que devia ter dito algo, deveria ter arrancado das orelhas daquele maldito coelho a cura. Entretanto agora já é tarde, minha lua é só uma pedra de gelo.
A minha lua, ou Elsa, é a mulher mais linda que esse mundo já viu ou que vai ver. Ela seria o que eu posso dizer, a encarnação da beleza. A musa de toda a história grega. Nem seus súditos tiveram coragem de enterra-la. O que foi bom para mim, pois podia a visitar sempre quisesse. Colocaram seu corpo de pedra em um mausoléu secreto, distante de Arendelle. A noite que a perdi foi a mais fria de todas, mais fria do que a primeira noite que tenho memória. Toda vez que eu a visitava me lembrava daquele sentimento, mas nunca deixava de visita-la, nunca a deixava só, ela detestava a solidão, eu era seu... Melhor amigo, eu acho. Depois de um tempo aprendi a me afastar dela, mas sinceramente não sei quanto tempo levei para aprender isso. Passei a viver entre os humanos, mas as crianças foram sempre meu foco, não só porque eu gostava mais delas do que dos adultos enfadonhos, mas principalmente porque foi o pedido de minha lua, cuidar das crianças. Sempre sinto saudades de ser ouvido, saudades dela. Por mais que eu me esforçasse ninguém me via. Quando sentia que a solidão ia me dilacerar eu largava tudo e voltava para ver minha lua.
Por mais que os anos passassem ela nunca mudou, em parte um alivio, pois nunca derreteu. Ela estava lindamente com os olhos fechados, como se dormisse. Meus dedos deslizaram em sua bochecha frias e sólida. Pergunto-me se ela sonha ou se me escuta. Eu a visitava constantemente, principalmente no aniversário dela, contava as coisas que acontecia no mundo afora. Não era muito diferente da época que ela vivia no castelo.
— Sabe Lua, muita coisa aconteceu ultimamente... Os homens mudaram tanto, tem que ver as coisas que eles fazem. Tem uma carruagem enorme com de várias rodas que anda em cima de um trilho. E chamam de trem...– Abri meus braços mostrando como era grande. – E tem um apito, que faz uma algazarra enorme. – Uma algazarra tão grande que eu gargalhei só de lembrar.
— Sei que hoje é o dia de seu aniversário. – Me aproximei dela, meu peito pareceu ainda mais vazio. – Feliz aniversário de 249 anos Elsa. – Ri, mas sem emoção, não tinha vontade rir, somente chorar. Como seu eu pudesse ter lagrimas para isso.
Tinha algo que eu precisava dizer, algo que ficou engasgado em minha garganta. Mas não sabia o que era. Algo que meu peito rasgava para que eu dissesse, mas não sabia o que era. A culpa me consumiu novamente.
— Sabe aquele coelhão? – Precisei mudar de assunto. – Então ele está muito zangado comigo. Sabe por quê? – Gargalhei antes de continuar, só de imaginar a cara do orelhudo. – Eu liberei uma nevasca no dia da caçada de ovos. Ha! Aquele canguru deve me odiar. Mas não ligo! Ele é só um grande paspalhão.
Esperei ser respondido, mas sabia que isso não aconteceria. Nunca mais. Nem sei porque eu ainda guardo esperança de um dia voltar a vê-la sorrir. Cantar. Brilhar.
Me despedi dela, enchi a nevasca de olaf de magia, ele ainda falava e cantava, mesmo que Elsa não fizesse isso. Bastava só ter sua nevasca cheia de magia. Ele nunca deixava Elsa, as vezes conversava comigo, mas em maior parte do tempo andava pela floresta.
— Te vejo outro dia minha lua. – Virei uma última vez antes de partir. Já sentindo vontade de voltar.
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