Efêmera Ilusão
40 Capítulo XL: Um péssimo começo.
Notas iniciais
– Eu preciso de café, muito café. É a única coisa que pode me acalmar agora. Hoje o dia será longo. – bufo e estico minha mão com uma caneca que mais parece uma jarra para Josh. Ele arregala os olhos e ri da minha cara. – é bom você não ficar com as suas gracinhas, Joshua. Eu estou na TPM, e tenho uma entrevista de estágio na Grey Enterprises Holdings hoje.
– Tudo bem, meu amor. Seu humor não está muito bom hoje e eu não serei inconveniente. Mas e então?! Você falou com o poderoso chefão? – Joshua debocha, ele se refere a Christian Grey.
– Eu liguei para ele antes de ontem, ele disse que seu filho estaria esperando por mim hoje, para uma entrevista. Estou muito, muito, muito, nervosa. Quero muito esse estágio, seria um bom começo. Você também tem entrevistas hoje, não tem? Eu já combinei com mamãe de deixar Serena lá enquanto estivermos ocupados com nossa caça ao emprego! – sorrio e Josh morde sua torrada, concordando.
– Acho que está tudo na perfeita ordem então. Não há com o que você se preocupar, esse estágio já é seu. Christian Grey deixou isso bem claro no natal. – Josh fala enquanto mastiga.
– Mas faz um bom tempo desde o natal. Vai que ele tenha mudado de idéia?
– Se ele o tivesse feito, não pediria para você comparecer na empresa hoje. Relaxe, Lex.
– Vocês não são os únicos a procurar emprego hoje. Eu também vou a caça. – Jennifer surge na cozinha, ainda de pijamas, um rosto inchado de sono e um coque bagunçado no topo da cabeça. Ela boceja e pega uma caneca, servindo-se de café e sentando na bancada.
– Onde você irá? – Josh pergunta e toma um gole do café.
– Ao Starbucks, é o melhor lugar para uma estudante trabalhar, pelo menos por enquanto.
– É... Boa sorte para nós três. – murmuro e tomo um longo gole de meu café.
Dou uma última olhada em minha roupa começando pelos pés: sapatos meia pata de veludo preto e salto grosso, pernas depiladas minuciosamente, saia lápis preta e bem ajustada ao corpo, camisa branca, alguns botões abertos mas nada exagerado, relógio de prata, aliança de compromisso bem polida, pulseira com a inicial do nome de Serena, unhas bem feitas e lixadas, bochechas levemente rosadas, lábios levemente brilhosos, cílios com um pouco de rímel e por fim, cabelo bem escovado e solto.
Respiro fundo e penso no modo como terei que me comportar, não posso falhar nessa entrevista, é minha chance de conseguir o estágio que toda pessoa da minha turma deseja, e até mesmo, se eu me sair bem no estágio, ser efetuada na empresa. Ai. Meu. Deus. Tenho que me controlar para não ter um colapso nervoso.
Josh entra no quarto e fica paralisado logo que me vê, ele veste uma calça jeans escura, sapatos sociais pretos e bem polidos e uma camisa cinza, ligeiramente dobrada até os cotovelos.
– Você está... Diferente. E incrível! – ele suspira e passa as mãos no rosto, surpreendido com o que uma roupa séria pode fazer a uma mulher de apenas vinte e um anos.
– Diferente como? Você acha que estou bem? Não estou... Exagerada? – murmuro nervosa e tenho vontade de roer a unha mas me controlo, não posso estragá-la agora.
– Exagerada? Você está linda, mais séria. Por isso diferente, não estou acostumado com você assim, mas está linda. Nossa Lex... Se eu pudesse... – coloco meu dedo indicador em sua boca e o beijo rapidamente.
– Tudo que eu menos preciso agora é imaginar o que podemos fazer um com o outro. Você também está lindo e bem alinhado. Agora precisamos largar Serena na casa dos meus pais e cada um seguir seu rumo. Se eu conseguir esse estágio, juro por Deus que treparemos a noite inteira. – sorrio e mordo seu maxilar, ele ri e me puxa para si.
– Promessa é dívida, Alexandra. Eu rezarei o dia inteiro para que esse estágio seja seu. – ele passa a língua em meus lábios e eu fecho os olhos, curtindo um pequeno momento de distração.
Eu vesti Serena com um macacãozinho jeans com uma agilidade que eu desconhecia possuir, ela ficou extremamente comportada enquanto balançava seu chocalho de elefante cor de rosa que Patt deu a ela alguns dias atrás. Josh colocou algumas fraldas e duas mamadeiras na bolsa de Serena, fechando o zíper da bolsa.
– Coloque um casaco na bolsa, tenho medo que esfrie e ela passe frio. – ele pega um casaco no pequeno guarda-roupa e guarda na bolsa. – vamos filha? Você vai ficar com a vovó hoje.
No carro, acomodo Serena em sua cadeirinha e coloco o bico em sua boca, ela bate palminhas e me observa sorrir. Jennifer senta ao lado de Serena e eu sento no banco de passageiro. Josh entra logo em seguida, dando a partida no carro.
O trajeto até a casa dos meus pais é silencioso, estamos todos tensos, o único som que há no carro e o do sugar do bico de Serena, de suas palminhas batendo uma na outra e das buzinas e motores na rua.
Quando chegamos, eu mal entro na casa, dou as instruções necessárias para minha mãe e prometo voltar em breve, ela não se preocupa com a questão de horário, pois adora cuidar de Serena e Patt adora quando ela fica lá. Me despeço de minha irmã, de minha mãe e mais demoradamente de Serena. Entro no carro e seguimos nossos destinos.
– Passe no Starbucks antes, eu preciso de um café ou terei um troço. – suspiro e Josh entra na rua em que há um Starbucks.
– Um expresso e um expresso machiatto e um... Café americano, por favor. Todos para levar. – Josh fala a atendente e entrega o cartão. – você tem entrevista no Starbucks perto de casa, Jen?
– Não, é perto da UNY. Decidi lá porque minhas aulas começam em breve e assim eu já vou direto pro trabalho.
– Tudo bem, quando largarmos a Lex na Grey eu largo você lá e sigo para a empresa que tenho que ir.
– Amo você. – sussurro no ouvido de Josh abraçando-o por trás e deitando meu rosto em suas omoplatas. Os atendentes correm de um lado para o outro do outro lado do balcão, tentando atender a todos os pedidos. Josh se vira para mim e passa os dedos em meus cabelos, olhando em meus olhos, bem no fundo deles, como se enxergasse até minha alma.
– Porque está falando isso agora? – ele sorri fracamente e encosta os lábios mornos nos meus, esperando por uma resposta.
– Porque eu amo você. – apenas movimento os lábios e ele sorri abertamente, um sorriso raro de se ver em Josh.
– Eu amo mais, muito mais. – ele me imita, apenas movimentando a boca. – e não fique nervosa, você é ótima... Vai conseguir tudo que quiser nessa vida. – ele segura minha nuca e me beija demoradamente.
– Dá para vocês dois pararem de se amar um pouco? Os cafés já estão prontos, podemos ir. – Jennifer reclama interrompendo-nos e carregando a caixa com os três copos.
– Boa sorte amor, e não fique nervosa. Amo você. – Josh segura meu rosto e me enche de selinhos. – você vai me esperar aqui ou vai pegar um táxi?
– Eu acho que depois disso irei buscar Serena. De qualquer modo, eu mando uma mensagem para você quando sair da entrevista. Amo você, boa sorte e se cuide. Tchau Jennifer. – viro-me para trás e aceno com a cabeça, ela me dá tchau.
Entro na empresa e tomo um gole demorado de meu café. Isso vai me ajudar a me sentir melhor, chamo o elevador e espero alguns segundos, quando o apito soa, com o café na mão me dirijo a porta do elevador mas uma mulher apressada pecha em meu ombro, fazendo meu copo saltar, seguro-o a tempo, mas o estrago já foi feito. Ah não não não não!
– Oh me desculpe! – o que foi que eu fiz? Me pergunto, sinto-me ficando vermelha e com as bochechas quentes. Estou tão envergonhada que não vejo quem é.
– Olhe o que você fez! Como irei trabalhar assim? – o homem esbraveja e olhos furiosos encontram os meus. O terno cinza que veste sujo em seu peitoral com o café que acabei de derrubar. Seu olhar é bravo, de quem está realmente muito bravo. Droga, droga, droga.
– Me desculpe, realmente não foi minha intenção derramar café no senhor... – de repente eu paro de falar ao perceber o quão bonito ele é. Alto, cabelos num tom escuro avermelhado, olhos azuis tão lindos quanto um céu num dia claro... Ele parece forte, sim, ele é muito forte. Sou interrompida e tirada de meus devaneios.
– Desculpas aceitas, mas se fosse minha funcionária estaria na rua. – ele ainda me encara, agora com os olhos escuros, como se quisesse me bater, sei lá. Que cara estressado!
Como ele ousa falar assim comigo?! Argh! "Se fosse minha funcionária estaria na rua" sujeito mais cheio de si, arrogante... Agora quem está brava sou eu! Eu ainda pedi desculpas por uma coisa que eu não estava intencionada a fazer! Bufo. E tento conter minha braveza.
– O senhor não pode falar assim comigo, nem sabe se trabalho aqui. – retruco-o brava.
– Oh, certamente nunca a vi aqui, mas por estar a essa hora com um café na mão e apressada, ou você está aqui para encontrar alguém, ou está indo a uma reunião – ele fala sério.
Olho em volta e o elevador travou, maldita hora para lembrar que tenho pânico de elevador, quanto mais elevadores que travam com caras extremamente arrogantes dentro! Oh meu Deus o que vou fazer para controlar essa sensação ruim, sem que o senhor arrogância perceba?! Sinto minha respiração acelerar, estou suando e com frio na barriga.
– A senhorita está se sentindo bem? – seu olhar muda de bravo para um olhar preocupado.
– Eu tenho medo de elevadores, e se o senhor bem reparou, estamos trancados – respondo tentando ser arrogante e acho que consigo.
– Eu estava tão furioso que nem reparei... Quando sair daqui terá um bom número de pessoas na rua por isso! – ele fala exaltado e com aquele olhar.
– O senhor adora demitir pessoas pelo que vejo. É o seu hobby ou o que? – começo a analisá-lo, ele é parecido com alguém que conheço, mas quem?! Meu Deus... Lembrei! Christian, amigo de negócios de meu pai, só que ele deve ser uns trinta anos mais novo. Como não pensei nisso quando o vi, ele só pode ser algo dele. Sinto meu corpo estremecer pela sensação de que ele poderia ser meu chefe e eu estar demitida antes mesmo de ter sido contratada. Espero que não seja ele que me entreviste, mas sei que será. É melhor ele não ser ninguém importante nessa empresa, caso contrário estarei em apuros.
– É um dos meus passatempos preferidos, senhorita. Digamos assim. – ele fala num tom que eu não sei se está sendo debochado ou está falando sério.
Sinto um alívio imediato quando o elevador dá um solavanco e começa a subir, movimentando-se novamente, quando olho para o painel vejo que estamos indo para mesmo andar. Após alguns segundos o elevador se abre. Uma mulher aparece colada na porta, como se esperasse por ele, ela tem um cabelo loiro muito falso e seios siliconados, seu decote está um pouco exagerado para quem trabalha na Grey Enterprises Holdings NY.
– Senhor Grey... O que houve? – ela pergunta, movimentando sua boca melada de gloss vermelho um pouco exageradamente. Quando ele a encara ela fica ruborizada e indica a mancha de café com o dedo indicador.
Eu ouvi bem ou... Ela falou “senhor Grey?”
... Continua.
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