Egao no Tame Ni: por Causa de Um Sorriso
1 Capítulo Único: One-Shot
Notas iniciais
O ônibus era extremamente incômodo. Todos os passageiros se apertando, o motorista passando por ruas desfalcadas e recapeadas, jogando todo mundo de um lado para o outro, como se estivesse preparando um shake de frutas. Mas naquele dia eu podia pelo menos ficar de pé sem ninguém me esbarrando e me encochando.
Até havia alguns lugares vagos aqui e ali, mas eu não queria ficar sentado. Já tinha passado cinco horas numa cadeira ouvindo uns quatro professores diferentes explicarem matérias e conteúdos, abrindo livros e anotando (lê-se: desenhando) as coisas mais importantes em cadernos. Um dia como todos os outros; e naquela escola isso era um SACO! Bem, em qual colégio não é assim?
Eu não queria falar com ninguém, nem ver qualquer paisagem urbana pela janela, apenas me concentrar na música que eu ouvia mentalmente, já que me esquecera dos benditos fones quando saí correndo de casa, pela manhã. Quase tudo conspirava para um dia perfeito ― aviso de ironia na frase. Simplesmente tudo! Exceto... É, aquilo era uma exceção.
Quando a curva para o terminal foi feita pelo ônibus, um punhado de gente se levantou e correu para uma das portas do automóvel, incluindo a mim. Foi nessa hora que eu o vi. Baixinho, de cabelos negros, não muito curtos e desarrumados, com uma discreta pinta no queixo; só isso. Percebi tudo numa fração de segundos. Então procurei por seus olhos, para sabe a cor, e os encontrei olhando para mim. Foi nessa hora que dei de medroso.
Para explicar, tenho que voltar um pouco na noite anterior. Era a revista semanal do país, onde no meio das matérias, dizia uma que, para reduzir nosso stress diário, devemos ajudar a reduzir o stress daquela pessoa que encontramos nas ruas, nos escritórios, nas empresas. E que um simples movimentos de inúmeros músculos faciais, que formaria um sorriso, já era uma grande ajuda. Resolvi que iria tentar fazer isso, mas falhei na primeira chance.
Vendo que ele me olhava, desviei o meu olhar para a janela, discretamente, como quem observava o movimento lá de fora. Rapidamente ele também mexeu a cabeça, quebrando o contato. O que ele poderia querer comigo? Devia ter uns onze, doze anos, moleque daqueles que acham que já sabem tudo da vida e ainda são arrogantes. Nem voltei a pensar que ele poderia me fitar novamente. Voltei a observá-lo mais uma vez.
Sua pele devia estar bronzeada, não era morena e nem era branca. Seus cabelos desarrumados eram lisos, um pouco arredondados nas pontas. Vestia um uniforme, cujo emblema eu não conseguia ver de onde eu estava (droga!), além da mochila nas costas. Ah! A cor dos olhos! Quase tinha me esquecido! Voltei para o seu rosto, e encontrei aqueles orbes castanhos virados na minha direção.
Droga, ele está me olhando de novo. Bom, dessa vez eu vou sustentar o olhar dele!
Um...
Um Segundo já é bastante. Será que eu devo sorrir? Eu consigo? Meu Deus...
Dois...
Argh! Mas, se eu sorrir, o que pode acontecer? Bem, ele pode virar a cara e nem ver. Ou, se ver, me olhar estranho. Isso me deixaria com vergonha e corado... Mas e daí?! Não é porque sorri para um garoto que vão me conhecer mundialmente como “aquele que sorriu para um garoto estranho”!
Três.
Pronto, agora já fiz. Fiz um sorriso só de lábios, sem arreganhar os dentes. Bem, foi sincero, e é isso que importa. Olha, não foi tão horrível assim. Melhor, foi até melhor!! Ele teve uma reação mista! Surpreendeu-se no primeiro momento, desviou o olhar e corou, levemente, mas ele corou!!! Pronto!! Ganhei o meu dia!
Notas finais
Que vergonha >.<
E aí, como foi?? *-*
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