Notas iniciais
Luka x Singrid

Luka estava sentado olhando para o nada. Todo os dias eram iguais. Ele segurava um pacote cuidadosamente embrulhado por ele. Era verdade que o embrulho não era tão bonito quanto ele costumava a ver até um século antes. Com quase um milenio de idade, vira e participara das mais diferentes festas. Estivera nas festas dos antigos Romanovs do império russo. Em bailes da grande Rainha Elizabeth I da Inglaterra. Era dezembro. Imaginava que devia ser mais ou menos no Natal.

– Está com a cabeça em Júpter, Volkie? — Singrid riu passando a mão na frente do rosto dele.

– Na verdade estou lembrando de quando era certo. Quando não deviamos nos esconder e matar para sobreviver.

– Entendo — Singrid disse vestindo uma blusa de manga comprida.

Los Angeles ventava bastante e os cabelos coloridos dela. Luke apertou o presente e se aproximou dela.

– Hey... Você lembra que devia ser Natal? — Luka sussurrou.

– Lembro... Por quê?

– Porque eu peguei isso para você.

Luka entregou o embrulho e Singrid o retirou sem cuidado revelando uma tinta de cabelo.

– Mas que porra é essa, Volkie? — Singrid o olhou e ele deu uma risadinha.

– É para o seu cabelo. É uma tinta.

– Sei como funciona. Mas... Quem disse que eu quero?

– Eu odeio esse seu maldito cabelo colorido. — Ele tocou os dreadlocks da garota.

– Eu não permiti que desse opinião sobre meu cabelo. Não permiti que odiasse.

Luka suspirou.

– Mas posso amar seus lábios. — Luka passou o polegar no lábio inferior da loira.

– O quê?! Sai de perto de mim, Volkie. — Ela se afastou de Luka.

Ele riu e a puxou pela cintura a colando contra ele.

– Não posso. Tenho um contrato.

Luka beijou Singrid com um carinho inesperado da parte dele. Singrid se separou dele dando um tapa na cara dele e saiu resmungando:

– Maldito vampiro. Idiota.

Ele riu mais uma vez e tirou a camisa buscando o edredom no armario. Da cama, Singrid olhou as cicatrizes imaginando cada história de como ele as conseguira.

– Gosta do que vê? — Ele perguntou rindo.

– Eu.. Eu não. Não.

Luka se aproximou sério e sentou ao lado dela na cama.

– Essas, — Luka mostrou a do ombro até o ante-braço — Foi quando eu ainda estava no orfanato. Essas — Ele olhou para as da barriga até o quadril — Foi quando sofri minha primeira tortura e as demais foram em brigas com outros vampiros.

Sem perceber, Singrid tocava as cicatrizes, como se fossem rios até que uma delas continuou sob o jeans. Ela retirou a mão e ele sorriu

– A mudança — Ele continuou — mais dolorosa no meu corpo foi quando isso, — Luka pos a mão no peito — parou de bater.

Dessa vez foi Singrid quem o beijou. Um beijo rápido.

– Agora saia da minha cama. Pretendo dormir.

– É claro, Boneca. Boa noite.

Ele foi para o sofá e logo ambos pareciam dormir, mas apenas pareciam. Ambos estavam fingindo dormir pensando no maldito beijo que compartilharam.

– Eu a odeio.

– Eu o odeio.

Os dois murmuram para si mesmos ao mesmo tempo.