Edgard
5 Parte 5 - História para dormir
A ratinha encolheu-se, soprando fumaça gelada."M-mamãe...Cadê v-você...?", ela começou á chorar , sentada perto da porta da casa de Edgard, que já estava deitado sobre sua cama, mas ainda estava acordado. "Garota impertinente! Quem pensa que ela é para ficar se intrometendo na vida dos outros?!", ele bufava de raiva , não gostava que fizessem-lhe perguntas sobre sua vida pessoal. Edgard se levantou e manteve-se sentado sobre a beira da cama e olhou para a porta, viu a sombra da pequena ratinha ali, no frio. Desceu da cama devagar e foi até lá, em silêncio, encostou suas orelhas sobre a madeira e tentou ouvir a menina do lado de fora, ela cantava trêmula uma canção que para Edgard parecia familiar. "Lindo ratinho...Dentucinho...Em meus braços vai ficar...Seus olhinhos estão...Cansadinhos...Em teus sonhos vai pensar...", a garota soluçava entre seus choros e parou de cantar. A ratazana apertava os olhos e seus lábios tremiam, não conseguiu se manter em silêncio e lançou."...Em meu leito, seus pesadelos vão-se embora...Não fique com medo...Meu ratinho...A mamãe está aqui...Aqui...P-pra te..." .Ele abriu a porta, sem suportar mais o sofrimento da menininha, olhou para baixo, e garota estava olhando para ele."...Acalentar." , ela levantou-se depressa e abraçou a ratazana fortemente, Edgard ficou em silêncio, não aceitou o abraço de cara, simplesmente ficou com os braços abertos e olhando para ela. "V-vai para dentro logo, você venceu.", ela soltou-o e entrou para dentro. Edgard foi fechando a porta logo lhe avisando."Pode dormir em qualquer lugar, menos na minha..." e viu a menina já sentada onde não devia."...Cama...*Suspiro*"
–
A menina não queria ofendê-lo mais em nada, ou incomodá-lo.Apenas pediu para ele:
–Senhor Edgard, conta uma história para eu dormir?
–Hnc...!
"História? Por que uma história?" ele andava de um lado para o outro pelo o quarto olhando para a menina que permanecia parada ali na cama, encolhida.
"Minha mamãe conta histórias para mim antes de eu dormir...".Edgard por algum motivo viu algo naquela ratinha, algo...Estranho."Aah...Sim...", ele se dirigiu á ela lentamente, com os braços cruzados e um olhar raivoso. "Só por que sua MÃE contava histórias para você...Acha que EU,Sr.Edgard Broffivuski Stirtch, vai lhe contar uma também?". Zoe deu uma risada disfarçada, que nome engraçado para uma ratazana, voltou-se á falar com ele."S-sim.".Ele não queria fazer aquilo, achou uma coisa muito idiota á se fazer, afinal...Edgard não era aquele tipo de ratazana que contava histórias felizes e divertidas, não. Mas quando ele olhava para o rosto daquela ratinha, ele sentia no canto mais obscuro do seu peito algo estranho, ele realmente não entendia o por que, mas mesmo assim sentou do lado da garota, e manteve-se como o bom e velho Edgard. "Menina feiosa e impertinente, só vou te contar apenas uma história e pronto! Ouviu?", a garota iluminou seu rosto, e já ajeitou-se no colchão para prestar bem atenção ao que ele ia contar. "Bem...Como eu começo mesmo?". "Era uma vez...?"."Ah sim...!Bem, Era uma Vez uma pequena ratazana, ela vivia com sua família em uma casa simples, em uma pequena vila. Essa pequena ratazana tinha um vida tranquila, até que um dia algo provocou o fim daquela vila. Era um pesadelo, todos correndo e gritando, tentando fugir do fogo, lares desmoronando e transformando-se em cinzas, seus pais tinham sumido e a pequena criaturinha ficou sozinha em meio ao fogo e torrões pelo o ar, de que um dia foi uma vila.", ele parou por um instante para pensar no que dizer em seguida, pôs sua pata sobre o queixo pensativo, Zoe ficou animada para ouvir o resto da história. "O que aconteceu com a ratazana, Sr.Edgard?", ela estava com as orelhinhas de pé, entusiasmada. Edgard tossiu e hesitou um pouco e continuou. "Ele permaneceu dias e dias andando por várias cidades, todos lhe ajudaram com o pouco que tinham, davam-lhe pão e água e ás vezes até deixavam-no dormir em suas casas! Mas a ratazana só queria saber de encontrar sua família novamente, chorava á noite pedindo aos céus seus pais ao seu lado, mas ele acabou pensando que ninguém lá em cima lhe apoiava...!".Ele parou mais uma vez, ele parecia bastante aprofundado na história. "Daí...Ele achou um lugar em que poderia se esconder, permanecer oculto do mundo ruim que destruiu sua vida, que tirou sua felicidade...Que...Ele podia...Apenas descansar daquele sofrimento...!".Suspirou e olhou para Zoe, que já estava sonolenta. "Acho que é o fim...", acabou dizendo. A ratinha se tocou de algo que parecia bem óbvio, que aquela história...Não era bem história, era mais uma LEMBRANÇA.
Então levou-se á falar."Sr.Edgard...?", ele levantou uma sobrancelha, olhando-a. "Essa ratazana da sua história, seria você?", os pêlos das costas de Edgard arrepiaram-se e ele olhou para a rata intrigado. "C-claro que não, isso é só um conto, garota!!", levantou-se da cadeira e se dirigiu para a porta. Zoe deitou-se, já com muito sono."Sr.Edgard...", ele falou áspero e ignorante como sempre. "O QUÊ?!".A garota falou com a voz mais doce do mundo, com uma sinceridade tocante. "Eu achei o senhor muito legal...!".E a pequena ratinha caiu no sono, com um leve sorriso dentucinho. Edgard virou-se devagar, com uma expressão de surpresa em sua face, ele nunca tinha ouvido algo como aquilo antes, afinal...Quem ia chamar de legal uma criatura suja e inexpressiva emocionalmente como aquela? Ele literalmente envergonhado começou á torcer levemente a cauda , com as patas um pouco trêmulas e pela a primeira vez depois de um longo tempo ele teve um pequeno sorriso estampado em seu rosto.
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