Efeito Hipnos

1 O Projeto Morfeu - Parte I


Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo, tenha uma boa leitura! :D

25 de fevereiro de 1996, Congresso Internacional de Ciência Educação e Medicina, Massachusetts, EUA. Em um palco grande e luxuoso com uma cortina vermelha ao fundo, um homem de baixa estatura com cabelos negros e topete em forma de onda, tem toda a atenção para si. Ele arruma seu terno escuro e sua gravata azul, para ficar perfeito no corpo e em seguida olha para alguns papéis que tinha guardado no bolso. Em frente ao microfone da bancada ele começa a dizer aos pouco mais de duzentos cientistas do congresso:

— Senhoras e senhores, tenho o prazer de poder me apresentar a vocês hoje. Meu nome é Frank Dinatra, sou neurologista e filósofo.

Todos prestavam atenção em seu rosto levemente corado, seu queixo quadrado e longo, suas bochechas magras, e seu nariz reto, ele continuou dizendo com um sorriso no rosto:

— Vocês devem estar pensando... "O que esse neurologista quer nos apresentar que nós já não conhecemos?" E eu lhes respondo com outra pergunta. Vocês já sonharam alguma vez?

Seus olhos castanhos e escuros brilhavam, apesar de estarem atrás de óculos retangulares. Suas sobrancelhas finas apontavam pra baixo, e seu sorriso, extraia cada vez mais a atenção dos congressistas.

— A resposta é óbvia, todo ser humano já sonhou pelo menos uma vez! Pode ter sido um sonho sem significado, um sonho bobo, um sonho erótico, porque não? Mas todos já sonhamos uma vez. As vezes tivemos sonhos ruins, os chamados pesadelos. E apesar deles existirem por tanto tempo e acontecerem com tanta frequência, nós ainda não sabemos quase nada sobre eles. É por isso que venho a vocês hoje, nesta noite, apresentar o projeto que vai mudar os paradigmas da ciência e medicina, transformando o impossível! Em possível. Senhoras e senhores...

— Atrás de Frank as cortinas se abrem e um telão aparece com a imagem de uma espécie de cúpula metalizada, cheia de aparatos tecnológicos, algumas partes feitas de cobre e na parte de cima quatro espelhos de forma octogonal.

— Eu lhes apresento o "Projeto Morfeu"!

Todos ficam surpresos com tamanha invenção, apesar de não saberem exatamente do que se trata, então Frank começa a explicar.

— Sim, é isso mesmo. Eu e meu colega Robert Clentford viemos desenvolvendo esse projeto em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, apesar de estar em sua primeira versão, acreditamos que o Projeto Morfeu será totalmente funcional. A cúpula terá duas funções no início, a primeira função eu e meus colegas chamamos de tarefa A: Ondas eletromagnéticas potencializadas, irão se canalizar nos quatro espelhos de oito pontas, da parte de cima do projeto, essas ondas irão entrar em ressonância e serão capazes de determinar se o indivíduo começou a sonhar ou não. Essa é a primeira tarefa.

A imagem da telona muda em forma de slide, mostrando uma cama comum no interior da cúpula.

— Com a tarefa A concluída passamos a tarefa B: Por meio de duas máquinas de ultrassom avançado, a chamada: "Unidade Flash" o Projeto Morfeu irá mostrar qual região do cérebro é ativa durante o sonho, tudo isso em questão de minutos após o indivíduo começar a sonhar. A princípio essas são suas funções mas, em um futuro não muito distante eu e meus colegas pretendemos atualizar Morfeu para podermos visualizar estes sonhos em telas de computador, onde poderemos futuramente estudar seus significados. Mas para podermos idealizar tamanho feito, precisamos de uma verba considerável. E é por isso que venho pedir ajuda a quem ficou interessado, a financiar esse projeto, precisamos da ajuda do governo. Eu agradeço a todos pela oportunidade do discurso. Abrirei agora uma sessão de perguntas e respostas para sanar quaisquer dúvidas que o público possa ter.

Na plateia, os congressistas discutiam entre si, até que um senhor robusto de média estatura com sobretudo marrom, se dirige ao microfone da plateia e começa a questionar num tom de arrogância com sua voz presunçosa:

— Desculpem-me, mas será que eu entendi isso direito, caros colegas? O senhor Dinatra aqui, quer usar o governo para conseguir recursos e financiar um projeto que estuda a sonhos? O quão louco isto é?

O senhor de bigode caído e cabelos crespos e grisalhos usa uma cartola também marrom, seu rosto é rechonchudo, seu nariz se escondia por causa de suas bochechas e seus olhos pretos e desafiadores encaravam Frank, e este o responde:

— Me desculpe senhor, qual é o seu nome?

Frank faz uma cara de dúvida e tenta entender o porquê de tamanha grosseria, e o senhor o responde.

— Eu sou Charles Dougminton físico e engenheiro, e eu não gostei nada do seu projeto ele é um insulto a todos aqui presentes hoje.

Charles mais uma vez falou com arrogância e continuava desafiando Frank, que o responde:

— Senhor Charles, eu devo lembra-lo que o senhor está numa sessão de perguntas e respostas, o senhor ainda não fez nenhuma pergunta. Eu não posso responder as suas críticas.

Irritado, Charles questiona: — Pois muito bem, qual benefícios uma pesquisa expansiva dessas sobre sonhos! Deus do céu... Pode trazer para a humanidade, senhor Dinatra?

Frank alarga um pouco sua gravata, pois ela parecia estar apertando seu pescoço sempre que ouvia Charles falar, Frank respira fundo e começa a responder:

— Os sonhos são importantes para psicologia, se conseguirmos aprender mais sobre eles estudando, podemos entender os significados dos sonhos. Alguns podem ser profecias e ter ligação direta com a vida de cada pessoa, já foi provado que os sonhos não são inúteis e podem sim influenciar os humanos, o exemplo circunstancial é o Déjà Vu mas precisamente o Déjà Vécu, que nos passa a impressão de ter presenciado e sentido algo antes do que no momento exato, apesar de nunca ter acontecido. A pessoa de certa forma sonhou com aquele determinado momento e sentimento. Existem também os sonhos lúcidos, que são tão realistas que fazem o nosso corpo se mover como se estivéssemos acordados, mesmo no meio do sono. Se conseguirmos estudar os sonhos desta forma poderemos não só desvendar seus mistérios como até mesmo treinar para controla-los durante a noite. Os sonhos são inspiradores, se pudermos sonhar todas as noites acordaremos de manhã inspirados para trabalhar e seremos até mesmo mais produtivos, depois de uma boa noite de sono. Diversas terapias poderiam ser feitas com pacientes diagnosticados com depressão, dentre diversos outros benefícios que o estudo e controle do sonho pode nos trazer. Espero que o senhor tenha entendido, senhor Charles.

Surpreso com a resposta, mas ainda confiante em desbancar Frank, Charles questiona:

— E quanto essa pesquisa vai custar, senhor Dinatra?

E a resposta vem logo em seguida:

— Nas fases mais avançadas do projeto eu e meus colegas estimamos que o custo será algo entre três a cinco milhões de dólares.

Charles sorri, e continua debochando de Frank.

— Por favor senhor Dinatra... Acha que algum governo no mundo vai financiar um projeto desses?

Frank estava prestes a se irritar com Charles, mas ainda manteve a calma e compostura, mais uma vez ajeita seu terno e responde:

— Senhor Charles, como o senhor deve saber em 1961, John F. Kennedy fez um discurso logo após a primeira missão Apollo. Seu objetivo era colocar o homem na lua até o fim daquela década, e depois de muito esforço e recursos usados o homem chegou a lua na missão Apollo XI mas não foi barato. Foi gasto mais de um bilhão de dólares e quinhentos mil funcionários, tudo isso para pousar em um monte de nada. Nada na ciência é barato, ainda mais se forem grandes inovações, como a que pretendemos fazer.

Charles se surpreende mais uma vez, e agora pergunta irritado com tamanha alegação:

— Você quer comparar a ida do homem a lua com essa sua invenção ridícula? Você vive mesmo em um mundo de sonhos, senhor Dinatra!

Os ânimos da plateia pareciam estar divididos, Charles tinha conseguido fazer o que ele queria, e Frank tinha finalmente perdido a paciência vendo a plateia cheia de opiniões divididas e preparava uma resposta não muito amigável para Charles. No momento em que Frank iria responder, seu colega Robert Clentford, um homem alto com cabelos loiros e crespos e um terno branco, o impede e assume o controle da bancada, este começou a dizer:

— Senhoras e senhores congressistas agradecemos por sua atenção, mas a sessão de perguntas e respostas vai ser finalizada por aqui, há, há, há, há!

Todos olhavam seu rosto magro, queixo curto, nariz reto e boca sorridente, seus olhos eram verdes como esmeralda, Robert é um verdadeiro galã. Ele terminou dizendo para os congressistas que já estavam confusos com tudo o que havia acontecido.

— Caso queiram sanar suas dúvidas por favor entre em contato conosco por telefone ou venham em nosso laboratório aqui perto, peguem o nosso cartão eu sou Robert Clentford e digo a vocês, não desistam de seus sonhos!

Robert desce correndo da bancada deixando ela vazia até outro homem começar a sua apresentação, os congressistas ficaram totalmente confusos depois do ocorrido, mas Charles sorria com uma sensação de dever cumprido.

Fim da Parte I

Notas finais
Gostou do capítulo? Não esqueça de avaliar, me ajude a caçar os erros que passam despercebidos na hora da escrita, com uma boa e velha Review, valeu!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.