Eiji

10 Capítulo Nove - Parte I


Notas iniciais
Olá! Eu me empolguei um pouco nesse capítulo que acabou ficando grande demais, então achei melhor dividi-lo em duas partes. Espero que assim fique melhor para todos. Obrigada por lerem!

Ele não voltou na próxima vez em que pudemos fazer a fogueira entre o lago e a cabana. Nem mesmo mandou um gavião como costumava fazer quando surgia algum imprevisto e não podia nos visitar. Izuna sumiu por um pouco mais de uma semana, e além de ter que lidar com as perguntas de Eiji, também tentava acalmar a mim mesmo.

Izuna nunca havia deixado de dar notícias por tanto tempo, e aquela falta de informações estava me deixando maluco com os possíveis motivos para aquilo. Por acaso Madara havia descoberto sobre Eiji? Izuna havia sofrido algum tipo de acidente? Ele estava bem? A falta de notícias era pelo o que havia acontecido no lago, e por isso não queria contato comigo? A última pergunta me fez suspirar sofrido, mesmo sabendo ser impossível Izuna cortar nosso contato. Por mais bravo ou enojado que poderia estar, ele jamais deixaria Eiji de lado, e saber disso fazia a minha preocupação aumentar ainda mais, pois, se não era por tal motivo, era bastante provável que seria um dos anteriores.

Eu estava preocupado demais, e meu coração quase saiu pela boca quando ouvi Eiji gritar do lado de fora, dizendo que um gavião se aproximava. E em segundos já estava ao lado do pequeno e ainda mais ansioso que ele, vi o gavião descer em nossa direção.

Minha euforia passou rápido quando reconheci o animal de Hashirama. Era um recado do meu irmão, não de Izuna. Hashirama precisava de mim mais uma vez, e no papel havia deixado ainda mais claro a urgência.

Sem opções, arrumei Eiji e o levei comigo até o núcleo do clã Senju naquela tarde. Disse a ele que visitaríamos o tio Hashirama, porém, ele não ficou tão feliz como pensei. A falta de Izuna o deixou um pouco mais mimado e o pequeno era inteligente demais, ele sabia que na maioria das vezes em que voltávamos para o clã, não poderia ficar tanto tempo com o seu tio. Nós passávamos a maior parte do tempo trancados no escritório, e Eiji acabava tendo como companhia alguns dos criados, que segundo ele, não eram nada divertidos como o “Tio Hashi”.

Como Eiji esperava, Hashirama só ficou com ele tempo suficiente para a chegada de todos naquela reunião de emergência. Quando enfim pudemos falar sobre o que estava acontecendo, recebemos uma notícia que nos deixou tensos. Hashirama havia enviado shinobis para investigar o paradeiro dos Uchiha daquele acampamento abandonado, e estes voltaram com novidades nada animadoras. Aqueles Uchiha foram encontrados juntos com um número absurdo de mais membros do clã.

— Eles estão se reunindo, Hashirama-sama — um dos nossos disse nervoso. — E sabemos o que isso significa.

— Sim — Hashirama se ajeitou em sua cadeira ao concordar. Ele estava extremamente sério, e sabia que por dentro estava sendo difícil se manter calmo.

Meu irmão ficou em silêncio por um momento, olhando para cada um de nós naquela sala. Eu pensei que ele estivesse tentando pensar em um plano, e por isso me adiantei em pensar em um para poder agilizar os nossos passos. Porém, assim que Hashirama se levantou e mais uma vez nos encarou, percebi que ele já tinha tudo sob controle.

— Nós também nos reuniremos com os nossos outros acampamentos — avisou ele, causando sons surpresos e cochichos dos outros.

— Hashirama-sama, com todo o respeito, não sei se isso é sábio. Levará dias para trazer todos para o núcleo, e os Uchiha parecem quase prontos para atacar — um dos shinobi encarregado da investigação disse ao se ajoelhar à frente de meu irmão.

— Eu sei disso — Hashirama não se alterou com o que ouviu e continuou com sua confiança. — Imaginei que o silêncio dos Uchiha por tanto tempo significava alguma coisa, assim como a nossa própria falta de ação. Os outros campos já estavam avisados para ficarem prontos para partir a qualquer momento.

Eu já sabia daquilo. Aquela era uma sugestão feita por mim e aprovada por Hashirama meses antes daquilo, eu só não imaginava como isso serviria, sendo que os Uchiha haviam pensado o mesmo e agido antes de nós.

— Isso acelera os nossos passos — eu finalmente disse algo, trazendo a atenção de todos para mim. — Mas, considerando o avanço deles, nós seremos rápidos o suficiente?

— Não — Hashirama respondeu simplesmente, e voltou a se sentar. Todos o olharam descrentes com sua resposta, e até mesmo eu fiquei sem saber o que dizer com sua sinceridade. E Hashirama se importou com nada mais uma vez. — Se focarmos no núcleo, não seremos rápidos. Nós não sabemos se os Uchiha irão atacar o núcleo ou sequer se sabem onde estamos. A única certeza é que pretendem nos atacar em algum lugar quando estiverem prontos.

Enquanto ele analisava a situação, tentei me focar em cada palavra, mas apesar de ouvi-lo, só conseguia ver Izuna à minha frente. Aquele era o óbvio motivo para não ter visitado Eiji, e nem ao menos dado notícias. Eles estavam planejando nos pegar de surpresa. Se ele me avisasse que estaria ocupado por tanto tempo, eu com certeza ficaria alerta. Eu entendia o seu lado, mas, ainda assim, não consegui segurar a raiva que me tomou ao finalmente ter as respostas que tanto busquei naquela semana.

— Assim que recebi a notícia sobre o que está acontecendo, mandei gaviões para os nossos acampamentos — Hashirama disse em um tom mais alto, e quando me dispersei de meus pensamentos, notei que ele discretamente havia feito aquilo para chamar a minha atenção que antes estava muito longe dele. — Ordenei a partida imediata para uma área próxima a esse novo acampamento dos Uchiha.

— Hashirama-sama, isso quer dizer que...

— Nós vamos acabar com isso em breve — meu irmão completou a frase que ouviu com seriedade e se levantou novamente. — Eles podem ter se reagrupado antes, mas, nós estamos prontos há algum tempo, e mesmo sem estarmos juntos. Tudo o que precisamos é nos reunir e acabar com eles. — Hashirama suspirou fundo. — Os outros acampamentos já estão em movimento e com suas ordens. Vocês, se aprontarão no mesmo segundo em que saírem por esta porta. Nós partiremos hoje mesmo, esta é a minha ordem para o núcleo.

Com as palavras de Hashirama ditas, todos saíram às pressas dali. Alguns ansiosos, outros amedrontados e inseguros, mas podia ver que confiavam em seu líder.

Minha atenção logo saiu deles, e fiquei atento quando fui o único a ficar para trás, e o meu irmão se aproximou.

— Não disse muita coisa durante a reunião. Isso é raro — ele tentou rir ao falar, mas a seriedade por causa do que iria acontecer não quis largá-lo. — Não tem o que agregar ao meu plano?

— Parece sábio para mim — respondi simplesmente. Eu realmente achava um bom plano, era o motivo de não me intrometer como geralmente fazia, porém, o meu silêncio era pela mesma coisa que deixava o meu irmão sério daquela maneira. Eu não queria lutar.

Mesmo sentindo raiva de Izuna naquele momento, — e sabendo que por um lado não tinha o direito de me sentir de tal maneira — eu não queria enfrentá-lo como antes. Só de imaginá-lo machucado o meu corpo se arrepiava por conta do medo. Me lembrar de nossa última luta também me deixava com um sentimento estranho, como se tivesse feito aquelas coisas com Eiji e não Izuna. Era um sentimento confuso do qual guardei pelo tempo todo em que me aprontava para sair.

Apesar de estar com o coração pesado por conta do que aconteceria mais tarde, me foquei na minha prioridade: a segurança de Eiji. Não sabíamos os tipos de informações que os Uchiha tinham de nós para se prepararem daquela maneira, e por isso o pequeno não iria poder ficar ali enquanto eu estivesse fora, então, tive que decidir rápido. Ele inevitavelmente teria que ir para o Norte naquela noite.

Eu não queria deixá-lo com pessoas das quais não estava acostumado, mas não havia opções. E lá, morava Aika, a pessoa que cuidou de meus irmãos e a mim quando nossa mãe faleceu. Ela era como uma avó para nós, e a mandamos para o Norte por ser seguro para os Senju. Eiji ficaria bem aos cuidados dela, eu tinha certeza, mas, ainda assim, me senti como se o estivesse abandonando quando o vi nos braços de outra pessoa e a caminho de um lado oposto ao meu.

— Ele ficará bem — Hashirama ficou ao meu lado ao acenar para o pequeno, que segurava o choro por ter prometido que se comportaria. — Aika cuidará dele.

Não consegui desviar o olhar do pequeno, que ainda me olhava, no colo de uma de nossas criadas mais confiáveis. Repeti as palavras de meu irmão em minha mente enquanto os via se afastar cada vez mais, porém, não consegui deixar aquela sensação ruim, e tudo piorou quando Eiji não conseguiu se segurar e começou a chorar, desesperadamente chamando por mim entre os soluços. Aquilo quebrou o meu coração, e não pude ficar parado.

— Eu sinto muito, An-chan — pedi em tom baixo quando me virei para ele. Hashirama me olhou assustado, como se temesse não ter a minha ajuda naquela batalha. — Não posso deixá-lo assim. Eu mesmo irei entregá-lo para Aika, e então, irei para o lugar combinado. Eu prometo.

Não esperei por uma resposta, pois sabia que ele tentaria por algum juízo em minha cabeça. Eu já estava destruído demais por ter uma grande chance de ter que enfrentar Izuna em um momento próximo, e não poderia deixar tudo ainda pior por ficar sem saber se o pequeno havia chegado ao Norte e em segurança.

Eu era rápido, conseguiria fazer aquilo em algumas horas. Foi um pensamento como esse que me fez seguir confiante até o meu filho, que agarrou o meu pescoço com desespero assim que o peguei em meus braços.

— Tobirama-sama — a criada que o levava me chamou, assustada com a minha presença, mas logo a tranquilizei, avisando que eu mesmo o levaria, pois seria mais rápido até mesmo para ela andar e também ficar a salvo o quanto antes.

E eu corri. Em uma velocidade que não pensei que um dia conseguiria. Eiji escondeu o rosto em meu peito, assustado com a velocidade, e mesmo sentindo pena dele naquele momento, só pude parar quando finalmente cheguei no acampamento do Norte.

Aika estava à espera dos criados apenas, assim como Hashirama havia avisado, e se assustou ao me ver ali e com uma criança no colo. Não tive muito tempo para explicar a ela o que estava acontecendo, e tinha certeza que levaria uma bronca por aquilo quando retornasse, mas, ainda assim, ela recebeu Eiji em seu colo, e não escondeu sua surpresa quando ouviu a minha única explicação para querer tanto o pequeno a salvo.

Eu os deixei tão rápido quanto fiz com Hashirama. Eiji ainda não entendia o motivo de ter que se separar de mim e não poder ficar com Izuna, e não tive coragem de olhar para a sua face chorosa novamente. E corri mais uma vez, rápido o suficiente para chegar no local onde Hashirama já me esperava com boa parte de nosso clã no fim da tarde do dia seguinte.

Estava exausto quando consegui sentar pela primeira vez em horas, mas não pude dormir ou descansar por completo como o meu corpo desejava. A minha mente trabalhava sem parar, imaginando cada detalhe daquela batalha que estava por vir, e nesse meio tempo, todos os nossos aliados conseguiram chegar um pouco depois do anoitecer.

O meu irmão pareceu aliviado por ver todos ali, porém, em uma oportunidade de ficar sozinhos ele confessou que havia ficado muito mais quando me viu retornar. Ele ainda não gostava de ideia de matar tantas pessoas e também perder, como era de se esperar em uma guerra, mas disse que tinha mais coragem para proteger o nosso clã ao meu lado. Eu sabia daquilo, e compartilhava de seu sentimento. Ele me dava coragem para seguir para aquela batalha, mas, ainda assim, rejeitava o que estava por vir.

Quando todos ficaram prontos, Hashirama deu a sua ordem, e meu coração bateu rápido enquanto corria pela floresta durante a madrugada. Atacaríamos assim que nos aproximássemos, e o óbvio encontro que teria com Izuna me deixava cada vez mais agitado. Cheguei a ter que limpar as minhas mãos suadas em minha roupa várias vezes, tamanho era o meu nervosismo. Eu nunca havia ficado daquela maneira antes de uma batalha, e muito menos desejava não ter que ir em uma. Definitivamente eu havia mudado, e um dos responsáveis por isso estava naquele acampamento.

“Eu não consigo fazer isso”, pensei ao ver os rostos de Izuna e Eiji à minha frente. Eu nunca havia pensado naquilo até aquele momento, mas, nós três, mesmo que de um jeito completamente diferente e fora dos padrões, éramos uma família. E eu não podia machucar a minha família. E foi então que decidi não lutar contra Izuna naquele dia. Eu ajudaria o meu clã, mas evitaria a todo custo me encontrar com ele, nem ao menos queria olhá-lo ou sentir o seu chacra.

Nós atacamos como Hashirama havia ordenado. Os Uchiha pareciam terem sido pegos de surpresa, mas eram fortes demais para não saber lidar com aquele tipo de situação, e não houve momento algum em que os vi hesitar.

Nós lutamos a noite inteira, até o sol nascer e atingir o meio do céu.

No meio do dia já me sentia exausto, mas a luta não parou por momento algum. Eram muitos shinobi ali, e ás vezes se tornava difícil até mesmo para me mover. Aquela batalha me lembrou a primeira em que participei, onde os Uchiha estavam com a vantagem. Nós conseguimos escapar graças a meu pai, mas, ele não, e acabou gravemente ferido. Não era uma boa lembrança, mas me fez reparar na diferença do antes e daquele momento. Nós estávamos por cima, encurralando os Uchiha como o meu pai nos ensinou a fazer, como ele gostaria que tivesse sido em sua época. Era a minha oportunidade de me vingar por ele, fazê-lo se sentir orgulhoso onde quer que sua alma estivesse, mas eu simplesmente não conseguia me sentir bem com aquilo.

Não usei a parte afiada de minha espada em nenhum deles. Os Uchiha que me enfrentavam caíam um de cada vez, mas nenhum mortalmente ferido. Eu não conseguia, e nem sabia o porquê, eles nem eram Izuna para me importar daquela maneira.

Me esforcei para continuar nocauteando os outros Uchiha e não me entregar ao desejo de procurar por ele, porém, sem controle algum ou intenção, meus olhos enfim o acharam. Izuna era como um imã para os meus sentidos. Quando mais novos, assim que pisava em um campo de batalha, o primeiro a procurar e querer enfrentar era ele. O costume se estendeu por bastante tempo, mas o significado acabou mudando sem aviso.

Ele não me viu, pois estava ocupado demais lutando contra Tsubaru. O garoto estava crescendo bem, e suas habilidades eram o suficiente para segurar alguém poderoso, mas eu sabia que ele não ia conseguir manter aquilo por muito tempo, menos ainda teria a chance de ferir Izuna. Tsubaru havia sido treinado para lidar com qualquer tipo de situação e perigo, mas uma ameaça como aquele Uchiha estava além de seus limites. Izuna iria matá-lo em breve, e saber disso me obrigou a pensar em me intrometer naquela luta.

Eu não queria enfrentar Izuna, mas não poderia deixar o garoto morrer quando já tinha a certeza de que poderia acontecer se não o ajudasse. Era uma decisão difícil que tinha que tomar enquanto travava as minhas próprias lutas com outros Uchiha, mas eu decidi seguir o que achava ser certo. Quando os meus olhos voltaram para eles, meu corpo se moveu com rapidez, mas lamentavelmente não o suficiente. Em minha visão estava Tsubaru, que havia aberto a guarda ao achar que Izuna estava distraído, e só conseguia ver a sua morte em segundos, mas, algo estranho aconteceu ali. Izuna pareceu não notar a abertura para agir ou a ignorou, eu não tive como entender no momento, mas tudo virou a favor do garoto tão rápido que quando consegui ficar próximo a eles, a espada de Tsubaru já havia sido crava na coxa direita de Izuna.

Ele soltou um grito doloroso antes de cair no chão, mas pude ouvir apenas fragmentos de sua voz por conta do barulho dos outros que continuavam a batalhar. Tsubaru ia aproveitar a chance para acabar com Izuna, e ao notar isso dei um passo à frente. Eu não poderia impedi-lo, ou achariam suspeito, mas também deixar que Izuna morresse era completamente impossível para mim.

Antes que eu pudesse decidir o que fazer, meus pensamentos foram abruptamente afastados por um alto barulho, que também assustou Tsubaru e o impediu de continuar com o que pretendia. Uma explosão foi o que chamou a atenção de todos, mas o que fez Tsubaru parar de se mover de forma assustada foi a grande e grossa árvore que foi atingida. Ela foi quebrada ao meio, e sem aviso algum, tombou para o lado, pronta para esmagar o garoto e Izuna, que assustado, tentou se levantar, mesmo com a perna machucada.

Eu não pensei naquele momento. Não podia deixar nada acontecer com nenhum dos dois, então corri rapidamente e juntando todas as minhas forças, segurei Izuna com apenas um braço e Tsubaru com o outro. Eu os afastei dali segundos antes da árvore cair com um estrondo no chão, mas logo tive que voltar a pensar direito e rápido. Assim que deixei Tsubaru no chão, antes que ele ou qualquer outra pessoa me notasse ali, corri com Izuna para o mais longe possível. Ele gritou de dor pela movimentação e antes de me afastar o tanto quanto queria, tive que parar e colocá-lo sobre o chão.

O encostei em uma árvore e enfim pude olhar seu rosto. Izuna pareceu surpreso em me ver, mas logo sua face ficou distorcida, mostrando o quão doloroso era o corte em sua perna, onde imediatamente foquei a minha atenção. Estava sangrando muito e por reflexo pressionei as palmas das mãos em sua coxa.

— Oh, não, Tobirama! — Izuna se retorceu pela nova dor e seu grito ecoou pela floresta onde estávamos.

— Pare de reclamar e deixe-me parar o sangramento — falei com nervosismo, e desesperado desabotoei suas calças. Não conseguia ver o corte direito e precisava parar aquilo o mais rápido possível, porém, Izuna segurou a minha mão, me impedindo de retirar a peça de roupa.

Voltei a olhar sua expressão dolorosa e vi hesitação em seu olhar. Suspirei fundo, só então notando o que fazia, mas não recuei. Não iria permitir que ele sangrasse até a morte. Seria um insulto para alguém tão forte.

— Não seja estúpido! — Exclamei ao afastar sua mão e em seguida tirei as calças mesmo contra a sua vontade.

— Pare de me chamar assim! — Izuna rebateu as minhas palavras. Mesmo com tanta dor, ele ainda não cedia por nada. — Mas que droga! — Ele grunhiu quando retirei um rolo de faixa que trazia comigo e o passei por cima do ferimento.

Apertei a faixa com força, para segurar o sangue, e Izuna não conseguiu segurar mais um grito. Parecia mesmo doer de forma terrível. A espada de Tsubaru havia entrado na parte superior da coxa de Izuna, mas desviado no meio do caminho e atravessado até a parte interna, um pouco próximo a sua virilha.

Quando terminei de enfaixar, ainda sangrava, mas não parecia ser tanto quanto antes, porém, a expressão dolorida de Izuna me deixava aflito. Eu esperava que aquilo não fosse tão grave como parecia.

Sem pensar, levei a minha mão até seu rosto, o manchando com sangue. Eu queria acariciá-lo e dizer que tudo ficaria bem, mas o que fiz foi obrigá-lo a me olhar e perguntar:

— Vocês têm bons médicos no campo?

Izuna parecia um pouco atordoado com o que estava acontecendo, mas assentiu devagar quando me entendeu. Em seguida olhei ao nosso redor, a procura de um espaço para deixá-lo a vista dos Uchiha, mas que ao mesmo tempo eu não fosse visto, porém, não havia lugar algum para isso.

Ainda perto demais, podia ouvir a gritaria e o barulho das espadas se chocando, juntamente com explosões e xingamentos. Eu não poderia ficar ali até tudo terminar. Alguém nos notaria ou Izuna poderia acabar morrendo se não tivesse um tratamento apropriado. Voltei meu olhar para ele, e sem saber o que fazer, me aproximei um pouco mais e coloquei a mecha de sua franja bagunçada atrás da orelha.

— Eu não posso ficar aqui — disse com desespero em minha voz, e senti o meu corpo estremecer quando ele tocou a minha mão.

— Vá logo — disse ele, ofegante. — Você já fez demais. Eu me viro.

Eu balancei a cabeça de um lado para o outro, e estava pronto para passar por cima de suas palavras, mas o chacra que senti próximo a nós me fez ficar mudo. Imediatamente olhei para o lado, e saindo da batalha estava Madara. Me perguntei o que diabos Hashirama estava fazendo para deixá-lo livre daquela maneira, mas meus pensamentos não se focaram muito naquele assunto após perceber seu olhar furioso sobre nós. Imediatamente segurei Izuna pela gola da camiseta e o trouxe para mais perto. Eu precisava acertá-lo para fingir que estávamos brigando. Só um simples soco e seria o suficiente, mas não consegui ao encarar seus olhos de perto. Pude ver que ele entendia o que eu estava fazendo, e até mesmo esperava pelo golpe, mas não o fiz. Eu o trouxe para um pouco mais perto e em tom baixo, acabei gaguejando:

— Me dê notícias, ok?

Ele ficou claramente surpreso com o meu pedido, mas logo o vi desviar o olhar e sussurrar uma confirmação. Satisfeito com sua resposta, desapareci dali antes de ser alcançado por seu irmão.

A batalha ainda corria intensa quando voltei a ficar entre todos. Procurei Hashirama com o olhar e o vi derrubando um shinobi com rapidez e já estava partindo para o próximo. Eu fui até ele, confuso com sua falta de atenção em Madara quando ele era o único ali que poderia derrotá-lo de vez. Mas os meus pés pararam quando vi uma nova movimentação entre os Uchiha. Eles se afastaram subitamente, e logo percebi que batiam em retirada. Ao longe vi Madara sozinho, o que me deixou completamente alerta, me perguntando sobre o estado de Izuna. Mas não tive nenhuma resposta ali. Só pude observar Madara dar ordens para o seu clã e aos poucos os Uchiha de sumirem do acampamento recém-destruído.

Hashirama logo apareceu ao meu lado, e me olhou seriamente. Eu sabia o que ele queria dizer, e que aquilo era completamente o oposto do que desejava naquele momento, e mesmo compartilhando os sentimentos, concordei com sua realidade, a nossa.

— Não os deixem escapar! — Gritamos juntos e o mais alto que conseguimos.

Nós nos separamos imediatamente e nocauteamos o máximo que pudemos, mas, ainda assim, não foi o suficiente, e verdade fosse dita, naquele momento era inútil se esforçar muito mais. Madara já estava longe dali, e apenas derrubando ele e Izuna é que teríamos a verdadeira vitória.

Todos os nossos caíram exaustos quando os Uchiha que ainda estavam em pé escaparam. Havíamos falhado mais uma vez, mas por um lado, a retirada deles foi para o nosso bem. Estávamos esgotados e mais uma hora ali seria o nosso fim. Os Uchiha provavelmente teriam virado o jogo por ter tido mais tempo de descanso enquanto sem saber nos esperavam sentados.

Nós não estávamos esperando por tanta resistência e uma batalha de tantas horas como aquela, e por isso, voltamos para casa com sentimentos de derrota, mesmo não tendo perdido tantos dos nossos quanto os Uchiha, que quase foram diminuídos pela metade.

Ninguém culpou Hashirama ou qualquer pessoa entre nós, apenas os próprios Uchiha que aos olhos deles haviam se acovardado. Eu nada disse mais uma vez, e apenas os ouvi falar sem saber que aquela retirada de Madara era provavelmente para salvar o seu irmão. E mesmo me sentindo aliviado por Izuna ter tido uma chance para sair do campo de batalha, me sentia culpado por vários motivos. Me dividia por ter traído o meu clã naquela batalha — e por todos aqueles meses ao receber um Uchiha em minha casa e confiar nele — e também por ter tido a oportunidade de impedir que Izuna fosse ferido daquela maneira, mas acabei agindo tarde.

Para o meu alivio ninguém se dirigiu a mim até o fim daquela rápida reunião após a batalha. Todos estavam concentrados demais no discurso motivador que Hashirama dava enquanto sentado em sua cadeira. E todos sabiam que não receberiam respostas gentis quando estava quieto daquela maneira, por esse motivo os vi sair aos poucos dali, me cumprimentando apenas com acenos com a cabeça. Eu apreciava aquela cautela deles, coisa que meu irmão não tinha. Ele também me conhecia como os membros do clã, até muito melhor que todos, mas a diferença em meu irmão era que não estava nem aí para o meu humor.

— Izuna foi ferido — Hashirama disse com seriedade assim que ficamos a sós e ao levantar de sua cadeira. — Você viu?

Ouvir sobre aquilo me trouxe um grande incômodo e abaixei o olhar para as minhas mãos. Suspirei fundo, tentando segurar as palavras cortantes que estavam na ponta da minha língua, pois não queria que ele prolongasse aquilo com seus sermões.

— Sim — respondi em tom baixo antes de olhá-lo. — Mas parece que conseguiu fugir antes do golpe final, hm?

— Você viu como ele conseguiu? — Ele parecia preocupado ao perguntar. — Se ele estava bem?

— Eu não sei — acabei gaguejando a resposta e me afastei da mesa onde estava apoiado, dando as costas para Hashirama em seguida.

Minhas mãos tremiam suavemente por conta daquele assunto. Eu não queria voltar a pensar em Izuna ainda. Precisava me focar em Eiji primeiro e depois me preocupar com o que havia acontecido e com a possibilidade de algo ter dado errado para ele. Eu sabia que Madara iria fazer o impossível para salvá-lo, até mesmo recuou de uma grande batalha para isso, mas, ainda assim, sentia o meu peito se apertar por não poder saber como Izuna estava naquele momento.

— Tobirama, você está bem?

O toque de Hashirama em meu ombro me fez despertar, e a fim de me ver livre daquela conversa, me afastei, e sem olhá-lo andei até a porta.

— Sim, isso não foi nada — eu disse enquanto cinicamente apontava para um pequeno corte em meu rosto, que só fora notado naquele momento. — Preciso buscar Eiji, depois conversamos direito sobre hoje.

Assim que abri a porta, ela foi fechada novamente, me fazendo suspirar pesadamente ao ver a mão de Hashirama sobre a madeira.

— Não me referia sobre o machucado — disse ele ao meu lado. — Vocês têm convivido por todo esse tempo, não é possível que esteja assim tão calmo. E sinceramente, você não está conseguindo se esconder tão bem dessa vez.

Mais uma vez suspirei, tentando me trazer calma. Eu estava tão nervoso com o que poderia acontecer com Izuna que acabei sendo transparente demais. Aquilo nunca acontecia comigo, e entendia a preocupação de meu irmão, mas temia falar sobre o que estava sentindo. Parecia que se eu falasse algo, tudo se tornaria real demais e ainda mais doloroso.

Tentei abrir a porta novamente, mas como antes, Hashirama me impediu. Eu ainda encarava a sua mão à minha frente e me mantive em silêncio até que ele se cansasse e me deixasse ir, porém, Hashirama se manteve imóvel, até perceber que eu não diria nada. O ouvi respirar fundo ao meu lado, e em seguida, sua voz sair como um trovão:

— Tobirama!

Meu corpo estremeceu com aquele tom de voz, que só ouvia quando Hashirama estava realmente nervoso ou impaciente com algo. Ele não ia desistir de uma resposta, eu deveria saber.

— Eu o salvei, ok? — Acabei reagindo ao temor com o tom de voz elevado.

Quando finalmente olhei para o meu irmão, ele pareceu surpreso por um momento, mas suavizou a expressão quando me ouviu dizer em tom baixo:

— Não podia deixar que... — a metade da frase morreu em minha garganta. Era difícil dizer aquilo, mesmo que já tivesse pensado várias vezes naquele dia. Usar as palavras “morte” e “Izuna” na mesma frase de repente soava absurdo e proibido.

Acabei encostando a testa na porta e fechei os olhos com força, imaginando o que ouviria a seguir. Ele tinha o direito de me repreender, dizer o quão hipócrita era, mas Hashirama fez nada disso. Ele esperou que eu me acalmasse e quando finalmente voltei a olhá-lo, simplesmente perguntou:

— Alguém te viu?

— Madara — minha resposta o fez arregalar os olhos. — Mas ele achou que eu o estava atacando, não se preocupe — o tranquilizei imediatamente.

Hashirama suspirou fundo outra vez e cruzou os braços antes de apoiar a lateral do corpo na porta. Ele parecia pensativo enquanto se mantinha em silêncio, e já que havia revelado aquilo, aproveitei o momento para também ter a minha resposta.

— Onde estava quando ele foi atrás de Izuna?

Meu irmão levantou o olhar assustado pela pergunta e logo o desviou ao responder:

— Eu o deixei ir.

Aquela foi a minha vez de me mostrar surpreso com aquilo, mas no fundo já imaginava que ele poderia fazer algo do tipo. Eu tentei dizer isso a ele, porém, provavelmente temendo o que poderia ouvir, Hashirama se desencostou da porta e com seriedade me encarou.

— Você não pôde abandonar Izuna e eu não pude segurá-lo enquanto tudo o que pensava era na segurança de seu irmão.

O que ele disse freou a minha língua, e derrotado, joguei minhas costas sobre a porta, fechei os meus olhos ao encostar a cabeça na madeira, e em tom baixo disse:

— Nós somos dois idiotas.

— Possivelmente — ele respondeu desanimado. — Mas eu não me arrependo.

— Muito menos eu — afirmei ao voltar a abrir os olhos. Hashirama me encarou por algum tempo, como se esperasse por mais, mas já havia esgotado a minha coragem ao confessar que não havia permitido que Izuna se machucasse ainda mais.

— Há algo que queira me contar, Tobirama?

Eu sabia que ouviria algo parecido, mas, ainda assim, me senti mais nervoso. Apesar de tudo, consegui manter o meu olhar sobre ele, e acabei respondendo em tom baixo:

— Nada que valha a pena.

***

Eu estava exausto, mas não me importei com isso ao seguir diretamente para o Norte, sem nenhum descanso. Sabia que Eiji estava a salvo e era bem cuidado ali, porém, daquela vez era eu quem precisava dele. Ver Izuna daquela maneira me deixou frágil de um jeito que nunca havia acontecido comigo, e só consegui me sentir menos aflito quando finalmente recebi o abraço apertado do pequeno.

Ele estava bem, considerando a situação. Ele se mostrava tímido sempre que via pessoas novas, e também havia o seu medo de se afastar de Izuna e eu. Não foi surpresa quando ouvi de Aika que o pequeno chorou por quase a noite inteira após tê-lo deixado ali, mas não foi menos triste por isso. Me senti terrivelmente mal por olhar sua carinha sorridente naquele momento e imaginar o quanto havia se assustado e sofrido durante a noite.

Eu não o larguei em momento sequer enquanto ainda estávamos no acampamento do Norte. Aika pediu para eu ficar por algum tempo, alegando que a minha aparência cansada a preocupava e não queria que saísse com Eiji daquela maneira. Eu queria voltar logo para casa, mas ao ver sua expressão preocupada, não consegui recusar ao menos uma xicara de chá.

Enquanto conversávamos, Eiji acabou pegando no sono em meu colo, e Aika explicou que ele também estava exausto, pois não dormiu durante a noite por conta do choro. Ela notou a minha expressão dolorosa ao ouvir aquilo, e logo tentou me tranquilizar, dizendo que no fim, Eiji fez alguns amigos que tinham idades parecidas com a dele, e se divertiu por boa parte da tarde, mesmo que a cada hora ia até Aika e perguntava a o horário em que eu voltaria para buscá-lo.

— Ele é muito apegado a você — disse Aika ao sorrir. — Uma de suas criadas me disse, mas não precisou disso para perceber. Ele parece Hashirama, quando não me largava mesmo nas horas em que tinha que trabalhar na cozinha.

Nós rimos juntos daquilo. Todos nós sempre fomos apegados a ela, mesmo quando minha mãe era viva, mas Hashirama era o que mais grudava em Aika à procura de atenção.

— Você me assustou quando trouxe esse garoto — disse ela calmamente enquanto me oferecia uma xícara de chá. — Nunca fiquei sabendo que tinha um filho, Tobirama. Por que o escondeu de mim?

Eu abri a minha boca para me desculpar, mas ela levantou a mão, pedindo para que eu me calasse. Aika nunca deixava ninguém falar.

— A não ser que tenha ficado sabendo da existência dele recentemente — seus olhos se apertaram ao teorizar aquilo, e me olhou de cima, como se me julgasse. Aquele olhar foi o suficiente para mim. Coloquei a xícara sobre a mesa e a olhei nos olhos.

— Eu sinto muito por não ter dito sobre Eiji, mas não me olhe como se eu fosse alguém descuidado, por favor — suspirei fundo e me encostei direito na cadeira. — Estou com ele desde que nasceu.

— E a mãe do garoto? — Ela me olhou com desconfiança. — Não o quis? Está morta?

— Aika, por favor — suspirei mais uma vez. Aqueles últimos dias haviam sido de muitas perguntas das quais eu não podia responder, acontecimentos dos quais não tive controle. Não aguentaria nem mais um minuto naquela situação. Eu só queria pegar Eiji e ir para casa, esperar notícias do estado de Izuna e então quem sabe poder respirar tranquilamente.

— Você não fez nada de errado com essa mulher, não é? — Ela insistiu ao recolher as coisas sobre a mesa.

— É claro que não. Não fiz nada com ninguém, pelo amor de Deus!

Aika riu de minha reação e se virou para mim. De repente seu olhar acusador havia sumido e o calmo sorriso estava de volta.

— Eu sei que nunca faria algo de ruim com alguém.

— Então para que esse interrogatório?

— Eu só quis ter certeza de que ainda era o mesmo Tobirama de sempre — ela deu de ombros. — Faz muito tempo que não me visita, fiquei preocupada.

— Eu sinto muito — pedi em tom baixo. — Pode ter certeza de que ainda sou o mesmo. Só ando ocupado por causa do clã e Eiji...

— Você não é o mesmo — ela riu ao me interromper. — Tão carinhoso e atencioso... você sempre foi um bom garoto, mas nunca dessa maneira — seu sorriso se alargou e então Aika se aproximou e segurou a minha mão. — Eu gosto desse novo Tobirama.

Envergonhado com o que ouvi, apenas assenti e desviei o olhar. Ela riu mais uma vez e soltou a minha mão.

— Eiji realmente te mudou, hm? Mas não é para menos. Que garoto apaixonante ele é — ela se animou ao dizer e voltou a rir. — Ele fez um desenho meu hoje de manhã e perguntou se podia me chamar de vovó. Uma graça!

Não pude evitar um fraco sorriso ao ouvir aquilo e ver que Aika já havia caído nos encantos do pequeno. Eiji realmente era apaixonante, desde o momento em que começou a existir. Ele já sabia quem era ela, havia contado histórias de quando era pequeno em muitas ocasiões, e certa vez me perguntou se Aika era a sua avó. Eu havia dito que de certa forma ela era, se fosse olhar para a nossa proximidade, e logo outro assunto nos tomou e achei que aquilo tinha sido deixado para trás, porém, naquele momento notei que ele não havia esquecido daquela conversa.

Aika ainda contou algumas coisas de como Eiji havia se comportado e as novidades no acampamento, que para o meu alívio continuava em paz e sem sinal de violência como era do nosso lado. Foi bom poder me distrair com aqueles assuntos, mas o meu peito ainda se apertava mesmo que não estivesse pensando nele. Tal sensação foi a responsável para me acordar e mesmo que ainda cansado, parti de volta para casa, e um pouco mais lento por ter Eiji dormindo em meus braços.
O pequeno acordou no meio do caminho, e perguntou se estávamos indo ver Izuna. Foi difícil responder aquela pergunta e as outras que vieram a seguir. Eiji queria saber o motivo de não receber mais visitas e até mesmo questionou se Izuna o odiava, o que me fez parar de andar e responder seriamente. Ele pareceu acreditar que o outro estava ocupado, e me senti mal ao mentir, dizendo que havia recebido um recado durante o dia, avisando que demoraria um pouco mais para nos visitar e que sentia saudades.

Com ele desperto, pude andar mais rápido, e com uma corrida em certa parte, conseguimos chegar em casa em algumas horas. Eiji já estava exausto mais uma vez quando chegamos, e só tive tempo de dar um banho e colocar roupas limpas para então vê-lo praticamente desmaiar sobre o travesseiro. Eu queria poder ter mais algum tempo com ele, mas me senti aliviado por ter dormido rápido daquela maneira. Não aguentava mais perguntas, e estava à beira da loucura por causa de tudo o que havia passado naqueles dias. Algumas partes pareciam um sonho quando se repetiam em minha mente, e quando também consegui deitar em minha cama, desejei acordar no dia seguinte e descobrir que era realmente aquilo; Um sonho longo e terrível.