Notas iniciais
Depois de séculos sem atualizar...

Ele ria.


Bem no fundo, mas ria.


Então a garotinha chorona e apaixonada havia voltado para a casa dos pais?


Por quanto tempo havia esperado por finalmente revê-la e tentar se desculpar? Ou pelo menos fazê-la entender seus motivos. Afinal, agora já era um homem maduro e não mais o adolescente irresponsável de anos atrás.


Quantas vezes já se surpreendera ao reparar que era nela que pensava? Querendo ou não a imagem dela povoava sua mente todos os dias, todas as horas, todo minuto e a cada segundo.


Estava sentado à enorme mesa de jantar conversando com o seu chefe, mas não dava a mínima para o que o mesmo falava, já que seus pensamentos estavam todos nela novamente.


Nunca soube a real razão pela qual ela nunca ter contado o porquê do fim do namoro aos pais, e ao invés disso ter simplesmente sumido do mapa.


Tantas vezes já a procurara para se desculpar, pois agora entendia o verdadeiro significado da palavra amor.


Não que estivesse a amando, mas a atual namorada o fazia feliz.


Na época em que traiu a ex-namorada ele era só mais um garoto querendo aproveitar o máximo da vida, pois sabia das intenções do pai de mandá-lo para o exército assim como o irmão.


Quando viu a amiga loira da namorada não resistiu e logo se encantou por ela. Confessava que no começo ele até nutria certo sentimento pela Haruno, mas ao longo do tempo foi impossível não se apaixonar pela outra.


De certa maneira ela sempre estava lá mexendo com eu subconsciente e seus hormônios à flor da pele, até que certa vez não resistiu.


Não esperava que a namorada fosse pegá-los em pleno ato. Ainda se lembra do olhar magoado que a mesma lhe endereçou antes de sair correndo. Foi covarde o suficiente para não correr atrás dela quando a viu partir, mas foi corajoso o suficiente para admitir sua culpa.


Depois do erro a viu poucas vezes, pois a mesma sempre dava um jeito de nunca encontrá-lo. Ouviu um belo sermão do melhor amigo e negou estar arrependido. Lembrava-se até hoje do soco que o loiro lhe havia dado, e que deixou seu olho inchado por semanas.


Soube tempos depois que ela havia partido para a cidade grande e não pode evitar que sua consciência pesasse, pois isso com certeza era culpa dele.


Quando finalmente a vontade do pai se concretizou, ele foi enviado para servir ao exército. Passou alguns anos em Ottogakure se preparando para combater. Decorreu por algumas batalhas, sendo a mais importante a Guerra do Pacífico, um ano após seu começo. Saiu vitorioso assim como o país, ocupando o território chinês.


A dor de ver amigos morrerem em batalha foi demais e isso fez com que realmente pensasse a respeito de seus sentimentos. A morte na vida de um combatente era algo inesperado e esperado ao mesmo tempo. Então, desde que retornara a cidade natal resolvera dar a devida importância àqueles que o rodeavam, pois nunca se sabia se estaria vivo no amanhã.


Logo que voltou à pequena Konoha, conseguiu um emprego na polícia local e se surpreendeu ao ver que seu ex-sogro era seu novo chefe.


O irmão mais velho, Itachi, algum tempo depois retornou para a casa também e agora ajudava o pai na Joalheria da família, pois por razões internas não conseguia mais exercer a carreira militar.


Certa vez quando retornava para casa, depois de um longo dia de trabalho pode vê-la novamente em frente à floricultura dos pais. Seus esplêndidos olhos azuis e os longos cabelos loiros ainda chamavam a atenção, assim como o belo corpo. Ela estava ainda mais linda, segundo ele.


Não demorou muito tempo e logo começaram a sair, mais algum tempo e já estavam namorando.


Mas agora que reviu a ex novamente não pode negar que ficou confuso. Ela se tornara a mais bela mulher, embora seus olhos não tivessem mais aquele brilho apaixonado de antigamente e sim um olhar de frieza.


Não que ele achasse que quando a visse novamente ela iria se jogar aos seus braços, mas ele não podia imaginar que sua personalidade tinha se modificado tanto.


Sentiu-se abraçado por trás e tão logo sentiu os lábios serem pressionados.


– Senti saudades meu amor! –ouviu a namorada dizer, mas ele permaneceu indiferente ao contato físico. – Me atrasei um pouco por causa da chuva. – ela disse, mas ele não prestou atenção. — O que foi amor? Você está tão distraído... – Ino passou a mão na frente dos olhos de Sasuke atraindo a atenção do mesmo para ela.


– Não é nada, só estou preocupado com Itachi – mentiu.


– Ele anda tendo crises de novo? – ela disse fingindo uma falsa preocupação.


– Você sabe que elas nunca param- disse com certa amargura. Não gostava de tocar nesse assunto.


– Vocês deviam levá-lo a um hospital psiquiátrico, fiquei sabendo que há uma em Mitsu talvez vo-


– Chega Ino, não vê que não quero falar nesse assunto? – ele a interrompeu furioso se levantando da mesa. Ela como sempre estava falando demais, e falar do irmão era tocar numa ferida que jamais fora cicatrizada.


Nesse momento todos os presentes no local olharam espantados para o Uchiha e antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa, ele já havia aberto a porta e ido para a varanda que se localizava na parte de trás da casa.


Encostou-se ao parapeito de madeira e ficou observando a chuva cair. Levou as mãos à cabeça e fechou os olhos se perguntando o motivo para tal explosão de fúria, se a mesma era devido ao comentário indesejado de Ino ou ao retorno inesperado da Haruno.


– Não deveria tratar uma mulher daquele jeito, ainda mais sendo sua.


Suspirou exasperado, novamente Naruto e seus sermões. E por incrível que pareça ele se lembrou que essa foi a mesma frase que ele lhe disse no dia em que Sakura o contou da traição.


– Não se meta na minha vida! – disse seco.


– Agora já é tarde. – o outro respondeu frustrado enquanto via o amigo virar-se para si e encará-lo – Você sempre acha um jeito de magoar as pessoas que ama.


– Eu já disse que me arrependi.


– Disse isto a ela?


Eles estavam claramente falando sobre Sakura.


– Disse, mas ela não me deu ouvidos e você sabe disto.


– Como se você tivesse se esforçado para ela perdoá-lo.


– Não tenho culpa se ela era tão mesquinha ao ponto de não perceber que eu não queria algo sério com ela.


– Se você não queria então porque deu esperanças? – o loiro cerrou os punhos. Embora o Uchiha fosse seu amigo, sua consciência lhe dizia que ele merecia uma boa surra.


– Ela se permitiu ter esperanças. Ela sabia que eu não gostava dela, sabia que meu pai me mandaria para Otto e mesmo assim quis ficar comigo. Então não me culpe! – Sasuke disse fixando seus belos olhos negros nos azuis do amigo.


– Escuta aqui – o loiro agarrou a gola da camisa do moreno – Se fizer-la chorar mais uma vez vou esquecer que um dia fomos amigos e você não vai querer saber o que faço com meus inimigos... – ele trincou os dentes raivoso.


– Não será preciso, eu vou embora.


E dizendo isso se dirigiu novamente a grande sala de jantar.


Falou com Ino e lhe pediu as devidas desculpas e disse aos outros que precisaria se retirar por problemas familiares tendo que levar a namorada consigo.


Quando já estava na calçada debaixo da chuva indo para o seu automóvel pode ver a rosada encostada na janela de seu quarto com a expressão abatida.


Ele a fizera chorar.


De novo.

Notas finais
Até o próximo o
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.