*Anna contando

Após lanchar com o Jorge, vou para o quarto e fico pensando nele. Relembro principalmente a parte onde quase nos beijamos. Começo a escolher minha roupa e não paro de olhar no relógio. Quando dá 19h00min, vou para o esconderijo, quando chego o Jorge já estava lá:

– Oi Jorge

– Oi venha.

Entrei. Nosso "esconderijo" era uma casa de visitas que havia bem no final do quintal, era bem pequena e quando éramos pequenos sempre íamos para lá:

– Sente-se.

Ao me sentar já disparei: — O que vamos fazer?

Com uma garrafa de vinho e duas taças ele veio até a mim:

– Relaxa. Vamos tomar um pouco de vinho primeiro.

Ele colocou o vinho nas taças, me deu uma delas e brindamos. Ele se sentou ao meu lado bem pertinho de mim e na verdade me senti um pouco incomodada com isso. Após alguns goles, ele começou a passar a mão sobre o meu cabelo.

Colocando-o para o lado e beijando o meu pescoço. Arrepiei-me toda e não resisti e o beijei, ele me deitou no sofá e me beijou. Ele tocava pelo meu corpo, era ótimo e então passamos a noite juntos.

Quando acordamos, já era de manhã, nos levantamos rapidamente e voltamos para casa. Tínhamos que nos arrumar para a faculdade, mas antes de irmos, chegando à porta o joguei contra a parede, lhe dei um beijo e lhe disse que havia gostado muito da noite. Ele me olhou e disse que também havia gostado, mas nós tínhamos que ir logo e fomos. Chegando ao meu quarto:

– Onde a senhorita se meteu a noite toda?

– Mãe, depois eu te conto. Agora tenho que ir para a escola.

Tomei um banho bem rápido, me arrumei e sai. O Jorge já havia ido. Durante o caminho não parava de pensar no que havia acontecido durante a noite: — "Foi incrível" — pensei.

Cheguei à escola e fui direto para a sala, já havia batido o sinal. Ao entrar, ele estava lá sentado com seus amigos:

– Então alunos, como estão no trabalho?

– O meu e o do Jorge já está pronto — disse.

O professor se aproximou: — Bem, foram vocês dois que fizeram ou você fez sozinha?

– Fizemos juntos ontem, nós moramos na mesma casa e...

O professor pegou o trabalho e olhou para o Jorge, ele estava com uma cara estranha:

– Há alguma coisa que queira dizer Sr° Jorge?

– Não professor.

O professor voltou a dar a sua aula normalmente e logo bateu o sinal. Fui até o Jorge:

– Oi. — disse-lhe sorrindo.

Ele me deu um oi bem sarcástico e todos riram:

– Posso falar contigo?

– Você já está falando.

– O que você quer com meu namorado sua quatro olho.

Ela disse se levantando e se aproximando de mim:

– O correto é olhos. Felipe eu preciso falar uma coisa contigo.

– Eu não tenho nada que falar contigo.

Meus olhos se encheram de lágrimas, eu saio da sala e eles começaram a rir. Vou para casa e me tranco em meu quarto:

– “Como eu pude ser tão idiota? Desde quando um cara como ele se apaixonaria por uma garota como eu?”. — fiquei pensando isso a toda hora e chorava direto. Minha mãe entrou no quarto e me vendo chorar, perguntou o que havia acontecido e eu só repetia — "Eu sou uma idiota".

Pedi-lhe que me deixasse sozinha, no começo ela não quis, porém depois de um tempo me deixou só. Um tempo depois escuto batidas na porta:

– Mãe já pediu que me deixasse sozinha.

– Não é sua mãe, sou eu Jorge.

– O que você quer?

– Precisamos conversar.

– Não precisamos não.

– Abra a porta, por favor.

– Me deixa em paz.

Percebi que havia ficado um silêncio lá fora, então fui até a porta ver se ele havia ido embora e quando abro, lá está ele. Tento fechar a porta, mas ele a segura com o pé:

– Não fuja, eu preciso falar contigo.

Fiquei quieta e ele continuou: — Eu vim pedir desculpas pelo que fiz.

– Você acha que é fácil assim? Você passa a noite comigo e depois me ignora na frente dos seus amigos e acha que simplesmente pode vir me pedir desculpas?

Ele abaixou a cabeça:

– Eu quero que você entenda que se me verem contigo minha reputação acaba.

Eu estava completamente indignada com tudo aquilo:

– Então vá, fique com seus amigos e com sua reputação.

– Mas eu quero estar perto de você, não sei por que, mas quando estou contigo me sinto diferente.

O olho e não sei o que dizer. Ele toca em meu rosto e enxuga minhas lágrimas, segura em meu rosto me fazendo olha-lo:

– Desculpa, por favor.

Sorrio: — Tudo bem, mas com uma condição.

– Qual?

–Você pode não querer falar comigo na escola, mas também não quero que me zoe e nem aos meus amigos.

– Tudo bem.

Ele tenta me beijar e eu o empurro:

– E tem mais, nada de tentar me beijar, nos seremos amigos.

Ele me olha com um ar de tristeza, mas aceita o acordo. Abraçamos-nos e sorrimos. Conversamos por um tempo, mas logo ele voltou para seu quarto. Antes de ir me deu um beijo na bochecha:

– Boa noite minha princesa.

Fico vermelha: — Boa noite.

Ele vai para seu quarto, eu tomo um banho, como algo e vou dormir...