Efêmera Ilusão
1 Capítulo I: Primeiro encontro, primeiro beijo.
Notas iniciais
BEBO um gole do meu suco de uva, sinto o líquido descer por minha garganta, gelado e refrescante, não tem nada melhor depois de uma longa e chata aula sobre administração de recursos humanos. Estou prestes a cursar o terceiro ano de Administração na Universidade de Nova York, sinto que é o melhor curso que eu poderia escolher, mas às vezes uma pobre garota no auge dos seus vinte anos merece um descanso, e é por isso que estou aqui, deitada na grama do Campus, debaixo da sombra de uma árvore, observando Taylor falar animadíssima sobre a festa da Irmandade da UNY, que será hoje à noite, enquanto minha melhor amiga fala, observo sua beleza exótica. Taylor Smith é poucos meses mais velha que eu e faz Direito na UNY, ela tem cabelos negros, pele bronzeada e traços marcantes, que lembram levemente traços indígenas, olhos pretos que são capazes de enlouquecer qualquer cara. Amo minha amiga, nos demos bem na primeira vez que conversamos, e desde então não nos desgrudamos mais.
– Você pode ir com aquele vestido tomara que caia LINDO que você tem, aquele preto sabe?! Você sabe que ele fica ótimo em você – diz Taylor, batendo palminhas – E além do mais, valoriza suas lindas curvas!
– Tay, eu não quero valorizar minhas curvas, não quero que os caras fiquem me olhando a festa toda como se eu fosse uma vadia – digo, olhando com um olhar de desinteresse.
– Nossa, como você é exagerada Alexandra, que tanto! Eu hein, você ta encalhada a meses, senão a anos, precisa arrasar essa noite!
– Opa, vai com calma! Eu não estou encalhada a ANOS. Fiquei com Brad na festa da Sharon a cinco meses atrás, você esqueceu? Quem mais deu corda foi você. – falo, fingindo ter me ofendido com a audácia de Taylor em dizer isso.
– Cinco meses, Lex! CINCO. – Taylor diz sem hesitar, mostrando os cinco dedos de uma de suas mãos. – Você acha isso pouco?
– Você sabe que a faculdade está puxada, que eu não gosto de só ficar, que eu gosto de namorar, e pra namorar eu preciso de tempo, e tempo é tudo que eu menos tenho agora, estou atulhada de trabalhos, essa universidade está tirando meu couro e você mais do que ninguém sabe disso.
– Mas você vai nessa festa da Irmandade, você precisa relaxar. E eu quero te apresentar um cara maravilhoso, amigo do meu irmão.
– Ai... Amigo do seu irmão... Eu não sei se isso é uma boa ideia, Taylor. Seu irmão é super mulherengo e só deve ter amigos mulherengos, obviamente.
– Ei! Não fala assim do Paul. Mas enfim, você vai ou não vai? Vamos, vamos, vamos... Por favor, pelo menos vá pra me fazer companhia, o Carl vai ficar lá de papo com os amigos dele da fraternidade e eu vou ficar sozinha a festa inteira! – Carl e Taylor namoram a pouco mais de um ano, os dois estão sempre juntos, nunca minha amiga deixaria seu namorado ir sozinho a essa festa, ela precisa vigiar constantemente, não que eu ache que Carl traia a Tay, mas quando quer, Taylor sabe ser desconfiada. – Eu só quero que você se divirta um pouco amiga, sério... – Taylor completa, fazendo um beicinho ridículo. Solto uma risada da expressão dela.
– Ok! Chega, eu vou, mas não se acostume, dessa vez vou abrir uma exceção.
Me levanto e pego meus livros do chão, Taylor me observa tirar os pedaços de grama que grudaram nas minhas roupas, ela está radiante.
– Vamos, se afinal eu vou nessa festa, é melhor nós irmos lá pra casa pra ver o que eu vou vestir, você precisa me maquiar e fazer meu cabelo, eu sou um desastre em questão de feminilidade. – falo, estendendo a mão para auxiliar Tay a se levantar do gramado.
Logo anoitece e Taylor está aqui em casa, passamos a tarde em função de nos embelezar. Eu já estou pronta a horas, Tay que parece nunca acabar de se arrumar, já retocou o brilho labial inúmeras vezes.
– Tay, chega! Você ta linda, sua maquiagem ta ótima, agora vamos, por favor? Carl já está nos esperando na sala a quase uma hora. – falo olhando para minha amiga, impaciente.
– Ai, vamos, garota chata.. – ela diz, saindo do quarto.
Aproveito que o espelho está livre e dou uma última olhada no meu visual. Arrumo meus longos cabelos castanhos e os mesmos caem delicadamente sobre meus seios. Taylor fez questão de me maquiar minuciosamente, aplicando delineador preto nos meus olhos o que destacou o verde discreto de minhas íris, e um batom rosinha, gostei da maquiagem que Tay fez, fiquei com um rosto sexy, porém não vulgar, minhas sardas na região do nariz dão um ar de garota inocente. Depois de muita insistência da parte Taylor, concordei em ir a festa com meu vestido preto tomara que caia. Confesso que fiquei linda nesse vestido, ele realmente destaca minhas curvas, estou levando minha virgindade e espero voltar com ela pra casa.
A música “Promiscuous” da Nelly Furtado toca alto na festa, mal consigo conversar com Steve, nos encontramos aqui na festa, ele é o único que me faz companhia, já que Taylor foi buscar cerveja e não voltou mais. Steve tem um corpo delgado e é incrivelmente lindo, tem olhos azuis marcantes e cabelos castanhos cor de mel. A maioria das mulheres baba por ele, mas logo se decepcionam, Steve é muito bem comprometido com seu amado, Noah.
– Já que a gente mal consegue se comunicar, vamos aproveitar a música e dançar – Steve grita no meu ouvido. Eu concordo rapidamente balançando a cabeça positivamente.
Nos encaminhamos até a pista de dança, todos os móveis da sala da casa da Irmandade foram arrastados pros cantos do cômodo, dando espaço pros universitários dançarem. A pista está lotada e eu e Steve nos enfiamos nas brechas que as pessoas dão até chegar ao meio da pista. Steve dança muito bem, eu só acompanho o seu ritmo, logo começa a tocar I’m Still In Love With You – Sean Paul e eu me animo, Steve cola o corpo no meu e dançamos deslizando nossos corpos um no outro, o ritmo é contagiante e fácil de dançar, todos ao nosso redor começam a ovacionar nossa dança, rimos da situação e continuamos a dançar empolgados. A todo momento tenho que cuidar meu vestido, pois como meu corpo está colado no de Steve, ele sobe com facilidade, quase deixando minha calcinha a mostra.
Quando a música está acabando, avisto Tay com um belo pedaço de mau caminho ao seu lado, que pelo visto está observando eu e Steve dançarmos, boquiaberto, o pedaço de mau caminho fala algo no ouvido de Tay e me olha. Fico intrigada. Quem é esse cara? Vejo que Tay está com duas garrafas de cerveja nas mãos, suando de tão geladas. Cutuco a cintura de Steve de leve com meu indicador e sussurro no seu ouvido: – Stev, eu vou ali com a Taylor ok? Ela chegou com a minha cerveja, você vai continuar dançando?
– Pode ir, gata, eu vou continuar aqui na pista sim – ele diz, me dando um beijo leve na bochecha. – vai lá!
Indo em direção a Taylor, tento ignorar a presença do homem lindo que está ao lado dela, sinto meu rosto corar e puxo meu vestido um pouco mais pra baixo. Pego uma cerveja da mão de Tay.
– Você é a pessoa que mais demora na face da terra pra conseguir uma cerveja – digo, dando um longo gole, sinto os olhos do senhor pedaço de mau caminho em mim. Tay ignora o que eu digo.
– Lex, esse é Josh Harris, aquele amigo do meu irmão que eu te falei, Josh também estuda aqui na UNY, ele cursa Publicidade – fala Taylor, sem nem respirar – e Josh, essa é minha melhor amiga Alexandra Boulevart, ela está no terceiro ano de Administração. – completa ela, tomando fôlego.
Enquanto Taylor falava, aproveitei para desfrutar da beleza estonteante desse cara, ele parece medir cerca de 1,75m, tem olhos verdes lindos, um olhar diferente, que esconde muita malícia e logo vejo que ele não deve ser boa coisa. Seus cabelos são castanho médio, cortados rentes a cabeça. O maxilar dele é... Perfeito, um maxilar serrado, e o sorriso então? Ele tem um sorriso impecável, dentes completamente brancos e alinhados. Fico perdida em sua beleza.
– Muito prazer, você dança muito bem. – Josh diz, com um sorriso enigmático no rosto, me tirando de meus devaneios.
– Ah... É, prazer e obrigada. – merda, porque eu não consigo falar nada melhor do que isso?
– BOM! Eu vou deixar os pombinhos se conhecerem melhor, beijinhos amiga! – diz Taylor, fazendo biquinho e lançando beijos no ar. Por um breve momento tenho vontade de esganar minha amiga por dar ênfase a palavra “pombinhos”.
Josh mal espera Taylor sair de seu caminho e me arrasta para pista de dança, dançamos ao som de Get Me Bodied – Beyoncê, ele está tão perto de mim que consigo sentir o calor de seu corpo emanar, e junto com esse calor, sinto o cheiro inebriante de seu perfume, um cheiro refrescante, um aroma levemente almiscarado, por Deus, eu poderia ficar colada nesse homem a noite inteira. Suas mãos percorrem meu corpo todo enquanto dança, ficamos com os rostos colados um no outro, o olhar dele encontra o meu, me sinto constrangida e ignoro seu olhar penetrante, olho para sua boca, perdida nos inúmeros desejos de beijar e morder seus lábios. Para meu alívio, a música termina e eu e Josh estamos completamente suados, procuramos um lugar calmo para conversar, mas o único lugar mais calmo da casa é o jardim, onde uma garota loira vomita em um canteiro enquanto sua amiga segura seus cabelos. Eu e Josh apenas observamos com cara de repulsa para as garotas, olhamos um para o outro e damos risada da situação. Em seguida nos sentamos em um banco próximo de algumas tulipas.
– É a primeira vez que eu te vejo na festa da Irmandade – diz Josh em uma tentativa de puxar assunto, ele me olha fixamente e eu fico extremamente constrangida, tentando não encontrar seu olhar.
– Deve ser porque é a primeira vez que eu venho – falo, com um sorriso irônico no rosto.
– Taylor me falou muito de você. – ele diz, tentando conter um sorriso.
Ai meu Deus... Lá vem.
– Por favor, não escute as bobagens que a Tay diz. – falo.
– Ela disse que você é o meu tipo e eu tenho que concordar... – ele diz com um olhar de predador, percorrendo os olhos por todo meu corpo.
– Ah... – procuro desesperadamente algum assunto em minha cabeça. – Você se importa se eu tirar os meus sapatos por alguns instantes... Antes de voltar lá para dentro? Eles realmente estão me matando.
– Ah vontade – ele diz sorrindo.
Tiro meus sapatos lentamente para ter com o que me distrair, se esse cara sorrir mais uma vez, eu juro que vou beijá-lo. Enquanto tiro meus sapatos de meia pata pretos, observo ao redor e vejo que estamos sozinhos no jardim, em seguida as luzes do jardim se apagam e dentro da casa começa a tocar Cater 2 U – Destiny’s Child. Olho para Josh e vejo que ele está me observando silenciosamente, ele fica ainda mais lindo iluminado pela luz do luar e olhando bem para os seus traços, percebo que ele tem sardas na mesma região que eu, passo o dedo delicadamente por seu rosto. – Você tem sardas... – digo distraída.
– E você também – ele diz, chegando mais perto, tão perto que consigo ouvir sua respiração.
Aproveito o momento, o embalar da música dentro da casa, me levanto como quem não quer nada, Josh me olha com uma expressão confusa, inclino-me para beijá-lo, e ele repentinamente levanta o corpo, me beija na boca e agarra minha cabeça com as mãos, os dedos enroscados no meu cabelo. Sua língua quente invade minha boca com avidez, seu hálito é divinamente refrescante. Mesmo assim, tendo evitar seu beijo, desviando minha boca da sua, percebo que nós dois estamos ofegantes, ele tenta encontrar minha boca novamente – Não... – sussurra ele – não pare.
Seus lábios procuram os meus, sua língua ao mesmo tempo invasiva e persuasiva. Retribuo suas tentativas, beijo-o com desejo, encostando-o na parede fria da casa, ele segura minha cintura com força e me puxa para si, sinto sua ereção em meu ventre, estremeço de desejo, mordo seu lábio delicadamente e puxo, ele abre os olhos por um momento e me encara, dando um meio sorriso, com a boca na minha, solto seu lábio e nossas línguas se encontram, percorro cada centímetro de sua boca, sentindo seu gosto.
– Lex! Eu estou te procurando a meia hor... Ah... – fala Carl interrompendo-se ao se deparar com Josh e eu grudados um no outro. – Desculpa atrapalhar mas... Eu e Tay estamos indo agora, eu não sei se você vem também... – completa ele, constrangido.
– Eu... É... S-sim Carl, eu já estou indo, eu encontro vocês no carro, me dê dois minutos. – falo, evitando olhar Carl nos olhos.
Carl sai apressadamente, deixando-nos sozinhos novamente. Olho Josh nos olhos, passando os braços em torno de seu pescoço. Ele me olha com um sorriso bobo no rosto, me segurando pelos quadris.
– Como você viu... Eu preciso te deixar. – digo, contendo um sorriso idiota.
– Você poderia muito bem ficar, depois eu te levava em casa.
– Eu sei onde isso vai dar, Josh Harris.
– Eu não sei do que você está falando – ele levanta as mãos, fingindo uma expressão inocente. Solto uma gargalhada.
– É sério, eu preciso ir. – calço meu sapatos, dou um beijo casto em seus lábios e viro as costas, indo embora sem olhar para trás.
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