Efeito Cinderela
4 Conte-me o seu desejo
Notas iniciais
Café Eros
Danielle e Kurt ainda conversavam na mesa do café.
— Então, você não vai me ajudar? — Kurt quis saber. Ele esboçou uma cara de decepção.
—Kurt, eu vou te ajudar, só não com conselhos —Danielle se explicou.
— Entendo. Desculpa eu perguntar, mas...porque você parece não gostar de falar na sua prima, Althea? — Kurt ficou curioso.
— Porque...minha prima é terapeuta de casal, e ela mesma nunca se deu bem em seus relacionamentos. Todos os homens que ela namorou terminaram. Sempre que ela levava algum homem para a cama, ela acaba ficando sem aquele "Tesão", sabe? — Danielle riu— Percebe a ironia da coisa?
Kurt começou a rir, mas logo parou.
—Entendo. Mas então, você pode me ajudar? — Kurt suplicou.
—Mas é claro, docinho — Danielle sorriu para Kurt.
— Eu preciso me desabafar com alguém — Kurt se abriu.
—Então, fale comigo. Eu não mordo, eu juro —Ela riu um pouco — Eu estou brincando.
—Bem, como eu começo? Eu tenho me sentido tão sozinho ultimamente.
— Sozinho? — Danielle ficou curiosa — Conte-me! Eu tenho todo o tempo do...Bem, esqueça essa última parte.
Danielle se censurou. Afinal, quem sempre teve "Todo o tempo do mundo" era Cronos, o senhor do tempo, e irmão de Zeus.
— Dia dos namorados — Kurt começou — Eu odeio dia dos namorados...
—Por que, querido? — Danielle se espantou.
— Bem...— Kurt interrompeu.
Danielle pegou a mão direita de Kurt e começou a acariciá-la, como um agrado da parte dela.
De alguma forma, Kurt começou a se sentir mais calmo.
— Você vê casais na rua se beijando, dando presentes uns para os outros, todo mundo feliz...e eu? — Kurt questionou — Eu apenas fico sozinho no meu apartamento, dormindo...Deus! Eu tenho vontade de...não sei, pular da varanda do meu prédio. Afinal, o mundo não precisa de mim, o mundo não...liga para alguém como eu...
Só de pensar no que havia dito, os olhos de Kurt começaram a se encher de lágrimas.
— Eu não consigo fazer isso — Kurt entrou em desespero...
— Kurt, acalme-se. Eu estou aqui com você. Eu ouço todo o tipo de sofredor. De corações partidos, os mais comuns, até aqueles que apenas querem se abrir com alguém, como você — Danielle explanou.
— Por favor, Danielle. Me ajude! — Kurt suplicou.
— Eu vou te dar um conselho:"Para ser feliz não precisa de dinheiro e qualquer outra coisa a não ser um sorriso" — Danielle aconselhou.
— O que isso significa? — Kurt quis saber.
— Apenas pense nisso e tire suas conclusões — Danielle deixou Kurt refletir naquilo.
— Bem Kurt, eu tenho esse serviço de encontros, o Venus Dating Service. Talvez você devesse tentar.
—Como funciona? — Kurt quis saber.
—Às sextas ou sábados eu reúno os participantes em um local determinado, cada um faz perguntas, preenchem uma ficha sobre os potenciais pares e depois você recebe um email de confirmação sobre a sua pretendente. Você estaria interessado?
—Eu acho interessante essa ideia. Como eu faço para participar?
—Você precisa preencher uma ficha de cadastro online no site do nosso serviço com os seus dados, aceitar os nossos termos e condições e nós marcaremos o encontro.
—Parece tentador...Quando terá um evento desse?
—Hoje à noite.
Danielle fez um guardanapo ganhar vida e uma caneta tinteiro rosa aparecer e anotar o endereço do site de encontros para Kurt, apenas movendo o dedo indicador. Ao terminar de escrever o endereço do site, a caneta desapareceu e Danielle passou o guardanapo para Kurt.
—Aqui. Esse é o endereço do nosso site. Se você estiver mesmo interessado, é só preencher o cadastro.
Kurt pegou o guardanapo com o endereço, dobrou e o guardou no bolso da calça.
—Você quer algo para beber? Posso lhe oferecer um chá, um café...?
—Obrigado. Eu acho que vou aceitar um chá.
—Está bem. Eu vou trazer para você. Você quer perguntar alguma coisa?
— Bem, você pode me transformar em uma garota? — Kurt quis saber, apesar da perguntar parecer um pouco constrangedora.
— Claro. Tudo o que o coração deseja, eu posso fazer — Danielle retrucou.
— Bem, obrigado — Kurt agradeceu.
— Eu já volto.
— Tudo bem.
[...]
Algum tempo depois, Danielle volta com uma bandeja de metal redonda contendo um bule de água quente, uma xícara de chá, um pote de açúcar, um envelope de chá de camomila e um cupcake de baunilha com uma cobertura rosa e confeitos coloridos por cima.
—Aqui está —Danielle começa a distribuir as coisas na mesa.
—Obrigado —Ele agradece olhando para ela.
—De nada, querido —Ela coloca a mão direita no ombro direito dele e a esfrega devagar.
Danielle pega a bandeja vazia e se retira. Mas ele a intervém.
—Espera!
Ela volta para a mesa e o olha.
—O que é, querido?
—Esse Cupcake, eu não pedi isso.
—Isso é cortesia da casa. É para acompanhar o chá, mas eu devo avisá-lo. Você deve comê-lo à noite. É a noite que a magia do amor acontece. Eu coloquei um pouco da minha receita secreta de poção do amor. O efeito da poção só dura até a meia-noite, depois disso você voltará ao seu estado normal.
—Entendo. Obrigado pelo conselho.
—Tome o chá e a noite o Cupcake.
—Obrigado.
—De nada.
Danielle se retira e volta para o balcão. Kurt fica na mesa tomando o chá tranquilamente.
[...]
Mais tarde, Kurt pega o cupcake e vai até o caixa pagar a conta. Ele coloca o cupcake em um canto do balcão enquanto saca a carteira do bolso e a abre.
—Quanto é que eu devo?
—Só o chá, 3 dólares mais imposto.
—Toma aqui —Kurt paga com uma nota de 5 dólares.
Danielle dá o troco para o rapaz e ele pega e guarda na carteira.
—Obrigado. Ah, pode embrulhar para levar o cupcake?
—Claro.
Kurt passa o Cupcake para Danielle e ela o coloca em uma pequena caixinha de papelão com alças e o Cupcake dentro e a entrega para Kurt.
—Aqui está. Prontinho. Obrigada e volte sempre.—Ela diz com um sorriso.
—Obrigado.
Kurt pega a caixa e sai do café.
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