Eight Days a Week
1 Excelsior.
Notas iniciais
[...]
– Acho que também preciso de você.
Ela não precisou sorrir para ele saber que ela estava feliz, mas ela o fez assim mesmo.
E toda a latência por trás de seu olhar oblíquo se dissolveu em suas íris esverdeadas – inebriantes como absinto. Então Pat percebeu o significado de tudo aquilo.
Ele não precisava que alguma nuvem eclodisse daquele nimbo-estrato cinzento que se instalara no céu, simplesmente porque o olhar cândido de Tiffany e sua declaração tão mais honesta que qualquer “eu te amo” já dito na história bastava. Aquilo era sua nuvem que se soltara. Tiffany era sua nuvem.
Ela estava escondida atrás de um nimbo-estrato denso, impenetrável. Agora, sem escudos, máscaras ou muros sólidos... ela era a mulher mais linda do mundo.
E bem, talvez Pat Peoples tivesse que ler e reler aquelas dez páginas da Tabela de Nuvens para tentar entender e classificar aquela nuvem tão distinta, para no fim de tudo, ele finalmente constatar que Tiffany é simplesmente inclassificável e incompreensível e é isso que a torna tão extraordinária.
Apoiado na balaustrada do Knight’s Park, tentando ignorar o desejo quase sexual de jogar pedras na camada fina de gelo do lago a sua frente, Pat percebeu o equivoco no que acabara de dizer. Ele não “achava” que precisava dela. Ele precisava dela. Muito.
– Eu preciso de você. Eu preciso dos seus lábios, seus olhos, preciso até das suas orelhas. Eu preciso dos nós dos seus dedos e do seu ronco quando você dá risada. Eu preciso acordar ao seu lado. Eu preciso disso oito dias por semana, por toda semana pelo resto de nossas vidas.Não me importa que você seja meio doida, porque eu também sou. Eu só... preciso de você. Muito mesmo. Você e nada mais. Oito dias por semana.
– Oito dias por semana – ela concordou – E vinte cinco horas por dia.
– Acho que estamos nos tornando meio psicóticos – sorriu.
– E quem se importa?
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