Eduardo E Mônica
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Esse capítulo é bem curtinho. rs E dramático.
Mônica.
Continuei abraçada ao travesseiro, me sentindo péssima. Não havia aguentado continuar na escola, minha expressão pálida e abatida foi o suficiente pra convencer que eu estava mesmo passando mal e a diretoria ligar para minha casa pedindo para me buscarem. Minha mãe mal me olhara quando fora me buscar na escola. Me deu um remédio e me fez subir pro quarto e cá estava eu.
Ouvi batidas na porta e já sabia quem era. Limpei meu rosto e me sentei na cama, os pés pra fora dela. Sentindo as pontas dos dedos brincarem com o chão. Mordi o lábio, nervosa. Colocar o pé no chão era ter que encarar a grande conversa com Eduardo e eu sentia que ele ia me deixar. Céus, como era difícil essa dúvida. Será que ele me deixaria? Engoli em seco, espantando as lágrimas. Bateram na porta novamente. Me levantei, abrindo-a. Eduardo me olhava, a expressão pétrea, fria, senti meu coração murchar.
— Precisamos conversar. — Ele disse, a voz sem expressão. E eu já sabia o que viria a seguir. Procurei minha voz e a encontrei medrosa e trêmula no fundo da minha garganta.
— Eu também acho.
— Tudo que está acontecendo, eu não aguento mais, Mika. A gente só se magoa, se machuca. Na verdade, eu só te machuco. Eu acho que só temos uma coisa a fazer nessa situação.
— Não diz isso, Eduardo. — falei, baixinho, fechando os olhos. Eduardo entrou no meu quarto e eu me encostei à porta, tentando achar, desta vez, meu pulmão. — Você devia repensar tudo, Edu.
— Acho que devemos dar um tempo. — Ele soltou de supetão, apertei a maçaneta com força.
— Um tempo? — perguntei, minha voz saindo surpresa. Mas eu já sabia que isso estava por vir. Afinal, Beatriz havia me avisado. Só de pensar nela ganhando, meu coração já se sentia previamente humilhado e destruído. Antes que eu pudesse prever, já estava implorando, em lágrimas. — Não faz isso com a gente, a gente se ama, Edu. A gente se ama!
— Eu sinto que só estou te magoando, Mika. O tempo talvez seja bom. Eu preciso pensar. Achar um jeito de não te ferir.
— E em que mundo, em que mundo ficar sem você é melhor? — Minha voz tremia e eu via como isso afetava Eduardo. Seu lado frio parecia ruir aos pouquinhos.
— Talvez seja melhor, por enquanto...
—Está tentando dizer que seria melhor sem mim, Eduardo? É isso?
— Não. Eu não consigo pensar em mim sem você, Mônica. Não consigo. Você faz parte de mim. — Eu sentia meu coração engasgando. Seus olhos também se encheram de lágrimas. Não contive as minhas, as deixei escorrer livremente.
— E mesmo assim vai terminar comigo.
— Não quero terminar. Só quero um tempo pra pensar. — Ele passou a mão pelos cabelos.
— UM TEMPO? Pra quê? Termina comigo. É o melhor mesmo. Não quero que fique comigo por consideração e... — Tentei falar, sem ar. Sentia meus músculos doerem, meu corpo queimar de angustia.
— Não, Mika... Não fala assim, está tornando tudo mais difícil.
— Você já está terminando comigo, Eduardo!
— Não estou... Eu. Eu... — Ele parou confuso, pensativo, os cabelos agora uma bagunça total. — Eu ando confuso. Eu ando confuso com tudo.
— Você não me ama mais?
— Amo. — Meu coração relaxou com resquícios de alívio, mas ainda clamava por outras respostas, eu me sentia insegura, o olhar de Eduardo era firme no meu, porém eu via que ele ainda escondia coisas de mim.
— Você ainda me quer, Edu?
— Sim, eu... Eu, claro...
— Você está apaixonado pela Beatriz? — A expressão dele fez meu coração vacilar. — Você está.
— Não. Não estou.
— Você está. — choraminguei. — Ela é horrível, Edu. Ela é. Eu te juro. Ela diz coisas horríveis, ela se insinua, ela não é boa pra você. É uma atirada, é isso que ela é.
— Ela não é isso, Mika. — Ele respirou fundo, parecendo levemente irritado. — Não estou apaixonado por ela. Mas ela é uma boa amiga. Ela...
— Ela o quê?
— Estamos juntos há um tempão! Sei lá, Mika... Tantas coisas que a gente ainda podia conhecer. — Aquelas palavras não soavam como de Eduardo. Minhas lágrimas deram espaço a minha raiva.
— Ela disse... isso? Aquela vagabunda!
— Não fala assim dela. — Ele a defendendo me deixava ainda mais irritada.
— Não a defenda!
— Não estou defendendo, ela sempre foi uma boa amiga comigo... Eu, eu não sei ok. Eu acho que quero outros mundos.
— O mundo dela. — O ciúme me deixava quase irracional.
— Eu quero você nesse mundo também, Mika. Você é minha melhor amiga. — Mas eu não queria ser só a melhor amiga. Estava tão óbvio o que ele queria. Pessoas já tinham me avisado que isto aconteceria, eu já havia tantas vezes temido isso e lá estava a certeza. Eduardo me amava, eu era sua melhor amiga, porém...
— Mas quer outras gurias.
— Não... Eu... Estou confuso. — Tapei meu rosto, tentando respirar, controlar minhas lágrimas, meus ciúmes, todas as minhas confusões de sentimentos. — Você entende. Nunca se sentiu assim?
— Não. — respondi, sinceramente. — Eu não quero mais ninguém, só você.
Ficamos em silêncio. Absorvendo a minha frase.
— Você quer Beatriz... — disse, minha voz saiu mais magoada do que achei que sairia. Ele se encolheu, num gesto de desconforto. — Você quer.
As lágrimas escorriam dos meus olhos. Minta, eu queria dizer. Minta pra mim que não a quer, por favor. Toda essa situação era absurda, surreal. Não podia estar acontecendo.
— Ela é uma boa amiga. Ela me confunde. Eu não sei. Eu... Ela é gentil e...
— O jeito como você fala dela... Vocês ficaram? — minha voz falhou.
— Não, Mika... Claro que não. — Ele me olhou alarmado.
— Então... Por quê? Seja sincero. — Eduardo ficou em silêncio. Será que doeria menos se eles tivessem só se beijado, se ele não tivesse sentimentos por ela? Provavelmente sim. O modo como ele falava dela. Era o sentir, a paixão na voz dele, o modo como ele falava dela, como nunca falou de mim. Aquilo fazia meu coração sangrar, tudo dentro de mim queimar lentamente. O pior é saber que ela era uma farsa. E que ela era um monstro pra ele. E que ela ganharia. Eu me sentia humilhada e destroçada. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. — Ela é uma nova possibilidade. É isso que você acha que ela é. Mas ela é uma ilusão, Eduardo. Uma ilusão! Ela é uma pessoa ruim... Ela não boa pra você. Eu te escondi coisas que eu sei sobre ela. Mas ela não é boa. Não é. Por favor, Edu. Não faz isso.
— Mônica! Para! — Ele disse, firme, quase ríspido. Mordi o lábio. — Não é ela, sou eu. Eu não quero te magoar mais ainda. A gente está fora de sintonia.
— Eu entendi, Eduardo. Você não me diz, mas eu entendi. Você quer outras gurias, mas principalmente quer a Beatriz. Eu entendi. — Prendi o choro, tentando controlar minha voz. — Não quero você por consideração. Não quero um tempo pra você sair pegando um monte de vagabunda e quando cansar dos outros ‘mundos’, voltar pra idiota que sou eu, a sua melhor amiga. Não quero sua pena.
— Não tenho pena. Eu te am...
— Não diz isso! Não diz. Não aguento ouvir isso com você fazendo isso agora. Que merda! Você está estragando tudo, Eduardo! Desde quando é como todo mundo? Quer saber? Vá embora. Você tem razão, acabou, acabou. — solucei. Não aguentava mais essa situação.
— Não faz isso, Mika. Olha... — Ele tentou me puxar para si, me livrei dele com um safanão.
— Vai embora! E me deixe em paz.
— Você é minha melhor amiga. A gente... A gente não pode ficar longe. Não, Mika. Não faz... — Sua voz tremeu e olhei para ele. Ele parecia em choque com o que eu estava fazendo e eu também. O choro me atingiu com força com sua expressão, e também com suas lágrimas. Foi aí que caiu a ficha de vez: Eu não estava perdendo só meu namorado, mas também meu melhor amigo.
— Não posso fazer isso, Eduardo. Não posso ser sua amiga. Eu não quero ser sua amiga. O MEU Eduardo nunca faria isso comigo. Por tão pouco. Vai embora. Vai embora! Não consegue nem olhar na minha cara e dizer a verdade. Não consegue dizer que está doido pra ficar com outras gurias. Que enjoou de mim. Vá embora, Eduardo. Me tratou mal nos últimos meses e agora está me deixando logo por aquela piranha. Aquela desgraçada.
— Para de falar assim dela.
— O mundo vê o que ela é, vê o quão nada ela é! Menos você! E você... Eu... Não acredito. Está terminando comigo. — Ele tentou se aproximar. — Não! Não encosta em mim. Diz que sou sua amiga, mas me esconde tudo. Eu te odeio!
— Porque me odeia? — Ele me olhou chocada, seu rosto tornando-se vermelho rapidamente. — Não fiz nada de errado!
— Nada?
— Eu quero outras coisas e daí? Você se tranca, se fecha, não me diz nada e a culpa é minha? — Ele me segurou com força pelos ombros, parecia descontrolado como eu também agora. — Eu não tenho uma namorada, eu só tinha um robô! O que espera que eu faça, Mônica? Seja infeliz do seu lado pra sempre? Qual o problema de eu querer ser feliz com outra?
Me encolhi. O encarando chocada. Minhas lágrimas escorreram mudas. O silêncio tomou conta de tudo. A expressão de Eduardo desabou.
— Mika... Eu não queria dizer isso. Eu...
— Vai. Embora! — explodi. —Vai embora! Vai embora!
Gritei, o empurrando pra fora do meu quarto. E depois pelas escadas, até bater a porta com força. Eduardo não bateu na porta e eu fiquei tentando controlar minha respiração, minha mãe apareceu na sala, confusa, perguntando o que estava acontecendo. Não pude responder. Corri para o meu quarto, trancando a janela e as cortinas, pois sabia que Eduardo conseguiria chegar ao meu quatro pela árvore que havia ao lado da parede externa do meu quarto. Então, subitamente, reparei que Eduardo não iria querer bater na porta ou subir até a minha janela. Deixei meu choro expandir pelo meu peito.
Me deitei na cama, deixando o choro escapar e ensopar meu travesseiro. Nem percebi quando ele entrou no meu quarto, mas reconheci seu toque imediatamente. Larguei o travesseiro, rastejando para seu colo, aspirando seu cheiro, quase decepcionada por ser Samuel e não Eduardo ali, me dando colo.
— Nós terminamos, Samuel. — falei. Me senti até mal pela minha voz entrecortada e chiada, fruto do meu choro, não havia percebido como estava sufocada até despejar tudo. Minha respiração saindo em soluços discretos de choro. — Eu o perdi.
— Mika... — Samuel sussurrou, acariciando meus cabelos.
— Eu o quero de volta, por favor. — me encolhi em mim mesma, no meu choro. Samuel me apertou contra si. Eu o tinha perdido. Tinha perdido.
Eu não queria perdê-lo. Mas tinha perdido. Eduardo tinha terminado comigo. Me encolhi ainda mais. Eu nunca tivera o coração partido antes. Então, não estava preparada para aquela dor sufocante. Acho que ninguém pode se preparar e lidar com essa dor. Independente de ter o coração quebrado pela milionésima ou primeira vez. A dor que não para, que não se pode apalpar, que não se pode voltar ao tempo e retirá-la. Esse tipo de dor é de conhecimento universal e existem milhares de filmes, músicas e poemas que falam de sua intensidade. De sua progressividade e claro, como ela é eterna enquanto a sentimos batucando em seu coração. A dor não podia ser palpável, Mas eu apertava o coração involuntariamente, agarrando minha camiseta. Eu queria estrangular os gritos de dor do meu coração, porque quem sabe se eles parassem, a dor pararia também. Quantas metáforas de poemas eu ainda entenderia ao longo dos meses? Ser apunhalada pelas costas... Ter o coração partido... Ácido derramar-se por meus ossos enquanto eu via meu amado beijar outra... A sensação impotente e arrasadora de não conseguir deixar de amar, mesmo que o outro não mereça, para sempre? Assim como eu não podia fugir de todas essas sensações. Progressiva e diariamente aumentando. Só nunca imaginaria que seria Eduardo a me fazer sentir assim. Logo ele, que eu tanto amo. Eu teria que vivê-las. Rosas sempre desabrocham na primavera. Não se pode impedir. Só que eu primeiro murcharia, pra depois desabrochar. A primavera sempre volta, aliás. A minha voltou em forma de um nome... Lorenzo.
Notas finais
Confesso que fiquei meio que com vergonha alheia da Mônica quando ela implorou, depois com pena enquanto ela ia se magoando cada vez mais e agora quero dar colo pra ela. Eee Eduardo pelo menos fez algo, movido pela influência de outros e confusão, mas fez; não quer magoar mais a Mônica e tomou uma decisão, coisa que acho que muitas desaprovam. E, gente, ele vai sofrer também, da maneira dele haha. Acho que a partir daqui a história começa a se separar. Quando comecei a escrever já sabia que haveria o término, porque isso ia se tornar duas histórias distintas, só não sei como vou fazer isso, mas tentarei. Provavelmente vocês ainda sentirão muita raiva do Edu, porém, é a life. Mônica também vai mudar bastante. Daqui a alguns capítulos entra um personagem novo e é isso aí. Espero que tenham gostado. Voltei rápido desta vez, porém, tenho certeza que da próxima só voltarei daqui a semanas. =/ Então já sinto saudades antecipadamente.
Beijos, moças!
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