Efêmera Ilusão
21 Capítulo XXI: Dor. Escuridão. Silêncio.
Notas iniciais
– Me solta, Adam, por favor – sussurro, meus olhos estão cheios d’água – você ta me machucando!
– Porque eu faria isso? – ele solta uma gargalhada – me diga como seu namoradinho se recuperou da surra que os amiguinhos de Megan deram nele, hum?
– Eu sabia que isso era coisa sua, seu desgraçado! – grito e ele dá um tapa em minha boca imediatamente, tapando-a.
– Cale a boca, vadia! Você não vai querer que eu espanque você aqui, vai? – ele fala em um tom ameaçador, rindo da minha expressão de horror. – eu quero que você saiba que se você fizer alguma coisa a respeito dessa nossa conversinha... Eu vou acabar com a sua raça, entendeu? – eu balanço a cabeça em positivo rapidamente, as lágrimas escorrem quentes pela minha face – Oh querida, não chore...
Adam tira a mão da minha boca e me solta, respiro aliviada, minha boca tem um gosto de sangue e quando levo os dedos a mesma, vejo o líquido vermelho em meus dedos.
– Vá lavar a porra dessa cara, não quero que ninguém saiba o que aconteceu aqui. Se você não se comportasse como uma piranha burra, não estaria com os lábios inchados agora. Vá, vá, vá... Não me irrite. – ele fala estressado, empurrando-me porta afora.
Corro para o banheiro e minha cabeça está a mil, como pude deixar isso chegar a esse ponto? Eu devia ter saído desse emprego antes de dar a chance de Adam se mostrar o monstro que ele realmente é. Porque ele não me deixa em paz? Ele vê prazer em me torturar, aposto que daria tudo para me arrebentar em socos e chutes naquela sala vazia... Tento o máximo que posso segurar o choro, mas não consigo, desabo no chão do banheiro e choro, libertando toda tensão que está no meu corpo desde o momento que Adam me forçou a ouvir aquelas palavras absurdas.
Me recupero em alguns minutos e me levanto, quando me olho no espelho acima da pia não me reconheço, o que vejo é uma garota pálida, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. Prendo meu cabelo em um rabo de cavalo e lavo meu rosto, sinto água da torneira escorrer gelada por minhas bochechas e tento lavar juntamente com minhas lágrimas a tristeza que me abate, eu só queria que Adam e Megan desaparecessem, só isso.
As horas na livraria se arrastam e Adam faz questão de passar todos os minutos do expediente com os olhos grudados em mim, eu finjo que não percebo porque no fundo estou morrendo de medo da reação dele se ver que minha expressão quando o enxergo, é de pura e completa repulsa. Meu estômago chega a embrulhar quando ouço a voz de Adam enquanto atende as pessoas que chegam na livraria.
– Alex, querida... Você está se sentindo bem? Está com o rosto tão abatido... É algo com o bebê? – minha chefe me pergunta, com os olhos um tanto quanto preocupados.
– Júlia... Será que eu poderia ir embora? Prometo que é só hoje, estou me sentindo muito enjoada e cansada. Você sabe... Sintomas da gravidez, se meu enjôo não estivesse tão forte, juro que ficaria aqui, trabalhando até o final do meu turno, mas realmente não me sinto bem – quase suplico a ela, olhando-a nos olhos.
– Tudo bem, Alex. Claro que pode ir, se cuide, ok? Quer que eu peça a Adam para acompanhá-la até em casa? – ela me dá um sorriso acolhedor.
– NÃO! É... Não, não é necessário eu posso ir sozinha ou ligar para meu namorado me buscar, de qualquer forma obrigada, Júlia... – forço um sorriso e me encaminho a sala que a poucas horas atrás Adam quase me agrediu, é... Não deixou de agredir, meus lábios ainda latejam pelo tapa que recebi.
Pego minhas coisas o mais rápido que posso e vou embora, quando passo pela porta de vidro da livraria, sinto que os olhos de Adam me fuzilam, ele está furioso porque dei um jeito de sair antes, isso eu posso apostar.
Quando saio da livraria decido que preciso de algo para me consolar, paro em um café e peço um chocolate quente. Sento perto de uma janela e vejo as árvores lá fora sacudirem por causa do vento frio que sopra. Beberico meu chocolate, tentando esquecer as merdas que aconteceram hoje. Segundos depois, meu celular vibra em minha bolsa, atendo sem nem ver quem é.
– Amor? Onde você está? Liguei pra Mark’s e me disseram que você não tava bem e foi pra casa. Ta tudo bem? – a voz de Josh é preocupada e ansiosa.
– Tá tudo bem... Eu estou em um café, tomando um chocolate quente. Depois nós... Conversamos. Não estava me sentindo muito bem na livraria... – falo baixo, minha voz está um pouco rouca por ter ficado sem falar por um tempo.
– O que aconteceu, Lex? – o tom de Josh passa de preocupado e ansioso para sério, sinto um frio percorrer minha barriga, não quero falar nada pra ele por telefone... – foi Adam, não foi? O que ele fez?
– Josh... Não aconteceu nada demais, é sério, não fique se preocupando, apenas... Apenas não demore para chegar em casa, estou com saudades – choramingo, tentando fazê-lo esquecer do assunto sobre Adam.
– Tudo bem, me espere comportada em casa. Amo você, gordinha. – ele fala em uma voz carinhosa, meu tom em choramingo funcionou e me sinto aliviada.
– Também amo você, bebêzão. A gente se vê daqui a pouco. – encerro a ligação e coloco o dinheiro do chocolate em cima da mesa, saindo do café.
Finalmente chego em casa e a primeira coisa que faço é acender a lareira, o frio está de rachar, mesmo dentro do apartamento. Logo o ambiente fica quente e eu tiro meus casacos, ficando apenas com uma blusa de alcinha, grudada ao corpo. Enquanto tomo um copo de água na cozinha, ouço um barulho no banheiro de meu quarto, não sabia que Josh já estava em casa.
– Amor?! Eu já cheguei, ok? Está fazendo a barba? Por isso não falou comigo? – falo alto, sorrindo.
Pego meus casacos que a pouco deixei em cima do sofá e me encaminho ao quarto, ainda no escuro largo os casacos em cima da cama e só então percebo que a luz do banheiro está apagada, um frio percorre minha barriga e sinto meu corpo paralisar no mesmo lugar.
– J-josh? – pergunto e mal posso conter meu medo, porque Josh estaria no escuro?!
– Você pensou que eu deixaria de vir dar uma conferida em você? – ouço a voz de Adam no escuro do quarto e em seguida ele me pega pelo pescoço arrastando-me até a cama e jogando-me sobre ela. – por onde você andou que demorou tanto pra chegar, meu amor? – ele pergunta com uma voz forçada, carinhosa.
– Você é doente! Como entrou aqui? – grito, segurando o choro.
– Você e essa sua mania de vadia desgraçada de gritar, não é? Quando você vai aprender a falar como uma pessoa normal, sua vadia? – ele sobe em cima de mim e eu sinto o ódio contido em sua voz, meu corpo estremece de medo. – não te interessa como eu entrei aqui.
Ele me dá um tapa forte no rosto, e sinto minha face arder, sua mão é pesada e agressiva, por conta do tapa, meus cabelos cobrem meu rosto, dificultando ainda mais minha visão, ele me dá outro tapa, fazendo meu rosto pender para o outro lado, afundo minha cabeça no travesseiro, tentando puxar algum ar para meus pulmões mas o nervosismo e a dor de Adam em cima de mim, me agredindo, dificultam ainda mais as coisas.
– Por favor, Adam... Não me machuque – choro, minha voz sai rouca e falhada, irreconhecível.
Ele ignora o que eu digo e apenas sorri, um sorriso doentio, vejo prazer e ódio mesclados em seus olhos, engulo em seco e meu estômago se revira, um enjôo repentino me invade, fazendo-me colocar para fora todo o conteúdo que há em meu estômago, Adam me desfere um soco na boca, cortando meu lábio e eu já não consigo reagir e nem falar alguma coisa.
– O que você sabe fazer além de vomitar enquanto carrega essa criaturinha nojenta dentro de você, hein? – ele vocifera e leva as mãos ao meu pescoço, trancando minha respiração, meus olhos ardem, tenho uma vontade incontrolável de tossir mas as mãos de Adam me impedem.
– SEU FILHO DA PUTA LOUCO! Lex?! LEX! – a última coisa que vejo é Josh derrubando Adam no chão com um soco e vindo em minha direção, pegando-me nos braços, tento não desmaiar, tento ficar com Josh e respirar mas não consigo, tudo vai ficando escuro... Minha audição embaçada e tudo se torna escuridão e silêncio.
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