Eiji
3 Capítulo Dois
Descuidado. Era a palavra que me descrevia naqueles últimos meses. Eu jamais pensei que qualquer shinobi veria interesse em um lugar como aquele. Todos seguiam rastros de destruição, sabendo que encontrariam seus inimigos no fim, mas ali havia apenas pessoas comuns, tentando ignorar aquela guerra que tomava tanto de todos. Então... o que ele fazia ali? Eu perguntei, mas obviamente não tive resposta. Nunca respondíamos as perguntas um do outro e mesmo depois de um ano, permanecíamos os mesmos.
Ele não respondeu a minha pergunta, e não respondi a dele, nem a primeira e muito menos a segunda, que me fez tremer ainda mais. Já havia escutado a mesma diversas vezes, mas não tive o orgulho e a resposta na ponta da língua como costumava ser, ali naquele quarto só tive medo acompanhado do silêncio.
— Vamos sair daqui — eu disse assim que encontrei minha voz. — Isso é entre você e eu.
— Isso — ele riu com deboche — é entre os Uchiha e Senju. Não seja convencido, Tobirama.
Minhas sobrancelhas se juntaram diante de suas palavras e fiquei atento quando vi seus pés se moverem para mais perto da cama. Izuna parou em frente à Eiji, que inocentemente o olhou no mesmo instante. Meu medo se intensificou naquele momento e dei um passo à frente. Ele poderia notar alguma coisa. A menor semelhança e viria ainda mais perguntas. Eu obviamente não diria a verdade a ele, mas o que faria se Izuna escapasse com a informação da existência daquela criança? Ele tentaria investigar, tinha a certeza que faria tal coisa, e mais do que tudo me preocupava com o que as consequências de meus atos fariam com o pequeno.
Eiji o olhou com curiosidade e levantou um dos bracinhos, na clara intenção de tocá-lo, mas Izuna não notou, pois novamente ficou atento aos meus movimentos e levantou a espada em minha direção.
— Quem é esta criança, Tobirama? — Perguntou com seriedade. — É seu filho? É por isso que sumiu por todo esse tempo?
Mais uma vez o respondi com silêncio e o ouvi suspirar cansado.
— Vamos para fora — disse entredentes, naquele ponto mais nervoso do que temeroso.
Ele suspirou mais uma vez e revirou os olhos, e então o medo retornou. Izuna segurou Eiji pelo braço e rapidamente o colocou contra seu peito. A espada que estava em minha direção passou a ameaçar o meu filho e por um momento achei que havia perdido a habilidade de respirar.
— O que está fazendo? — Perguntei indignado e ao mesmo tempo desesperado. — É apenas uma criança!
— É melhor pensar nisso antes de escolher não me responder outra vez — disse Izuna com seriedade, e trouxe a espada para ainda mais perto de Eiji que se assustou com a agitação repentina e o rosto se retorceu. Eu sabia que ele começaria a chorar a qualquer momento.
— Solte-o — dei um passo para frente enquanto falava, mas parei quando percebi que ele não parecia estar brincando. Nossos olhos se encontraram no mesmo momento em que Eiji começou a chorar e senti minhas mãos tremerem de ódio.
— Responda as perguntas, Tobirama — disse Izuna, sem demonstrar alterado pela reação da criança em seu colo.
— O que a minha resposta muda para você? — Cuspi a pergunta com raiva.
— Muda muita coisa — ele levantou as sobrancelhas ao dizer e ajeitou Eiji em seu colo quando o mesmo esperneou e aumentou o tom de seu choro. — Primeiro você some, e em seguida seu irmão muda de estratégia e nos ataca pelas costas. Isso é no mínimo suspeito. Eu não vou permitir que ganhem, já lhe disse. Jamais o deixarei em paz enquanto não se curvarem! — Izuna se alterou enquanto falava, o que assustou ainda mais o garoto. Ele enfim pareceu se incomodar com o barulho, mas não se calou. — Eu precisava ter certeza, e agora tenho ainda mais perguntas. Está planejando algo neste lugar ou... — ele olhou para Eiji e logo retornou para mim. De alguma maneira pareceu incomodado, e apavorado com o significado da expressão direcionada a mim, mais uma vez nada disse.
Eiji continuou a chorar, e Izuna pela primeira vez naquele quarto mostrou mais do que sua gélida seriedade. Ele mais uma vez acomodou Eiji e enquanto esperava por minha resposta, passou a chacoalhá-lo em seu colo. Tal cena me fez juntar as sobrancelhas e me senti extremamente incomodado pelo pequeno cessar o choro, mesmo ainda tendo a espada contra si. Izuna colocou o queixo sobre a cabeça de Eiji e sorriu de uma maneira provocativa.
— Eu vou matá-lo — disse entredentes e ouvi sua baixa risada.
— Promessas, promessas...
Meus olhos reviraram com aquilo. Por um momento agíamos como antigamente, mas nada era como antes. Izuna podia não saber daquilo, mas não tinha mais tempo para nossos jogos e provocações, eu tinha um filho para proteger.
Mais uma vez o silêncio nos agarrou naquele quarto. Izuna estava mais paciente do que o normal, e aproveitei para pensar melhor na situação. Ele havia me rastreado até ali, entendi assim que o ouvi. Por um breve momento me perguntei o que estava se passando com Hashirama e há quanto tempo Izuna estava à minha procura, mas afastei minha curiosidade sobre aquilo e me concentrei no que vivia ali. Não podia atacá-lo enquanto tinha Eiji entre nós, e sabia que uma conversa não resolveria o problema, na verdade eu não queria que palavras fossem a solução.
— O que houve com você? — A voz de Izuna me chamou a atenção. — Está lento demais. É por causa dele? — Ele levantou Eiji um pouco mais e encostou a lateral de sua cabeça na dele. A espada quase encostou na pele delicada e mais uma vez meu desespero me fez dar um passo para frente. — Não se atreva — avisou Izuna e moveu o braço, como se estivesse prestes a cortar o pequeno. — Quem é ele, Tobirama? O que faz aqui?
— Largue-o — ordenei mais uma vez, mas tão baixo e inseguro que foi difícil reconhecer a minha própria voz.
Estávamos andando em círculos com aquilo e Izuna pareceu pensar o mesmo que eu naquele momento, pois voltou a se mover.
— Não! — Acabei gritando para ele e demonstrando ainda mais como me sentia naquele momento.
— Responda-me, Tobirama!
Izuna também levantou o tom de voz e Eiji mais uma vez desatou a chorar. Ele se debateu entre o braço que o apertava e por um momento a espada quase encostou em sua pele. Izuna a afastou a tempo, mas logo voltou a ameaçá-lo. Eu me sentia humilhado, mas implorei para que ele o deixasse em paz, e Izuna pareceu se desesperar com a criança se debatendo sem parar, mas ele não o largou e continuou a repetir suas perguntas que não eram respondidas.
— Então, teremos que fazer do mesmo jeito de sempre.
O comentário me atingiu em cheio e por meus olhos passaram Itama, Kawarama, meu pai, todos mortos pelas laminas dos Uchiha, e em seguida olhei para a expressão agoniada de Eiji. Meus ouvidos se taparam por segundos, mas em seguida o barulho ensurdecedor no quarto voltou ainda mais forte.
— Não faça isso, Izuna, por favor — implorei e dei mais um passo, o vendo mover o braço outra vez. Meus olhos se fecharam com força e não vi outra saída além de gritar em meio ao caos: — Ele é seu filho!
Não pude ver sua reação imediata, mas acreditava que me olhava com confusão e descrença, era como eu reagiria diante de uma situação como aquela. Meus olhos se abriram quando não o ouvi dizer palavra sequer, e em minha mente torcia para ver Eiji intacto. Ele ainda chorava sem restrições, e aquilo era bom de certo modo, mas, ainda assim, me preocupei e olhei diretamente para o pequeno, que continuava a se debater, e felizmente não tinha mais a espada contra si.
Meu olhar aos poucos subiu até Izuna, e ele me encarava com uma seriedade inesperada. Ele parecia querer dizer algo, mas fortes batidas na porta o impediram de qualquer coisa. Do outro lado ouvi a voz preocupada da dona da pousada e mais uma vez fiquei alerta. Era claro que todo aquele barulho atrairia alguém, e desesperado voltei meu olhar para Izuna. Ninguém ali sabia que eu era um shinobi, caso soubessem, não teriam me deixado ficar nem por uma noite.
Izuna demorou a entender o meu olhar, mas quando as batidas vieram mais uma vez, ele rapidamente jogou a espada sobre a cama e a cobriu com o lençol que estava sobre ela. Não sabia se ele havia me entendido ou também queria evitar ser descoberto, mas fiquei parcialmente aliviado por ter escondido sua arma.
A porta logo foi aberta, e recebi a outra pessoa completamente apavorada e perguntando o que estava acontecendo ali. Meus olhos correram rapidamente para Izuna assim que a senhora forçou passagem para entrar no quarto e o vi tentando acalmar Eiji, como se estivesse acostumado com aquilo, e mais uma vez me incomodei com seu jeito de segurar o meu filho.
A dona da pousada olhou com desconfiança para o falso sorriso de Izuna, mas me ouviu quando mais uma vez contei mentiras a ela. Izuna era um amigo que me ajudaria com a mudança, e Eiji só havia estranhando a nova companhia.
Izuna me olhou seriamente quando ouviu sobre a mudança, mas interpretou seu papel perfeitamente ao se desculpar pelo barulho. Seu sorriso me incomodou tanto que tive que me segurar para não acertá-lo com um soco ali mesmo. Ele sempre era daquela maneira, agia tão falso que era extremamente difícil saber quem realmente era Izuna Uchiha.
Quando a porta do quarto finalmente foi fechada e ficamos a sós novamente, imediatamente andei até ele.
— Ele está machucado? — Estendi os braços em sua direção e o olhei de maneira ameaçadora. — Me dê.
— Por quê? — Ele segurou Eiji, que estava mais calmo, com os dois braços e deu um passo para o lado. Seu olhar sobre mim era analisador e em um piscar se tornou debochado. — Ele é meu, não é? Então por que o daria?
Minhas mãos se fecharam em punhos. Eu realmente não estava com paciência para aquilo. O olhei com nervosismo e o deboche logo sumiu e a seriedade de antes voltou.
— Por que disse aquilo? — Perguntou tão sério quanto estava sua expressão. — É claro que não é meu filho. Se eu tivesse um, saberia.
Eu estava cansado das brincadeiras, mas não resisti em olhar para ele de cima e rir malicioso. Izuna revirou os olhos e se afastou ainda mais, o que me trouxe de volta daquela atitude idiota.
— Só foi uma maneira de fazê-lo parar — disse após um longo suspiro. — Agora, me dê o garoto.
— Não — Izuna se afastou mais uma vez. — Você estava sério demais.
— Você mesmo disse que não tem filhos. Me dê a droga do garoto, Izuna!
Minha impaciência me deixou alterado mais uma vez, e Eiji me olhou assustado. Eu recuei diante daquele olhar e senti uma pontada no peito ao ver suas mãozinhas agarrarem a roupa de Izuna.
— Eu não irei machucá-lo — avisou Izuna, trazendo minha atenção para si novamente. — Mas se não me disser o motivo real de ter falado aquilo, sairei daqui com esse garoto e nunca mais o verá.
Outro suspiro e o olhei impaciente.
— Sabe que eu o alcançaria em um piscar de olhos.
— Eu sei — ele não se importou em admitir. — Mas tenho minhas dúvidas se vai realmente querer lutar com ele entre nós.
Ele estava certo. A única razão para não ter avançado desde o momento em que o vi era Eiji, e ele saber disso me deixou ainda mais impaciente. Eu precisava afastá-lo de alguma maneira, então resolvi dizer a verdade, ou um terço dela.
— Ele... — hesitei ao falar — é meu filho.
Suas sobrancelhas se levantaram e o vi balançar a cabeça de um lado para o outro.
— Você está claramente mentindo.
— Não estou! — Acabei gritando mais uma vez. Ele estava me tirando do sério. — Droga, Izuna, do que adianta querer respostas se não irá acreditar no que digo?
Ele não me respondeu de imediato. Nossa atenção fora para Eiji assim que fiz a pergunta, e mais uma vez senti o incômodo ao vê-lo tão à vontade. O pequeno, que até então estava atento em nossa conversa, se cansou e deitou a cabeça no ombro de Izuna, que ficou estático e claramente sem saber o que fazer. Ele ficou em silêncio e imóvel por algum tempo, mas logo o aconchegou em seu colo e me olhou envergonhado. Tal cena me embrulhou o estomago, mas me mantive inalterado pelo lado de fora.
— Eu sei quando está escondendo algo — Izuna disse em tom baixo e pigarreou em seguida. — Sei que tentamos nos matar em todos os momentos em que nos vemos e nem de longe somos amigos, mas o conheço desde criança. Não tente me enganar. Jamais conseguirá.
No meio de suas palavras a minha atenção voltou para Eiji. Seus olhos se fecharam aos poucos e no fim o vi cair no sono no colo dele. Eu não conseguia entender. Izuna o havia assustado, e ainda assim, se agarrava a ele como se o conhecesse há tempos. Seria pelo estranho parentesco? Ou ele simplesmente ainda não tinha a noção da diferença de uma pessoa para a outra?
As perguntas que me dominavam naquele momento eram tolas e sabia que não teria as respostas, mas elas me tocaram de uma maneira que fez meu coração não apenas se apertar. Ele era apenas uma criança e não sabia o que fazia, mas a cena em minha frente fez meu coração fechar e mais uma vez quis jogar tudo para o alto.
— Quer saber? — Disse no mesmo tom que o dele. — Leve-o — voltei a andar até a cama e me sentei sobre ela. — Estará me tirando um peso das costas.
A última frase fez meu peito se apertar ainda mais, e minha garganta doeu repentinamente.
— Está mentindo de novo — disse Izuna ainda baixo, como se temesse acordar Eiji. Como se minutos atrás não estivesse ameaçando sua vida.
— Cale a boca — olhei para ele ao dizer com a voz rouca. — Você não sabe de nada, é estúpido e burro como todo o resto, então pare de falar!
— Você...
— Você quer a verdade? — Voltei a me levantar, e nervoso demais, não me importei em deixar meu tom de voz sair dos quase sussurros. — Ele é seu. E eu o fiz para tentar destruí-lo! — Abri meus braços e dei de ombros. — Aí está a sua resposta.
Assim que dei as costas, fui tomado por arrependimento. Minhas mãos foram para a minha cintura e soltei um suspiro cansado. Eu estava exausto por ter que guardar aquele segredo, mas nenhum peso foi tirado de mim ao dizer aquilo para ele, só me trouxe ainda mais agonia.
— O fez? — O ouvi perguntar com espanto. — Você... como...
Me virei para ele, pronto para ouvir o quão sujo eu era, mas o que ouvi em outra situação talvez tivesse me deixado à beira de gargalhadas, mas senti-me ainda mais nervoso com tamanha burrice.
— Você me clonou?
— Oh, por Deus, Izuna! — Me esforcei ao máximo para não gritar minha frustração. — Ele não é um clone. Como pode ser tão estúpido? De que um clone me serviria?
“Estúpido Uchiha” gritei em meu interior e o olhei indignado.
Izuna, ao contrário da briga que achei que começaria por causa de meu insulto, nada disse. Ele permaneceu imóvel e em silêncio. Realmente não havia entendido o que eu disse. Por um momento pensei em deixá-lo continuar confuso e desfazer a idiotice que havia feito ao contar aquilo para ele, mas era claro que não me deixaria escapar com facilidade, e eu realmente estava cansado de fugir.
— É mais como... um filho, eu acho.
Novamente ele nada disse, e daquela vez o silêncio foi muito melhor do que ouvir mais um absurdo. Voltei a me sentar sobre a cama e cobri meu rosto com as mãos.
— Como? — Após longos minutos escutei a pergunta de perto e desci minhas mãos para o colo.
— Nós deixamos muito DNA para trás em campos de batalha — disse devagar e em tom baixo.
Ele se sentou ao meu lado e me senti extremamente desconfortável com aquela situação. Eiji ainda estava em seu colo e me recusei a voltar a olhá-los. Meus olhos continuaram a olhar para frente quando ouvi a pergunta que já esperava:
— Por que eu?
— Eiji não é só... — soltei um grunhido ao me interromper. Eu queria dizer que Eiji não tinha apenas parte dele, mas minha também. Queria dizer que tinha muito mais de mim, que o criou não apenas no laboratório, mas por todos aqueles meses, porém, deixar Izuna saber da origem daquela criança já era demais para mim, então ao menos aquela minha parte teria que ser mantida em segredo para sempre.
— Ele pode ter os mesmos poderes, mas ser mais forte que você, era para ser, mas algo deu errado e em vez de um homem, Eiji veio como um bebê.
Era estranho dizer tudo aquilo para ele, como se fossemos próximos ao algo parecido, mas o alivio que antes não conseguia sentir, começou a aparecer aos poucos.
— Uma arma — a afirmação saiu sussurrada e o senti se agitar ao meu lado. — Eu quero matá-lo.
Aquela declaração entredentes era nostálgica. Já havia escutado tantas vezes e rebatido suas palavras com a mesma intensidade, mas não naquele momento. Ele estava certo em sentir raiva e querer acabar comigo. A verdade era que todo aquele tempo com Eiji acabou me cegando, e toda a beleza que ele me mostrava era apenas uma ilusão para mascarar o meu pecado.
— Então mate — pedi em tom baixo e finalmente virando o meu rosto em sua direção. — Por favor.
Os olhos de Izuna se arregalaram assim que se encontraram com os meus, e imediatamente virou o rosto para o outro lado.
— Não — sussurrou Izuna. — Isso é um sonho. Sei que é. Todos esses meses te procurando acabaram mexendo com a minha mente.
— Não é, acredite — afirmei desanimado, pois já havia pensado daquela maneira muitas vezes.
Eu realmente estava cansado de tudo. Não conseguia acreditar que estava conversando com Izuna e não lutando. Estava sendo sincero com ele e não jogando insultos e ameaças como sempre. Aquele ano estava sendo estranho, eu mesmo vinha agindo de maneira atípica aquele tempo todo. Eu não era paciente com crianças, muito menos apegado a qualquer pessoa. Eu não conversava com meus inimigos.
— O que ia fazer com ele? Matá-lo?
As perguntas me deixaram tão espantado que me virei para ele novamente.
— É claro que não! Eu... ainda estava resolvendo isso — suspirei pesado ao terminar a frase e pousar meu olhar em Eiji pela primeira vez em muitos minutos. Era estranho. Como se eu não o visse há muitos dias. Meu peito se apertou novamente, e todos aqueles pensamentos sobre desistir e o quanto estava cansado foram esmagados com a simples imagem daquela criança. Ainda tentava me enganar depois de todo aquele tempo, mas a verdade era que não estava apegado ou deslumbrado por minha criação, eu o amava. Ele podia ser fruto de minha irresponsabilidade e ter o sangue de nós dois, mas era o meu filho.
— Me dê ele, Izuna — pedi em tom baixo e ele finalmente voltou a me olhar.
— Eu pensei que fosse um peso em suas costas. Por que ainda o quer?
Suspirei impaciente. Todo aquele tempo o vendo segurar Eiji estava acabando comigo, e poder ver suas intenções com aquela pergunta trouxe a raiva de volta.
— Por que você iria querer?
— Esta criança... — Izuna tocou as costas de Eiji com cuidado — é Uchiha, e não...
— Calado — o interrompi imediatamente. Minha respiração se descontrolou e senti-me esquentar por conta da raiva. — Nem pense nisso. Eu quebro todos os seus ossos antes de colocar os pés para fora deste quarto com ele.
Izuna me olhou com os olhos semiabertos e com a mesma fúria que sempre direcionava a mim, mas com um toque a mais, ele parecia mais alterado do que o normal. Ele se levantou de repente e fiz o mesmo rapidamente. Minha mão foi até seu peito e o segurei ali. Eu não podia deixá-lo levar Eiji. Aquilo acabaria comigo de todas as maneiras.
— Você ficou descuidado por causa desta criança — disse ele calmamente e sem desviar o olhar de mim. — Irá me agradecer um dia.
— Izuna — o chamei de forma ameaçadora, mas ele não reagiu como pensei. Izuna deu um passo para trás e suspirou fundo ao dar de ombros.
Eu não podia deixar aquilo acontecer, e mesmo não querendo correr o risco de machucar Eiji, finalmente decidi agir. Mas era tarde. Na verdade, era tarde demais no mesmo momento em que Izuna conseguiu colocar as mãos nele.
Assim que infundi chacra, entendi o motivo de Izuna parecer tão calmo e com a certeza de que sairia dali com Eiji.
— Realmente achou que eu viria atrás de você sozinho? — Ele perguntou ao se afastar. Izuna abriu uma das janelas do quarto e me olhou com seriedade. — Se me seguir. Todos aqui irão morrer.
Ele falava sério? Teria coragem de matar pessoas inocentes que não tinham nada a ver com nossos assuntos? Eu não sabia, e a incerteza me fez recuar. Não podia deixar que todos ali se ferissem por um erro meu.
— Izuna — chamei mais uma vez, porém, de uma forma vergonhosa carregada de suplica.
Ele me olhou uma última vez antes de sair dali. Seu olhar sério se tornou desprezo e sua cabeça balançou de um lado para o outro.
— Sempre achei que não poderia odiá-lo ainda mais — ele riu sem humor. — Mas eu estava errado.
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