Eingereicht Gefroren
6 6: Enthüllungen
Notas iniciais
"Quando conseguimos enfim chegar um pouco mais perto da fortaleza de Bam, senti alguém me desferindo um golpe, e caí desacordado no chão. Era Azul."
- Pronto, agora temos dois desacordados... — disse o dono da voz misteriosa, que nada mais nada menos era o Pydro.
- Conseguimos, não é, meu amor?– comemorou sensualmente Bella com Pydro.
Eu ouvira tudo, e estranhara bastante a parte do "meu amor"... Podia ser até como filho... Mas ela falara com tanta paixão... Eu não estava em condições de raciocinar direito, mas mesmo assim, estufei o peito e criei coragem para perguntar:
- Pydro, seu maldito... O que você fez com a Bella?
Ele olhou para mim com o maior olhar de desprezo que alguém poderia fazer. Então, começou a rir. Rir freneticamente. Não se controlou até achar que era hora de contar a verdade para mim.
- Bom, você é um acéfalo sem tamanho, mas vou contar para você. Você merece saber, pai.– falou com um leve tom de ironia Pydro.
- Me diz logo, seu filho da mãe... — tentava falar, mas minha garganta estava pesada.
Pydro deu um longo suspiro antes de começar. Olhou para Azul, e depois olhou para Bella. Deu uma longa piscadela para ela. Eu apenas olhava com atenção (ou tentava) para ele. Então, ele olhou para mim. Deu outro longo suspiro. E finalmente começou a falar:
- Sabe, Aamelo, a vida dá voltas. Eu cresci sempre ouvindo de vocês que o que a gente faz uma vez na vida é para sempre. Não podemos voltar no tempo para consertar. Eu nunca gostei desse ditado popular. Para mim nós podemos sim, voltar no tempo e consertar todas as merdas que a gente fez! Para isso, basta um pouco de vinesse.
- Vinesse...? O que você quer dizer com isso? — perguntei, espantado.
- Sim, Aamelo, vinesse. Considere essa 'vinesse' ele — disse, apontando para Azul. — A participação dele no meu plano foi crucial, e sem ele, eu não estaria aqui bem em sua frente.
- O que você quer dizer com isso, seu vagabundo... blergh! — cuspi sangue.
- Bem, digamos que... Azul não é de vocês. Ele é nosso.
- Deu para perceber...
- Então, como ele é nosso, eu pedi uma ajudinha básica dele... Tipo a magia de velocidade.
Então eu me despertei. Aquela magia de velocidade do Azul realmente apresenta uma ameaça.
- A magia de velocidade dele — prosseguiu Pydro — digamos, é multi-utilidades. Mas tem uma coisa que ninguém sabia, muito menos eu, que sou o mais próximo de Azul aqui. A magia de velocidade do Azul permite viajar no contínuo espaço-tempo.
Aquilo foi quase como uma faca perfurando meu peito. Comecei a assimilar as coisas. Bella chamando Pydro de meu amor. Pydro dando longas piscadelas para Bella. Fui tentando chegar numa conclusão, até que me veio a tona. Ele não poderia ter feito isso. Não... poderia.
- Eu acho que você já entendeu, não é, pai? — disse ironicamente Pydro. — Mas porque ainda continuo te chamando de pai, não é mesmo? Afinal, eu sou meu pai.
- Eu não acredito que você chegou a ponto de fazer isso... SEU FILHO DA PUTA! — gritei. Eu nunca havia odiado tanto o Pydro como naquele dia.
Você não deve estar entendendo nada. O que aconteceu é que Pydro usou a magia de velocidade de Azul para viajar no tempo e ir ao passado, quando Bella ainda não me namorava. Pydro começou a dar em cima dela, e eles namoraram, acabando por fazerem relações sexuais. Depois disso, Pydro voltou ao presente, quando já era nascido. Isso o fez tornar o pai de si mesmo.
Então, você, caríssimo leitor, me pergunta se ele é tão psicopata a chegar neste ponto. E eu digo que sim. Sem piscar. Pydro nunca gostou de mim. Pelo contrário, me odiava amargamente. Quando ele estava na barriga de Bella, já era apaixonado por ela, e por isso não gostava de mim. Também é essa a razão de ele dar a impressão de que Bella estava gerando um monstro, a ponto de comer suas entranhas.
Por isso. É por tudo isso. Mas quem é que liga pros detalhes. Nós ligamos para a ação, para o movimento, para o feito. Pydro também sempre teve distúrbios psíquicos por queria ficar com a própria mãe. Ele tentou me matar diversas vezes, e eu pensava que era por causa da doença, mas não. Era ciúme. Ciúme da própria mãe. Meu sangue transbordava e ficava mais negro do que nunca. Chegou a ficar mais preto do que carvão puro. O meu filho não era o meu filho. Era o marido da minha mulher, que também não era minha mulher. O que era eu nessa história? Nada.
Simplesmente nada.
Apenas uma poeira que incomoda os grandes.
Aquela pedra no sapato.
Eu não sou nada. Nada vezes nada.
- Você não é meu filho... — disse eu.
- É mesmo? — perguntou sarcasticamente Pydro. — Chegou nessa conclusão sozinho, meu amor? Você é um G-Ê-N-I-O!
- Você sabe o tamanho do carinho que tive por você...? Sabe quantas vezes eu te protegia e te fazia dormir comigo porque você tinha medo do escuro...? SABE QUANTAS VEZES, PYDRO, EU TE PEGAVA E TE BOTAVA ENTRE MINHAS NADADEIRAS, E DIZIA: "Este é o meu filho, que eu amo tanto"? SABE QUANTAS VEZES, PYDRO?
Por um instante, Pydro ficou calado. Começou a rir. Rir loucamente. E então soltou uma bomba que eu jamais esqueceria. Queria que fosse uma bomba de verdade, pois ficaria surdo e não teria que ouvir o que ele falou a seguir:
- Você acha que todas as emoções e os "carinhos" que eu demonstrei pra você eram REAIS?
Naquele momento, minha alma se despedaçou. Eu, praticamente, havia morrido.
- Era tudo mais um plano meu. Conseguir seu carinho e seu amor, para depois quando eu começasse a ser psicodélico, você sentir PENA de mim! Esse é o lado obscuro dos seres vivos, Aamelo! MENTIR! É O QUE SABEMOS EM ESSENCIAL!
Comecei a chorar. Iria fazer uma hora que eu estava deitado naquele chão frio, e minhas lágrimas começavam a ralar suavemente por meu rosto e caíam no chão. Congeladas. Lágrimas que haviam se perdido no meio da crueldade do universo.
Criança injustiçada.
Via meu reflexo nas lágrimas e meu rosto estava o mais devastado possível. Era difícil assimilar que meu filho não era meu filho. Sabe a dor de um pai quando seu filho morre? Eu estava sentindo dor maior. Era uma dor inexplicável. Doía muito, e a única coisa que eu queria fazer era sumir. Olhei para Lila, que olhava para mim com uma situação de desespero. Seu rosto cochichava para mim:
Vamos morrer.
Olhei para Pydro, que estava com o maior sorriso desprezador do mundo.
- E então? Agora que sabem a verdade, que tal ir visitar a Dona Morte? — convidou ele.
- A Dona Morte tem outros planos. — falou uma voz misteriosa, enfiando uma espada no peito de Pydro.
- Seu filho da mãe... Quem é... vo-você?
- Eu sou o pinguim que vai matar Pydro Paolo Cristino!
Era Rodigo.
Pydro, apesar da dor insuportável, sorriu.
- Vamos ver.
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