Notas iniciais
O bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.
Efeito Borboleta, analisado em 1963 por Edward Lorenz

Como toda história, começarei do início. Lebanon, Pennsylvania, ano de 2000. Estava na pré-escola, junto aos meus amigos. Todos fazíamos trabalhos de recorte e cola.

- Ei, Nathan, eu escrevi meu nome! — gritou a meiga garota de nome Ana, que realmente havia escrito seu nome com pedaços de revista

- Que legal Ana, também escrevi o meu — respondi, mostrando meu trabalho

Era tudo muito feliz nessa época, pelo menos até eu apagar. Quando voltei à realidade, estava com minhas mãos sujas de sangue e folhas coladas em meu rosto. Todas as crianças olhavam com medo e Ana chorava desesperadamente ao olhar para mim.

Olhei para o chão, vi Denis, o valentão, com seu nariz sangrando muito, a ponto de ter uma hemorragia externa. Olhei para cima, vi Sra. Dantas, minha professora, olhando decepcionada para mim.

Fui levado em casa pela Sra. Dantas.

- Sra. Manson, está aí?

- Quem é? — pergunta minha mãe

- Sra. Manson, sou a professora do Nathan, ele bateu em Denis Travor hoje na aula.

Minha mãe e a professora ficaram conversando, e quando minha mãe veio brigar comigo, falei a pura verdade, que não lembrava do que havia acontecido, ela insistiu em perguntar, e eu continuei respondendo que não lembrava.

Preocupada, minha mãe me levou ao médico, onde fiz tumografia cerebral para ver se algo estava errado.

- Sra. Manson, sinto-lhe informar, mas o Nathan tem um pequeno tumor no cérebro — alertou o médico, calmamente

Minha mãe começou a se desesperar, mas o médico a relaxou

- É pequeno, não o fará mal, mas não podemos retirá-lo, está pequeno demais, e, se tentarmos, podemos acabar matando seu filho. Não se preocupe, com o tempo ele ficará perfeito. Mas, para observá-lo, faça com que ele escreva em diários todos os dias e tire fotos bem amrcantes — explicou o doutor

Minha mãe, aliviada, saiu de lá comigo. Ainda preocupada estava chorando ao dirigir o carro. Chegamos em casa e eu escrevi meu primeiro diário, contando sobre meu dia.

Sete anos se passaram, era dia de consulta semestral no médico, minha mãe estava mais calma do que quando descobrimos o tumor, mas o médico, para piorar, liga para ela:

- Sra. Manson, o tumor no seu filho está muito grande, traga-o ao hospital para vermos se dá para retirá-lo antes de sua morte.

Minha mãe começou a chorar e soluçar desesperadamente, quando um novo blackout acontece. Volto ao estado normal em uma maca, ensanguentado, amarrado à cama hospitalar, entrando na ambulância. Vejo outra maca ao meu lado, coberta por um manto negro.

Chegando ao hospital, ouço os médicos falando de operação e morte. Conectei as coisas, iam operar meu cérebro e, por mais que me doa, minha mãe estava morta.

Mais dois anos se passaram, estava morando com meus avós. Agora, com quase 15 anos, estava namorando minha e-melhor amiga, Ana e morava ao lado de Matheus, meu amigo cuja idade era superior à minha por 4 anos. Tudo ia bem, meu tumor foi retirado, minha saúde estava boa, tinha superado a morte de minha mãe e me acostumado com o novo lar.

- Ei Nathan, passa na minha casa depois, pra gente jogar videogame — falou Matheus

- Vou mais tarde, cara, preciso checar umas velharias minhas — respondi

Abri meu armário, peguei algumas caixas fechadas e fui ver o que tinha lá. Encontrei um álbum de fotos e alguns cadernos. Os peguei, abri o primeiro caderno e comecei a ler.

[15/04/2000]
\"Hoje fizemos recorte e cola na sala de aula, Ana me mostrou seu lindo trabalho e eu mostrei o meu. Denis implicou comigo de novo e começou a tacar bolinhas de papel banhadas em cola em mim.\"

As letras estremeceram. A imagem de Denis veio à minha cabeça. Tudo começou a girar, me deixando tonto e confuso. E foi então que aconteceu.