Eduardo E Mônica
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Eu to com rabinho entre as pernas, gente. Rs Sumi por praticamente 3 meses. Cara, triste e vergonhoso (e ao mesmo tempo inevitável). K E eu queria dizer que da próxima vez vou voltar mais cedo e tudo mais, porém, descobri que ano de vestibular não tem como fazer essas promessas, ainda mais se você é como eu que tem muita dificuldade de se concentrar (oi déficit de atenção) e não é tão inteligente quanto queria e pobre (sdds poder fazer cursinho). E eu tipo, quero muito uma boa faculdade esse ano (sonhando alto, chances nulas, mas ok), então ando meio que muito concentrada em estudar (ou tentando rs). E nas minhas horas vagas as fanfics parecem não fluir. É frustrante. Ainda mais porque sinto muito falta de vocês leitoras (que me procuram e são muito legais e carinhosas, sério, chega me dá um aperto no coração não ter capítulo pronto e nem criatividade pra escrever D:, suas lindas ♥) e dos personagens. Odeio me sentir paradona. Queria voltar a ser super ativa como nos meus tempos áureos de MQC/VNL rs. Mas não ando conseguindo, desculpa. De verdade. T.T Espero ainda ter leitoras, mas se não tiver, é perfeitamente compreensível. T.T ~drama~ KKK
Então, chega de mimizaaaar e vamos ao que interessa:
Espero que o capítulo esteja legal, apesar de mimizento (e tem treeeta minha gente o). Mas é a life. Eu me esforcei de verdade. E deixei o capítulo (que ta gigante) fluir o mais natural possível. Não queria nada forçado. Espero não decepcioná-las.
Ps: Qualquer erro é total minha culpa, não revisei capítulo direito (sdds beta haha) e não sei se vocês perceberam, mas Nyah anda engolindo acento, vírgula, e essas porcarias todas. Aí distorce tudo. Então, por favor, relevem coisas mais absurdas e depois dou uma limpa no capítulo. Então é isso.
Ps2: Sim, adquiri amor por parênteses durante minha ausência s2 kk
Enjoy.
Entramos no apartamento de Samuel. Um aposento grande, espaçoso e arejado. Basicamente, era enorme, com um estilo moderno impessoal, masculino e... largado. Sem qualquer tipo de foto de família ou delicado, era bem organizado, tirando coisas de Samuel espalhada, numa organização casual e até mesmo desleixada, mas bonito. As paredes eram de uma coloração azul, semelhantes a de tinta esferográfica, o que sempre achei super bacana e dava um ar bem original ao apartamento. Os móveis, pretos, lustrosos e sem muitos enfeites. Crus e masculinos, mas com um toque feminino casual, quem sabe da empregada. Os móveis, pretos. Samuel morava com o irmão, seus pais moravam na cidade vizinha, que era perto até. Mas ele se sentia mais confortável aqui, acho. Com seu quarto enorme e videogame moderno.
Eu adoro esse apartamento, não só porque era lindo, mas também pela companhia. Samuel, diferente de quase todo mundo que eu conhecia, entendia a questão quase divórcio dos meus pais, porque os dele viviam dando esses ‘alarmes falsos do capeta’, que era como ele chamava as brigas. Sempre brincávamos que abriríamos um grupo de apoio para Adolescentes Ignorados pelos Pais Pré-Divorciados. Vivíamos falando sobre isso, porque não tínhamos ninguém mais a quem falar. Nosso outro melhor amigo, Eduardo... Tinha uma família perfeita. Que brigava, discutia, mas estavam sempre ali, no duro, unidos. E Eduardo nos irritava profundamente por não perceber isso. Por não ter noção do milagre que é ter pais, mesmo que com cônjuges diferentes, que se amam e respeitam, que conversam com eles e são melhores amigos. Não que Eduardo fosse um péssimo amigo, ele sentava, procurava entender, procurava se colocar no nosso lugar e se sentia frustrado por não entender. Eu e Samuel admirávamos sua paciência, sua atenção, como ele podia não ter uma palavra certa, um conselho certo, mas sempre tinha 1 abraço, um olhar, uma piada, ou qualquer coisa semelhante para nos animar – coisas assim faziam eu me sentir apaixonada por ele. Só que paramos de fazer isso, paramos de falar, Eduardo de escutar. Acho que todos nós acabamos mudando com o tempo. Eu fui me fechando, Samuel sem tempo, e Eduardo... parou de ouvir e reparar, aliás, ele era a pessoa mais distraída e avoada que eu conhecia. Então... Basicamente, Samuel e eu nos juntávamos quando podíamos e trocávamos nossas experiências. Era confortador e me ajudava a espairecer. Antes ficar com Eduardo era melhor, mas agora eu me sentia mais confortável aqui na sala jogada na cama dele, olhando para o teto enquanto ele procurava alguma série para assistirmos, já que eu não queria contar da briga.
Samuel me puxou para o quarto, e eu me joguei na cama de casal gigante e muito confortável. Me ajeitei entre os travesseiros, enquanto ele tirava meu sapato. Eu e Samuel tínhamos essa coisa sem malícia, eu me sentia pequena e bem cuidada perto dele. Como um irmão, algo assim. Ele foi para a estante pegar o DVD que queria, vasculhando sua estante desorganizada. Achou-o e sentou-se na cama. Virou e me olhou compreensivo, sem dizer uma palavra, então... As reclamações escaparam. E Samuel ouviu atendo, analítico, com seu melhor olhar psiquiátrico. Falei sobre Beatriz, sobre como estava vendo Eduardo se afastar cada vez mais, de sua despreocupação e como eu vivia, de todos os lados, ignorada e mal amada. Eu falei porque fluía, porque era como falar em voz alta para mim mesma. Uma outra pessoa tentar decifrar, me ajudar com algo para consertar, para mudar, qualquer coisa. Eu me sentia perdida. Não queria pensar em muitas possibilidades, queria não ver o que estava de errado, mas não podia mais ignorar o que estava estampado em nossas caras, pra todo mundo ver.
Parei de falar, olhando para o teto. Samuel pensativo não olhava para mim, perdido nos próprios pensamentos.
— Você que conhece bem o Eduardo, Samuel... — disse, baixinho. Samuel olhou para mim, a expressão impassível. — Ele não gosta mais de mim, não é?
Há sempre dois momentos no amor que te angustia. Ser amada e não ser amada de volta. Quando você é amada há a sensação de que tudo vai começar, vai ser diferente, que vai se entregar. É uma angústia que tem outro nome que é consolo. Todo mundo é tão sozinho, que ser amado de volta é tão estupidamente e exoticamente diferente e maravilhoso que machuca. Não tanto quanto não ser amado de volta. Principalmente quando você conhece a pessoa. É difícil fugir dessa certeza e ainda mais difícil aceitá-la. Mas eu sentia que era isso. Sentia a todo instante. Mas procurava em qualquer coisa, algo pra me agarrar.
— Mika... Deixa de ser idiota. — Samuel respondeu prontamente, mas não consegui acreditar. Sabia que não mentia, mas aquela parte de mim que sabia não acreditava de jeito nenhum. — É claro que ele gosta.
— Não precisa dizer para me agradar.
— Eu sei. — Ele revirou os olhos.
— Então, fale a verdade. — Era tão mais fácil dizer que ele estava deixando de gostar de mim, eu sabia disso. Sabia.
— Ele te ama, Mika. — Ele afirmou, de forma óbvia. Mas não sei, talvez minha paranoia, viu algo por trás daquele seu olhar firme.
— Mas não é apaixonado por mim, não é?
— Ele é sim.
— Eu disse para não mentir para me agradar. — bufei, escondendo minha cara no travesseiro.
— Ei, não estou mentindo. — Ele bagunçou meus cabelos. Me virei para olhá-lo. — Sua insegurança está distorcendo a forma de você ver as coisas. Eduardo te ama, demais... Ele só...
— O que? Só fala logo, Samuel. — Ele respirou fundo, deitando ao meu lado.
— Acho que ele só está esquecendo isso. Se deixando levar. — mordi o lábio, já sabendo que era verdade. — Mas não faz essa cara. Infelizmente, acontece. Eu já fiz isso uma vez, Mika... Caras são meio babacas mesmo.
— Meio? — Ele riu, baixinho. Seus olhos pertos dos meus. — Ele vai terminar comigo, Samuel. Eu queria ser melhor, mas não sei mais o que fazer.
— Você não está fazendo nada de errado.
— Alguém está! Eu estou sim, porque ele não me quer mais. Olha... Eu ainda o amo e quero... Mas ao mesmo tempo, estou cansada. Eu me sinto horrível e não consigo parar de me questionar se eu fizesse algo ou fosse mais parecida com alguém... Nada disso aconteceria. Eduardo está confuso e vai perder seu tempo com aquela menina. Eu sei, sabe? Como sei que ele vai acabar uma hora ou outra me deixando. Vejo coisas que ele não enxerga ainda. É estranho me sentir como ele. Como... Bem, como em O Morro dos Ventos Uivantes. Quando Catherine diz: Eu sou Heathcliff. Eu não entendo nada de romance. Mas sempre, sempre entendi aquela frase. Eu sou o Eduardo. Sei como ele se sente. Quero o melhor para ele... Porque ele merece. Porém, tem o meu lado Mônica... E meu lado Mônica o ama tanto, tanto que parece morrer. Quem eu vou ser se o Eduardo não for mais meu? Quem eu serei senão ele, entende? Não posso ser o Eduardo que não pertence a Mônica. Não sem sofrer demais, Samuel. Não sei mais o que fazer. Tudo está mudando. Tudo que pensei que seria eterno está desmoronando. Não sei se consigo viver com essa possibilidade. Existir num mundo onde a única coisa eterna é meu amor solitário pelo meu namorado.
— Mika... O mundo não acabaria se vocês terminassem. — Samuel disse, suavemente.
— Eu sei! Não quero ser dessas meninas dramáticas... — Aquelas tolas que se anulam por caras, que o colocam como o centro do universo. Não queria ser assim e sempre procurei não ser. — Mas um mundo com o Eduardo é tudo de que me lembro. Eu não tinha pai, quase não tinha mãe, eu não tinha nada antes de conhecê-lo. Eu olho para trás e só vejo o Eduardo, olho para o futuro e só o vejo também. E se eu tiver que apagar ele do meu presente, fazer um futuro sem ele... O mundo não seria... Um mundo. Não sei explicar. Estou assustada. Se tudo mudar...
— Isso vai ser chamado de vida. Relacionamentos vem e vão. Mas isso é só uma hipótese, Mika.
Suspirei. Me sentia tão tola nesses momentos. Tão... infantil e imatura. Quanta coisa da vida que eu não conhecia ou sabia lidar. Tanta falta de experiência. Tanto medo. Não estava acostumada a me sentir assustada nesse quesito também. Mas cá estava eu, totalmente assustada. Abracei a almofada, olhando para Samuel e seus longos cílios:
— Eu não sei de nada, não é? Sou apenas uma menina tola...
— Não diz isso. — Ele acariciou minha cabeça. — Você se permite sentir sem desconfiança. São poucos que conseguem fazer isso.
— Não posso viver assim para sempre não é, Samuel? Só quem nunca tem o coração partido pode fazer isso. Sei lá, crianças. E eu não sou mais uma criança. E Eduardo vai quebrar meu coração, não vai? — Samuel continuou me silêncio, me deixando falar. — Acho que ele já o quebrou, ou está o rachando dia após dia... Não sei reconhecer a dor. Mas quando se tem o coração partido apenas se sabe, não é? Quando Eduardo quebrar meu coração, Samuel. Não vou ser mais essa Mônica. E vou perder todos, inclusive você. Quando Eduardo deixar de me amar e quebrar meu coração... Ninguém vai me amar. Nunca mais.
— Não diga isso.
— Vai acontecer. — falei, convicta. Eu sentia isso.
— Não pense essas coisas. Eduardo te ama, só tem que começar a dar mais valor a isso. Todos os relacionamentos tem essa fase. Ainda mais vocês que estão há tanto tempo juntos. Demais até. Cara.
— Claro... — revirei os olhos, sarcástica.
— É sério. Eduardo vai te ligar, vai pedir desculpas e vai parar de te fazer se sentir assim. E mesmo que hipoteticamente isso não chegue a acontecer... Ele vai se arrepender de ter feito isso. E além do mais, eu te amo por você, Mika. Quem você é, vai ser e já foi. Você é minha melhor amiga e se duvidar do meu sentimento por você vou te bater até você entortar, entendeu?
Ri baixinho da sua careta séria.
— Ok. — Não estava muito convencida disso. Na verdade, nem minimamente convencida.
— Eu to falando sério.
— Já entendi. — falei baixinho. — Você me ama.
— Não mais do que você me ama.
— Mas eu não te amo. — falei, rindo. Nos ajeitamos, ele deitou-se na minha barriga, ligando o dvd.
— Ama.
— Não amo. — Ele bufou, um filme de comédia começando. Sua respiração alta e rouca preenchendo o quarto e me deixando mais calma. — Só as vezes...
Com o filme, Samuel se esforçou, me distraindo e fazendo rir. O celular em minhas mãos. E bem como esperado... O celular não tocou durante as quatro horas que fiquei ali.
~
Eduardo
Mariana estava deitada em meu peito, dormindo, enquanto eu assistia tv na sala. Meu pai estava com Julia lhe dando banho e Malu lavando a louça para depois colocar as duas meninas na cama. Passei o resto da tarde e parte da noite com eles, relaxando, sem contar qualquer coisa para eles, que estavam tão relaxados, não queria preocupa-los com minhas babaquices.
A briga com Mika continuava fresca em meus ouvidos e o beijo terno de Beatriz na minha bochecha. Não havia decidido o que sobrepujava mais em minha mente. O brilho intenso de raiva e mágoa de Mika ou o olhar desejoso e quente de Beatriz. Os dois eram novidade. Os dois me assustavam. Suas vozes também, a aguda e firme de uma Mika irritada e explosiva, com bochechas avermelhadas e mãos trêmulas. A voz suave e doce de Beatriz, meio rouca, como se soubesse que eu iria ceder. A grande questão era: ceder ao que? Não sabia o que eu queria.
Não queria Mika magoada e não queria abrir mão da amizade que eu tinha com Beatriz – eu a achava interessante... e... bonita, antes de tudo. Ao mesmo tempo que pensar nisso me causava horror, porque eu amava minha namorada. A grande questão é que eu não achava somente Beatriz tão bonita e atrativa assim. As meninas deixaram de ser paisagem, arquitetura, para se tornarem possibilidades, mistérios que eu não conhecia. E sentir isso me tornava um puta babaca? Quer dizer, eu era só um cara. E duvido que garotas não se sintam assim. E sentir tudo isso que ando sentindo em relação a outras meninas, não me impedia de ainda amar Mika, só não conseguia mais prestar tanta atenção nela e parecia que eu a magoava ainda mais, e não sabia como evitar isso.
Mariana suspirou pesadamente em meu peito e eu me levantei. Quando ouvi a campainha tocar. Malu apareceu na sala, me olhando curiosa, pelo horário.
— Quem será?
— Não faço ideia.
— Vou atender.
Meu pai desceu as escadas. O olhar curioso.
— Quem é?
— Não faço ideia. — repeti.
— Julia já está deitada. — disse ele, pegando Mariana no colo.
Samuel apareceu na porta, Malu ao seu lado. Não estava com uma cara muito feliz. Cumprimentou meu pai, e depois voltou a me encarar.
—O que faz aqui tão tarde? — perguntei, desconfiado.
— Nunca se preocupou com minhas visitas íntimas de madrugada, Eduardo. — Ele respondeu, sério. Malu riu baixinho, enquanto meu pai revirava os olhos.
— A gente vai assistir tv no quarto. — Malu avisou. — A sala é de vocês.
— Prefiro que se matem a que fiquem se amando e amigando. Sério. — Meu pai comentou, com a expressão séria, mas dava pra ver o sorriso escondido atrás dos olhos.
— Ah, fala sério, pai! — Explodi, corando. Fazendo Malu e Samuel sufocarem uma risada.
— Não tenho preconceitos, mas...
— Pai! — disse, em tom repreensivo.
— Tudo bem, sogrão. — Samuel sorriu. — A gente fica bem.
Malu e meu pai riram da minha cara mais um pouco. E subiram entre risadas baixas cúmplices e divertidas, para o quarto, tentando não acordar Mariana. Me virei para Samuel, que ainda ria baixo, mas não seu riso espalhafatoso. Contido, com pontadas de seriedade.
— Filho da puta! Tem que parar com essas brincadeiras.
— Não, sua cara é ótima nesses momentos. — Ele parou de rir, tossindo de leve.
— Então, a que devo a honra da sua visita? — Encarei curioso, sua expressão se fechar e ele cruzar os momentos.
— Acabei de deixar Mônica na casa dela.
Parei por um momento. Já sabendo que Mika devia ter atualizado Samuel em relação ao que tinha acontecido mais cedo. Porra, pela cara dele não deve ter sido muito legal e ele devia estar puto comigo por associação. E Mika? Me perguntei como ela devia ter lidado com tudo, me encolhi, sentando no sofá.
— Como ela ta?
— Sendo Mônica, é claro. Ou seja, fingindo que não está super magoada e que você não fez por mal. — Mordo o lábio e me revirei em agonia ao pensar na expressão magoada de Mônica.
— Eu não fiz por mal, eu juro. Nem percebi como estava sendo insensível com ela. — justifiquei, sendo sincero. Tentando tirar aquela expressão acusatória da cara de Samuel.
— Até quem não passa muito tempo com vocês percebe como você ta sendo insensível com ela. Insensível não seria uma palavra boa o suficiente. Cuzão, otário, babaca... Adjetivos melhores. — Bufei, revirando os olhos.
— Eu não faço por mal. E deixa de ser exagerado, não é como se eu tivesse sendo grosso sempre com ela ou a largando. — Samuel riu de escárnio. Parei, confuso. — Eu estou sendo?
Ele acenou positivamente com a cabeça. Me senti ainda mais babaca com essa afirmação.
— Ok, é que... — Não sabia o que dizer, como colocar em palavras. — Não sei o que está acontecendo comigo, ultimamente.
— Ah, eu sei bem o que está acontecendo contigo... — Ele disse, debochado. Ignorei aquele comentário.
— Eu não queria tratar a Mônica daquele jeito. Tentei consertar antes de ela ir embora, mas sei lá, ela estava puta comigo.
— Devia ter consertado não estando aqui, mas lá, na casa dela agora. Mas não, deixa a garota remoer o que você fala e tudo mais. Se magoar ainda mais. Porque a Mônica nunca é insegura, não é mesmo? Afinal, ela não dá a mínima pra você. E além do mais... Porque ela estaria puta? Tipo... Só porque está percebendo que você ta praticamente babando pela Beatriz na cara dura? Quanto drama que ela anda fazendo.
Ignorei o tom ácido e como aquelas palavras dele me fizeram me sentir ainda mais idiota – coisa que eu achava que era impossível. E pensei em Mônica, em sua insegurança, em seus ciúmes, em ela sofrendo... Sobre Beatriz. Merda.
— Ela te contou isso?
— Não. Ninguém precisou me contar. Eu vi, sou seu melhor amigo. E Mônica não é cega.
— Não tem nada entre mim e Beatriz. — expliquei. Realmente, não tinha nada. Só... interesse mútuo. Curiosidade, apenas. — Nem amigos somos direito. Só colegas, sei lá, ela é legal. Mônica nunca teve problemas com eu ter amigas.
— Verdade. Nunca teve problemas, até você começar a tratar ela mal.
— Não estou tratando ela mal, porra! — Essa história dele ficar dizendo que eu estava tratando a Mônica mal estava começando a me tirar do sério. Ele esfregava isso na minha cara constantemente. E eu não conseguia ver aonde eu tanto a tratava mal. Nem porque de tantos ciúmes, exatamente. Nunca fiz nada demais. Nunca, sempre procurei... Manter uma distância calculada da menina. Será que eu estava sendo um fracasso nisso? Será que Mika via mesmo o que eu estava passando? — Só... Beatriz é minha amiga. Não sei como conciliar as duas coisas, estou meio confuso com essa coisa de namorar a tanto tempo. E com os caras provocando, estou começando a pensar no que perdi todo esse tempo.
—Puta merda... Perder?! — Samuel explodiu, a voz se elevando. Me fazendo olhar para ele de verdade. — O que você perdeu? Você tem que pensar no que você ganhou, Eduardo. Uma namorada fodástica! É isso que você ganhou. Momentos inesquecíveis. Alguém que realmente ama você.
— Eu sei cara, eu sei.
— Não, porra. Você não sabe nada! Você está pensando em quanta mina não pegou. Puta merda! É isso que está pensando. Ta pensando como eu. E porra, isso não é elogio. — Ele se levantou do sofá, começando a andar de um lado pro outro. — Como pode ser tão otário? Comparando aquela atirada da Beatriz com a Mônica? E cogitando que Beatriz e mais umas garotinhas dadas são melhores? Vai se foder, Eduardo.
— Beatriz não é atirada. — a defendi, começando a me irritar com esse tom sempre hostil de Samuel. — E não estou comparando o que é melhor.
— É claro que está! Puta merda, se fosse uma garota mais legalzinha e tals. Mas é a Beatriz!
— Que raio de implicância com a menina.
— Eduardo... — Samuel suspirou, procurando se acalmar, era óbvio. — Escuta o que eu estou te falando. Estou te avisando: Ela é chave de cadeia.
— O que? — Não entendi seu comentário. Beatriz nunca parecera ser assim. Era educada com todos.
— Ela é sim. Chave. De. Cadeia! — Ele pontuou cada palavra, como se tivesse falando com um doente mental.
— Ela é gentil... Ela é minha amiga.
— Amiga, aham. Ta certo! Vocês vivem flertando e não num nível amizade que é comum. — Ia replicar, mas ele me interrompeu. — Cara, ela é chave de cadeia. Confie em mim.
— Só está dizendo isso porque ela provavelmente te deu um fora. — disse, irritado. Perdendo completamente a paciência.
— Sério mesmo que você disse isso? — Samuel disse, vermelho. Os óculos tremendo na ponta do nariz. — Você é uma causa perdida! Quer saber? Se vai continuar com essa putaria de tratar a Mika mal... Ou ficar de esfrega com a Beatriz... Termine com a Mônica.
— Eu não estou de esfrega com Beatriz! — praticamente gritei.
— Tem certeza? Ou quando é que vai começar?
— Cala a boca, Samuel! — Me exaltei. — Eu... Eu adoro a Mika. Nunca faria isso com ela.
— Ah, vai tomar no cu, Eduardo. Ela não merece ficar com alguém que adora ela. Mas sim alguém que ame ela! Se vai continuar com isso, a ignorando, se não sabe o que quer... Seja sincero com ela. Não a deixe tendo incerteza quanto aos seus pensamentos não ditos, caralho. Seja homem! Admite o que quer, caralho.
— Admitir? Homem? — Senti minha vista avermelhar com esses comentários, com essas acusações. — Você não sabe nada, Samuel. Nada.
— Ah eu sei. Pode crer. Eu. Sei. Então, porque não diz logo a mim, ou a si mesmo, que quer terminar com ela pra pegar outras garotas? É fácil falar, Eduardo. — O tom de voz de Samuel diminuiu e eu o olhei, tentando controlar a respiração. Sua voz continha um quê de sarcasmo que foi impossível não reparar. — Essas coisas acontecem. Só que você não quer falar disso comigo, não é? Você não quer falar, porque você não vai só falar... Você vai fazer.
— Não quero fazer nada. — disse, baixinho.
— Nem sabe mentir... Você sabe quem eu escolho... entre você e a Monica, não é? — É claro que eu sabia. Samuel e Mônica eram grudados, e ele a adorava, sempre fora assim. — Eduardo... Se você a trair, eu juro... Eu mato você.
— Não vou traí-la! Como pode achar que eu faria isso com ela? — Só ele cogitar essa possibilidade me fez perder a cabeça. — Acha que eu não me importo? Porque está agindo como se não fosse meu amigo? Como se não me conhecesse? Eu me sinto perdido, porra. Não sei o que fazer. Não sei. Qualquer coisa que eu chegue a fazer vai dar errado. Eu nunca magoaria a Mônica.
— Talvez não de propósito... — me afundei no sofá.
— Eu... Não quero magoá-la. — Isso era verdade. Provavelmente era a última coisa que eu queria fazer. Pensar nessa possibilidade já me deixava aflito. — Só não sei o que fazer.
— Faça o que tem que fazer. Mas prefiro que seja sincero. Não quero deixar de ser seu amigo.
— Como sabe, como pode ter tanta certeza que vou terminar com ela? — perguntei, curioso com sua convicção.
— Se eu contasse... Você não acreditaria.
Samuel riu, um riso que não achava graça em nada. Me lançou um último olhar e foi embora, sem se despedir. Me deixando sozinho com a culpa. Com suas palavras em minha mente. Eu queria mesmo terminar com Mônica? Isso seria o melhor para nós?
Notas finais
Pois é, Samuel dando uns puxões de orelha no Eduardo e tudo mais. Eu gosto muito do Samuel, ele ta me conquistando, gente D:
Haha, gente, vocês tudo odiando o Edu. Sou a única que ainda ama ele, tadinho. Ás vezes fico me sentindo culpada achando que estraguei o Edu que vocês tantam amavam quando criança, juro gente, ele ainda é amorzinho. Mas ele é adolescente, faz merda e é isso aí. KKKK Fico imaginando como vai ser futuramente, vocês vão acabar fazendo bonequinho vudu do coitado. Hahahaha ♥
Obrigada pelos comentários anteriores, vocês são demais, cara. Obrigada por lerem e não desistirem da fanfic. Beijo, gatas(os?)!
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