Efeito Cinderela
6 As Verdades Sobre Você
Notas iniciais

No nono andar de um prédio de escritórios, com serviços como dentista, escritórios de advocacia, psiquiatras, etc. Ficava o escritório de uma terapeuta de casais, a Dra. Althea Peters, prima de Danielle.
Althea estava em sua sala esperando por um casal que iria consultar com ela.
Althea tinha cabelos loiros e compridos presos em um coque com uma presilha dourada e algumas mechas onduladas suspensas. Ela vestia um jaleco branco aberto com seu crachá, uma blusa de seda azul que combinava com os olhos verdes dela, uma calça preta com risca de giz que era de um terno que ela tinha, mas raramente usava, e sapatos de salto azul.
Ela estava sentada em uma poltrona de couro preto reclinável, com braços de metal cromado e que girava. Na mesa dela havia um porta treco, um telefone sem fio preto, e algumas fichas de pacientes sobre ela.
O escritório era bem espaçoso com dois divãs de couro e pernas de madeira, um verde esmeralda e um vermelho, perto da janela, uma mesinha de tampo de vidro preto com um vaso de flores sobre ela. E um sofá no canto da parede ao lado de uma estante de livros sobre psiquiatria e outros assuntos todos organizados.
Na mesa dela havia duas cadeiras com estofamento de couro preto e braços e pernas de metal.
Althea resolveu dar uma olhada na ficha de alguns pacientes que tinham o perfil completo deles com uma foto deles presa com um clipes de papel.
[...]
De repente, a porta se abre interrompendo Althea. Ela volta o olhar para a porta e vê a sua secretária que tinha cabelo castanho, olhos castanhos, usava óculos estilo gatinho com strass, vestia uma camisa preta com uma saia secretária preta,meia calça da mesma cor e sapatos de salto.
— Ah-ham — A secretária pigarreia limpando a garganta— Com licença, Dra. Peters.
— Sim, Peggy? O que deseja? — Althea inquiriu.
— O senhor e a senhora Halliwell estão ai. Eles disseram que marcaram uma consulta para hoje com você — Peggy a notificou.
— Ah sim, mande eles entrarem, por favor — Althea pediu.
— Sim, doutora — Peggy se retirou com um sorriso no rosto.
Peggy foi até a porta da sala da Dra. Peters, se segurou na borda da porta e chamou o casal que estava sentado no banco de espera do lado de fora da sala.
O casal, Matt e Carol Ann Halliwell, se levantou das cadeiras e foi até Peggy.
Matt vestia um terno preto com um sapato da mesma cor e uma blusa cinza de gola rulê por baixo do terno. Ele usava um relógio Rolex no pulso esquerdo. Matt tinha cabelo preto curto e arrumado com gel, olhos azuis, e um cavanhaque.
Carol Ann tinha cabelos ruivos cacheados e compridos, olhos verdes, vestia um vestido branco com uma jaqueta preta de couro e sandálias de couro.
Peggy os levou até a sala.
— A Doutora já vai atendêlos — Peggy disse solícita.
— Obrigada — Carol agradeceu.
— Obrigado — Matt agradeceu e seguiu atrás de Carol.
O casal entrou na sala e Peggy fechou a porta.
[...]
Na sala, a terapeuta se levantou da mesa e foi cumprimentar o casal.
— Olá! Eu sou a Althea Peters. Eu sou terapeuta de casais. Essa é a sua primeira vez aqui? — Althea retrucou.
— Olá doutora — Carol estendeu a mão e cumprimentou a médica — Sim, essa é a primeira vez aqui.
Althea cumprimentou Matt com um aperto de mão e ele retribuiu.
—Olá, Doutora — Matt sorriu — Sim, essa é a nossa primeira vez aqui, mas eu espero vir mais vezes com uma médica tão...bela como a senhora — Matt brincou.
— Matt! — Carol exclamou — Isso não é engraçado.
— Eu sei, querida. Eu só estava brincando. Esse seu gênio...é por isso que estamos aqui — Matt lembrou.
— Engraçado, tem alguma mulher que você não tenha dado em cima? — Carol inquiriu.
— Desculpa, querida. Eu já disse que eu estava só brincando — Matt se desculpou.
— Desculpa, doutora. O meu marido dá em cima de qualquer mulher que passe na rua. Só porque eu neguei sexo a ele já faz alguns meses..— Carol explanou a doutora.
— Entendo. Bem, analisaremos isso durante a consulta — Althea replicou.
— Está bem.
— Por favor, sentem-se — Althea pediu.
Matt e Carol se dirigiram as cadeiras perto da mesa da doutora e se sentaram.
—Ok. Vamos começar — Doutora disse depois de se sentar na sua mesa — Digam seus nomes.
— Carol Ann Halliwell — Carol retrucou.
— Matt Dillon Halliwell — Matt respondeu.
— Qual é a idade de vocês? — Althea quis saber.
— Eu tenho 37 anos — Carol respondeu.
— E eu tenho 44 anos — Matt respondeu.
— Ok — Althea disse já anotando os dados em um bloco de papel que ela pegara na gaveta de sua mesa.
— Qual é a profissão de vocês?
— Eu trabalho com seguros de vida — Carol replicou.
— Eu sou ginecologista — Matt respondeu.
Althea parou de anotar e começou a refletir.
— Bem, vocês tem profissões muito diferentes, isso é interessante — Althea comentou.
—Pois é. O Matt acha que por ser ginecologista ele pode dar em cima de qualquer mulher que passe na rua — Carol comentou.
— Não, eu não acho isso — Matt contestou — É só que...ser ginecologista abre portas, ou melhor, pernas...Tem suas vantagens — Matt falou com sarcasmo.
Carol voltou o olhar para Matt.
— Matt você é um cafajeste, sabia? — Carol exclamou.
— Querida, eu te amo. De verdade, e eu não trocaria você por nenhuma mulher, mas...a sua greve de sexo...por favor, libera a perereca ai! — Matt devolveu.
— Não, Matt. Eu não quero fazer sexo com você sabendo que você depois vai me trocar por uma qualquer — Carol exclamou.
— Desculpa — Althea interrompeu— Qual é o seu estado civil?
— Casados — Carol e Matt responderam juntos.
— Bem, eu estou pensando em me divorciar dele por isso — Carol retrucou.
— Mas, eu não quero me separar dela, doutora. Eu a amo — Matt rebateu.
Althea analisou friamente a situação.
— E a quanto tempo vocês estão casados? — Althea levantou uma das sobrancelhas.
— 18 anos — Carol respondeu.
Matt apenas ficou calado. Carol também se silenciou.
— 18 anos ...—Althea refletiu — Me respondam uma coisa, como vocês se conheceram?
— Bem, doutora...— Carol tentou puxar da memória aquele momento já distante.
— Eu me lembro dessa época como se fosse hoje. Eu estava indo para o meu consultório e...eu fui quase atropelado por um carro e...a Carol me salvou na ocasião. Depois disso ela perguntou se eu não estava interessado em comprar um plano de seguro de vida pra evitar que mais acidentes acontecessem comigo. Ela perguntou se eu estava bem, eu disse que sim, eu olhei para ela e a achei muito bonita, e...na ocasião fazia calor, e ai eu lembro que eu olhei para ela e os raios de sol refletidos ao redor da cabeça dela pareciam formar um brilho especial, como uma aura ou algo parecido...eu só sei que eu pensei: "Eu encontrei um anjo..." e ai eu comecei a gargalhar daquilo, e acabei me apaixonando por ela...dai nós fomos para Las Vegas, enchemos a cara e quando nós acordamos nós estávamos casados de aliança no dedo e nós nem lembrávamos o que tinha acontecido — Matt contou.
— Não, eu me lembro que não foi bem assim que nos conhecemos — Carol contestou.
— Tá bom, Carol. Conte como você acha que foi...
— Foi assim, ele estava saindo de um Starbucks com um copo de café na mão e falava no celular dele. Eu pedi licença a ele e mostrei alguns planos de seguro de vida, perguntei se ele estava interessado em comprar. Ele me olhou, me achou com cara de mendiga, e me deu 25 centavos e eu disse que eu não queria o dinheiro dele, eu queria vender um plano de saude.
— E depois? — Althea interrompeu.
— Depois ele me ignorou, não saiu do celular nem por um momento para falar comigo, e ai eu vi ele indo com o café na mão e...ai um carro veio e atropelou ele. Eu vi ele deitado no chão, ele não tinha nenhum ferimento nada, e eu disse: "Isso não teria acontecido se você tivesse comprado um plano de saúde de mim"
— Interessante...— Althea comentou.
— Bom, dai eu o ajudei a se levantar e perguntei se ele gostaria de comprar um plano de saúde. Ele me olhou e com um belo sorriso disse: "Garota, eu compro o seu plano de saúde se você me disser o seu nome e o seu telefone. A propósito, você tem Facebook, MySpace, Twitter, Instagram, etc?"
— E o que você achou da abordagem dele? — Althea ficou curiosa.
— Bem, eu achei que ele tinha cara de safado e eu nem devia ter caído na conversa dele, mas resolvi dar uma colher de chá pra ele, pois eu queria testá-lo, ver até onde ele ia com aquele papo dele. Não sou do tipo romântica, eu gosto mais é de uma boa sacanagem mesmo. Resolvi bancar a donzela em perigo — Carol revelou.
— E ai vocês se casaram?
— Sim, mas não foi em Las Vegas, porque eu não ganho todo esse dinheiro com os planos de saúde que eu vendo. Eu mal conseguia pagar as contas do mês. Eu morava sozinha antes de encontrar o Matt. Dai depois que encontrei ele, nós começamos a namorar até que nos casamos numa antiga capela, e o resto é história — Carol admitiu.
— Bem, eu acho que vocês devem dar mais uma chance a si mesmos. Mas comecem aos poucos. Porque as coisas começaram a acontecer muito rápido e acho que isso não tem dado a vocês uma chance de respirar no seu relacionamento. Eu quero que vocês dois conquistem um ao outro com pequenas coisas. Façam como se fosse a primeira vez de vocês dois. Comecem do 0 — Althea aconselhou.
— Obrigada, doutora. Nós vamos tentar isso — Carol retrucou.
— Obrigado, doutora — Matt agradeceu.
— Disponham. Eu acho que vocês não terão quaisquer problemas futuramente, mas...se tiverem, me procurem — Althea retrucou.
— Sim, nós faremos isso — Carol disse já se levantando.
Matt se levantou e ele e Carol então apertaram a mão da Dra. Althea Peters.
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