Edgard
3 Parte 3 - Caseiro
Ele se dirigiu até a porta devagar, com as patas atrás de suas costas, cabisbaixo e pensativo. Ele passava a pata sobre os pêlos de sua cabeça repetitivamente, e olhava para os confins dos esgotos, entre suspiros, ele de repente ficou em um silêncio profundo. Zoe ficou com as orelhinhas baixas, ela sentiu que havia ofendido o pobre coitado, ela se aproximou devagar da ratazana e ficou do seu lado, Edgard estava com as duas patas sobre o rosto, soluçando, parecia que estava chorando, mas Zoe viu que não havia lágrimas, era um choro frio, um lamento áspero e culto. Ela pegou pelo o seu braço, tirando suas patas do rosto e forçando-o á olhar para ela, ele ignorou. "Sr.Edgard, você está bem?" ela olhou para ele, segurando seu braço peludo, aparentemente em um gesto de abraço. "A-apenas vá embora...", ele rejeitou o gesto carinhoso e começou á dar tapinhas em suas costas, tocando-a de sua casa."Mas eu não posso, estou perdida, esqueceu?" ela entrou para dentro da casa. "Então vai ter que dormir aqui.", Edgard suspirou, com raiva.
Edgard sempre levou uma vida calma e solitária, tinha lá seus dias de correria, mas era sempre a mesma rotina: Acordar, tirar os musgos do lado de fora de sua casa, limpar o teto de fungos, observar o movimento das ruas, ter um momento de reflexão e dormir. Mas desde que a ratinha Zoe invadiu seu espaço ele começou á notar que ela virou a rotina dele, sim. Ele estava se afeiçoando á garota. Mas isso demorou um certo tempo.
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"Então vai ter que dormir aqui.", Edgard suspirou, com raiva. Ele se dirigiu até a cozinha,abriu o armário e pegou uma panela enferrujada, colocou-a no fogo junto com um pouco água, óleo usado,alho velho e algumas
punhadas de arroz,Zoe fez cara de nojo. "O que foi?Se você quer saber, eu como isso todo o dia! Ou você acha que as ratazanas comem CAVIAR ENLATADO?" ,ele bateu a pata na borda da panela, em um gesto convidativo.
A ratinha pensou, se ele come ISSO todo o dia, será o que provoca os dentes podres dele? Ela arriscou-se á perguntar:"Sr.Edgard, isso não vai amarelar meus dentes que nem os seus, não é?",a ratazana riu-se e virou-se para a pequena menina ."Não, o que provocou esses dentes amarelos...Digamos que foi por um pequeno ataque de sobrevivência.", Zoe se assustou. "Sobrevivência? Você é o que, um canibal?", Edgard voltou a panela. "Não, só tive que comer lanche de Fast Food mofado...Hnc!", a garota riu e sentiu uma certa pena da ratazana, que teve que revirar vários e vários lugares para conseguir alguma coisa no jantar. "Bem, eu acho que já está pronto." ele pegou duas vasilhas pequenas e preencheu-as com o arroz quentinho, por mais incrível que parecesse para Zoe, o cheiro estava delicioso, não um cheiro repugnante de comida estragada. "Parece apetitoso." ela sorriu para Edgard, que ficou um pouco envergonhado. "Bem, pelo menos eu tento parecer o melhor possível!", falando assim os dois comeram silenciosamente.
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Zoe não acreditava o quão bom estava aquele prato, com coisas tão simples que pareciam inúteis, afinal, ela vivia comendo pratos com ingredientes frescos e semi-novos, achava que comida velha não servia para nada, apenas para ir ao lixo. Terminando de comer, Edgard recolheu os pratos e levou-os para a pia. "Preciso ir lá para cima...".A garota não entendeu direito o que ele disse. "Como assim 'lá para cima'?", ele pegou a escadinha que tinha nos fundos da casa e trouxe para perto da porta. "Bem, todo dia eu observo o mundo lá fora. É uma rotina minha, sabe?", ele abriu a porta e levou a escada para fora sem trazer a ratinha junto. "Mas,por que faz isso?" ela seguiu a ratazana. "É uma rotina...Jamais ia entender e ponto final!" ele apoiou o objeto sobre a parede imunda e subiu degrau á degrau até a superfície e deixou a garotinha sozinha no esgoto escuro, ela já assustada com o barulho de baratas rastejando, subiu também desesperada pela a escada. "Espera!!Não vai tão longe!"
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