Ela É Demais - Thiefshipping
33 O Tão Esperado Dia!
Notas iniciais
Bakura estava deitado no sofá de sua casa, uma das pernas descansava despreocupadamente sobre o encosto do sofá e assistia um filme com desinteresse. Já era tarde e estava pensando em ir para seu quarto dormir quando o telefone começou a toca. Murmurando, ele esticou o braço ate e mesa ao lado do sofá e levou o aparelho a orelha – O quê? – disse secamente sem se importar com quem era do outro lado.
- Bakura! – era Mariku, ele parecia meio apavorado e fez com que o albino se sentasse bruscamente arregalando um pouco os olhos – Vai para o hospital perto da sua casa agora! Marik... – o albino sentiu seu coração parar e a garganta secar – Ela esta perdendo muito sangue, estamos levando ela pra lá...!
Os olhos do albino se arregalaram ao ouvir aquilo. Jogou o aparelho no sofá e correu ate o quarto pra pegar um casaco. Bateu na porta do irmão quando voltou a sala, o fazendo acordar – O que foi... Bakura? – Ryou pergunta confuso esfregando os olhos sonolento, vendo o irmão andar de um lado para outro na sala apressadamente, parecendo procurar algo.
- Marik! Estão levando ela para o hospital! – Bakura berra levando as mãos aos cabelos – Droga! Cadê a maldita chave, Ryou!?
O mais novo estava com os olhos arregalados. Havia chegado a hora? Mas estava previsto pra duas semanas. Ele correu ate a mesa da cozinha e pegou a chave correndo ate a porta e pegando o casaco no caminho. Bakura vinha logo atrás dele com expressão preocupada.
- "Marik... Fique bem, Princess... Fique bem!" – ele pedia em pensamento. A cada segundo sentia seu peito doer só em imaginar que algo daria errado.
oOOo
Já faziam algumas horas que Marik tinha entrado na sala de cirurgia e os quatro estavam esperando por alguma noticia. Já fazia algum tempo que Marik havia entrado em uma cirurgia urgente e eles estavam sem saber direito o motivo.
Mariku estava em silêncio observando um ponto fixo na parede, Ryou estava ao seu lado o consolando, tentando acalma-lo, parecia que há qualquer instante ele teria um ataque. Mariku não havia reagido muito bem quando viu todo o sangue de Marik, tinha ficado desesperado.
Ishizu estava sentada um pouco distante deles chorando. Estava muito mal, desesperada pelo irmão mais novo, podia-se ouvir um baixo murmuro que podia ser entendido como uma pequena oração aos deuses para que seu irmãozinho e o bebê estivessem bem.
E Bakura estava agachado contra a parede no corredor que dava para a sala de cirurgia, ele não tirava os olhos da porta esperando por alguma notícia da loira – "Droga! Eles tem que ficar bem..." – ele fecha os olhos com força tentando segurar as lágrimas, já fazia muito tempo que ele não chorava e não seria agora que mostraria fraqueza – Marik... – ele murmura baixinho.
Alguns minutos depois uma enfermeira caminhou ate a sala de espera – Quem esta acompanhando Maya Ishtar? – ela pergunta olhando para todos. Bakura foi o primeiro a correr ate a mulher.
- Como ela esta? E o bebê? – ele pergunta exasperado olhando nos olhos da enfermeira de modo suplicante. Ela deu um meio sorriso já podendo adivinhar quem era o pai da criança, fez um movimento com a mão para que seguisem-na.
Bakura sentia um desespero domina-lo a cada passo que dava, podia ouvir os passos de seu irmão e dos Ishtar logo atrás dele, mas não era importante, ele apenas queria saber o que havia acontecido, se Marik e o bebê estavam bem. Só queria ver Marik.
A enfermeira parou em frente a uma janela grande e indicou que ele olhassem. Bakura se engasgou com o que viu. Lá dentro havia uma enfermeira com um bebê nos braços enrolado em uma manta rosa. A criança tinha cabelos brancos iguais aos dele e pele clara, não dava para ver os olhos, pois estavam fechados, mas soube que aquele era o seu bebê.
- Parabéns, é uma linda garotinha. – a enfermeira diz sorrindo, mas o Touzoku preferiu ignorar. Seus olhos estavam grudados naquele serzinho e não pode evitar que um sorriso se formasse em seu rosto. Então, Marik estava certa esse tempo todo, realmente era uma menina.
Ele viu a enfermeira sair daquela sala com a criança nos braços e caminhar ate ele, ela sorriu gentilmente – Quer pega-la? – Bakura a olhou confuso como se não tivesse entendido a pergunta – Não é tão difícil. – ela disse rindo um pouco. Ele olhou para os lados como se procurasse a ajuda do irmão, que apenas assentiu rindo da expressão de pânico do gêmeo.
Hesitante ele a pegou no colo de maneira desajeitada, a enfermeira o ajudou explicando que a cabeça deveria ficar apoiada no braço para não cair para trás. Bakura sentiu algo dentro dele vibrar, aquela realmente era sua filha!
Observou atentamente cada detalhe, cada traço daquele pequeno ser em seus braços e sorriu – Oi Kaya... – ele murmurou com a voz um pouco tremula e como se a pequena reconhecesse a voz dele se mexeu um pouco o fazendo ficar com o corpo tenso. Sentiu uma mão segurar seu ombro e quase deu um pulo, olhou para o lado encontrando seu irmão sorrindo e voltou a olhar para a pequena – Ela... Ela é... – ele não conseguia dizer nada. Sentiu seus olhos arderem por causa das lágrimas não derramadas, mas não iria chorar. Não tinha motivos para isso, mas estava sentindo seu peito apertar – Ela é...
- Linda. – ele olhou para o lado novamente, Ryou sorria largamente com algumas lágrimas nos olhos. Seu irmão sempre foi muito emotivo e chorava por qualquer coisa – Baku, ela é linda.
Bakura olhou para os outros dois, Mariku consolava Ishizu, que começou murmurar o que parecia ser agradecimento aos deuses, ela se aproximou sorrindo entre lágrimas. O Ishtar mais velho olhou para o amigo e sorriu largamente, uma mistura de alívio, felicidade, preocupação e choque, somente Mariku tinha a capacidade de demonstrar tantas emoções ao mesmo tempo.
O Touzoku mais velho sorria fracamente, quando crianças nascem deveria ser um momento feliz, principalmente se ele era o pai, mas então por que ele sentia um aperto no peito? Era como se algo não estivesse certo ali, estava faltando uma coisa importante e ele sabia exatamente o que era. Marik.
Ele queria saber como Marik estava, queria vê-la e algo dizia que tinha alguma coisa muito, muito errada. A enfermeira levou a pequena de volta ao berçário dizendo que eles poderiam observa-la pelo vidro. Bakura ainda parecia não acreditar naquilo ainda que sua filha havia nascido.
Foi interrompido de seus pensamentos quando um médico se aproximou deles – Vocês estão aqui com Maya Ishtar, certo? – ele pergunta olhando entre eles. Mariku acenou confirmando. O medico suspirou fundo – Venham ate minha sala, precisamos conversar. – ele diz caminhando ate uma sala, os quatro se entre olharam e o seguiram. Mariku e Ishizu se sentaram nas duas cadeiras que estavam no local, Ryou segurava os ombros de seu namorado enquanto Bakura estava encostado a parede de braços cruzados com a testa franzida.
Pelo que o Touzoku mais velho se lembrava não era muito bom quando o medico queria conversar, isso queria dizer que ele tinha algo muito importante para dizer, que muitas vezes não era uma coisa boa. Se lembrou do dia em que sua mãe e irmã morreram, fechou os olhos com força tentando apagar a lembrança e pedindo internamente que aquilo não acontecesse novamente. Não agora e não com Marik.
- Sinto muito em dizer isso... – Bakura arregalou os olhos o encarando, sentiu suas pernas tremerem – Fizemos tudo que estava em nosso alcance... Fizemos o possível, mas...
- "NÃO! Isso não pode estar acontecendo! Marik tem que estar bem! Ela não pode..." – ele pensa abrindo a boca para dizer algo, mas nada saia. Parecia que tinha um nó na garganta o impedindo de falar – "ESTEJA BEM, PRINCESS! VOCÊ TEM QUE ESTAR BEM!" – pensou desesperadamente.
- Ela esta em coma. Não podemos fazer mais nada, agora só depende dela. – o olhou perplexo, ele não podia acreditar no que acabou de ouvir. Marik esta viva! Mas esta em coma... Ele queria que tudo não passasse de um sonho ruim. Não podia estar acontecendo aquilo! Ele queria despertar e encontrar Marik dormindo em seu colo calmamente com as mãos sobre a barriga grande murmurando algo, mas isso não aconteceu.
Marik estava em coma e ele não poderia fazer nada pra ajuda-la. Ele nem sabia quando ela iria despertar. E agora tinha a filha deles, como ele iria cuidar dela sozinho? Ele precisava de Marik ao seu lado ou poderia fazer alguma besteira. Marik não podia fazer isso com eles, ela tinha que acordar!
- Deuses... – Ishizu sussurrou apertando seu lenço com força – Rá... Por quê...? – ela dizia entre o choro e soluços. Mariku e Ryou se entre olharam, Ishizu estava certa, provavelmente tinha algo a ver com os deuses. Marik tinha contado sobre o ultimo sonho que teve com eles.
- Podemos vê-la? – todos se surpreenderam com a pergunta de Bakura, ele tinha ficado calado durante todo o tempo. O medico olhou para o albino encostado a parede com expressão aflita.
- Normalmente não é permitido visitas se forem da família, mas vou abrir uma exeção dessa vez, ela precisa ouvir vozes conhecidas. Porem, terá que ser um de cada vez. – todos assentem, ele se levantou abrindo a porta esperando que o seguissem. Caminharam pelo corredor em silêncio ate que pararam de frente a uma porta branca – Ela esta aqui.
- Obrigado doutor... Err... – o medico riu um pouco do albino mais novo.
- Narukami. Dr. Narukami. – Ryou assente, o medico caminhou de volta pelo corredor acenando e deixando os quatro sozinhos olhando para a porta.
- Bem... Quem vai primeiro? – Mariku pergunta olhando para os demais, Ryou se aproximou de Ishizu e a tocou no braço sorrindo gentilmente.
- Você deveria ir primeiro Ishizu-san. – a morena assente mordendo o canto do lábio e abre a porta lentamente como se tivesse medo do que poderia ver, soltando um longo suspiro ela fecha a porta atrás de si.
Ryou olhou para seu namorado, ele parecia tranquilo mesmo com toda situação, mas imaginava que por dentro estava preocupado, afinal era seu gêmeo que estava lá, depois olhou para seu irmão, Bakura estava com medo, ele podia sentir isso, ele olhava para o nada, sua expressão era apática, mas demonstrava muito no olhar. Ele nunca diria a Bakura, mas já o viu muitas vezes com esse mesmo olhar durante as primeiras semanas que ficaram sozinhos sem ninguém para cuidar deles, mas isso já fazia muito tempo.
O mais novo dos albinos se aproximou do mais velho apertando o ombro dele com um pouco de força o fazendo olha-lo. Ryou se sentia mal em ver Bakura nesse estado, era doloroso, sabia o quanto o fazia sofrer tudo o que estava acontecendo, ele também estava sofrendo, Marik era seu melhor amigo.
- Bakura, vai ficar tudo bem... – seu gêmeo o olha significativamente e depois volta a olhar para o chão, palavras não iriam reconforta-lo agora – Ela ficará bem... – Ryou murmura com um pequeno sorriso – Ela é forte. – Bakura o olhou e sorriu, não um dos seus sorrisos sarcásticos, presunçosos ou maliciosos, era um sorriso simples e triste, um sorriso que Ryou não via há muito tempo.
Bakura não disse nada, abaixou a cabeça olhando para seus pés, depois de tanto tempo ele estava com medo de perder mais uma pessoa importante. Ate pouco tempo atrás Ryou era a única pessoa que ele se importava e agora que mais duas pessoas importavam para ele, acontece isso. Sentiu seus olhos arderem pelas lágrimas não derramadas, mas se forçou a engolir o choro, não iria se deixar aparentar ser tão fraco. Ele tinha que ser forte, pela sua filha e confiaria em Marik.
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