Efeito Cinderela
8 Virando Abóbora
Notas iniciais

—O que você gosta de fazer?
—Eu gosto de assistir filmes, ouvir músicas...
—Interessante! Eu também! Eu vivo sozinho em um apartamento.
—Eu também. É tão chato viver sozinha.
—Eu sei. E o que você faz nos feriados?
—Eu passo o tempo em casa. Odeio feriados, especialmente o dia dos namorados, porque eu não tenho ninguém especial para dar presentes, nem nada.
—Eu também.
—Qual é o seu hábito mais irritante?
—Roer as unhas.
—Qual é o seu sonho?
—Abrir meu próprio estúdio. E o seu?
—Eu não sei. Talvez viajar pela Europa.
Kyle anota no cartão a sua avaliação sobre Kyndel.
O sino toca.
—Acho que a gente se vê,não?
—Claro. Eu entro em contato com você. Até mais.
—Até.
Kyle pega o seu cartão e se retira da mesa. Kyndel anota no cartão dela a sua avaliação sobre Kyle.
"Ele é um cara legal, se parece um pouco comigo...bom" —Ela pensa.
Os participando iam chegando e conversando entre eles até dar os 4 minutos.
[...]
O tempo havia passado e todos os participantes se retiraram, com excessão de Kyndel que ainda ficava sozinha na mesa. Danielle e o filho se aproximam dela e sentam-se na mesa para conversar com ela.
—O que achou do encontro? — Danielle ficou curiosa.
—Foi divertido. Mas, acho que não quero conhecer nenhum deles.
—Parece que ela não encontrou o príncipe encantado ainda, mãe — Eros percebeu.
—Está tudo bem. Não desista.
—Não, claro que não. Ele deve estar em algum lugar, eu acho...
Eros olhou para o relógio na parede que marcava exatamente 00:30 e informou Kyndel.
—São exatamente meia-noite e meia.
—Deus! Eu vou voltar a ser como eu era antes? — Kyndel ficou desesperada.
—Sim. Dentro de...uma hora — Danielle alertou.
—Eu preciso ir! — Kyndel exclamou.
—Eu te levo — Danielle retrucou.
—Mãe, quer que eu vá junto? — Eros quis saber.
—Não precisa, filho. Fique aqui e feche o café — Danielle aconselhou.
—Está bem — Eros replicou.
[...]
Na rua, Kyndel e Danielle entraram no carro e saíram cantando pneu.
—Dá para ir mais rápido? — Kyndel ficou preocupada.
—Eu estou indo o mais rápido que eu posso. Segure-se.
Danielle apertou o acelerador ao máximo saiu voando com o carro.
[...]
Chegando no apartamento, o corpo de Kyndel começou a mudar. Seus seios ficaram retos, e a saliência entre as pernas voltou. O rosto de Kyndel começou a ganhar feições masculinas mesmo com toda aquela maquiagem. Kurt se tocou, levantou a barra do vestido e puxou a calcinha preta que estava usando por baixo do vestido, sua saliência havia voltado. Ele entrou em pânico.
—Não! Eu não quero ficar assim! — Kurt exclamou.
—Desculpa, Kurt. O efeito só dura até meia-noite. Volte na minha loja amanhã — Danielle aconselhou.
—Por favor, você tem que fazer alguma coisa! Eu não sei... — Kurt suplicou.
—Venha para a minha loja amanhã. Até amanhã!
Danielle acenou um "Tchau" para Kurt e sua imagem foi desaparecendo aos poucos.
Kurt olhou para os lados e não viu mais Danielle. Ele estava sozinho e amargurado e começou a chorar. De repente o céu daquela noite começou a se fechar com nuvens cinzas, e a trovoar. Relâmpagos caiam várias vezes fazendo clarões no céu. A luz oscilante dos clarões iluminava e saia do rosto de Kurt enquanto ele continuava a chorar.
O dia havia chegado ao fim.
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