Notas iniciais
Oi, oi, oi. Voltei com mais um capítulo hoje, não aguentei... Obrigada pelos reviews, aliás. *-*

Joguei a bola de encontro a parede novamente. Ela retornou, joguei-a, esperando ela voltar mais lentamente. Deixei a bolinha ir e voltar, continuando nesse ritmo que fazia um leve eco na parede, mesmo sabendo que em breve minha mãe apareceria para reclamar. Mas mal importei, estava demasiado preso em meus pensamentos. A escola como sempre, fora uma chatice tediosa. Mônica aparecera, mas estava abatida, calada e a menina nova me deixava inquieto. Era estranho perceber que seu nome rondava minha cabeça mais do que o nome da minha namorada, principalmente depois da festa de ontem a noite casa de Samuel. Percebi pelo canto do olho que este mexia nas minhas revistas de animes, desorganizando o que já estava desorganizado. Parecia concentrado, a ruga na testa proeminente e os lábios numa curva fina de concentração. Uma expressão bastante patética pra um cara que sempre estava rindo, mas suficiente comum para um cara também que vivia reclamando. Joguei a bola com mais intensidade, aumentando a velocidade, já prevendo sua reação.

– Para com esse barulho, porra! – Samuel gritou, depois de certo tempo. Jogando a revista em mim. Ri baixo do seu tom de voz. Suspirando e voltando com a bola, ele a pegou no ar.

– Que ânimo, viu? – Ele colocou a bola na mesa do meu computador, abarrotada de jogos.

– Tédio. Isso é o som do tédio. Agora me devolve essa droga.

– Deixa de ser babaca. Não sei por que ta nesse ânimo todo. Brigou com a Mônica ontem?

– Não...

– Ela saiu mó bolada por você ter falado com a Bia, não foi? – Pensei um pouco no assunto, Mônica me garantira de forma rápida, que não se importara com aquilo e de certa forma, eu sabia que ela estava falando a verdade. Mas percebi que ele também ficara cabisbaixa lá para o final da festa de Samuel, ele era cheio de dar festas, era o organizador de festas de nossa turma, até mesmo da escola. Era bastante popular e de certa forma, meu melhor amigo.

– Não, eu acho. Pelo menos ela não disse nada.

– Cuidado, quando ela explodir...

– Isso não vai acontecer.

– Mika vai sim explodir. – Samuel disse, com uma certeza quase irritante. Afinal de contas, os dois eram bem amigos.

– Você fala como se conhecesse minha namorada melhor que eu.

– Ás vezes eu também acho isso, mas na maioria das vezes só tenho certeza.

– O que você ta falando? Sabe de algo?

– Não, cara. Não sei de nada. – O olhei desconfiado, mas ele revirou os olhos. Suspirei, mudando de assunto.

– Vai ir pro churrasco hoje? – Todos os domingos havia churrasco na casa de um dos meus pais – que eram divorciados, embora eles nunca tenham chegado a se casar. Eu era tipo... o filho fruto de uma noite entre namorados bêbados, com muito orgulho, é claro. Enfim, sempre havia churrasco na casa de um deles ou da minha avó, ou do meu tio Pablo, tio postiço, a propósito. Esse domingo, meu pai fora o premiado com as gritarias, confusões de crianças e bagunça na casa. Uma honra, sem dúvidas e sem ironias. Samuel costumava ir comigo, me ajudar a vencer meu pai e meu tio no videogame, não que a tarefa fosse lá muito difícil e brincar com as crianças, também pra comer a torta de frango fantástica da minha avó. Uma coisa bem familiar...

– Não rola, tenho um encontro. – Ele sorriu malicioso. Pelo seu sorriso consegui decifrar quem era.

– Jéssica?

– Sim. – Fiz um gesto de entendimento. Jéssica era uma garota do segundo ano, como nós dois. Bonita, loira e gostosa, característica que sempre a diferenciava. Sempre fora assim. Sabia também que Samuel sempre fora a fim dela, mas Jéssica era meio ciumenta e não gostava do fato de a fama de Samuel o preceder. Porém, ontem vi como Jess se sentira privilegiada ao ver Samuel deixar Beatriz, que atraia todos os olhares, ganhava todos os sorrisos e ganhou até mesmo a minha atenção, de lado pra ficar com ela. Ela se sentira especial e devia ter caído fácil no papo dele.

– Então ela finalmente aceitou...

– Demorou um pouco, mas é impossível me recusar. – Ele sorriu satisfeito.

– O que diz muito sobre a inteligência dela.

– Ah é?

– Arran, aceitar sair com um otário como você, faz dela uma ingênua.

– Ah, vai se foder, Eduardo. – Ri baixo do seu estresse fácil. A coisa mais fácil do mundo era fazer Samuel gritar, ou esbravejar. Coisa que o deixava bem engraçado. Eu ficara amigo de Samuel há uns anos, agora estávamos prestes a fazer dezessete. Quando o conheci, era um gordinho com ares de boyzinho. Mas depois ele emagreceu e começou a usar óculos de grau e percebi que na verdade ele era um cara inteligente pra caramba, que conseguia ser cínico o suficiente para se passar do maior dos tolos e manter as maiores notas da sala e além de pegar a maioria das garotas com seu jeito manso.

– Ansioso?

– Que pergunta idiota... – Ele ajeitou os óculos, com a armação mais moderna. – Eu sou profissional.

– Sério? Achei que você realmente gostava da Jéssica e não seria só mais uma.

– Ela é mesmo especial, talvez daquelas pra eu Eduarizar.

– Eduarizar?

– É... Sossegar. Mas, bem... – Ele riu sem graça. – Se eu ficar nervoso, vou parecer eu mesmo e aí ela foge. – Ri alto de sua confissão. Alguém bateu na porta.

– Entra. – falei. A cabeça da minha mãe apareceu, os cabelos loiros caindo a sua frente, ela sorriu de leve para nós. Samuel se empertigou na cadeira, sempre ficava assim na presença da minha mãe e da minha tia Malu, coisa que me deixava fulo da vida. – Já vamos sair.

– Ok. – Quando ela desapareceu eu levantei da cama, preguiçosamente. Podíamos ouvir Maria Eduarda correndo pelos corredores e descendo as escadas.

– Algo me diz que o dia vai ser agitado. Crianças correndo de um lado para o outro, pena que eu vou perder você dando uma de babá.

– Se fode. – Joguei a bola nele, que desviou.

– Bem, vou indo então.

– Ta.

– Manda um oi pra Mônica.

– Falou. – Suspirei, desanimado. Sabendo que provavelmente não falaria com ela hoje.

– E vê se tira essa cara de coitado, pelo amor de Deus! – Ele jogou a almofada na minha cara, desaparecendo pela porta. Ouvi ele se despedindo de minha mãe e Alexandre, meu padrasto.

Nem eu sabia por que estava tão desanimado, Mônica não estava brava comigo. Não fora uma briga, nas brigas você grita, acusa. Na verdade, ficamos em um silêncio inquietante, diferente daqueles silêncios de intimidade que estávamos acostumados antigamente... Parecia que tudo havia mudado. Estávamos assim desde a festa na casa de Samuel. Desde que Mika me olhara chateada, um olhar que eu nunca havia visto em seu rosto. Eu me sentia diferente do que era quando entrei na casa.

Ao entrar, segurando a mão de Mika, eu era o cara que namorava há anos com ela e estava ok com isso. Só que percebi como eu era diferente de todos os outros no recinto. Me sentia entediado, tudo era tão... comum e repetido. Pra um adolescente de 16 anos, sedento por novidades, eu não fazia nada diferente há meses. E lá estavam eles, tendo conversas sobre coisas que fizeram, garotas que conheceram, viagens que perdi. E eu ali, me sentia meio... aprisionado.

Procurei tirar tais pensamentos da cabeça. Era bobagem, minha namorada era bacana, era muito mais do que bacana, na real. Sabia que era até invejado por muitos caras. Me preocupar com isso, me comparar com os outros, comparar a Mônica com Beatriz era bobagem. Mas parecia cada vez mais constante a cada segundo. Suspirei, me levantando. Tinha que me arrumar, afinal de contas, se eu perdesse esse churrasco haveria reclamação, mesmo que indireta, seja pelo Sr Igor ou pela Sra. Ceci. Uma das coisas meio chatas de ter pais separados é essa coisa de ir de uma casa pra outra. Porém no meu caso, eu tinha certa sorte... Meus pais separados viraram bons amigos, acreditem ou não. E ambos estavam casados com diferentes pessoas, tinham filhos com elas e se reencontram em família aos domingos. Talvez isso se deva ao fato que meu pai se casou com a irmã da minha mãe. Mas isso é outra história, que já dera muito pano pra manga e até agora ainda me fazia rir. Sei que parece meio esquisito essa coisa de meu pai casado com a minha tia, mas nunca me pareceu muito errado, entende? Sempre parecia o certo, eles se amavam, ué. Eles tinham uma daquelas histórias de amor impossíveis, que eu estivera nela, que eu faço parte dela. E tudo dera certa afinal. O resultado era o casamento há dez anos dando certo, sendo que eles se conheciam há quase 18 anos. Muito, muito tempo.

– Se você demorar mais um pouco, mamãe vai te matar. – Duda apareceu na porta. A mão na cintura, no auge de seus 9 anos. Os cabelos caiam lisos até o queixo, de uma cor de castanho cor de amêndoa, muito bonito. Os olhos eram azul-esverdeados, como o do pai. E ela tão linda, tão... minha, que chegava a doer.

– Sai do meu quarto, pestinha. – reclamei, ela riu, sabendo que eu praticamente nunca ficava bravo com ela. Ela mexeu na minha revista, tirei da mão dela que sorriu, se levantando. Dando uma volta em si mesma, as mãos na cintura.

– Eu to bonita?

– Não, você é horrível.

– Babaca. – Ela disse, de braços cruzados, se fingindo de brava, mas sabendo que eu estava mentindo. A peguei de lado, descendo as escadas com ela rindo, me pedindo pra soltar. – Você vai bagunçar meu cabelo!

Ignorei, girando ela de um lado para o outro, a fazendo reclamar, entre risos. Alexandre nos observava, sentado no sofá, de forma divertida. Uma revista no colo aberta em uma página qualquer, parecia só esperar Dona Cecília terminar de se ajeitar.

– Coloca sua irmã no chão, Eduardo. – Minha mãe reclamou, aparecendo na sala com uma espécie de embrulho, coloquei Duda no chão, que me estapeou com seus socos de pena. Voltando a arrumar seu cabelo. – Vamos?

– Vamos! – Maria Eduarda correu animada para o carro, enquanto eu a seguia levemente desanimado. Alexandre me deu um tapinha no ombro, me encorajando. Eu gostava de ir para o churrasco, era divertido, engraçado e familiar. E eu adorava isso. Minha família era incrível, mas algo me inquietava. Duda ao meu lado e Alexandre cantavam no carro, fazendo minha mãe rir, porém ela não insistiu para que eu me juntasse, acho que percebeu meu humor meio instável.

No caminho me peguei pensando em um encontro. Em muitos aspectos, eu nunca tivera um primeiro encontro. Talvez porque desde sempre eu estivera com Mônica. Eu sempre a conhecera. Ela sempre esteve lá por mim, comigo, sempre fomos um. Éramos complementares. Eu era o Eduardo da Mônica. E ela, ela era minha. Sempre fora. Só que nos últimos tempos eu andava me perguntando o que eu havia perdido. Se eu havia perdido algo. Não era mentira, eu a amava. Muito. Podia contar tudo pra ela, absolutamente tudo, eu sabia. E sabia que sempre seria assim.

Será que tínhamos levado nosso relacionamento ao pé da letra de música que dera origem ao seu nome? Viramos o Eduardo e Mônica que teriam gêmeos? Romanceamos e nos apegamos a isso? Não, na verdade, tentávamos fugir disso. Dessa suposição que todos faziam. Éramos diferentes. O casal da música era diferente de nós, se conheceram em épocas diferentes, tiveram a surpresa do primeiro encontro. E brigaram, brigaram, brigaram... Eu e Mônica nunca brigamos, na verdade... Brigávamos deixando de brigar. As brigas eram começadas já sabendo o desfecho. Isso me confundia. Pior... Me entediava. Eu via todos com várias garotas, conhecendo outros sabores gloss, experimento o batom e o gosto de menta. Mas Mônica era sempre tão calada, tão controlada, nunca explodia, eu nunca dera motivos para ela explodir. Eu já a vira em discussões aclamadas com Samuel, eles estavam sempre a essas voltas, mas entre nós não havia isso. Vivíamos assim, em uma dança que decoramos nos últimos onze anos. ONZE ANOS.

Eu namorava com Mônica há mais tempo que minhas irmãs eram nascidas. Maria Eduarda, que não sobreviveu a maldição das Maria's, como tia Malu costumava sempre dizer, filha da minha mãe, estava prestes a fazer dez. Mais parecida com minha mãe quando era mais jovem impossível. Júlia, de 7, era mais como minha tia Malu. Espevitada, solta, a língua ferina e cheia de desenvoltura como a do meu pai. Ela junto com se fiel companheiro, Pietro, de onze, enlouqueciam as famílias. Ainda mais por serem vizinhos e estudarem na mesma escola. Viviam grudados, um verdadeiro perigo. E tinha a caçula, o xodó da família. Das famílias, no caso... Com dois, quase três anos, Mariana era a coisa mais fofa e esperta do universo. Meu pai babava nas suas duas meninas e a mesma coisa de Alexandre. Só que diferente deles, que tinham duas e uma filha pra cuidarem respectivamente. Eu tinha três. Três irmãzinhas. Lindas, por sinal, as quais eu sou completamente apaixonado. Sem contar Mônica, que eu não podia negar, era realmente uma garota muito bonita.

O carro estacionou em frente a casa azul. O jardim estilo americano estava abarrotado de brinquedos incluindo uma motoca, carrinhos de controle remote, Barbie’s e legos, por todo quanto. Tia Malu provavelmente enlouqueceria quando visse aquilo. Dava pra ouvir já de dentro, o barulho das crianças correndo, os risos e as conversas, a casa cheia. Foi impossível não sorrir ao ver Duda correr animada até o portão, já aberto, nos esperando. Minha mãe deu a volta, se encaminhando pelos fundos e eu entrei na sala aberta e espaçosa, bem decorada, com muitos toques do meu pai e a organização doida de sua esposa. Na parede, fotos espalhadas da família, formavam um quadro engraçado e conhecido.

Caminhei para a cozinha, meu pai esta sentado na mesa, com Mariana no colo, a balançando levemente, sorrindo para a menina. Quando tento me recordar de quando era mais novo, percebo que meu pai praticamente não envelhecera, talvez a barba rala pelo rosto aparente sua idade e uma espécie de lembrete de que ele agora é um pai de família, sempre correndo atrás das filhas, dando atenção as elas, trabalhando no Planetário até hoje e ainda surfa. Ele simplesmente não para. E ele parecia feliz com isso. Se ajeitar perfeitamente na sua posição. Eu sempre quis ser como ele, que tinha a garota dos sonhos, linda, maravilhosa, incrível, que me parecia mãe, mas antes de tudo amiga e mulher. Eu sempre fora doente pela tia Malu. Sem contar as filhas lindas, absolutamente lindas que os dois tiveram. O trabalho em que ele se sentira realizado. E claro, o filho bonitão. Era uma vida maravilhosa, mas... Seria suficiente, pra mim?

Tia Malu apareceu na cozinha, me tirando dos meus pensamentos.

– Eduardo! – Ela me puxou para perto e eu me afundei nos cabelos ondulados, com seu cheiro característico. Ela se afastou, analisando meu rosto. O dela alegre e feliz, a boca pequena lhe davam um ar de menina, as covinhas no rosto se aprofundando. – Como foi a semana?

– Normal. – Dei de ombros, sorrindo para ela. Meu pai levantou da cadeira, passando Mariana para a mãe, que a balançou levemente, a fazendo soltar uma gargalhada estridente. Sorri com a cena. Ele abriu a geladeira, procurando algo. Apareceu com uma tigela de vidro laminada, puxei uma cadeira, me sentando.

– O que tem aí? – perguntei, curioso. Meu pai virou, sorrindo vitorioso.

– Fiz uma torta pros convidados.

– Você fez uma torta? – Olhei incrédulo para tia Malu, que revirou os olhos. – Sério?

– Foi, não acredita em mim?

– Mas é claro que não! – disse, simplesmente. Malu riu mais alto, meu pai bufou.

– Ta bom, ta bom. A loja da esquina fez a torta. Mas eu comprei, então... – Meu pai explicou, me mostrando a embalagem atrás da geladeira, quando viu que Ceci não estava por perto. – Não conta pra sua mãe.

Ri alto, Malu também, enquanto arrumava o cabelo de Júlia com a mão livre, que entrara feito um furacão pela cozinha. Os cabelos estavam desordenados e a blusa de Ramones, que reconheci como um presente antigo, estava toda amassada, ela suava, provavelmente de tanto correr pra lá e pra cá com Pietro.

– Oi, Eduardo. – Júlia sorriu para mim, correndo pra me abraçar. – Cadê a Mônica? Ela veio com você?

– Não...

– Ah. – Ela sorriu desanimada, mas logo se lembrou de Pietro e saiu correndo, espevitada. Ri baixo de sua animação, acompanhando meu pai sair com a torta e o grito de surpresa de minha mãe ao vê-la. Malu encaminhou-se para perto de mim. Estiquei os braços para receber Mariana.

– Mônica vai vir? – A pergunta de Malu me fez encolher levemente, enquanto Mariana mexia no meu rosto.

– Não sei.

– Vocês brigaram?

– Não...

– Você parece infeliz por isso não ter acontecido. – Me assustei com essa colocação, parecia verdadeira... Mas bem, não era. Quem em sã consciência ficaria infeliz por não ter brigado com a namorada? Ri roucamente.

– Que ideia. É que, como você bem sabe, ela mora do outro lado da cidade, não sei se a mãe dela vai poder dar carona.

Malu balançou a cabeça compreensiva, porém não tão compreensiva assim, logo nos chamaram para irmos ao fundo. Ouvimos barulho no portão e meu pai foi atender. Voltou com uma moça de cabelos de comprimento médio, castanhos escuros, com leves tons de ruivo, caindo em ondulações suaves, quase imperceptíveis pelos ombros, os fios grossos e brilhantes. Ela era de uma altura média, mas sempre parecia pequena ao meu lado. Os olhos verdes, de um tom pálido, se fixaram em mim. Era Mônica, seu peito subiu e desceu mais forte ao me avistar. Parecia enxergar tudo em mim e o que eu estava pensando, refletindo isso no seu modo torto de sorrir. Júlia quebrou nosso contato visual, a abraçando animadamente. Minha irmã era louca por Mika, afinal de contas fora a mesma que tirara a neura da cabeça de Júlia de que ela nunca conseguiria aprender a escrever e agora andava as duas, sempre trocando dicas de livros, infantis, junto com tia Malu. Não só Júlia, mas todos eram simplesmente loucos por Mônica. Inclusive eu, certo? Percebi, meio melancólico, que eu não tinha tanta certeza disso agora.