Efêmera Ilusão
11 Capítulo XI: I can't be with you.
Notas iniciais
– Taylor, eu preciso que você me faça um favor. – falo com a voz firme.
Estava deitada em minha cama absorta em meus pensamentos, faz cinco horas que cheguei da casa de Taylor e estou completamente perdida, mas estou começando a pensar em tudo e a planejar tudo.
– Fale. – ela diz, com a voz baixa. E sinto que ela está preocupada do outro lado do telefone.
– Você não pode contar isso pra ninguém, ninguém mesmo... Isso vai ficar só entre você, eu, Brenn e Clara. Por favor, Tay. – choramingo.
– Você não está pensando em tirar essa criança, está? – ela fala, nervosa.
– Não! Óbvio que não. Eu não vou fugir das minhas responsabilidades... Eu vou ter esse filho, custe o que custar. Mas eu não quero que minha família e nem Josh fiquem sabendo, não por enquanto.
– Você ta louca? Como você vai esconder isso? – ela vocifera.
– Taylor, se acalme! Tudo vai se explicar, espere, apenas confie em mim ok? Não conte para ninguém. – respiro fundo – não esqueça, não conte absolutamente nada pra ninguém, nem pros seus pais, eles podem contar pro Paul e ai você já viu...
– Tudo bem, eu sei. Pode ficar tranqüila, mas você precisa dar um jeito nessa situação. – ficamos quietas por alguns instantes – eu vou estar do seu lado, não esqueça.
– Eu sei amiga, obrigada. – tenho vontade de chorar, mas me controlo – amanhã vou marcar uma consulta com o médico, para ver se está tudo bem... E a quanto tempo eu estou... É, você sabe. Você pode me acompanhar na consulta?
– Claro, Lex. Marque e me avise a hora que eu vou com você.
– Tudo bem, vou desligar agora, preciso descansar e pensar no que fazer, te amo.
– Te amo, se cuide — Taylor diz e em seguida eu encerro a ligação.
Quando vou largar meu celular no criado mudo ele toca novamente, Taylor deve ter esquecido de falar alguma coisa... Atendo rapidamente, certa de que quem liga é minha melhor amiga.
– O que foi agora? Não esqueça do que eu disse, não comente com ninguém! – falo baixo.
– O que não é para comentar? – ouço a voz de Josh e gelo na hora.
– Ah... Nada, pensei que fosse Taylor. Oi amor, não olhei o visor, estava com Taylor no telefone a segundos atrás. – tento mudar de assunto, ele fica quieto por um segundo ou dois e um frio percorre minha barriga.
– Hum... Mas o que é? Não posso saber? – ele pergunta, desconfiado.
– Ai Joshua, não é nada que você vá se interessar. É que eu descobri que... Uma menina que faz economia na UNY transou com um cara em um dos auditórios da faculdade.
– E você já transou comigo no banheiro de um dos prédios... – ele ri, maliciosamente. Isso mesmo, seu idiota. E é provável que seja por isso que eu esteja esperando um filho seu nesse momento. Penso comigo mesma.
– Pois é... Fofocas... Eu falei que não te interessaria. – suspiro aliviada por ele acreditar.
– Você está melhor do estômago, Lex? – ele pergunta com uma voz carinhosa.
– Sim, estou muito melhor.
– Tudo certo para eu buscar você no trabalho amanhã, amor?
– Na verdade não... E-eu... – gaguejo, tentando encontrar uma desculpa – eu tenho que estudar, acabo de me lembrar que tenho uma prova amanhã. Podemos deixar para outro dia?
– Sim... Tudo bem. – seu tom desconfiado surge novamente. – você ta tão estranha.
– É coisa da sua cabeça. Estou normal, sua namorada querida de sempre – falo carinhosa – preciso desligar agora, ok? Estou morrendo de cansaço. Amo você, muito – meu coração se comprime. Eu queria tanto te contar... Mas não posso.
– Amo você, muito mais. Sonhe comigo. – ele fala carinhosamente.
– Eu sempre sonho. – encerro a ligação, apertando o celular no peito. Me livro de um choro que passei a tarde inteira segurando, soluçando, inconsolável. Choro até cair em um sono profundo e cansado, regado de pesadelos em que Josh me abandona, se negando a assumir esse serzinho que vive dentro de mim.
Não fui trabalhar hoje, expliquei a minha chefe que precisava ir ao médico porque estava com muita dor de estômago.
– Você pode colocar está roupa aqui – Dr. Patrick me entrega uma camisola hospitalar – o banheiro fica ali – ele aponta para uma porta.
Volto segundos depois vestindo apenas a camisola hospitalar verde clarinha, Taylor está mais nervosa que eu, observando a cada detalhe do consultório.
– Pode deitar na maca, Alexandra. – o médico diz, apontando para cama forrada com lençóis brancos minuciosamente. – eu vou fazer apenas uma ultrassom para ver como está o feto.
– O teste de farmácia é confiável, doutor? Pode ser que eu nem esteja... Grávida – pigarreio, mexendo em meus dedos.
– É muito raro o teste de farmácia falhar. – ele diz, encolhendo os ombros.
Enquanto o médico faz a ultrassom, Taylor olha para o monitor e seus olhos demonstram nervosismo, minha amiga está mil vezes mais nervosa que eu.
– Você está quase fechando um mês de gestação. – ele fala, apontando para um pontinho minúsculo, quase imperceptível na tela – para ser mais específico, você está com pouco mais de 3 semanas.
Não consigo dizer nada, a sensação é estranha. No fundo do meu ser eu tinha esperanças de que poderia ser engano, que o teste poderia não ser confiável. Mas agora tudo realmente se confirma, eu grávida, 3 semanas, Josh...
– Você vai precisar ser extremamente cuidadosa a partir de agora, Srta. Boulevart – o médico sorri para mim, um sorri simpático – agora você não estará mais sozinha nos próximos oito meses.
– Quando Lex poderá saber o sexo do bebê? – Taylor o interrompe.
– Ainda é cedo para isso, Srta...
– Smith, Taylor Smith. – Taylor fala, apressadamente.
– Sim, Srta. Smith, Alexandra poderá saber o sexo do bebê quando estiver com aproximadamente entre 15 e 18 semanas.
Depois de repassar todos os cuidados com minha alimentação e minha saúde com o Dr. Patrick, e eu Taylor saímos do consultório, a procura de um táxi. Decidimos passar em algum lugar para comer.
Chegando ao La Lanterna Di Vittorio, pedimos um almoço bem leve, principalmente para mim que ainda estou sentindo os primeiros sintomas da gravidez.
– Você já falou com Josh? Depois que descobriu? – Taylor me olha, brincando com o cardápio.
– Sim, mas não contei nada, e nem vou.
– Como assim “não vai”? Ele tem que saber Alexandra.
– Eu vou terminar com ele, amanhã. Não podemos ficar juntos. Meu futuro já está fodido com essa gravidez, vou evitar de foder com o dele também.
– Ah não, Alexandra! Espere aí, vocês dois foderam juntos, e é por isso que essa criança está ai, se desenvolvendo dentro de você. – ela arregala os olhos, como se não acreditasse no que eu acabei de dizer.
– Está decidido Taylor, e você não vai interferir nisso. – suspiro, nossos pratos chegam e bebo um gole de minha água com gás. – vou contar pros meus pais quando for necessário, quando minha barriga estiver perceptível.
Levo uma colher da minha sopa a boca, está uma delícia, primeira comida que não me enjoa depois de dias.
– Preciso da sua ajuda para inventar alguma desculpa para Josh, ele não vai se contentar com qualquer coisa que eu fale, como bem o conheço.
– Ele vai achar que você é louca da cabeça, só isso. Quem se contentaria? Um dia você está bem com sua namorada, o relacionamento de vocês está ótimo e no outro ela termina com você dando alguma desculpa esfarrapada. Você vai deixar o homem louco. – ela me olha séria.
– Preciso também pensar em algo para falar para meus pais, quando eles descobrirem. Alguma desculpa por não ter contado antes. – digo, ignorando o que Taylor acabou de me dizer.
Na noite de quarta-feira, resolvo encarar meus problemas de frente e decido ir até o apartamento de Josh, esclarecer as coisas, a meu modo, é claro. Desde segunda-feira vim pensando em algo que poderia dizer, mas nada parecia bom o bastante.
Ele me recebe carinhosamente, me enchendo de beijos e falando que estava com saudades, o que faz meu coração pesar cada vez mais. A cada segundo que passa, tenho menos vontade de fazer o que estou prestes a fazer, mas preciso ser forte, é o futuro de Josh que está em minhas mãos e eu não vou estragá-lo.
– Nós precisamos conversar – falo, entrando no apartamento e me sentando no sofá, não consigo olhar Josh, por isso encaro o chão.
– O que foi, Lex? – ele diz, sentando-se no sofá também, ele levanta meu rosto e me beija, desvio os olhos dos seus o máximo que posso.
– Eu menti pra você. – digo rapidamente.
– Hã? O que? Mentiu sobre o que? – ele me olha confuso, soltando meu rosto.
– Eu... E-eu não posso mais fazer isso Joshua, me desculpe, eu sou uma idiota. – suspiro. Fique firme Alexandra. Meu inconsciente me diz.
– Você ta me deixando nervoso, Lex. Do que você ta falando?
– Eu te trai com Adam, mais de uma vez, duas até. Eu queria te contar antes mas eu... Eu não tive coragem e isso virou uma bola de neve. Eu não posso mais mentir pra você. – soluço.
Ele passa as mãos pelo rosto e respira fundo, ruidosamente.
– Acho melhor você... Ir embora Alexandra – ele não ousa me olhar, levantando-se do sofá e indo em direção, ele abre a porta e me olha – por favor.
Sua expressão é uma mistura de raiva, frieza e mágoa, muita mágoa. Desculpe, meu amor, desculpe.
Levanto do sofá lentamente, sentindo as lágrimas escorrendo por meu rosto aos poucos, paro na sua frente e o beijo, apaixonadamente, pela última vez, torcendo para que aquele momento durasse para sempre, mesmo sabendo que isso seria impossível, ele não retribuiu a nenhum carinho meu e vejo que alcancei meu objetivo. Dói vê-lo assim, mas é por ele, é só por ele.
– Isso é o fim? – pergunto, encarando o chão.
– Sim... – ele fala tão baixo, quase um sussurro – é melhor você ir agora.
A primeira semana sem Josh se arrasta, o que eram pra ser sete dias parecem ter se tornado uma eternidade, ele não me procura, nem liga ou manda mensagem e isso me mata um pouquinho a cada dia por dentro. Eu mal o vejo na universidade e essa falta de notícias está me enlouquecendo.
Quando chego da universidade em casa, jogo minha bolsa no chão do quarto. Ao trocar de roupa, percebo que há um pacote em cima da cama, me aproximo para ver o que é e percebo que é uma caixa repleta de bombons de chocolate, encontro um bilhete grudado a caixa. Leio com atenção.
“Sei que a tua boca já beijou a outra que não a minha. Sei que já amou a outros quando não me conhecia. Mesmo assim, teu carinho me tomou o peito, e hoje sem você não mais consigo ser do mesmo jeito.”
Não há assinatura ou algum nome indicando quem possa ter me mandado aquilo, mas pela letra eu sei quem é. Meu peito dói e não consigo conter um choro alto, um choro cansado, desesperado, um choro perdido.
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