Edgard
1 Parte 1 - O Invasor
Entre os esgotos frios e nojentos da cidade de Nova York, vivia Edgard, uma ratazana um tanto quanto estranha, ele se alojava entre a divisão de 3 saídas de esgoto, era uma casa aconchegante por um certo ponto, fria, mas ótima para se dormir sem problemas. Edgard era um rato aparentemente novo ,era alto, peludo, tinha o nariz pontudo, os olhos amarelados e verdes que pairavam sobre a escuridão das águas sujas entre os canos, mas isso não dava medo, o que realmente fazia você ter calafrios era seu sorriso, dentes afiados e amarelos, um sorriso grande e anormal. Edgard ficava a maior parte do tempo na sua casa, inventando vários objetos de grande utilidades, como uma batedora de ovos multifuncional, além de mexer os ovos, ela fritava e servia, era sim, algo de grande utilidade.
A ironia naquela ratazana era sua mania de limpeza, tudo em sua volta estava bem limpo, menos ele mesmo, ele nunca se lembrou da última vez que havia tomado algum banho, e ele nunca parou pra pensar nisso, afinal, pra que banhos se você vive em um ESGOTO, não é mesmo?
Edgard de vez em quando subia para a superfície para observar a movimentação humana, ele ficava sentado em uma beira da tampa do esgoto e permanecia ali, várias e várias horas. Pensava se existia alguém igual á ele, quer dizer, que tinha as mesmas intenções que ele, de querer se tornar algo á mais do que uma simples ratazana, afinal...Humanos não gostavam ratazanas, consideram-nas nojentas e feiosas. Edgard se emburrava do simples fato de ser diferenciado para animais selvagens e monstruosos, como por exemplo, os gatos. Pareciam Godzillas, andavam sobre as ruas sem nenhum problema, ninguém gritava "Aaah! Que bicho horroroso!" ou "Aah! Ele vai me atacar!!", não, o mundo é muito injusto.
A luz do sol reinava sobre sua casinha, a água do esgoto escorria livremente, arrastando a imundice que o mundo era. Edgard ainda estava dormindo em profundos sonhos, suspirava á cada pensamento, parecendo ter ideias positivas -ou não-. Ele nem necessitava de algum cobertor ou algo parecido, ele era tão peludo que seu corpo era automaticamente quente, era vantajoso no inverno, mas no calor ele decidia se devia tirar aquele pelo todo, realmente o incomodava em ambos os tempos. O sono cobria sobre sua cama, ele não poderia sair dali por nada...Mas, Edgard de repente levantou-se, assustado com um estrondo vindo dos fundos dos esgotos, ele rapidamente pegou um palito de dente que tinha no canto da sala e se propôs em ficar em posição de ataque, caminhou silenciosamente até a porta, cada passo era um tormento, pois se ele fizesse algum barulho que chamasse a atenção de quem fosse que tenha feito aquele estrondo, ele ia realmente ter consequências.
Ele colocou suas patas sobre a maçaneta devagar e friamente, estava prestes a dar um ataque, mas lentamente foi falando...
–Se tiver alguém aqui...V-venha me enfrentar já! -gaguejou, mas manteve a pose de herói: Peito estufado, cara de mal e bravura de ratazana.
Mas quando foi se tocar, não tinha ninguém, nada. Ele foi do lado de fora da casa com cuidado, olhou para o alto e só viu musgo e sujeira, rosnou com nojo. Olhou em sua volta com cautela e não enxergou mais nada, pensou primeiramente em esperar alguns minutos, até aparecer o maluco de volta, mas depois de meia hora já começou a achar que era coisa da sua cabeça, que estava inventando coisas demais, então deu de ombros e voltou para dentro de sua casa.
Fechou a porta rapidamente e resmungou por ter perdido minutos de seu fabuloso sono, caminhou até a sua cama e enfiou a cara no travesseiro voltando a dormir profundamente. Mas o que ele não temia é que havia sim ALGUÉM na casa, enquanto ele tinha deixado a porta aberta para olhar do lado de fora, acabaram se infiltrando nos arredores de seu teto. O invasor bem, não tinha uma aparência de quem era malvado, muito pelo contrário. O invasor caminhou até a beira de sua cama lentamente, sem fazer nenhum barulho. Passou-se alguns minutos silenciosos, quando Edgard se tocou que tinha alguém lhe observando, então ele abriu os olhos devagar e apenas virou os olhos e assustou-se, tinha realmente ALGUÉM ali. Ele gritou se esperneando, em meio ao desespero ele caiu sobre o chão, gemeu de dor. O invasor se aproximou lentamente, a visão de Edgard ainda estava turva, então, ficou com a cara sobre o travesseiro na maior quietude tentando não parecer perigoso, e sim imprevisível.
–Oi... — disse o tal invasor.
Ele espantou-se, o invasor tinha uma voz fina, será que não havia alcançado a puberdade? Ele continuou com o rosto enfiado no travesseiro, sem dizer uma única palavra.
–Eu me perdi, pode me ajudar? -desta vez a criatura havia lhe tocado pelo o ombro, para chamar-lhe a atenção.
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