Efeito Borboleta
44 Anomalia
Notas iniciais
"Não posso voltar para ontem, porque lá eu era uma pessoa diferente."
(Alice no País das Maravilhas)
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Raccoon City
2021
“Isso tudo aconteceu por sua culpa. Seu pai, Annie Kennedy, Barry Burton, todos eles morreram por sua causa. A sua PRESENÇA aqui é a verdadeira ameaça.” Todas as pessoas agora estavam a acusando, dizendo que ela era a real Assassina. E aquelas vozes pareciam querer sufocá-la. “Me pergunto: Quem será a próxima vítima a morrer no seu lugar? Quem será a próxima pessoa inocente a morrer? Talvez... Leon?
— Nãoooo... — Ada desperta suando frio, seu coração está acelerado, há essa pontada no peito e, de repente, sente que não consegue respirar.
— Ada, se acalma!Foi só um pesadelo. — Fong tenta acalmá-la passando a mão, carinhosamente, em suas costas.
As duas conversam, rapidamente e Ada acabou rebelando que havia descoberto sobre o seu passado, que não era a história que seus pais lhes contaram. A verdade era que seu pai biológico foi assassinado por um assassino misterioso bem na sua frente quando ainda era uma criança.
— Como você está se sentindo agora, Ada?
— Eu ainda tô tentando absorver isso. Eu me sinto... como se a minha vida fosse uma grande mentira.
— Não fala isso, maninha!
— Mas, eu estou magoada. — Sua voz está embargada. — Todos eles mentiram pra mim... a mãe, o pai... Até mesmo o Leon. — O mesmo Leon que sempre lhe cobrava sinceridade e lhe criticava por esconder segredos dele. — Que grande hipócrita!
— Eu sei que não deveria tentar defendê-los, mas... eles com certeza só estavam tentando te proteger.
— Me proteger mentindo para mim?! — As duas se encaram com olhares apreensíveis. — Agora isso não importa mais... Porque agora eu me lembro de tudo. — De repente ela tem flashbacks da sua infância e daquela noite horrível. Se fechar os olhos, novamente, pode ouvir tão nitidamente o barulho assustador do tiro fatal que matou seu pai.
— Viu o porquê eles não te contaram. Você bloqueou essa lembrança horrível por um motivo... Você não queria se lembrar — enquanto ela tagarelava, Ada resolve ir até o banheiro se vestir. Ela não via a hora de sair daquele hospital.
Ada para se olhando no espelho, sua expressão é de alguém abatido, seu rosto tem olheiras e parece mais pálido que o normal. Depois vai até a pia e joga uma água no rosto, tentando aliviar aquela sensação de náusea. Entretanto, subitamente, sente um arrepio horripilante lhe percorrer a espinha.
— Fong... você tá aí?! — ela murmura trêmula. Infelizmente, não houve resposta. Ada respira fundo e, cautelosamente, abre a porta do banheiro, encontrando alguém parado em pé, próximo da cama onde está o corpo inconsciente de sua irmã.
— O que você fez com ela?
— Se você se comportar, Professora Wong, ninguém mais irá se machucar.
***/ /***
Valentine resolveu seguir Leon para o necrotério e checar o corpo e, imediatamente, ficou chocada ao reconhecê-lo. Eles conversaram com o médico legista para saber mais informações de como aquele homem havia morrido. O médico ainda estava investigando. O que se sabia era que o cadáver já começava a entrar em estado de decomposição o que significava que a pessoa morreu há mais de 48 horas, possuía um ferimento grave na nuca, alguns cortes no rosto e, entre outras escoriações espalhadas pelo abdômen e braços. Ainda não dava para afirmar se ele morreu de afogamento.
— O homem parece familiar. Não parece? — o médico legista perguntou intrigado. — Vou começar a fazer os exames para descobrir a quem esse cadáver pertence e a causa da morte.
— Ele se parece com... o Ozwell Spencer. — Jill murmura ao reconhecer que o corpo era do chefe da Corporação Umbrella. Sua mente estava confusa e achando tudo muito bizarro.
O par sai do necrotério que ficava no subsolo da RPD e seguem para o elevador. Jill ainda se sente muito atônita.
— Precisamos fazer uma visita ao Spencer.
— Certo. Eu vou para a Mansão Spencer e você fica com a Corporação Umbrella.
***/ /***
Surpreendentemente, eles haviam conseguido driblar a segurança do hospital e da polícia com os seus respectivos disfarces. Quando Sheva se deu conta que algo estava errado era tarde demais, Spencer havia conseguido sequestrar Ada.
— O que você quer? — Ada lutava para manter a calma e a sanidade, ao mesmo tempo em que era forçada a dirigir, freneticamente, pelas ruas de Raccoon City, enquanto Spencer mantinha uma arma apontada para a sua cabeça.
— Eu vim aqui porque preciso de você. — Para conseguir passar despercebido, ele se disfarçou de médico, usando um jaleco branco que tinha até um crachá com o nome verdadeiro do Médico. Um disfarce clichê, mas que funcionou. — E você vai precisar de mim para descobrir sobre o seu passado... Afinal, eu fui amigo do seu pai, o doutor Park. — Ele tem um sorriso sarcástico no rosto, assim que retira a máscara que cobria sua boca e nariz.
— Então, você conheceu o meu pai? — Por um momento o seu medo, foi substituído pela curiosidade.
— Sim. Ele foi um dos meus professores e se tornou o meu mentor... Foi por causa dele que surgiu a ideia da máquina do tempo.
— Mas, morreu antes de ver esse projeto se tornar real — ela conclui se sentindo tão amargurada.
— Sim. Infelizmente, ele não teve a chance de poder viajar no tempo como nós. — Havia um certo tom de orgulho.
— Você gosta disso? De ser um viajante do tempo? — Ela achou isso tão intrigante quanto louco.
— Bem, viajar no tempo me ensinou muitas coisas. Me ensinou, especialmente, que a morte... não precisa ser o fim de tudo.
— O que isso significa? — Ela sente seu coração acelerar de medo, por um instante, olhando nos olhos dissimulados de Spencer.
— Como você já sabe, existem vários mundos... Um infinito de mundos paralelos. E, em cada um, existe outra versão nossa — ele dizia aquelas coisas com tanta paixão que chegava a ser assustador. — Uma vez que a capacidade de viajar através do tempo se expandir, a morte não terá mais sentido.
— Mas, por causa da viagem do tempo, pessoas inocentes estão morrendo. Nossos amigos morreram... Meu pai morreu. — Ada resolve fazê-lo se lembrar disto e quem sabe trazer alguma lucidez de volta para aquela mente perturbada.
— Mas também foi graças a viagem no tempo que, nesse mundo, você conseguiu rever o seu amado Leon. — Por um breve instante, Ada fica sem conseguir reagir as insinuações dele. — E com ele vivo, você ainda pode ter... a sua filha de volta. — Ela obviamente fica em total choque.
— Merda! — De repente um contratempo acontece, o Toyota de Leon passa ao lado do carro deles.
— Spencer, para com isso! — Wong exclama desesperada, ao ver Spencer atirando contra o carro do Detetive.
Ao perceber que naquela caminhonete estava Ada, Leon rapidamente muda a sua direção e começa a persegui-los. Uma perseguição desenfreada e perigosa que só termina quando Ada faz uma escolha desesperada a fim de proteger o detetive. Ela faz o carro bater violentamente contra um paredão que estava em obras. No minuto seguinte, um pequeno incêndio começa na frente do carro.
— Não... Me solta! — Spencer mesmo atordoado, começa a se debater quando Leon surge abrindo a porta do motorista (que era a única saída viável) e o arrasta rispidamente para fora, deixando-o no asfalto e, depois retorna para buscar Ada.
— Adaaaa! — Leon grita desesperado quando o fogo começa a se alastrar. Ainda assim, dominado pelo medo e pela adrenalina do momento, ele tenta salvá-la entrando dentro carro e tentando puxá-la para fora, só que o cinto dela havia emperrado. Contudo, não há mais tempo de nada, pois tragicamente ocorre uma explosão...
Raccoon City
2007
Ada desperta totalmente desnorteada e com uma baita dor de cabeça, seus olhos parecem irritados com a claridade do lugar. Ela se senta e percebe que estava em cima de uma cama desconhecida e de um quarto desconhecido. Incerta e se sentindo meio desconfortável, se levanta e começa a vagar pelo lugar. Ali há uma penteadeira que parece antiga, onde para por um momento e se vê no reflexo do espelho, no outro canto há uma escrivaninha com uma máquina de escrever que lhe chama a atenção.
Ada vai até a mesa e acha fascinante ver aquele objeto tão antiquado ali. Não era a primeira vez que viu uma máquina de escrever, mas isso fazia muitos anos, anos que lhe fizeram lembrar da sua infância. Seus olhos continuam a vaguear pelo lugar até recaírem sobre um quadro na parede. No quadro havia uma foto de Annie Kennedy e de um Leon adolescente.
"Mas o que aquele quadro fazia ali?" Curiosa demais, ela decide dar uma investigada melhor, remexendo nas gavetas da escrivaninha e, por acaso acaba encontrando uma foto bem antiga, dessa vez de duas crianças: um garotinho de cabelos loiros e olhos bem azuis e uma menina de traços orientais que, fugazmente, reconheceu ser ela mesma.
Mas quando foi que ela tirou aquela foto? A resposta estava no verso da foto: "Dia das Crianças, 1995."
Aquilo não era a única coisa estranha e que acabou a chocando, pois dentro da mesma gaveta por acaso encontrou um caderno cheio de páginas com desenhos estranhos de uma menina e de uma figura sombria atrás dela, ou da menina sendo enrolada por uma enorme cobra.
— Mas que coisa bizarra é essa? — Há algo ainda mais estranho e sinistro escrito numa das páginas:
"Ela abriu a porta proibida do tempo e viu um mundo que nunca deveria ser visto. A punição dela agora foi sentenciada. Ela precisa morrer pelo futuro." Aquelas palavras, somadas aqueles desenhos lhe causaram um calafrio gélido por dentro.
— Leon, você já está em casa? — Ela ouve uma voz muito familiar.
Ada resolve rasgar uma daquelas páginas e guardá-la no bolso de sua calça jeans, junto com a fotografia das duas crianças, antes de sair para o corredor e, logo, dar de cara com Annie Kennedy.
— Ad... Ada — a mulher gagueja nervosa, lhe encarando com os olhos arregalados.
— Professora Kennedy — ela responde tão chocada quanto a outra mulher. Por um minuto, ambas ficam ali se encarando, até que Ada vislumbra a silhueta de um rapaz loiro vestido com um uniforme escolar, surgindo no topo da escada.
— Ei, o que você está fazendo? — Ada reclama ao sentir o aperto feroz da mulher em seu pulso enquanto ela lhe arrasta de volta para aquele quarto.
— Cala a boca, ele não pode te ver aqui! — Annie sussurra praticamente batendo a porta quase na cara de Leon.
— Mãe, você está aí? — Ele bate na porta se sentindo confuso. Por um instante, o garoto tem a impressão de ter visto mais alguém ali.
— Oi querido, você pode ir jantando... Eu já vou descer! — Annie responde forçando uma voz doce enquanto olha severamente para o rosto confuso de Ada. — Você não deveria estar aqui — ela retorna a dizer, assim que percebe a sombra de Leon por debaixo da fresta da porta, desaparecer.
— Eu não tive escolha. E nem sei exatamente como cheguei aqui — Ada retruca irritada, se sentando na cama da sua antiga Professora. — Eu também nem sei como devo te chamar... Annie? Mônica? — As duas ficam por um minuto em silêncio, apenas se encarando.
— Você também veio do futuro. — Não era exatamente uma pergunta, afinal, isso era meio óbvio.
— Não exatamente do mesmo futuro que você veio. — Ada para ao ter um flashback da noite da morte de seu pai biológico. — E você... — Ela engole em seco, nervosa. — Eu me lembro de você em minha casa na noite da morte do meu... do meu pai... — Depois começa a gaguejar, tentando segurar suas emoções. — Era você, não era? — a mulher não lhe responde, apenas fica a observando com os olhos arregalados.
— Então, você se lembra daquela noite horrível? — Annie estava surpresa que essa Ada do futuro se lembrasse disso, pois a sua outra versão (que aqui ainda era somente uma universitária) parecia não se lembrar daquela noite fatídica e nem que era filha adotiva dos Wong.
— Só agora me dei conta que naquela noite... você... — A conversa novamente é interrompida quando Leon bate outra vez na porta.
— Shhhhh... — Annie manda novamente Ada ficar em silêncio, enquanto abre a porta para atender o adolescente Leon que parece muito ansioso. — Ah querido, me desculpe pela demora... — Ela rapidamente fecha a porta, não dando tempo para o rapaz espiar o seu quarto.
— O que você estava fazendo? — Leon a confronta de forma grosseira.
— O quê? — Entretanto, a curiosidade dele e a desconfiança o fazem desobedecer a sua mãe. — Leon, nãooo! — E de repente, o rapaz está apertando o trinco da porta e a abrindo para se deparar com uma mulher de descendência Asiática. Aqueles pequenos castanhos mel lhe deixam tão atordoado, que no minuto seguinte, seu corpo cai com um baque no chão, deixando as duas mulheres desesperadas.
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