Ei, gatinho
9 Epílogo
Notas iniciais
PS: mesmo depois de anos, a gaveta da escrivaninha de Sasuke continua sendo utilizada para guardar todos os bilhetinhos que Naruto escreve para ele. A gaveta já está cheia.
— Terminado. — suspirei, afastando meus dedos do teclado do notebook para os estalar.
Fechei os olhos e descansei a cabeça na poltrona. Quem diria? Meu primeiro livro — pelo menos de romance — terminado. Até que não foi tão ruim escrever esse gênero, inclusive talvez eu faça mais alguma coisa com essa veia romântica. Alguma coisa que eu realmente queira e vá publicar. É, não parece uma má ideia.
— Sasuke? — escutei, além das leves batidas da porta de meu escritório.
— Entre. — respondi apenas.
— Cansado, gatinho? — Naruto perguntou, enquanto o barulho de seus passos ficavam mais próximos.
Eu ri. Não importa há quanto tempo tudo começou, ele nunca vai parar de me chamar assim. Essa é uma das poucas certezas que tenho na minha vida.
— Não, só estou descansado os olhos. — e voltei a abri-los, vendo Naruto colocar uma xícara de café fumegante em cima da mesa. — Obrigado.
É engraçado como isso tornou-se corriqueiro na nossa rotina, sempre que tem tempo — pois Naruto ainda tem clientes para dar conta na clínica dele — ele me traz um café, ou até mesmo uma coisa ou outra para comer, afinal, posso mergulhar tão profundamente em minha mente que esqueço até de comer às vezes.
Ele sorriu, daquela forma linda que vai sempre me encantar, que faz meu estômago revirar de forma inquieta. Puxei-o pela cintura, trazendo-o para meu colo e Naruto riu por causa do movimento brusco.
— Você está feliz. — afirmou. — O que aconteceu?
— Tenho uma coisa para te mostrar. — comentei, enquanto voltava a página inicial do arquivo.
Naruto observava-me atentamente, com aquela aura leve e brilhante. Até que afastei meu braço e permiti que ele lesse o que tinha escrito na tela do notebook.
— Para Naruto… — ele arfou, surpreso, e fitou-me. Eu apenas sorri e fiz um gesto para que ele prosseguisse. Naruto assentiu e voltou a ler. — Cuja paixão e insistência me deram a inspiração para escrever minha primeira, e única, história de amor.
Ele continuou a ler, ora ou outra rindo. Leu quase o primeiro capítulo inteiro antes que eu o interrompesse.
— Gostou? — perguntei, curioso.
— Se eu gostei? — Naruto riu. — Você escreveu nossa história! É claro que eu gostei, gatinho.
Sorri e beijei sua testa.
— Você pode ler o resto depois. — comentei, ainda atento a cada reação sua.
Ele assentiu animadamente e depois encostou suas costas em meu peito, deitando a cabeça em meu ombro.
— Lee ligou há pouco tempo, disse que já podemos visitar Sakura e o bebê. Ichiro o nome dele, sabe? — tagarelou.
Resmunguei afirmativamente antes de pegar a xícara de café e bebericar um pequeno gole. Estava realmente muito quente, mas muito bom. De repente me dei conta do guardanapo manchado que Naruto havia colocado como um tipo de descanso para a xícara, com o intuito de não sujar a minha mesa. E como se os anos não houvessem passado, senti meu coração falhar um batida antes de acelerar de forma enlouquecida. Peguei o guardanapo e me pus a ler seu novo bilhete:
“Não é difícil para mim amar você
Difícil para mim amar você
Não, não é uma coisa difícil...”¹
Sorri. Naruto parece que adivinha exatamente o que dizer nos momentos mais oportunos. Não é à toa que ele se tornou um dos psicólogos mais procurados em Konoha.
— Eu também amo você. — sussurrei, antes de beijar seus cabelos loiros.
Naruto suspirou, aconchegando-se mais ao meu corpo, envolvendo-me com seu calor e perfume gostosos e eu o apertei carinhosamente com o braço livre, afundando meu nariz em seus cabelos, para sentir melhor seu cheiro.
É em momentos como esse que eu percebo que a melhor coisa que fizemos, alguns anos após oficializarmos nosso relacionamento, foi decidir morarmos juntos. Naruto parece um raio de sol, quentinho e brilhante. Eu gosto de ter um raio de sol só para mim. Ele ilumina minha vida.
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