Eiji
12 Capítulo Dez - Parte I
Notas iniciais
Izuna cumpriu com a promessa de voltar logo. Três dias depois de ele ter voltado para casa, já conseguia senti-lo se aproximando da cabana. Meu coração inevitavelmente disparou no mesmo momento em que notei sua presença, e com um largo sorriso chamei por Eiji. O pequeno me olhou curioso, e sua reação foi semelhante à minha quando me ouviu dizer que Izuna estava chegando.
Sem saber o que fazer enquanto esperava e ansioso demais para ficar parado, Eiji andou de um lado para o outro, até ouvir a porta sendo aberta. Seus olhos se arregalaram e ele os direcionou para mim quando colocou o dedo indicado próximo aos lábios e saiu correndo dali, se escondendo atrás da parede no espaço em que “guardava” os seus brinquedos. Balancei a cabeça de um lado para o outro enquanto ria, me divertindo com aquele novo jeito que o pequeno pretendia recebê-lo.
Recebi o olhar curioso de Izuna assim que ele entrou pela porta. Eu segurei o meu riso naquele momento e imitei Eiji ao me virar para ele e me encostar na pia da cozinha. Izuna levantou as sobrancelhas ao me ver levar o indicador até os lábios e se aproximou com curiosidade.
— Izuna — tentei interpretar seriamente, mas conseguindo apenas no tom de voz. — Eu tenho más notícias.
— Algo aconteceu com Eiji? — Perguntou ele, preocupado em um primeiro momento, mas logo notou a minha expressão e entrou na brincadeira. — O que aconteceu, Tobirama?
— Eu não consigo encontrá-lo! — Exclamei enquanto discretamente apontava para a parede onde o pequeno estava escondido.
Izuna sorriu largamente ao me ouvir e seguiu na direção em que indiquei.
— É uma pena, mas não há o que fazer — dizia ele enquanto devagar se aproximava. — Eu trouxe um presente para ele, mas se não o acharmos, terei que levar de volta.
No mesmo momento em que Izuna terminou de falar, o pequeno saiu de seu esconderijo e berrou na direção dele. Izuna simulou um susto e colocou a mão sobre o peito, e de maneira teatral se ajoelhou sobre o chão, como se tivesse perdido as forças. Eu não aguentei vê-lo daquela maneira e ri abertamente juntamente com Eiji, que pulou sobre Izuna, e em seguida o encheu de perguntas sobre o tal presente.
O que Izuna havia trazido consigo daquela vez não poderia ter sido presente melhor para Eiji. O pequeno ficou extasiado ao ver o cavalete e o novo kit de tintas e pinceis. Ele amava pintar, o que tornava o presente perfeito. E nada o deixava mais distraído que aquilo, o que era bom também para nós.
Eiji não precisou de muita atenção em boa parte daquele dia, pois dedicou horas para as suas pinturas, enquanto Izuna e eu nos focamos no segundo andar. Faltava pouco para terminar, e com ajuda, no meio da tarde já estava quase pronto, com apenas detalhes como pinturas em pequenas partes e limpeza sobrando.
Nós não paramos por nada, até sobrar realmente coisas completamente simples a serem feitas. Me mantive ocupado por boa parte do tempo, e queria ter mantido a minha mente focada apenas naquilo, mas era obviamente impossível com Izuna bem ao meu lado. As lembranças de sua última visita ainda estavam grudadas em mim. Os toques, olhares... tudo ainda me fazia estremecer como se estivessem acontecendo novamente naquele momento. Meus desejos estavam cada vez maiores, e o pior de tudo eram as outras partes de meus sentimentos por ele. Aquele abraço que recebi antes de vê-lo ir embora também ainda conseguida sentir, e depois de muito analisar cada detalhe daquela semana em que Izuna passou conosco, tive que enfim admitir que não iria mais conseguir me esconder como vinha fazendo por tanto tempo. Eu não podia mais fazer aquilo comigo mesmo, e pensar que talvez ele também estivesse passando por coisa parecida, me fez olhar para a ideia de finalmente dizer algo com mais seriedade.
Izuna estava em outro cômodo enquanto eu pensava naquelas coisas, e aproveitei sua ausência para me acalmar e pensar direito no que fazer, e principalmente nas consequências. Muitas coisas poderiam dar errado, e podia perder a felicidade que já vinha vivendo daquela maneira. Mas para mim não era mais o suficiente, e por incontáveis vezes ficava a imaginar como seria se estivéssemos juntos, não só como os pais de Eiji. Queria, desejava desesperadamente que ele fosse alguém que eu pudesse chamar de meu.
Meus pés foram até a sacada do cômodo onde eu estava, e respirei fundo ao me encostar na madeira de proteção e cruzar os braços. Normalmente teria me virado e me concentrado na visão das árvores, pois aquilo sempre me acalmava muito bem, porém, como não queria ter distrações, me mantive de costas para o lado de fora e fixei o meu olhar para dentro da cabana. Ironicamente, onde deveria ter nada para me distrair foi o que fez a minha mente ficar agitada, mas não estranhei aquilo, pois já era um costume não conseguir pensar calmamente quando Izuna estava à minha frente.
Ele entrou no cômodo devagar enquanto se espreguiçava e bocejava. Parecia cansado, e era completamente compreensível depois de tudo o que havia feito ali. Eu estava da mesma maneira, mas ao invés de desejar um relaxante banho ou deitar em minha cama, tudo o que conseguia pensar era no quanto me sentiria mais descansado se recebesse um outro abraço dele. Havia sido tão quente e aconchegante da outra vez, mas não pude aproveitar como queria, por conta do sentimento de despedida e preocupação que estava entre a gente. E tinha Eiji. Eu havia adorado poder ter os dois em meus braços naquele momento, porém, me sentia um pouco egoísta por desejar também ter um tempo apenas com Izuna.
Eu fiquei em silêncio enquanto o olhava observar o cômodo praticamente pronto, e me senti um pouco mais agitado quando seu olhar veio em minha direção.
— Imagine quando estiver limpo — abri um sorriso ao dizer e imaginar aquela parte que ele observava completamente pronta para usar.
— Já parece ótimo mesmo assim — respondeu ele quando se virou para mim. — Se sentindo orgulhoso? — Izuna também sorriu após perguntar e foi me fazer companhia na sacada.
— Sim — confessei risonho. — E você também deveria.
O sorriso dele se tornou envergonhado após me ouvir, e assentiu ao colocar a mecha de sua franja atrás da orelha. Ele se aproximou um pouco mais e passou a observar a floresta que dali de cima podia ser vista de uma maneira ainda melhor.
O ouvi suspirar ao meu lado, e com isso veio um leve arrepio que se espalhou por meu corpo lentamente. Aquelas sensações estavam cada vez mais presentes, reagindo a coisas tão banais que ás vezes me deixava surpreso, mas não naquele momento, quando me sentia mais certo do que fazer sobre o que sentia, de uma maneira que jamais consegui antes daquele dia. Eu ainda achava arriscado, mas em meu coração, sentia que se ficasse calado mais uma vez, não teria outra oportunidade e ele logo seria tomado de mim e Eiji. Eu precisava dizer de uma vez.
— Izuna... — o chamei em tom baixo, mas como estávamos próximos, pude ser escutado, e ele deu um passo para trás, para poder me olhar.
Precisei de alguns segundos para agarrar a minha coragem naquele momento. Izuna me olhava com curiosidade e insistência, o que elevou um pouco mais o meu nervosismo. Minhas mãos começaram a suar de repente e as limpei no tecido de minha calça antes de enfim começar a falar:
— Você acha tudo isso estranho?
Izuna juntou as sobrancelhas diante de minha pergunta e logo expliquei:
— Quero dizer, nós, convivendo desta maneira.
— Não — ele respondeu muito mais rápido do que eu esperava. — Me sinto em casa aqui, e gosto da companhia — o meio sorriso que acompanhou as últimas palavras fez o meu coração acelerar, e senti meu rosto esquentar levemente. — E você? — Perguntou ele, e pude notar que estava ansioso. — Se arrepende, é por isso que pergunta?
Rapidamente neguei com um sinal com a cabeça.
— Eu tenho muitos arrependimentos no passado. Sei que o que fiz não foi nem um pouco certo, mas não me arrependo. Aquele garoto é a luz da minha vida.
O meio sorriso de Izuna deu lugar para um outro mais largo, mas ainda fraco e tranquilo.
— A minha também — afirmou ele em tom calmo, em seguida voltou a olhar para a paisagem além de nós.
Aquele era o momento, eu simplesmente sabia que era, mas precisei de mais algum tempo até juntar a minha coragem novamente. Meu coração batia com tanta força que parecia que estava em todos os lugares de meu corpo, até mesmo me perguntei se Izuna não podia ouvir aquela barulheira toda. Tentei inspirar e expirar o ar, mas era como se ele estivesse em falta naquele momento, e não dava sinal de que logo voltaria. Eu estava nervoso demais, mas parei para analisar a minha situação quando pensei em usar meu estado como desculpa para recuar mais uma vez. Eu sempre estava nervoso perto dele, meu corpo tremia e sentia o meu peito pulsar por conta de meu coração descontrolado. Se continuasse a usar isso como um escudo para nada dizer, acabaria me tornando mudo na presença dele, e jamais teria a minha resposta. E fosse positiva ou negativa, eu precisava dela, já estava em meu limite há muito tempo.
Enquanto pensava no quão tolo fui por todo aquele tempo, minha mão se moveu como queria, e as pontas de meus dedos tocaram a palma da dele. Izuna pareceu se assustar com o toque, mas não se afastou, e mais uma vez recebi aquele olhar ansioso, como se fosse um espelho em direção ao meu próprio.
— Você... — hesitei naquele momento, mas não por covardia. Minha respiração ainda estava difícil de controlar e tentei ao máximo não tremer enquanto estendia um pouco mais a minha mão, e enfim segurei a dele. — Você também é... para mim.
Fiquei com medo de não ter saído claro, de não ter falado com a segurança que eu pretendia. Ele também era a minha luz, era o que eu queria dizer, mas o meu nervosismo fez as palavras saírem pela metade. Me envergonhei por isso e tentei soltar sua mão, porém, a minha foi apertada com pouca força, me segurando ali. Só então reparei em sua expressão. Estava preocupado demais com a minha falha, que nem havia notado que apesar de tudo, fui muito bem entendido.
— Tobirama — ele sussurrou o meu nome de maneira trêmula e deu um passo, ficando mais próximo. Seus olhos pareciam me engolir daquela distância e com o nervosismo me tomando ainda mais, abaixei o meu olhar e um pouco desajeitado acariciei sua mão com o polegar.
— Eu não posso mais fazer isso — disse ao balançar a cabeça de um lado para o outro, e voltei a olhá-lo. — Me sinto sufocado por mim mesmo. Não consigo mais fingir que não me importo, quando penso tanto em você que ás vezes sinto que meu coração pode explodir — respirei fundo ao fazer uma pausa. — Eu tenho esses sentimentos por você. Há algum tempo. Bastante tempo, na verdade — ri de mim mesmo, de repente, me sentindo menos nervoso. O olhei diretamente nos olhos outra vez, e me senti completamente confortável com aquilo. — Eu só quero saber se você também... — suspirei novamente — ou se é tudo coisa de minha cabeça.
Eu esperei por sua resposta tão ansioso quanto Eiji ficava ao esperar suas visitas, mas ele permaneceu quieto por algum tempo, apenas devolvendo o olhar que não voltei a desviar. Não queria perder mais nada me rendendo ao medo ou vergonha, eu só queria pular naquela vida que imaginava ao lado dele de uma vez por todas.
Izuna ficou em silêncio, mas ele logo reagiu. A mão que apertava a minha me soltou de repente, e por um momento me senti com frio. Porém, o calor que sua mão antes me transmitia logo voltou e ainda mais intenso quando a senti tocar a lateral de meu rosto. Imediatamente senti o meu corpo relaxar e os meus olhos se fecharam por puro reflexo àquela sensação gostosa não só em minha pele, mas também no interior de meu peito. Eu segurei sua mão sobre o meu rosto com a minha própria e a acariciei levemente ao voltar a abrir os meus olhos. Meu coração bateu ainda mais forte ao vê-lo muito mais perto e desejei como nunca provar daqueles lábios cheios que sempre me provocavam sem saber. E eu realmente teria cortado a pouca distância em que estávamos para enfim beijá-lo como sempre quis, porém, como era costume o pequeno acabou nos interrompendo, e um grito seguido do alto choro no andar abaixo de nós foi o culpado de nos separar rapidamente, e na mesma velocidade nos fez sair dali.
Quando chegamos no último degrau das escadas, pudemos ver Eiji sentado sobre o chão e ao lado da pequena cômoda que guardávamos os brinquedos. O móvel estava tombado, e o pequeno chorava de maneira escandalosa enquanto esfregava os olhos.
— Papa! — Ele gritou ao nos ver, e corremos em sua direção rapidamente. Izuna o pegou no colo com urgência, e já imaginando o que havia acontecido ali, procuramos por machucados em cada canto de seu corpo, e só suspiramos tranquilos quando tivemos certeza de que Eiji estava bem.
Ele havia tentado pegar algo em cima da cômoda, e por pouco não foi atingido por ela quando não aguentou o seu peso e foi ao chão. O pequeno chorou bastante pelo susto e ocupou os braços de Izuna pelo resto da tarde, me deixando levemente ciumento por ambas as partes. Tudo sempre terminava daquele jeito, mas foi um pouco diferente pela primeira vez. Eu ainda queria que Eiji me preferisse em todas as vezes em que se sentia assustado ou magoado, e desejava que aquele abraço apertado que Izuna dava nele fosse em mim, mas era diferente, pois sentia que de alguma maneira, eu conseguiria ter aquele último. O que disse a Izuna, minutos antes de me sentir daquela maneira, talvez fosse o responsável. Ele não havia dito nada em resposta, mas o seu olhar e o jeito que me tocou me deram uma grande esperança. Eu só esperava que me desse mais um sinal de que ter aqueles sentimentos por ele estava tudo bem, ou uma simples frase já bastava, só queria tê-lo em meus braços o mais rápido possível. Mas eu sabia que com Eiji ali seria complicado para recomeçarmos aquela conversa, então me foquei em fazer outras coisas.
Após um rápido banho, me ofereci para fazer o jantar, já que precisava de algo para me distrair. A ansiedade estava me deixando louco e um tanto paranoico. Qualquer olhar simples dele e eu imaginava um milhão de coisas, e sabia que aquilo não era bom. Não queria mais especulações, e sim a verdade, e eu esperaria por ela, já havia aguentado até ali, afinal, então poderia aguardar algumas horas.
Izuna se mostrou um pouco surpreso por me ver fazendo a refeição por vontade própria naquela noite. Normalmente discutiríamos para ver de quem seria a vez de fazer aquela tarefa. Ainda que fosse a minha obrigação, por ser a minha casa, Izuna praticamente também era um morador e com o tempo se tornou natural dividirmos algumas tarefas. Mas as refeições ainda eram um problema, e sempre decidíamos com um estúpido jogo chamado “pedra, papel e tesoura”. Eu ganhava na maioria das vezes, e Izuna cozinhava enquanto me xingava em tom baixo. Era divertido. Mas naquela noite resolvi pular aquela boba discussão, e dar a ele algum tempo para também pensar, finalmente me dando conta de que a minha declaração havia sido súbita demais para que pudesse formar uma resposta tão rápido.
Enquanto cuidava da comida, podia vê-los não muito longe dali, brincando após também terem tomado banho. Eiji parecia bem animado com o que fazia, mas logo foi freado por Izuna, que se levantou.
— Venha Eiji, — Izuna o chamou calmo, mas levemente autoritário — guarde os seus brinquedos e depois me ajude a arrumar a mesa para o jantar.
— Está bem... — o pequeno disse desanimado enquanto praticamente se arrastava para obedecer.
Eiji ainda era muito novo, mas algum tempo antes daquilo, concordamos que já estava na hora de ele começar a ter algumas responsabilidades, ou acabaríamos virando escravos das vontades mimadas do pequeno.
Sorri discreto ao vê-lo guardar os brinquedos devagar e um pouco emburrado, mas fazendo o que foi pedido sem reclamar. Izuna fez o mesmo antes de deixá-lo sozinho com sua tarefa, e veio em minha direção. Eu me tornei um pouco agitado ao vê-lo se aproximar. Fiquei a pensar se ele diria alguma coisa sobre aquele assunto ou esperaria até mais tarde, quando Eiji estivesse dormindo. Ou ele simplesmente ignoraria e continuaríamos como antes? Tais perguntas me deixaram ansioso e ao mesmo tempo temeroso com o que viria a seguir.
Eu continuei a me ocupar a preparar o jantar, porém, meus olhos estavam atentos a ele, que em silêncio se sentou na alta cadeira atrás do balcão.
— Ei — ele chamou a minha atenção, fazendo-me virar o corpo em sua direção. Izuna colocou a mecha de sua franja atrás da orelha ao desviar o olhar por um momento, e quando se voltou para mim, vi o seu rosto se tornar levemente corado. — Foi estranho, no começo — ele começou a falar em tom baixo, e ansioso, me aproximei um pouco, para poder ouvi-lo melhor. — Você era tão diferente do que eu pensava. Tão carinhoso e amoroso com Eiji e depois, comigo — Izuna abriu um sorriso terno junto com suas palavras, e com isso meu coração bateu ainda mais forte. — E tudo se tornou tão natural de repente. Mas mesmo quando ainda era estranho... nunca foi coisa de sua cabeça — ele suspirou fundo e olhou em meus olhos. — Cada momento foi real e... difícil. Porque sempre o quis tanto — sua voz se tornou trêmula ao confessar tal coisa, e talvez pela vergonha acabou desviando o olhar para as suas mãos sobre o balcão.
Eu me aproximei ainda mais, sentindo o meu peito quase rasgar com a intensidade dos sentimentos que estavam ali. Eu estava tão feliz por ouvir aquilo, mas ao mesmo tempo preocupado por entender o seu jeito naquele momento. Eu o desejei por tanto tempo que em muitos momentos cheguei a achar que não suportaria a dor que era não tê-lo. Era um sentimento horrível e que naquele momento soube que ele também havia sentido por minha causa.
Eu queria abraçá-lo, beijá-lo, ter qualquer contato que fosse naquele momento, mas apenas parei do lado oposto ao dele no balcão e toquei uma de suas mãos. Izuna ainda tinha um pouco mais para colocar para fora, e perceber isso me deixou um pouco mais paciente. Ele voltou a me olhar quando o toquei e seu fraco sorriso apareceu novamente quando moveu um pouco sua mão e entrelaçou os nossos dedos.
— Você também é a minha luz — ele se mostrou um pouco mais envergonhado ao dizer aquilo, mas isso só o tornou ainda mais adorável e fez o meu interior se agitar como nunca. — Mas tenho tanto medo, Tobirama, do que pode acontecer conosco — Izuna logo mudou a expressão e apertou levemente a minha mão. — Eu não quero perdê-lo, nem ficar com Eiji só para mim — sua voz voltou a ficar trêmula e vi seus olhos brilharem em minha direção. — Eu não suportaria perder nós três.
Eu nunca havia visto Izuna daquela maneira tão frágil e amedrontada. E então notei o quão egoísta fui por chegar a pensar que era o único a me preocupar com aquelas coisas. Izuna não só sofria como eu, mas também compartilhávamos o mesmo pensamento. Nós não sabíamos o que poderia acontecer conosco se continuássemos com aquilo, e as possibilidades eram amedrontadoras, mas, ainda assim, me recusava a ficar longe dele. Realmente não havia como adivinharmos o que estava por vir, mas a certeza de que poderíamos nos preparar para o que fosse me fez olhá-lo com confiança e tocar-lhe o rosto. Quando os nossos olhares voltaram a se encontrar, tive ainda mais certeza de que qualquer fosse o nosso destino, eu jamais deixaria que me tirassem nenhum dos dois. Eu os protegeria a qualquer custo.
— Eu nunca vou deixar isso acontecer — declarei com confiança, enquanto ainda o olhava nos olhos.
Acariciei sua bochecha com carinho, como sempre quis fazer, e fui recompensado com seu sorriso tímido. Meu peito se aqueceu com aquela visão e quando o vi assentir enquanto corava com intensidade, não consegui mais me segurar. Já havia esperado demais por aquilo, e depois de tudo o que havíamos passado, precisava desesperadamente de mais contato.
Me inclinei devagar, atento a qualquer reação que ele pudesse ter, e para o meu alívio e ao mesmo tempo ansiedade o vi fazer como eu. Apesar de toda a euforia daquele momento, nossos lábios se encontraram com calma e delicadeza enquanto ainda acariciava o seu rosto. Me senti esquentar um pouco mais quando movimentei os meus lábios sobre os dele, e um estremecer gostoso me tomou quando o toquei com minha língua e Izuna abriu a boca rapidamente. O senti tremer ainda mais naquele momento e sorri sobre seus lábios que suguei levemente antes de avançar ainda mais. Tê-lo daquela maneira era surreal para mim, mas tão satisfatório que fazia-me querer gargalhar de felicidade, porém, nossas línguas não chegaram nem a se encostar, ainda menos ter tudo o que eu queria naquele momento. Nós fomos tomados por um susto assim como em incontáveis vezes em que nos aproximávamos, mas daquela vez foi ainda mais estressante não poder continuar.
— O que é isso? — Eiji estava parado ao nosso lado, e nos olhava assustado.
Izuna corou absurdamente quando se separou de mim e o encarou.
— Oh... — ele me olhou sem jeito e depois de volta para Eiji e desceu da cadeira. — Eu...
— É um beijo, pequeno — vendo que Izuna estava paralisado pelo constrangimento, expliquei, ainda que também um pouco sem jeito, porém, com a frustração maior do que qualquer coisa.
— Isso é diferente — Eiji deu um passo à frente e Izuna foi até ele. — Por que não me beijam assim?
Izuna se ajoelhou à sua frente e após um longo suspiro, explicou:
— Bem, porque você é o nosso filho.
Eiji ficou pensativo com aquilo e o constrangimento de Izuna claramente crescia a cada segundo, o que deixou um pouco o meu nervosismo de lado e sem controle comecei a achar graça naquilo.
— Isso é um beijo de pais? — Eiji perguntou para ele com bastante curiosidade e segurei um riso ao ver a expressão de Izuna.
— É, mais ou menos — ele respondeu em tom baixo e desviou o olhar.
Eiji se virou em seguida, e a minha graça logo se foi.
— Como a princesa e o herói? — A pergunta foi direcionada a mim daquela vez. — Um beijo de amor?
Imediatamente senti o meu rosto pegar fogo. Era como se todo o meu sangue tivesse subido até a minha cabeça, e tudo o que quis ao ouvir aquilo foi escondê-la em um buraco e nunca mais tirá-la de lá. Nós havíamos acabado de confessar nossos sentimentos com muito custo e embaraço. Nossas palavras não foram robustas ou completas, mas foi o suficiente para entendermos o que se passava ali. Depois de tudo, ainda era difícil dizer aquela palavra, e Eiji vinha e falava tão despreocupado em uma hora como aquela. Nós demos um grande passo admitindo um para o outro que nos importávamos, que tínhamos carinho e desejo um pelo outro, mas, amor... ainda não conseguia falar sobre isso tão abertamente, mesmo sabendo que era a palavra exata para nos descrever.
O constrangimento foi óbvio não só para mim, e quando tive coragem de olhar para Izuna, vi seu rosto completamente vermelho. Eu sabia que não deveríamos dar muita atenção para aquilo. Era só uma pergunta inocente de uma criança que não entendia o que estava acontecendo, e o único modelo de romance que tinha era do livro sobre um herói que salvava uma princesa, o que nos fazia ler todas as noites. E nós éramos adultos, não havia necessidade de sentir vergonha por algo como um beijo. Com tais pensamentos eu tentei espantar o constrangimento e fui até eles, me ajoelhei ao lado de Izuna e sorri confiante antes de me voltar para Eiji e bagunçar os seus cabelos.
— Você não precisa se preocupar com isso, pequeno — disse a ele da forma mais tranquila que consegui.
Ele olhou para nós dois e como se fosse um segredo, disse em tom baixo:
— Mas... é como o herói e a princesa?
Ri em tom baixo diante de sua curiosidade incurável, e em seguida virei o rosto em direção a Izuna. Nós não havíamos falado tão diretamente sobre aquilo, mas não vi problema em esclarecer para o pequeno.
— É exatamente como o herói e a princesa — sorri largo ao vê-lo corar um pouco mais e assim que voltei a encarar Eiji, recebi de Izuna um leve tapa em meu braço. Segurei um riso ao vê-lo com raiva por aquilo, e mais uma vez baguncei os cabelos do pequeno e me levantei.
Eiji ainda tentou fazer mais perguntas, mas Izuna o segurou pelos ombros e o virou para a cozinha.
— Ok, bebê, vamos arrumar a mesa — disse ele, sério demais por algo tão pequeno, mas sabia que era por conta da vergonha — agora.
Eu voltei a preparação do jantar quando eles se afastaram, e de repente me senti muito mais tranquilo do que em segundos atrás. Fiquei a sorrir como bobo ao me lembrar do simples, mas significativo beijo que trocamos, as palavras dele e o olhar que confiava no que eu também dizia. Tudo aquilo foi muito melhor do que era em minha imaginação. Mesmo com toda a preocupação ainda nos rondando, me sentia tolamente livre.
Quando terminei o jantar, Izuna e Eiji já haviam arrumado a mesa. O pequeno já estava sentado, esperando ansioso pela comida, e Izuna veio até mim. Não consegui evitar alargar o meu sorriso apenas por vê-lo se aproximar, e ele fez o mesmo, mas só até me ouvir.
— Oi, princesa — o provoquei ao oferecer um dos potes que estavam em minhas mãos. — Pode me ajudar com as batatas?
Os olhos de Izuna me cortaram como uma lamina e o ouvi de maneira exagerada suspirar nervosamente.
— Cale a boca — recebi mais um tapa no braço, e acabei rindo em tom baixo por conta da sua reação. Izuna pegou o pote em minha mão com a cara fechada, mas antes de se virar, voltou a sorrir e de maneira provocante. — Eu sou o herói.
Ri em tom alto daquela vez, chamando a atenção de Eiji, que me olhou com curiosidade. Mas antes que recebêssemos mais perguntas inconvenientes, anunciei que o jantar estava pronto e o distraí com o assunto de seu novo presente. Izuna pareceu aliviado com aquilo, e se juntou a conversa com tranquilidade.
O jantar foi um pouco mais agitado do que o costume. Apesar de não tocar mais no assunto do beijo, Eiji estava bastante falante enquanto comia. Izuna dava atenção a ele, e eu, apenas sorria como bobo olhando para eles.
Eu achava que me sentiria mais leve e calmo depois de saber que Izuna e eu estávamos na mesma página daquela história, mas estava errado. Depois da rápida tranquilidade passar, só conseguia me agitar cada vez mais, desejando fazer imediatamente tudo o que me reprimia antes daquele dia. E os olhares que recebi durante o jantar também não me ajudavam a me acalmar.
Assim que a refeição teve fim, Eiji correu de volta para o seu canto, e ouvimos o barulho de muitas coisas indo ao chão. Izuna suspirou derrotado, sabendo exatamente o que significava aquele som.
— Ele irá recolher, não se esqueça — o lembrei em tom risonho enquanto me levantava e recolhia os pratos na mesa.
Izuna respirou fundo mais uma vez, claramente tentando se controlar para não ir até o pequeno e acabar arrumando tudo ele mesmo, mas em seguida assentiu e me ajudou a limpar a mesa.
Rapidamente terminei de lavar a louça e Izuna de arrumar o resto da mesa. Nós fizemos tudo em silêncio, apenas ouvindo Eiji cantarolar enquanto brincava não muito distante dali. Nos olhamos vez ou outra, apenas para sorrir feito bobos pela graça que era ouvi-lo tão animado daquela maneira.
Quando tudo estava devidamente no lugar, depois de espiar Eiji por alguns segundos, dei as costas para ele e me encostei no balcão da cozinha, observando Izuna também terminar com sua parte. Eu não conseguia me cansar daquilo. Observá-lo era o meu passatempo preferido há bastante tempo, mas naquele dia em especial se tornou ainda mais satisfatório reparar no quão belo ele era.
Logo tive sua atenção sobre mim, e diferente de antes, não precisei desviar o olhar e fingir que não estava praticamente babando por ele; era óbvio demais para sequer pensar em disfarçar. Izuna sorriu fraco quando me olhou, e devagar veio até mim. Ao parar à minha frente, espiou por de trás de meu ombro Eiji desarrumando ainda mais os brinquedos. Ele nada disse quando se aproximou um pouco mais, e os braços devagar rodearam a minha cintura.
Meu sorriso se alargou imediatamente ao receber o abraço que tanto queria, e o retribuí com força. O ouvi suspirar antes de deitar a cabeça em meu ombro, e meu corpo se arrepiou de maneira gostosa com isso. Meus olhos se fecharam ao encostar a minha cabeça na dele, e acariciei devagar suas costas, causando outro suspiro que bateu em minha pele, trazendo mais daquela sensação que fazia o meu peito se encher.
Nós ficamos pouco tempo naquela posição, até eu não me contentar com apenas aquilo e beijei seu ombro por cima do tecido de sua camiseta. Aquele pequeno contato fez o leve arrepio retornar, e subi meus lábios até o pescoço, onde não havia nada além de sua pele extremamente tentadora me esperando. Ali depositei um beijo um pouco mais demorado, podendo sentir sua pele estremecer de maneira discreta.
Izuna logo levantou a cabeça, e encarei seus olhos quentes e semicerrados. Ele sorriu de canto quando esbarrou os nossos narizes e encostou a testa na minha, e foi a minha vez de soltar um suspiro.
— Ele vai aparecer aqui a qualquer momento — previ em voz baixa, fazendo Izuna rir no mesmo tom. — Eu acho que temos... dez segundos.
Ele riu outra vez e subiu uma das mãos até o meu peito e me acariciou devagar.
— Eu aposto em menos.
Acabamos rindo juntos daquilo, e antes que pudéssemos enfim ter aquele momento que desejávamos, nossas palavras se tornaram reais, e Izuna acabou ganhando sua aposta. Em menos de dez segundos o pequeno estava ao nosso lado, tocando nossas pernas enquanto nos olhava com desconfiança.
— Estou com sono — disse ele, e emburrado puxou o tecido de nossas calças. — Podem ler a história do herói?
Nós assentimos para ele, esperando que assim se afastaria e iria para a cama, dando-nos apenas alguns segundos a mais, porém, o pequeno não moveu os pés dali, e ficou encarando a mão de Izuna sobre o meu peito com seriedade. Ele só parou com aquele olhar quando derrotados, nos afastamos, e então correu dali como deveria ter feito antes. Já sabíamos que era quase impossível termos algum tempo para nós com o pequeno completamente atento à nossa volta, mas isso não tornava a situação menos frustrante.
Izuna suspirou pesado quando se afastou, porém, antes de seguir Eiji, o segurei pela cintura e beijei seus lábios de maneira rápida, mas que me fez sentir menos distante dele naquele momento. Izuna sorriu fraco em seguida, e segurou a minha mão enquanto seguíamos até onde o pequeno estava, mas ele logo a soltou e sua expressão se tornou levemente surpresa.
Eiji ainda estava agitado, mas mesmo assim insistiu que queria dormir. Logo ele se jogou em minha cama e se aconchegou no canto.
— Não vai dormir comigo? — Izuna perguntou um pouco chateado e sorriu triste quando o pequeno balançou a cabeça.
— Por que não, pequeno? — Perguntei ao me aproximar e em seguida me sentei ao seu lado.
Eiji deu de ombros e desviou os olhos para as próprias mãos que se enrolavam uma na outra. Izuna também se aproximou e se sentou à minha frente.
— Está chateado comigo? — Ele perguntou ao tocar as mãozinhas que se agitavam com nervosismo, e enfim conseguiu a atenção que queria. Eiji se sentou sobre a cama e olhou para mim e em seguida, Izuna, que esperava por uma resposta com ansiedade.
Izuna não estava acostumado a ser tratado daquela maneira pelo pequeno, e eu entendia como era. No começo, quando Eiji preferia dormir com ele do que comigo, ficava chateado e achando que não era mais necessário, mas no fim era óbvio que o pequeno não tinha aquelas intenções, ainda mais naquele momento, seus sentimentos pareciam bem claros para mim.
Eiji logo balançou a cabeça de um lado para o outro e seus lábios formaram um bico antes de dizer em tom choroso:
— Eu só queria um abraço do meu papa.
Meu coração se desfez ao vê-lo daquela maneira. Imediatamente o trouxe para o meu colo e o abracei com força, e recebi o mesmo carinho com intensidade. O ouvi soluçar abafado por meu peito, e no mesmo momento beijei o topo de sua cabeça.
— Você pode ter quantos abraços quiser e a qualquer hora — eu disse enquanto afagava suas costas. — Não precisa ficar assim, pequeno.
Ele assentiu enquanto tentava esconder que estava chorando e agarrava a minha camiseta. A mão de Izuna em seguida tocou os cabelos curtos de Eiji, e minha atenção foi para ele automaticamente. Não parecia tão chateado quanto antes, mas ainda estava triste. Aquilo me deixou dividido e sem saber o que fazer, porém, Eiji foi quem tomou iniciativa. O pequeno também se virou para ele, e devagar me soltou, indo para o outro colo e se enrolando no pescoço de Izuna. Ele soltou outro soluço quando seu gesto foi retribuído, e Izuna sorriu aliviado ao ouvi-lo dizer ainda choroso que queria o abraço de nós dois, e que dormiria com ele na próxima noite.
Eu não consegui ficar impassível diante daquilo, eles eram fofos demais e carentes de atenção, e aquilo era tudo o que mais queria dar a ambos. Eu me aproximei devagar e os abracei com cuidado. Izuna logo encostou sua cabeça na minha, mas imediatamente fui afastado pelas mãozinhas de Eiji, que empurraram o meu rosto.
— Você já teve a sua vez! — Disse ele emburrado, e ficou ainda mais quando me ouviu rir.
— Mas eu também quero carinho — fiz uma expressão extremamente exagerada de tristeza, o que arrancou uma baixa risada de Izuna e um olhar preocupado de Eiji.
— Só desta vez — ele gaguejou e puxou a minha camiseta, me trazendo para mais perto deles outra vez.
Meu sorriso automaticamente retornou quando os abracei novamente, e me senti como se estivesse sobre nuvens quando o pequeno me deu um rápido beijo na bochecha e em seguida fez o mesmo com Izuna. Ele nunca havia nos tratado daquela maneira, e por isso ficamos a sorrir como dois idiotas extremamente felizes.
— Agora, a minha história — Eiji abriu um largo sorriso ao dizer e rapidamente se soltou de nós e voltou a se deitar sobre a cama. Ele se cobriu sozinho e em seguida nos olhou ansioso.
— Oh, Deus — murmurei enjoado. Não aguentava mais aquela história do herói que lutava com um dragão e salvava a princesa. Todos os dias era a mesma coisa e Eiji sempre agia como se fosse a primeira vez.
Izuna riu em tom baixo antes de se levantar e ir até o pequeno, para beijar-lhe a testa. E quando também me levantei para apagar as chamas que iluminavam a cabana, ouvi o pequeno dizer em tom baixo:
— Amanhã eu durmo com você, e o papa que vai contar a história.
— Mal posso esperar — Izuna riu debochado ao dizer, e ainda de costas para eles, revirei os olhos. Ás vezes parecia que ambos faziam aquilo de propósito, principalmente Izuna.
Minutos depois, como esperado, a história foi exatamente a mesma, sem tirar ou colocar palavras novas, mas, ainda sem admitir, me diverti por ouvi-la de Izuna e também observar Eiji reagir a cada palavra como se fosse algo novo.
Apesar de ter se agitado tanto, logo o pequeno se virou para o lado da parede, e pegou no sono. Eu o observei com cuidado, sentado aos seus pés, e o cobri direito quando tive certeza de que estava completamente apagado. Izuna também o olhava, deitado na cama ao lado, e sorriu fraco quando sua atenção passou rapidamente por mim.
— Pensei que ele ia começar a me odiar — disse ele em tom baixo assim que se virou na cama e me olhou diretamente.
— Isso seria impossível — sorri de canto ao dizer, e em seguida dei atenção a Eiji novamente, tocando suas costas. — Ele só está acostumado a ter toda a atenção para si, logo irá entender.
Izuna assentiu devagar, e disse mais nada. Um confortável silêncio nos abraçou enquanto ainda observávamos o pequeno dormindo profundamente. Junto com o som da respiração dele, a pouca luz das velas deixava o cômodo aconchegante e calmo, porém, tudo correu para o oposto quando os nossos olhares voltaram a se encontrar. Eu estava ansioso novamente, e meu coração bateu mais rápido quando o vi se arrastar na cama, deixando um espaço ao seu lado, e batendo levemente sobre o pedaço vago em seu travesseiro.
Eu não cheguei a pensar nem uma vez antes de me juntar a Izuna debaixo da coberta, e também não demorei mais que um segundo para me inclinar sobre ele e enfim satisfazer o meu desejo de provar devidamente daqueles lábios, que logo descobri serem deliciosos demais para antes terem recebido tão pouca atenção.
Os braços de Izuna rodearam o meu pescoço enquanto nos perdíamos naquela carícia, e minhas mãos, sedentas por senti-lo, foram uma até sua cintura enquanto a outra se afundou nos cabelos extremamente macios.
Eu não fui tão controlado como normalmente era. Nenhum súbito juízo ou medo me tomou enquanto o envolvia em meus braços, e vê-lo se entregar cada vez mais só me fazia querer nunca soltá-lo.
Prolongamos o beijo até perdermos o fôlego, e assim que separamos os lábios, senti o meu coração ainda mais descontrolado pelo largo sorriso que o vi abrir abaixo de mim. Uma de suas mãos foi até o meu cabelo e arrumou a minha franja para trás antes de ele, ainda ofegante, me beijar simples e rapidamente. E aquela foi a minha vez de sorrir bobamente.
— Queria que tivesse sido assim desde o momento em que nos conhecemos — confessou em tom baixo enquanto ainda brincava com os meus cabelos.
Eu me aproximei um pouco mais e também roubei um rápido beijo.
— Isso seria um pouco... — ri ao deixar o final da frase solta no ar. — Tínhamos dez anos de idade.
Izuna riu abafado e fez uma boba expressão, como se tivesse pensado naquilo só após me ouvir.
— O quê? — Ele desceu as mãos para o meu peito assim que perguntou, e me acariciou devagar. — Agora não vem a parte em que diz “estúpido Uchiha”?
O jeito que tentou imitar a minha voz nas últimas palavras também me fez rir e em seguida balancei a cabeça de um lado para outro.
— Não — toquei seu rosto ao dizer, e desci meu polegar até seus lábios, onde acariciei vagarosamente. — Só a parte em que fico louco para te beijar novamente.
Eu não podia enxergar com clareza a cor que estava a sua pele naquele momento, mas a expressão e o sorriso envergonhado que vi perfeitamente o denunciaram.
— E o que está esperando? — Ele sussurrou assim que voltou a subir e descer as mãos em meu peitoral, me causando leves arrepios por todo o corpo.
Outro beijo que nos tiraria o fôlego mais tarde teve início no momento seguinte, e continuamos daquela maneira por boa parte da madrugada. Eu simplesmente não conseguia largar aqueles lábios, e me sentia impaciente até mesmo por minha própria respiração que ás vezes precisava de algum tempo para se recuperar. Eu só o queria de novo e de novo, até não conseguir mais respirar de vez. Nunca havia desejado tanto alguém daquela maneira tão necessitada que chegava a doer ficar segundos separados, e apenas para tomar fôlego. E o jeito com que Izuna se movia, me apertava em seus braços... também era a primeira vez que me sentia tão desejado.
Ele era incrivelmente tentador, e com aqueles beijos veio a necessidade por mais contato, e sem perceber já estava por cima dele enquanto esfregávamos nossos corpos um no outro, e de maneira alguma desgrudávamos os lábios. Um gemido dele foi abafado por minha boca quando apenas pensando no desejo que sentíamos, acabei pressionando o meu quadril sobre o dele. As mãos de Izuna foram para baixo de minha camiseta, e ele quase me arrancou um alto gemido quando rebolou os quadris e apertou os músculos de minhas costas.
Não consegui me segurar naquele beijo por conta do gemido comprimido, e tive que fazer um enorme esforço para não fazer barulho. Minhas calças se apertavam de maneira desconfortável em meu corpo, e a sensação piorou quando notei que pelo prazer que senti com aquele súbito movimento, havia fechado os olhos, e logo os abri. Izuna estava ofegante abaixo de mim, e seu olhar desejoso me fez sentir uma fisgada debaixo das calças. Ele logo levantou a cabeça e voltou a me beijar de maneira rápida, mas tão sensual que acabou me deixando zonzo. Suas mãos acariciaram o meu peito como antes e subiram até o meu rosto.
— Eu quero você — Izuna sussurrou contra os meus lábios, e o que senti naquele momento me fez perder completamente a cabeça.
Eu devorei seus lábios no segundo seguinte, e me esquecendo de onde estávamos, me sentei sobre a cama e o trouxe para o meu colo. Izuna voltou a mover os quadris de um jeito enlouquecedor, e sem conseguir me controlar, soltei um baixo gemido entre o beijo, o que enfim nos fez despertar, mesmo que não totalmente.
Nós paramos de nos mover por um momento. Meus olhos que estavam fechados só se abriram depois de um longo suspiro, e encostei a minha testa na dele antes de virarmos as cabeças na direção da outra cama. Eiji ainda dormia tranquilo e na mesma posição em que o deixamos, mas, ainda assim, um certo medo bateu naquele momento.
— Se ele acordasse e nos visse, eu iria querer morrer — Izuna disse um pouco antes de voltar a encostar nossas testas.
Acabei fechando os meus olhos quando ri em tom baixo.
— Podemos ser silenciosos.
Ele quem riu daquela vez, e em seguida soltou um ofego quando sentiu minhas mãos apertarem seus quadris com pouca força.
— Eu acho que gemeria só de vê-lo sem roupas agora — ele riu outra vez ao dizer tais coisas e vi sua face levemente envergonhada assim que abri os olhos.
— Não diga isso — pedi manhoso, enquanto acariciava seus quadris. Só de ouvir aquilo o meu corpo voltou a pegar fogo, e não queria arriscar nada enquanto não estávamos realmente a sós.
Suspirei fundo mais uma vez, tentando me controlar, mas era difícil com ele em meu colo e minhas mãos se movendo sozinhas sobre seu corpo que reagia muito bem àquilo.
— Ele definitivamente precisa de um quarto — eu disse em tom baixo, já conformado em minha mente, mas com o corpo ainda teimando em não esfriar.
Izuna assentiu devagar e sorriu ao dizer:
— Nós também. Principalmente.
Nós seguramos as risadas que queriam sair naquele momento, e logo o silêncio veio, mas não tão calmo como deveria ser. Ficamos algum tempo apenas nos olhando, enquanto ainda sem controle acariciava seus quadris e as mãos de Izuna passeavam por meus ombros e braços. Aos poucos eu estava conseguindo voltar a mim, porém, Izuna não me deixou tão tranquilo quando beijou levemente os meus lábios e em seguida sua língua passou por eles vagarosamente até enfim entrar em minha boca. Minhas mãos foram sozinhas até suas nádegas no segundo seguinte e assim que as apertei levemente, ele soltou os meus lábios e pelo os dele um baixo gemido escapou. Aquilo era demais para aguentar, mas precisei prender o fôlego quando notei no mesmo momento uma movimentação ao nosso lado. Senti o meu sangue congelar instantaneamente e soltei Izuna no segundo seguinte. Ele também parecia da mesma maneira, e mesmo vendo o pequeno ainda dormindo e que havia apenas trocado de posição na cama, acabou saindo do meu colo. Izuna respirou fundo, e envergonhado, cobriu o rosto com as mãos.
— É melhor ir para lá — ele apontou para a cama onde o pequeno estava quando sentiu que eu me aproximaria. — Eiji ficará triste se acordar e não te ver do lado dele — Izuna descobriu o rosto por completo e tentou fingir normalidade ao falar, mas o jeito com que evitava me olhar mostrava o quanto ainda estava agitado.
Eu sorri de canto ao vê-lo daquela maneira e me lembrar do quão descontrolado agiu minutos antes. Izuna já havia se mostrado tímido tantas vezes que jamais imaginei que ele seria tão espontâneo como foi naquele curto tempo, e pensar nisso só me fazia fantasiar sobre como seria quando fôssemos até o fim.
Buscando normalizar o meu estado, logo espantei aqueles pensamentos da minha mente, e após um longo suspiro, criei coragem para tocar o rosto dele. Izuna pareceu um pouco agitado com o toque, e sinceramente eu também fiquei, mesmo sendo algo tão simples e que não deveria ter malícia alguma. E ainda sabendo ser arriscado confiar em mim mesmo naquele momento, eu me inclinei devagar e beijei seus lábios de maneira simples, mas que fez meu corpo estremecer levemente.
— Te vejo amanhã — eu disse em tom baixo e um pouco desajeitado pela situação que se passava entre as minhas pernas.
Foi um pouco difícil conseguir me levantar normalmente e ir para a outra cama, mas tentando ter paciência e a mente clara, assim o fiz. Izuna logo deitou novamente e assim que o imitei, me virei em sua direção, sem coragem de olhar para Eiji.
Longos minutos se passaram, e nada de conseguir me acalmar e muito menos dormir. Meus olhos estavam fixos em Izuna, que claramente também estava acordado e encarando o teto. Eu só conseguia pensar no quanto queria voltar para aquela cama e continuar o que estávamos fazendo, ou simplesmente me deitar ao lado dele para dormir, mas sabia que a última ideia seria impossível pela situação em que estavam os nossos corpos.
Algum tempo depois Izuna se virou em minha direção, e meus lábios se moveram sozinhos ao sorrirem, enquanto ele me imitava ao mesmo tempo em que arrumava os cabelos. Meu coração disparou subitamente e sem um motivo aparente, e também sem saber o porquê, ri em tom baixo.
— Como chegamos a isso? — Sussurrei a pergunta para ele, que se aproximou um pouco mais da beirada da cama.
— Eu não sei — seu sorriso se alargou. — Mas eu gosto.
— Eu também.
E foi a última conversa que tivemos naquela madrugada. Eu dormi em certo momento, mas só depois de ter certeza de que Izuna também já fazia o mesmo.
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