Efeito Borboleta - a Era de Mudanças
2 A Primeira Nova Realidade
Quando olhei à minha volta, só vi uma bola de papel voando em minha direção. Como seira possível? Estaria eu em minha infância de novo? Que grande poder havia aquele pequeno pedaço de papel?
- Nathan, seu grande idiota — dizia o valentão jogando seu papel banhado em cola na minha direção
Minha fúria era imensa, não lembrava o que havia feito na infância, mas agora era para valer. Corri para cima dele, dando um soco certeiro em seu nariz. Denis caiu, continuei o socando. Não parava, estava aproveitando meu momento de vingança. E foi assim que lembrei, Denis ensanguentado no chão, todos me olhando com medo e Ana chorando de desespero.
Pisquei e voltei ao meu estado normal. Lá estava eu, com meu diário na mão, sentado em minha cama na casa onde moro.
- Nathan, vem logo! Ta esperando o que?! — gritava meu amigo
Saí correndo do meu quarto, fechei a porta de casa e me virei para Matheus, que deu um grande suspiro de susto ao me olhar.
- Er... Nathan... seu nariz... tá cheio de sangue — dizia ele pausadamente
Mesmo assim, entramos em sua casa, onde limpei meu nariz, e fomos jogar videogame. As horas foram passando e, o céu escurecendo. Comecei a ficar com sono e acabei adormecendo no sofá.
Minha cabeça estava vazia, meu sonho foi uma grande tela preta. Mas senti meu corpo esquentando, e como sou calorento, acordei para pedir que Matheus ligasse o ventilador.
Quando abri meus olhos, vi o rosto de meu amigo quase colado em mim, em um quase beijo. Mas NÃO, ele era meu melhor amigo e, UM HOMEM! Nunca me imaginei ficando com um homem, ainda mais meu melhor amigo. Então resolvi tentar mudar essa vida.
Saí correndo de volta à minha casa e peguei o álbum de fotos, uma foto de 2007, eu e Matheus após nos tornarmos amigos, e o diário da data
[11/11/2007]
\"Faz uma semana que minha mãe morreu e que me mudei para a casa do meu avô, fui brincar na praça quando encontrei um moço mais velho que eu...\"
E as letras estremeceram, o mundo começou a rodar e tudo ficou confuso novamente.
- Oi, sou Matheus — ouvi a voz do meu futuro-melhor-amigo falando comigo
Seu olhar era brilhante e seu sorriso simpático. Confuso pela noite na casa dele, fiquei estressado e gritei:
- Não chega perto de mim! Não quero nunca ficar perto de você!
E foi então que voltei à minha realidade normal. Meu quarto, agora, estava cheio de cartas da Ana e tudo era diferente, minhas roupas mudaram, a casa ao lado mudou.
- Nathan! Desça para o almoço!
- Já estou indo, vó! — respondi
Chegando ao primeiro andar da casa, estava minha avó pondo a mesa e meu avô lendo o jornal
- Benção vô — meu avô era fino demais para nossa época
- A benção meu jovem.
Reparei algo de estranho na capa, algo como \"Garoto de 18 anos morre atropelado\", fui ver o dia do jornal.. Já era 11 de Novembro, novamente. Pedi emprestado ao meu avô, e li o seguinte:
\"Matheus Penn morre em atropelamento, após descuido na rua. O motorista disse que o garoto atravessava a rua chorando, quando se descuidou e, foi atropelado pelo carro que mantinha a velocidade de 80 km/h\"
- Vô, esse garoto não é aquele que morava aqui do lado?
- Acho que sim, meu filho. Esse garoto entrou em depressão ano retrasado, mas nunca disse o motivo para ninguém.
Não tinha como não me sentir culpado naquele instante, aliás, eu o tratei mal, e ele me amava, acho. Tinha que concertar esse fato.
Voltei ao meu quarto, após o almoço, e peguei novamente meus diários, queria mudar esse terrível futuro. Então peguei e li:
[04/11/2007]
\"Minha mãe morreu hoje e fui operado também, estou muito triste, não quero ir ao orfanato, então a mãe de Ana, Sra. Lola Stan, me convidou para ir morar com ela\"
O mesmo de antes aconteceu, as letras tremem, o mundo girando e a confusão começa, quando vejo, estou no hospital, com uma baita dor de cabeça, conversando com a Sra. Stan.
- Venha morar conosco Nathan, Ana vai gostar muito — dizia ela com um sorriso no rosto
- Tudo bem Tia Lola, eu vou sim, deixa só eu pegar minhas coisas em casa — respondi sorrindo
Voltei ao presente, meu nariz começou a doer, e senti o sangue saindo. Estava num quarto cheio de bichinhos de pelúcia, com cartas escritas por mim na parede. Era o quarto do amor da minha vida, minha namorada, Ana.
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