Eddie e Seus Peugeots: Roads of Paradise
5 Maués Rumble Rally - Reencontrando Amigos
Residência do Eddie Peugeot, Santa Luzia, 19 de setembro, segunda, 09:12
Quarto do Eddie, segundo andar.
— Mano.
— Diga, Freddy.
— Eu conheço essas duas moças que nós dois vimos ontem de noite.
— Quem são essas duas moças, Freddy? Você sabe qual é o nome de cada uma delas, incluindo aquela de cabelo vermelho que me chamou de “Eddinho”?
— Se eu não me engano, mano, aquela de cabelo vermelho nós conhecemos quando éramos lá no segundo grau na escola, só que pintou o cabelo há um bom tempo, exatamente nessa época. Ela tinha 15 anos naquela época.
— Nessa época, eu estava na terceira série, e você na segunda. Eu só observava vocês dois conversando no intervalo.
— Ela tinha pintado o cabelo dela de vermelho exatamente naquele ano, mano. E você tinha aquele cabelo azul do nosso pai. E ela me dizia que te achava um gato.
Eddie fica constrangido ao lembrar do tempo em que possuía os cabelos azuis genéticos do pai.
— Freddy, eu nunca gostei de que elas podiam me elogiar naquela oportunidade por causa do meu cabelo. Apenas a... você já sabe... costumava me elogiar e acariciar.
— E... voltando ao o que você perguntava, mano, o nome dela é Joanna Ferruccio de Souza.
— Joanna Ferruccio de Souza? Ferruccio de Souza...
— Esse sobrenome te lembra de alguma pessoa, eu já sei.
— Ela é a irmã caçula dela! Eu já tinha conversado com ela naquele tempo!
— E o que você podia pensar em quê, mano?
— Esquece, isso não é da sua conta. E quem era aquela loira que nós víamos ontem de noite?
— Foi nossa colega também no segundo grau, aliás, sua colega. Ela se chama Elina Battaglia Souza. Fazia um bom tempo em que nós nunca víamos ela nesse tempo todo.
— E também não sei por que elas entraram no ramo das rachas, quando vimos os carros delas. Elas devem estar interessadas naquele prêmio da competição, assim como eu.
— Mano, eu também acho.
— E depois que eu passei mais de um ano em coma depois do que aconteceu, tudo mudou, Freddy.
— Tudo mudou porque a moda do racha pegou e pegou bastante, criando uma verdadeira legião de corredores de rua daqui de Maués, arriscando muito os perigos do trânsito. Correm de dia e correm de noite, é uma adrenalina radical e arriscada, mano.
— Freddy – disse Eddie – eu vou disputar essa competição. Mesmo que o nosso carro não tenha o mesmo desempenho dos grandes favoritos dessa competição, a gente vai ganhar, porque eu irei representar a nossa oficina Twingarage. Você, Yuri e Chelinka estarão na minha torcida.
— E os detetives Renan e Kerol?
— Deixe eles pra lá, eles devem estar ocupados trabalhando no serviço que eu estou devendo.
O celular do Eddie toca.
— Alô? – atende Eddie.
— (Eddie Peugeot!) – disse uma voz feminina.
— Lisa Berger.
— (Olha, Eddie, eu só te liguei de repente porque eu só quero te avisar que o “Maués Rumble Rally” irá começar a partir do dia 24 de setembro, num sábado.)
— Ah, certo.
— (Prepare o seu carro nessa semana porque você terá quatro dias para se preparar, bombar e envenenar, para surpreender os seus oponentes!) – termina Lisa, encerrando a ligação depois.
— E o que ela disse, mano?
— Que o “Maués Rumble Rally” começará a partir deste sábado, ou seja, teremos que preparar o nosso carro nesses quatro dias que antecedem a competição.
— Então o que tá esperando, mano? Vamos logo lá com Yuri e Chelinka!
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Oficina Twingarage, 10:14
Os irmãos Peugeot entram na oficina da propriedade dos irmãos gêmeos Yuri e Chelinka, sendo em seguida recepcionados pelos gêmeos e depois, todos entram num bate-papo sobre o carro, o Opala SS do Freddy.
— É neste sábado que será o “Maués Rumble Rally”? – pergunta Yuri.
— Sim, confirmadíssimo pela Lisa Berger – responde Eddie – e nós precisamos desse tempo de intervalo para poder conferir não só as características de desempenho do carro, mas para revisar se o carro poderá apresentar problemas durante as corridas.
— Bem – disse Chelinka – pelos carros que nós estávamos estudando que irão participar dessa competição, praticamente são os melhores que poderão brigar não só pela vitória, mas pelo prêmio.
— Ou seja... – disse Eddie.
— Que você terá um difícil trabalho de conseguir brigar pela vaga e pelo prêmio. As cilindradas do motor do carro era o único que nós conseguimos para o Freddy, além de adicionar o turbo para incrementar a potência – disse a loira – todos instalados e até agora você testou e teve um bom resultado.
— Mano, olha aqui – Freddy mostra pelo seu celular ao irmão uns vídeos de corredores – esses caras provavelmente você irá confrontá-los na corrida. São uns megacorredores de Monza, Maverick, Voyage, Corsa, Gol, esses caras são fogo, mano!
— Ou seja...
— O sonho de não só ganhar esse Camaro, mas de comer a Lisa Berger – ironiza Freddy – ficará muito longe.
— Freddy... – Eddie se irrita com essa ironia do irmão, levando os gêmeos as gargalhadas.
— Eddie, Freddy, nós recebemos uma visita de duas moças que diziam que conhece vocês dois – disse o moreno.
— Quem? – pergunta Eddie e Freddy, simultaneamente.
— É uma moça de cabelos vermelhos e uma quase loira que vieram para perguntar tudo sobre vocês – disse a loira.
— Eram elas mesmas... – disse Eddie.
— Você conhece elas? – pergunta Yuri.
— O Freddy me contou que essa moça de cabelos vermelhos era uma antiga colega nossa de segundo grau – explica – Ela se chama Joanna Ferruccio, irmã mais nova da... eu não quero falar o nome dela.
— A gente sabe quem é essa pessoa que você não quer falar – disse os gêmeos, simultaneamente.
— E aquela loira era Elina Battaglia, outra amiga nossa desse tempo – conclui Eddie.
— A gente nem sabe como elas entraram no ramo de corridas – completa Freddy.
— Nós recebemos muitos corredores que pagam para nós trabalhássemos em personalização de carros. Somos uma oficina bem recepcionada e elogiada pelo universo tuning. Mas... – Yuri aproxima do Eddie – calma Eddie, eu sei que você sente muito a falta da sua amada de colégio. Agora você precisa ter força, e esse carro do seu irmão será a sua própria força. Desperte o seu sangue de corredor que existe em você, Eddie. Você é o filho de um campeão! Filho de um piloto que criou uma categoria que leva o nome da família Peugeot, a sua família!
— Quer saber, Yuri – diz Eddie – eu vou. Eu irei representar a família Peugeot e a nossa oficina Twingarage para a nossa vitória nas ruas.
Todos celebram a decisão do Eddie, no qual todos abraçam o homem de preto e fazem um grito de guerra.
— Um, dois, três... TWINGARAGE!
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Rua Guaranópolis, Maresia, 24 de Setembro de 2016, sábado, 16:00
Foi quase uma semana que duraram as preparações para a participação do Eddie nessa competição que disputará nesse instante. Acompanhado pelo irmão Freddy, Eddie chega a uma parte da Rua Guaranópolis lotado de corredores e fãs, celebrando uma espécie de festa de reunião de melhores corredores da cidade.
A festa é decorada com caixas de som pelo entorno do local, executando uma música eletrônica, instaladas em alguns postes. Porém, os carros que participarão do torneio estão estacionados dentro do estacionamento de um armazém, no qual os irmãos Eddie e Freddy acabara de entrar e em seguida, estacionam em num lugar reservado. Depois, os dois saem do carro, dando a impressão que estão num torneio importante.
— Cara... que festa! – impressiona Freddy.
— São mais de 15 carros presentes neste estacionamento, todos querendo esse prêmio, Freddy.
— E mais, mano, pode ser difícil de enfrentá-los, já que eles estão muito preparados demais para esta competição.
— Freddy – bate a mão no capô do carro – Yuri e Chelinka deram uma conferida e uma geral na performance do carro. Podemos até vencer, mas enfrenta-los não será nada fácil.
— Precisamos estudar as reações dos caras quando a gente tentar ultrapassá-los, ou quando eles querem ultrapassar, para ter mais facilidade na ultrapassagem e no bloqueio, respectivamente.
— E você acha que é certo isso?
— Eu acho... se eu não estou enganado.
— Vamo embora.
— Bora, mano – os dois deixam o estacionamento e começam a observar os outros carros e seus respectivos pilotos.
— Você acha que a Lisa está presente?
— Eu não sei, mano, mas vamos dar uma volta por aí.
Eddie e Freddy observam muito bem os arredores do estacionamento como os carros e os pilotos respectivos. Vários modelos bem personalizados, dependendo do gosto de seus respectivos pilotos, como Chevrolet Astra, Volkswagen Gol, Chevrolet Monza, Fiat Uno, Fiat Palio, Honda Civic, Toyota Corolla, Volkswagen Santana, Chevrolet Corsa... entre outros.
Ao mesmo tempo em que os irmãos Eddie e Freddy observavam os carros, os pilotos concorrentes, aos poucos, recepcionam os irmãos, no qual, alguns deles, são bem familiares de tempos de colegial. No caso, um casal, bem conhecido pelos irmãos, reencontra depois de um tempo desde a formatura do Eddie, aliás, para o primogênito, a fatídica festa de formatura.
— Eddie Peugeot!
— Victor Battaglia! – recepciona.
Victor Hugo Battaglia foi colega do Eddie Peugeot nos tempos de colegial, especialmente no terceiro ano do segundo grau, e amigos próximos junto com as suas respectivas namoradas no tempo. Cabelos escuros despenteados, óculos de lente, brincos nas orelhas, camisa listrada em preto e branco, calça jeans, e sapatênis marrons, são as suas características, e seu carro é um Chevrolet Celta 2001 preto.
O carro do Victor está personalizado pelo exterior com saias e para-choques extensos, aros RacingHart tamanho 20, pneus Bridgestone, insulfilm 25% escuro, faróis de xénon, e capô branco (praticamente pintado ou adesivado).
— Como vai aí, fera? Fazia há anos que a gente não se vê! – disse Victor, abraçando.
— Acabei de retornar recentemente para a cidade só para matar as saudades dessa cidade mais bela que eu já vivi.
— Ei, fera, eu fiquei bastante preocupado com o que aconteceu com você no ano passado, aquele acidente, pelo amor de Deus – disse Victor, relembrando o fato que aconteceu com Eddie 15 meses atrás – minha esposa e eu ficamos rezando pela sua melhora.
— Obrigado, Victor, eu ainda estou tentando descobrir a causa do acidente, apenas eu sei que o pneu traseiro estourou durante a corrida. Pelo amor de Deus, foi uma dor de cabeça na hora do impacto e daí... você já sabe... desacordado e entrei em coma no hospital.
— Ei, Victor! – disse Freddy, recepcionando o amigo do irmão.
— E aí, Freddy? Tudo bem aí nas corridas?
— Muito bem, fera, mas agora é o meu irmão que pegará no volante do meu carrão pra nos representar – disse o irmão do Eddie, no qual o primogênito olha para o caçula.
De repente, ao observar no fundo do seu irmão, Eddie nota a presença de um moreno (quase-loiro) sentado no capô de um Mitsubishi Eclipse GSX 1996 laranja, personalizado com aerofólio, para-choques e saias extensas, rodas BBS aro 19, insulfilm laranja 25% escuro e com adesivos temáticos de Minecraft como o Steve e o Creeper. O próprio está vestindo uma camisa laranja, calça jeans cinza, sapatos pretos, tendo sarnas no rosto e fumando um cigarro. O que mais chama a atenção do Eddie é que ele está observando o próprio Eddie, de longe.
“O que será que esse cara deve estar olhando em mim?”— pensa.
— Freddy, eu já vou rapidinho para algum lugar daqui e depois vou lá com as organizadoras para confirmar a nossa documentação – avisa Eddie ao seu irmão.
— Tome cuidado, mano.
Eddie então resolve caminhar pelo todo o pátio do estacionamento, para encontrar com o cara que estava lhe observando de longe. Enquanto o irmão fica conversando com o seu velho amigo de colegial, que depois aparece a esposa do amigo, Eddie observa ainda os seus prováveis oponentes e seus respectivos carros.
Mas enquanto ele passava no meio da passarela até encontrar o seu alvo, Eddie sequer observou um Porsche Cayman S 2006 lilás. Lá dentro, uma moça, morena, vestindo uma camiseta azul, calça jeans, sapatos pretos, físico um pouco cheio, com cabelo amarrado (estilo rabo de pônei), óculos de lente, batom roseada, brincos nas orelhas, e pulseira azul. Apesar do batom, ela sequer usa uma maquiagem e rímel. A própria moça que acabou de observar o Eddie passar fica boquiaberta ao ver o próprio.
De volta ao foco do Eddie, o próprio homem de cabelos pretos finalmente alcança o seu objetivo do momento: encontrar o cara que estava lhe observando de longe.
— Eddie Peugeot, este é o meu nome – disse, ao homem de camisa laranja e meio-loiro.
— Corey Lanskin, chapa.
— Quem?
— Corey Lanskin, esse é o meu nome.
— Prazer – ambos apertam as mãos – primeiramente, por que você me olhava de longe?
— Eu sou um agente disfarçado, Eddie, porque eu fui encarregado para estar de olho em qualquer pessoa que seja suspeita.
Eddie olha pelos lados rapidamente, especialmente ao observar o seu irmão que continua conversando com o seu amigo e com a esposa dele.
— Como assim “encarregado para observar”? Você é espião? Quem te contratou?
— Um homem moreno e uma moça de cabelo azul.
“Foi o Renan e a Kerol”— pensa Eddie, adivinhando através de características.
— Me diga, Corey, por que você veio para cá, para participar do torneio?
— Participar do torneio eu vim, mas também estou fazendo um trabalho bem sério. Sabe aquela mocinha que está lá longe, conversando com aquela loira? – aponta Corey até longe, no qual Eddie percebe a presença de Lisa Berger e Bebe Stevens – eu namorei ela.
— A loira da Bebe Stevens?
— Não. Eu namorei a Lisa Berger. Ela era tão fofa e linda, carismática, mesmo que eu disse fofa quer dizer que ela é bem fofinha de carne – se referindo ao físico da moça – fui eu que comprei um carro para passear, originalmente. Levei um dia para uma oficina de tuning daqui de Maués que tinha dois irmãos gêmeos mecânicos – Eddie percebe que Corey se referiu a oficina Twingarage e os gêmeos Yuri e Chelinka, proprietários da oficina – mas infelizmente, um dia, ela pegou as chaves do meu carro e levou para... “passear”, ou melhor, foi disputar umas rachas pela cidade e eu fiquei chateado do jeito que ela fez.
— E que marca e modelo era o seu carro que agora é dela?
— Era um Dodge Challenger R/T de 1970, que eu comprei de um cara que iria sucatear para vender peças. Por pouco, aquele Dodge Challenger não foi sucateado na hora que eu comprei.
— E você? Depois que ela levou aquele carro que era seu e agora é dela, como você decidiu reiniciar a sua vida?
— Renan e Kerol me procuraram e me deram um breve curso de agente disfarçado, já que eles são detetives. E eles estão investigando a Lisa Berger se ela está por trás de uma gangue de corredores que recebem contrabando de peças.
— A Lisa Berger é uma bandida?
— Ela, aparentemente, não é uma bandida. Mas eu, encarregado para ser um agente disfarçado, estou tentando pegar informações sobre ela.
— Você tem o número do Renan?
— Tenho.
— Ligue pra ele.
Corey pega o seu celular e digita os números para ligar ao detetive Renan.
— Renan? É o agente Corey Lanskin. Tenho uma pessoa que quer falar com o senhor – Corey passa o celular ao Eddie.
— Renan, aqui é o Eddie.
— (Eddie Peugeot, como vai aí no torneio?)
— Acabei de chegar, e daqui a pouco, eu vou entregar os meus documentos para a confirmação da minha inscrição. Afinal de contas, vocês estão investigando a Lisa Berger?
— (A Lisa Berger? Aparentemente não, mas nós estamos investigando pouco a pouco. O Corey está aí para tentar pegar algumas informações. Há indícios de que ela pode ter alguma ligação com gente envolvida em contrabando.)
— Mas Renan, por que você trouxe Corey só para ficar olhando em todo o mundo? Está querendo me espionar?
— (Não, eu só chamei o Corey para observar não você e o pessoal, mas os movimentos da Lisa Berger aí no local. Eu sei que você está querendo ganhar esse prêmio do torneio, mas nós achamos que você poderia pedir auxílio do Corey para pegar algumas informações secretas, ok?)
— Ok – encerra a ligação – ô fera – disse Eddie, ao Corey – eu posso te ajudar, mesmo que eu conquiste aquele prêmio do torneio.
— Como?
— Abandone o torneio. Deixe a Lisa Berger pra mim que eu tentarei conquistar uma breve confiança... você sabe.
— De que forma, Eddie? Transar? – ironiza.
— Nem disso, mas eu farei de tudo para que ela conte os segredos dela e dessa organização que ela está administrando. Daí que eu repasso para você e para o Renan.
— OK.
— Agora vaza, Corey. Um dia, a gente corre e eu pago a gasolina, caso você vença.
— Ou eu pago a gasolina caso você vença – termina, entrando em seu carro.
Eddie se despede do Corey, que entra no carro e deixa o local com o seu Mitsubishi Eclipse, enquanto Eddie continua caminhando até encontrar Lisa Berger.
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— Olha aquele verme de cabelo preto e de camisa laranja, ele está vindo pra cá, Lisa! Por que você quer sempre ele? Foi assim que você pegou do seu ex-namorado, o carro dele.
— Eu peguei o carro dele porque estava obcecada pela velocidade. Foi com o carro que eu me tornei uma das bem colocadas corredoras no ranking.
— Aquele carro foi roubado! Você correu com um carro roubado do seu ex, amiga!
— Eu não tinha carro, pois jamais correria com o Camaro que agora é o prêmio do torneio! Se eu pedisse permissão do Corey pra usar o carro dele, ele recusaria.
— É mesmo, Lisa? Agora é a vez de tentar dominar este homem que pra muitos, ele é indominável. Vai que tente roubar o carro que é do irmão dele!
— Deixe comigo, Bebe.
Eddie finalmente aparece na frente de Lisa e Bebe.
— Oi, queridas.
— Olá, sr. Eddie Peugeot – disse Lisa, enquanto a Bebe sequer diz uma palavra.
— Eu trouxe aqui os meus documentos para confirmar a minha inscrição, junto com os documentos do meu irmão, e do nosso carro – entrega Eddie um envelope contendo uma cópia dos documentos citados por ele a Lisa.
— Obrigada, Eddie – disse a morena, sorrindo, enquanto o próprio sorri e...
— Você é linda – elogia, enquanto a morena percebe pelos braços a musculatura definida do homem, e ainda ela sorri. Bebe fica meio que desconfiada, observando os dois se congratulando.
“Espero que ele tente comer ela de vez”— pensa a loira.
— Você é um gato – elogia a morena – e fortão.
— Você também, querida – replica Eddie, também elogiando – você é fofinha, forte e gata ao mesmo tempo – sussurra na orelha da morena, deixando-a vermelha de timidez.
— Vem cá – Eddie se aproxima da morena – você também, lindo, tesão e gostosão ao mesmo tempo – sussurra de volta a morena, deixando o próprio homem vermelho de timidez também.
— Até mais – Eddie se despede, acenando para as duas e sai, vermelho de ouvir a sussurra da Lisa.
“Como assim ela gosta muito de mim?”— pensa.
— Lisa.
— Diga, amiga.
— Parece que você está caidinho com ele.
— Eu estou? O Eddie, mesmo ter saído do hospital de um acidente horrível que ele teve, é muito sexy e carismático. Você devia ter olhado aquelas fotos do Instagram dele que ele tira na academia.
— Mas eu não gosto dele, por ele ser muito meio que, machista, exibicionista, apelão, hipócrita...
— Bebe, Eddie não é nem que machista, hipócrita e exibicionista. Ele gosta de apelar? Ele gosta sim! Você não viu a musculatura dele naquela foto do Instagram?
— Lisa, você é gordinha, mas está interessada no cara só porque ele é musculoso? — questiona – Está procurando alguém para que te faça emagrecer?
Lisa dá um tapa na cara da Bebe.
— Lisa! Achei que você era a minha amiga! — reclama, colocando a mão no rosto.
— Eu não sou gorda, eu sou fofinha e com ossos grandes! – retruca.
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— E aí, mano? – diz Freddy – Resolveu a documentação?
— Está tudo resolvido, Freddy, já entreguei a documentação para confirmar a nossa inscrição. Você sabe quem vai dirigir o carro no torneio, sabe?
— Eu sei, mano, é lógico que é você, mano.
— Então é você que vai correr mesmo no torneio, Eddie? – pergunta Victor.
— Fera, óbvio que eu vou correr, mesmo que essa caranga pertence ao meu irmão Freddy. Espero que eu chegue até a final.
— Eu acho que não, pois quem vai chegar à final será ele – disse a esposa do Victor, que de cara, para os irmãos Peugeot, ela está vestindo uma camisa verde listrada com um símbolo de um time que os dois, mais o amigo, odeiam: Palmeiras. Os irmãos são corintianos, time arquirrival, além do próprio Victor, amigo. Além dessa camisa, ela está com uma calça jeans e sapatos marrons, além dos cabelos castanhos.
— Mano – Freddy vira ao irmão, sussurrando – ela é “peppa”! Você não me contou que ela é daqueles “bi-rebaixados” e “sem Mundial” – ironiza, referindo às duas quedas do time rival à segunda divisão nacional e a derrota no Mundial Interclubes de 1999, no qual o Palmeiras perdeu para o Manchester United (apesar do time alviverde ainda reconhece a conquista da Taça Rio de 1951 como “Mundial”, algo que os rivais não aceitam e sequer reconhecem).
— Você nunca a viu no Facebook e nem no Instagram que ela veste esse time – sussurra Eddie – ela é uma espécie de “Julieta”, assim como o Victor que é o “Romeu” igual aquele filme: um casal de um corintiano e uma palmeirense.
— Porra...
— Eddie – disse a esposa do amigo – o nosso carro está muito bem preparado para que num certo momento, você terá que enfrentar o seu próprio amigo num duelo final do torneio.
— Duvido muito – responde Eddie.
— Querida, não fale isso não – reclama Victor sobre a atitude da esposa – ainda não é hora do confronto direto!
— Victor... eu quero que você ganhe aquele carro pra mim...
Os irmãos se olham enquanto o casal se resolve.
— Mano, vamos dar um fora daqui antes que sobra mais ainda pra gente.
— Vamos, Freddy. Deixe os nossos amigos pra lá – termina Eddie, no qual os dois saem e passeiam pelo pátio.
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— Mano, como é que foi a sua vida antes daquele acidente?
— Boa... estava praticamente boa, com aquele meu Unão que eu tinha...
— Tu não se sente... meio aperreado amorosamente?
— Aperreado? Eu? Não me sinto não.
— Aperreado tipo... o que houve com você e com a Karolyina...
— Terminamos o namoro – responde instanteamente.
— Sério?
— Terminamos, ponto. Sem explicações.
— Sem explicações? Eu não entendi... eu tentei ligar para ela, e não atendeu sequer uma ligação minha pra saber como estava vocês dois.
No meio do caminho, Eddie, que estava olhando ao seu irmão durante a conversa, percebe a presença de uma mulher de cabelo moreno amarrado estilo “rabo de pônei”, vestindo uma camiseta azul, calça jeans, sapatos pretos, físico um pouco cheio, óculos de lente, batom roseado, brincos nas orelhas e pulseira azul, além de olhos âmbares. Mesmo sem parar, Eddie a reconhece ao olhá-la, enquanto ela, percebendo que foi vista por ele, de imediato entra no seu Porsche Cayman S lilás.
— Mano? – Freddy observa por trás, mas vê a porta do carro sendo fechado – o que você viu por lá?
— É ela...
— “É ela” o quê, mano?
— É ela...
— Fala, mano, quem é “ela”?
Eddie sequer responde, enquanto o Porsche Cayman S dá ré e depois deixa o local, sob os olhos do primogênito dos irmãos Peugeot.
“Era ela mesma... como ela se mudou bastante...” — pensa.
— “Cunhadão”! – diz uma voz feminina.
— Quem me chamou de “cunhadão”? – disse o primogênito dos irmãos Peugeot.
— Aqui! – disse a mesma voz feminina.
Os irmãos se deparam com a dupla feminina com os seus respectivos carros. Dessa vez, essa dupla, uma delas é bem reconhecida pelos irmãos. Já a outra, que havia chamado o Eddie de “cunhado”, os irmãos não tem uma memória boa de reconhecer. Novamente Eddie e Freddy encontra aquela pilota de cabelo vermelho que havia conversado com eles naquela noite na chegada após a corrida, com o seu Ford Escort XR3 1987 preto personalizado, o mesmo que haviam confrontado antes; enquanto a outra está com um Renault Clio Authentique 2005 verde-escuro. Freddy se aproxima com a moça ruiva que ambos conhecem, enquanto Eddie confere com a moça que havia lhe chamado a atenção.
— Estava com muitas saudades de rever o meu amigo “cunhadão” – disse uma moça, com cabelo meio moreno e loiro e amarrado, vestindo uma camiseta preta, com colar, calça jeans clara, sapatos pretos, pulseiras de espinhos, olhos castanhos claros, físico menos cheio, batom preto e um fone no ouvido – você não se lembra de mim quando eu te via com a minha irmã lá no intervalo no colegial e vocês dois perceberam que eu estava olhando vocês?
— Você? Que irmã?
— Ah... vinte anos atrás. Será que deu pau nessa sua memória de não se lembrar do amor da sua vida?
“Merda, era a irmã dela, e ela vinha sempre espionando a conversa comigo e com o meu amor da minha vida naquele tempo, igual ao Freddy”— pensa Eddie, se lembrando.
— Eu me lembro sim...
— Daí que eu preferi te chamar de “cunhado” ou “cunhadão”, já que você vivia sempre ao lado dela, como se vocês se estivessem casados! Você não se lembra do meu nome?
Eddie passa a mão no rosto, tentando se lembrar o nome da pessoa que o está falando.
— Jey... ci... anne? – lembra Eddie.
— Jeycianne Ferruccio, esse é o meu nome, como você sempre diz.
— Peraí... você está querendo me imitar o meu bordão predileto.
— Calma, Eddie Peugeot! Primeiramente, eu sou sua fã de carteirinha no seu tempo de piloto, só que depois da minha irmã, e daí que me tornei uma das boas corredoras que irei disputar este torneio, graças a sua inspiração.
“Inspirei a irmã da minha amada para correr? Junto com a outra irmã dela?”— pensa.
— Seria uma pena que terei a possibilidade de te enfrentar no torneio – completa.
— Tá bom – conclui Eddie, que abraça a “sua cunhada” – eu acabei de vê-la.
— Você viu ela?
— Eu vi, mas ela saiu de imediato quando ela percebeu.
— Poxa... então, boa sorte, “cunhado” – se despede.
— Tchau – acena Eddie, se despedindo e em seguida, o seu irmão aparece se juntando, no qual a moça de cabelo vermelho também acena para os dois. Eddie preferiu conversar com Jeycianne do que conversar novamente com a moça do carro de lado.
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— Atenção, atenção pessoal! – anuncia uma voz no alto-falante – pilotos inscritos na competição fiquem em seus lugares e prestem muita atenção que serão sorteados os oito duelos em formato de três corridas, no qual a classificação direta será garantida em caso de 2-0, ou uma terceira corrida para definir o duelo. Os melhores dos oito duelos farão outra eliminatória para definir os quatro melhores para uma semifinal de cada duelo. Todos são de três corridas, e daí que será definido o duelo final que garantirá ao vencedor um Chevrolet Camaro SS, que será num outro dia – anuncia as regras.
Eddie e Freddy, que estão na frente do próprio Chevrolet Opala que o Eddie guiará, estão prestando a atenção ao alto-falante e também num telão de LED com a projeção da tabela do cruzamento do torneio.
— Primeiro duelo: Eddie Peugeot, de Chevrolet Opala SS 1976, contra Gael Piochi, de Fiat Prêmio 1986.
Ao baixar a cabeça, Eddie, de cara, observa o seu oponente: Gael Piochi, de Fiat Prêmio 1986 personalizado com cor preta, adesivos de caveira e rodas OZ Superturismo tamanho 20. Já o motorista oponente, está com cabelo moreno curto, malhação definido, camisa preta com mangas rasgadas, calça jeans e tênis pretos. O próprio está com a posição de encarada, enquanto o Eddie, também responde “encarando” o seu novo oponente na estreia.
— Segundo duelo: Eline Battaglia, de Chevrolet Corsa Wind 1995, contra Jeycianne Ferruccio, de Renault Clio 2005 – anuncia o alto-falante.
— A irmã da tua amada irá se enfrentar com a nossa amiga, que é amiga da irmã dela, que nós víamos naquela noite.
— Eu quero assistir como ela vai se dar bem no início da corrida. Será que ela vai largar bem?
— Espero, mano, já que iremos pegar ou a Eline ou a Jeyci na próxima fase.
— Terceiro duelo: Victor Hugo Battaglia, de Chevrolet Celta 2001, contra Joanna Ferruccio, de Ford Escort XR3 1987 – anuncia o alto-falante.
— O “Vitão” vai enfrentar a outra irmã da tua amada! – disse Freddy – Vai enfrentar a ruivinha da Joanna, mano!
— Depois daquele encontro que tivemos com ela na reta final da corrida, ela corre muito bem, Freddy. O Victor não terá trabalho fácil não.
— A gente espera, porque daquele jeito que a esposa dele ficou falando pra nós que iremos confrontá-los provavelmente na final, ela se... “empolgou”.
Eddie ri, já que entende a palavra “empolgou” como piada devido ao time do coração da esposa do amigo (entende-se, a rivalidade Corinthians X Palmeiras).
— Quarto duelo – anuncia o alto-falante – Kerolaine Ferreira, de Ford Fiesta Sedan 2008, contra Steffane Flora Dortmund, de Renault Mégane Sedan 2007.
— Quem é essa tal de Steffane Flora Dortmund, Freddy? – pergunta Eddie.
— Irmã gêmea de uma amiga nossa, Coralina Flora Dortmund. Ambas gostam de culturas góticas. Até o carro dela é preto, tudo gótico, mano.
— E ela ouve Nine Inch Nails?
— A banda preferida dela é Evanescence, se você já ouviu, pelo menos o “Haunted”.
— Eu já ouvi... quando eu joguei o Brazukas WE no meu PlayStation, com a narração de Éder Luís e comentários de Neto.
— Essa você não se esquece – ri Freddy.
— Quinto duelo – anuncia o alto-falante – Geovanni Dortmund, de Fiat Strada Fire 2008, contra Yago Kury Correia, de Honda Civic 2003.
— Uma picape no torneio? – questiona Eddie.
— Eu já vi umas picapes vencendo corridas enquanto você esteve dormindo lá na coma do hospital. Nunca ouvi falar sobre esse tal de Geovanni, mas a gente espera que nós dois possamos conhecer um concorrente de cada, além dele.
— Verdade.
— Sexto duelo – anuncia o alto-falante – Donaldo Gomes, de Volkswagen Golf 2004, contra Tenório Basso, de Mitsubishi Lancer Evolution 2004.
— O cara dirige um Mitsubishi Lancer? Parece que vai ser uma corrida fácil pra ele.
— Eu já conheci esse tal de Donaldo Gomes, ele é português como nós dois de nascença, mas o carro dele é muito potente. Pra mim, será uma corrida equilibrada.
— Sétimo duelo – anuncia o alto-falante – Lindinez Ferruccio, de Porsche Cayman S 2006, contra Kenneth McCormick, de Mitsubishi Lancer Evolution 2008.
Eddie fica chocado ao ouvir o primeiro nome no anúncio do sétimo duelo, já que o nome é muito bem familiar ao irmão do Freddy, que inclusive, o mais novo olha ao mais velho.
— É a sua amada, não é, mano?
Eddie sequer diz uma só palavra, já que recentemente, acabou de vê-la e ela mesma, ao vê-lo, saiu de imediato do local.
— Eu não quero confrontá-la...
— Óbvio que você não vai confrontá-la, mano! Ela nem vai passar por esse tal do Kenneth com o Lancer dele pra que você não pegue ela nas semifinais ou na final! Tenha calma!
— Mas Freddy...
— Mano, calma... eu só fiquei sabendo que você viu ela antes da gente ver as irmãs dela. A saudade bate, mas deixe esse seu drama só depois do torneio, mano. Ela nem vai disputar essa corrida já que ela saiu, mano, vai que o Kenneth ganha de WO.
— Oitavo e último duelo – anuncia o alto-falante, quando os irmãos voltam a suas atenções ao anúncio final – Corey Lanskin, de Mitsubishi Eclipse GSX 1997, contra Alfredo Piochi, de Chevrolet Opala Diplomata 1992.
Eddie sequer se liga com esse duelo, já que o Corey abandonou o local depois do seu pedido, e que o Eddie vai ajudar o Corey para conseguir algumas informações sobre Lisa Berger, que suspeitam que ela tenha ligações criminosas de contrabandistas, segundo o meio-loiro ao Eddie momentos antes.
— Mano, vamos passear pelo pátio pra conhecer os nossos concorrentes? – pergunta Freddy ao irmão.
— Vamos – disse Eddie, calmo, pensando que nada aconteceu.
Os dois deixam o lugar que estavam na frente do Chevrolet Opala SS, e vão passear pelo pátio do estacionamento, como acabara de disser, para conhecer os seus prováveis concorrentes nas próximas etapas do torneio.
Será que o Eddie conseguirá fazer a melhor campanha no torneio, mesmo com um carro modesto em relação aos seus concorrentes?
(CONTINUA)
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