Edgard

8 Parte 8 - Choque


–Gostaria de me acompanhar até ele, afinal, já faz tantos anos que não nos vemos...Estou com...medo. -O joaninha apertava as mãos , um pouco nervoso.


–Claro que sim, venha! .Ela pegou na mãozinha do joaninha e os dois foram em direção de Edgard, que continuava contendo as chamas. Ele não parava de jogar água, e o fogo parecia maior, mas logo, Cherzy notou algo estranho naquela água, estava brilhosa, até demais, tocou sobre ela e depois cheirou e apavorou-se: Era gasolina. E Zoe podia notar logo á frente que havia uma lata jogada em um canto do cano.

Os dois resolveram juntos falar a descoberta para Edgard.
–Edgard!!Me escuta! .A ratinha puxou a cauda da ratazana. -ED!!


–O QUE?!NÃO ESTÁ VENDO QUE NÃO É HORA PARA PAPEAR?!? -Ele empurrou-a para o chão, sem olhar para o que tinha feito.


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Cherzy antes de levantar Zoe, olhou para algo mais pior do que imaginava, as chamas estavam já caminhando pela a água, bem em direção ao corpo caído da ratinha.
–ZOE!LEVANTA!RÁPIDO!! .Ele não conseguia levantá-la, era muito pequeno e fraquinho. -RÁPIDO, GAROTA!!


Edgard se virou para ver e já notou que não adiantava mais, ao perceber o que estava em sua volta, era tarde demais. Sua casa já estava inteira em chamas e sua nova amiga que havia derrubado estava prestes á ser consumida pelo o fogo, correu em sua direção e salvou-a novamente do que poderia ser desta vez sua morte, correu até a entrada do esgoto, nem percebendo a presença de Cherzy ali, não era tempo de reparar em nada, já viu que sua vida já estava totalmente esgotada. Em meio á correria, Edgard notou algo, o pezinho de Zoe estava com uma queimadura , e ela estava desmaiada, deve ter tido o desmaio quando ele havia derrubado-a no chão duro e sujo. Parou de correr, parou de pensar, parou para tudo. Manteve sua amiga em seu colo e sentou no chão , em uma rachadura que irradiava luz do sol. Respirava insanamente , á procura de fôlego.


–Ei...Cara... -.Uma voz familiar chamou-lhe a atenção. Olhou em direção do som e quando tocou-se , abriu um sorriso gigante em seu rosto, era seu antigo e melhor amigo, Cherzy. Uma joaninha que ele achou em um riacho abandonado e tratou-lhe como tal.


–CHERZY!! -.Alegrou-se ao máximo, há tanto tempo que não via seu amigo desde o "desastre", sem querer derrubou uma lágrima, mas evitou de escorrer pela a sua face.
–Caraca, não achei que você iria me reconhecer!! — Correu para abraçá-lo e matar as saudades.
–Não iria te reconhecer?!?Da onde tirou isto?!? -.Sorriu e concedeu o abraço.
–Quem me achou foi a menininha desmaiada... -.Apontou para Zoe, que continuava em profundo desmaio.

–Eu...feri ela... -.Edgard ficou com arrependimento de não tê-la ouvido.
–Ela ainda está...Você sabe. Ela bateu com a cabeça muito forte no chão.
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Edgard e Cherzy permaneciam ali sentados perto da entrada do esgoto, a ratazana olhava para as cinzas de que um dia foi sua casa.


–Quando esse tormento vai parar? -.Ele não se conformava de que tudo que ele tinha acabava em cinzas, tudo que ele construiu e viveu.


–Tem que ter algum motivo lógico para isso acontecer com você todo o momento. -.Afirmou Cherzy olhando triste para Edgard.


–Você tem razão. -.A ratazana acenou, mas ainda olhando para as cinzas de sua casa.
Os dois ficaram quietos por um instante, Cherzy limpava seu óculos com os pêlos de Edgard, enquanto a pequena ratinha continuava apagada, no colo de quem a provocou o desmaio. O joaninha se aproximou da menina e subiu pelo os seus cabelos ruivos. A ratazana suspirava de olhos fechados, agora além de ter uma criança por sua responsabilidade, tinha um antigo amigo pequeno e muito frágil para proteger.
"Olha no que eu fui me meter...", pensava brevemente. Cherzy notou a aflição do seu amigo e começou á questioná-lo.


–Ei, Edgard...Você anda mais diferente do que eu achei que estaria.
–Como assim, 'Zy? -.Enfim chamou o joaninha pelo o apelido, levantando uma sobrancelha.
–Ora, você não parece mais aquela ratazana tímida e quieta como antigamente, eu me lembro muito bem, você falava baixinho e raramente olhava para o rosto das outras 'pessoas'. -.O joaninha sabia mesmo como mexer com a mente dele.
–Quando você fica 20 anos sozinho entre as ruas perigosas daqui de Nova York...Você muda um pouco. -. Afirmou ele calmamente sem se preocupar em dizer sua idade.
–Oh...20 anos.E eu que passei 15 anos te procurando? -.Cherzy abaixou as anteninhas.
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Edgard olhou seriamente para o joaninha, passar tanto tempo vasculhando onde uma criatura horrível como ele estava.


–Eu sinto muito te decepcionar com a minha pessoa, Cherzy...-.Passou as patas sobre o pêlo no cocuruto.


–Não...Eu não me importo com o que você quer ser, o importante é que você esteja vivo aqui para mim. -.E sorriu para o velho amigo, ajeitando os óculozinhos.
–Bzz...bz... -.Ouviram assim a ratinha despertar do desmaio. Edgard não falou com ela á princípio, deixou-a falar com ele primeiro. Cherzy saiu de cima da garota e foi quem a questionou primeiro.


–Ei, menina! Está bem? -.Era uma pergunta idiota, um ser que está queimado no pé e bateu a cabeça fortemente no chão...É claro que não estaria. Mas a questão ainda estava valendo.


–Oooh...Eu não s...-.E olhou para o pézinho machucado.-Hmmf...Quem fez isso?Como? -.Começou á chorar.


–Me desculpe, Zoe!Eu não quer...-.A ratinha saiu do colo de Edgard furiosa, mancando sobre a água suja, mas mesmo assim manteve a face raivosa.
–VOCÊ!NÃO ME ESCUTOU QUANDO MAIS PRECISAVA!AGORA VEJA SÓ, QUASE MORRI! -.Apontava o dedo para a pobre ratazana que permanecia encolhida sem poder se defender.