Effect, wolf, vampire!

4 Capítulo 1.2 – Explicação/Lembranças


Notas iniciais
Esse ficou um pouco pequeno, mas eu simplesmente me surpreendi com o jeito que ele correu, tanto que eu nem soube como terminar ele direito. Mas.. tá aí! Boa leitura!

Não demorou muito para chegarem na residência da tsunde—digo, Mitsuri. Bateram na porta ao chegar, e foram atendidos rapidamente por Kaori após alguns segundos. Que foi correndo abraçar sua filha, quase empurrando o rapaz de pele mulata clara.

Kaori Ken é uma mulher de corpo esbelto, cabelos negros (Como o de Kirishima Touka, de Tokyo Ghoul), um pouco mais alta que Tsuryu e seios do tamanho C. Ela estava vestida com uma blusa verde-oliva da qual as mangas se estendiam por 80% do antebraço, calças compridas cinza que estavam contraídas e chegavam apenas até abaixo do joelho e uma sapatilha preta de veludo. Aparentemente, acabara de terminar as suas atividades de limpeza da casa.

– Que bom que você está bem, filha! – Kaori apertava-a bem forte, a ponto de começar a sufoca-la.
– M-mãe, está me sufocando... – O seu tom estava realmente fraco e suprimido, o que fez com que Kaori soltasse-a rapidamente.

– Espera, o que houve com o seu cabelo? – Colocou sua mão esquerda no cabelo de Mitsuri. Suspirou. – Entrem, anseio que me contem o que aconteceu. – Rapidamente se pôs a andar para dentro de casa, indo para a cozinha servir o chá verde que havia preparado anteriormente.

Mitsuri entrou primeiro, lentamente. Tsuryu hesitou um pouco antes de seguir para dentro da casa..

– Com licença... – Falou lentamente e com pouca intensidade, retirando os seus sapatos na entrada, colocando-os ao lado dos de Mitsuri e Kaori. Seguiu a garota até a sala de estar, observando todo o local.

– Sente-se, Tsuryu. – Estava sentada num dos dois sofás verdes de três lugares.

O compartimento era simples. Paredes verde-claro, teto branco e chão de lajotas brancas simples, que eram cobertas por um grande carpete negro, deixando apenas um pouco à mostra. Os móveis eram de madeira simples. Uma prateleira de madeira estampada em rosa leve. Encima dela estava um vaso prateado ornamentado em verde, que foi um presente da mãe de Tsuryu para Kaori. Uma pequena mesa de duas plataformas com 50cm de altura, entre dois sofás verdes. Ela estava cheia de coisas bem desarrumadas, blocos de notas, duas canetas, uma azul e outra preta e um copo de vidro vazio encima de um pires. Apesar disso, todas as folhas estavam em branco. A iluminação se devia a uma lâmpada eletrônica compacta acoplada diretamente no teto e coberta por uma espécie de tampa feita de vidro transparente.

O rapaz seguiu até a garota, sentando-se ao seu lado. Kaori se pôs a ir limpar a mesa rapidamente.

– Me desculpem, eu estava muito ocupada até pouco antes de vocês chegarem. – Jogou todos os blocos de nota em um cesto de lixo, levando-o até um canto da sala. Então pegou as canetas e colocou-as na plataforma mais baixa da mesa. Ela logo se sentou no outro sofá, de fronte a Tsuryu e Mitsuri. Colocou juntas as duas mãos nas pernas, no meio. — Espera, o chá! – Foi até a cozinha e serviu o chá rapidamente, em uma bandeja prateada simples e copos de porcelana muito bem feitos, com detalhes de árvore. Então, se sentou na mesma posição novamente, mas serviu o chá antes. – Podem me contar agora? – Ela segurava o chá com as duas mãos, dando um gole após terminar de falar.

– Claro. – Ele contou o que aconteceu num período de 10 minutos, parando apenas para dar um gole no chá cada vez que sua garganta secava. – E foi isso o que aconteceu.

– Mas espera, o que aconteceu com o cabelo dela? – Tsuryu olhou para o lado, confuso, até que finalmente percebeu que Mitsuri estava com o cabelo cortado.

– E-eu não percebi isso. – Abaixou a cabeça, decepcionado consigo mesmo.

– Isso foi por causa da briga que tive com as meninas. Eu dei um soco no rosto da Hikari e ela cortou o meu cabelo. – Falou com um tom meio triste. — Foi em auto-defesa. Ele seria cortado do mesmo jeito.

Então, Tsuryu e Kaori conversaram por cerca de 20 minutos sem parar, e Mitsuri apenas observava, levemente entretida com o diálogo.

– Então, antes de eu vir para cá pro Brasil, Professores reconhec-- Hm? — Foi surpreso ao sentir uma leve pressão no seu antebraço direito. Mitsuri havia caído no sono. Ao olhar para ela, o rapaz abriu um sorriso, satisfeito. – Bem, é bom que ela se deite num lugar adequado, não?

– Sobre isso, posso pedir para leva-la por mim? – Levantou-se, indo até a porta e pegando seu casaco, falando enquanto andava. – Eu preciso ir até a loja de conveniência, esqueci-me de comprar a revista da Toei desta semana.

– Espera, sério?

– É mais do o que sério! – Seus olhos e encheram com chamas de motivação. – O universo dos animes não deve ser subestimado, e os mangá são as melhores coisas que podem ser compradas semanalmente! Principalmente a revista que os trazem! – Disse com uma expressão motivada e de certa forma, intelectual. – Até mais! – Saiu rapidamente sem nem esperar a resposta de Tsuryu.

– C-calma!!! – Foi inútil, ela mal ouviu. – Droga... – Cerrou o punho com a maior força possível, mas logo deu de ombros e resolveu fazer logo aquilo. Pegando Mitsuri no colo, colocou-a lentamente em suas costas. Então, andou até o segundo andar, onde se deparou com três portas e um chão de madeira. O resto era idêntico à sala de estar, mas não tinha carpete. – E agora? Qual é qual? – No fim, verificou todas as portas, até identificar o quarto da garota, que estava super arrumado. Então, adentrando um pouco hesitante no quarto, colocou-a sentada na cama, virando-se enquanto segurava na sua mão para que Mitsuri não caísse e batesse sua cabeça. Então, deitou-a em seu travesseiro e embrulhou-a com o cobertor.

O quarto tinha uma coloração rosa bem clara, inclusive o carpete no chão. Havia apenas uma penteadeira com espelho, esta possuía 4 gavetas, duas pequenas e duas grandes e um banquinho à sua frente. Encima da penteadeira havia duas fitas diferentes, uma vermelha e outra azul e uma foto com moldura dourada. Fora isso, não havia mais nada no quarto fora pôsteres de dois animes, Sakurasou no pet na kanojo e Kokoro connect. Ele era bem vazio mesmo. Além disso, a janela era ao lado da cama de Mitsuri, cobrindo toda a parede, mas apenas se abrindo no meio.

Ele se pôs de pé com a coluna ereta, mantendo-se a olhar para a garota com um sorriso no rosto durante alguns segundos. Aquela pouca iluminação que a porta quase fechada trazia do corredor seria perfeita para o que aconteceria a seguir. Tsuryu virou-se 180° rapidamente, reparando na foto que estava na penteadeira, deu um passo para frente, achando que teria visto coisas, mas virou-se em 90°, ficando estático enquanto olhava para a imagem, extremamente surpreso.

Era a única foto que eles dois haviam tirado juntos durante o melhor inverno de suas infâncias. Teria sido logo depois de um acidente que Tsuryu sofreu para salvar a vida de Mitsuri. Nela estavam Tsuryu, com seu rosto quase completamente enfaixado, deixando apenas os seus olhos à mostra, e Mitsuri ainda crianças. Eles estavam se abraçando com apenas um dos braços, sorrindo de orelha a outra, andando sobre a neve, com um casaco branco de adulto sendo compartilhado, calças de frio e botas de neve. Com a outra mão, cada um segurava uma espada de madeira que estavam presas em seus pulsos por uma pequena corda, além de estarem com capacetes brancos de soldados. Em seus pescoços, era possível ver cordões, que aparentemente se completavam. O de Tsuryu era a metade de uma chama ardente, enquanto o de Mitsuri era de uma gota de água com o exato formato das chamas.

Quando percebeu, haviam lágrimas caindo de seus olhos. Ele começava a se lembrar de toda a sua infância antes de tanta coisa acontecer, caindo no chão do quarto, de joelhos, sem tirar os olhos da foto. Então, colocou a mão no seu bolso, retirando o cordão de metade de chama ardente e colocando-o em seu pescoço.

– Sim... Aquele foi o melhor período da minha vida... – Colocou as mãos no chão, deixando suas lágrimas caírem no chão. – Eu não tinha que mudar... Mesmo assim, eu resolvi fazê-lo. – Deu um soco na superfície de madeira, com raiva de suas escolhas. No entanto, se levantou logo após, olhando para si mesmo no espelho. Estava com uma expressão triste e extremamente chocada, e assim ficou, estático, por cerca de 1 minuto. Quando sentiu um empurrão vindo de sua frente.

– Pare de amaldiçoar as suas escolhas, idiota! – Era Mitsuri, abraçando-o com força. – Não foi você mesmo que me disse para sorrir ao lembrar-me do passado? Que ele foi necessário para nos tornarmos fortes como somos hoje? – Suas lágrimas molhavam as roupas do rapaz. – Eu também sofro ao ver um amigo chorar, principalmente alguém que não tem mais motivos para isso! – Acidentalmente deu uma cabeçada no queixo dele, que não fez muito efeito. Logo, se afastou, dando um passo para trás. Estava um pouco corada e olhava para suas mãos, que estavam encostadas nas alças das gavetas pequenas da penteadeira. – É... Desculpe-me, Tsuryu.

– Pelo que está se desculpando, idiota? – Abraçou-a forte, pressionando sua cabeça contra o próprio pescoço. – Obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado... – Ele continuou agradecendo por mais alguns segundos, até que os barulhos cessaram. Suas lágrimas ainda caíam. Um tempo depois do silêncio irromper, Mitsuri resolveu falar.

– Então... Pode me soltar? – Suas mãos estavam empurrando levemente Tsuryu, que a estava sufocando.

– Espere um pouco. – Engoliu o resto do choro e limpou suas lágrimas com um dos braços, só então soltando Mitsuri, dando alguns passos para trás. – Então, eu vou indo agora. Desculpe-me por fazer-te preocupar-se. – Andou até a porta, abrindo-a, mas foi interrompido antes de sair.

– Aqui está. – Tsuryu virou seu rosto rapidamente. – A metade oposta à chama. – Ela estendeu suas duas mãos, e entre elas estava à outra metade do cordão.

– Ah sim, pode ficar com ele. – Retirou o próprio, indo até Mitsuri, pegando a parte d’agua e juntando com os dois.

– É sério? – Tsuryu já havia colocado o cordão nela. – O-obrigada!

– Não há de quê. Você me venceu naquela aposta.

Essa aposta que ele mencionou era a seguinte: quem se manteria psicologicamente da mesma forma por mais tempo poderia ficar com o cordão completo.

– Agora vai dormir, temos aula amanhã. – Foi até o outro lado da porta, e antes de fechar, olhou para ela novamente, com um sorriso no rosto e os olhos meio-cerrados. – Oyasuminasai! – Falou em tom alegre e pouco intenso.

Já eram cerca de 11:00PM quando ele saiu da casa e se encontrou com Kaori na frente dela.

– Eu tenho que ir, sua vez de cuidar dela. – Andou na direção contrária da mulher, colocando a mão sobre o seu ombro por apenas um segundo, logo direcionando ambas as mãos para os bolsos. – Buona sera, Ken-san.

– Tá, até mais, Tsuryu. – Estava concentrada demais na revista para despedir-se adequadamente.

– Tsc, criançona. – Murmurou para si mesmo.

Depois de alguns quarteirões percorridos, havia chego no metrô e pego o último trem que ia em direção a sua casa, quando recebeu uma ligação de número novamente desconhecido, mas desta vez não tinha nenhuma ideia de quem seria. No fim, como já era de costume, atendeu no terceiro bipe.

– Bonjour. – Falou calmamente, olhando para a janela com os olhos meio-cerrados.

– Como vai, Mach-kun? – Uma voz alegre e energética falou do outro lado da linha. Tsuryu sabia exatamente quem era.

– Shiroo... Entrou em encrenca de novo? – Riu levemente após terminar a frase.

– Isso é crueldade, sabia? – Disse de forma constrangida. – Não, não é isso. Eu estou chegando numa cidade chamada de Benção Cultural e queria que você soubesse.

– Espera, sério? – Se espantou, olhando para a janela e vendo o avião.

– Sim, vou frequentar a escola de artes Natsu, por vontade da minha mãe. Estou aterrissando no momento.

“Só pode ser brincadeira” Pensou. Sua expressão não era nem feliz e nem triste. – Etto... Shiroo, eu tenho que desligar agora, vejo você mais tarde.

– Muy bién, buona sera. – Ele mesmo desligou. Já havia aterrissado e não queria perder mais nenhum segundo dentro daquele avião.

Ao mesmo tempo, Tsuryu chegou até sua estação, andando em passos rápidos até sua casa.

Do outro lado da cidade, Mitsuri estava deitada em sua cama, totalmente embrulhada, pensando no o que havia acontecido com o seu melhor amigo durante o período em que sumiu.

– Tsuryu... O que aconteceu com você? – Proferiu em tom tristonho.

E enquanto isso noutro país, no terraço de uma mansão gigantesca, uma garota observava as estrelas.

– I think it's time to visit that person. – Falava em tom meio quieto. Quando ela terminou de dizer essas palavras, Tsuryu sentiu um calafrio por todo o seu corpo.

– Por que eu estou com um mau pressentimento? – Olhava para o céu, com uma cara de “vai dar merda...”

Notas finais
Ohoho. Eu realmente tô ansioso pra escrever o próximo. Mas eu pretendo fazer ele realmente grande, então vão ter que esperar até a semana que vem! Traduções, como sempre: Oyasumi/Oyasuminasai/Buona sera = Boa noite. Muy bién = Muito bem. I think it's time to visit that person = Acho que está na hora de visitar aquela pessoa.