Eddie e Seus Peugeots: Roads of Paradise
8 Maués Rumble Rally - Olhando de Longe
Notas iniciais
Residência do Eddie, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia, 25 de Setembro de 2016, 19:00
Quarto do Eddie. Na cama está o vencedor do duelo de ontem, deitado e dormente, com compressas na cabeça e saco de gelo na testa, enquanto no rosto há curativos pelas bochechas, feridas nos lábios e marcas roxas nos arredores dos olhos praticamente visíveis devido aos impactos da luta em que Eddie teve após a decisiva vitória na terceira corrida contra Gael Piochi.
Enquanto isso, ao seu lado, está o seu irmão Freddy Peugeot, que o resgatou pouco depois do nocaute duplo de ontem, e ao seu lado, está a sua amiga de longa data Joanna Ferruccio, que também o ajudou no resgate. Também está presente no quarto a irmã primogênita de Joanna, Jeycianne Ferruccio, que está de frente com o irmão primogênito do Freddy.
— Será que o mano voltou a melhorar depois desse desmaio e impacto da treta que houve ontem? – pergunta Freddy à sua amiga.
— Eu não sei, Frederico – responde Joanna – a mana e eu utilizamos essas compressas frias para que ele tente se recuperar o mais rápido possível. São sete horas da noite e ele ainda não se acordou!
— Eddie ainda está pulsando, mana – disse Jeycianne – eu fui ouvir os batimentos cardíacos e ele deve ter acordado ainda na madrugada...
— Lin... – os três ouvem a voz do Eddie – di... – os três prestem atenção ao Eddie – nez...
— Eddie! – disse os três de forma simultânea, surpresos.
— Lin... di... nez... onde ela está...
— “Eddinho”, calma – avisa Joanna – continue descansando porque você ainda não está muito bem.
— Cadê a Lindinez, Joanna? – pergunta Eddie, ainda sentindo a cabeça doendo.
— Mano, calma... – tranquiliza Freddy – esse assunto é para outra hora, agora a gente quer que você fique descansando.
— O que houve com aquele cara... ai – Eddie ainda sente as dores de cabeça.
— Uma ambulância o levou para o hospital pouco depois de termos te resgatado, “cunhadão” – responde Jeycianne – como o cara havia ter iniciado aquela porrada feia que tu teve, provavelmente ele deve ir pra cadeia.
— Se ele for, mana – disse Joanna – espero que fique pra sempre lá no xilindró. Nada vai soltá-lo.
— Freddy – disse Eddie – e o evento?
— Paralisado, mano.
— Para o quê... ai...
— Paralisado, interrompido, congelado, interditado, etc., “Eddinho”! – responde Joanna – A treta entre você e Gael que teve ontem repercutiu bastante lá no pátio que resolveram adiar as próximas rodadas da primeira fase para outro fim-de-semana, não este que pode vir.
— Ou seja, mano – disse Freddy – temos tempo de melhorar os nossos carros para as corridas que podem vir na competição! Aí fica chibata de correr!
— Eddie – disse Jeycianne, enquanto o próprio citado por ela sorri, porque ela citou o seu nome, não o apelido “cunhadão” – durma mais um pouco, porque nós iremos fazer esse serviço por você.
— Mas vocês duas não vão disputar também a vaga para a próxima fase?
— Claro que sim, “cunhadão” – responde Jeycianne – a gente não só vai melhorar o carro mas os nossos também.
— Freddy – disse Eddie, olhando ao irmão – avisa aos gêmeos que eu estou bem e só vou pra lá daqui alguns dias para conferir o carro. Joanna e Jeyci – olha para as irmãs Ferruccio – se a Lindinez perguntar sobre mim, diga pra ela que eu estou bem e eu ainda a amo.
— Certo, Eddie – responde Jeycianne.
Enquanto isso, a irmã caçula das irmãs Ferruccio se aproxima do Eddie e em seguida, beija a testa do irmão primogênito do Freddy, deixando o Eddie surpreso e com dúvida.
— Joanna, por que você fez isso?
— Maninho, esse beijinho na sua testa tu não fazia com a mana anos atrás? – Eddie tem uma visão no passado, relembrando as despedidas à Lindinez na escola com um beijo na testa.
— Eu me lembro sim – Eddie desvia o olhar, já que relembrou a referida atitude amorosa com a sua amada no passado – vocês duas chegaram a observar-nos.
— É por isso que eu queria que vocês dois juntos de novo – disse Jeycianne – um casal sucedido, eu seria a madrinha do casamento de vocês.
— Mas você não ficou brava, irritada, enraivecida por causa daquela revelação que me fizeram lá na festa de formatura? – pergunta Eddie, relembrando um dos piores momentos da vida.
— Maninho – disse Jeycianne – Lindi me contou pessoalmente esse seu drama de ter perdido o seu pai e sua fé. Eu podia te proteger assim como eu protegia a Lindi, Joanna e o teu irmão dessa gente ridícula e dessas ameaças, mas a tua mãe, a “toda poderosa” Dona Maria Peugeot, resolveu te proteger e te levar e deixou o teu irmão comigo e com a Joanna.
— Sua mãe era tão carinhosa com a gente – disse Joanna – foi uma pena que ela se foi anos depois... nós três queríamos ter ido ao velório lá em Portugal para nos despedi-la, mas não tínhamos dinheiro pra comprar uma passagem de avião. Foi triste te ver na TV sofrendo muito – Eddie começa a lagrimejar ao relembrar daquele considerado um dos piores e tristes momentos da vida: a morte da mãe.
— Mamãe – disse Eddie, chorando. Freddy também começa a choramingar.
— Eddie – disse Joanna, tentando tranquilizar o amigo – ela está contigo em seu coração, assim como o seu pai.
— Isso, Eddie – disse Jeycianne – naquele momento, todo o mundo, inclusive nós além da Lindinez, dermos força para você e seu irmão porque nós acreditamos em vocês – todos, com lágrimas aos olhos, esfregam para limpá-los.
— Mana, não está na hora da gente sair? – pergunta Joanna à irmã.
— Vamos, maninha – responde Jeycianne à irmã caçula – Eddie, descanse um pouco e, talvez, a gente pode conversar mais um pouco. Amanhã espero que você esteja melhor.
— Tchau, lindas – disse Eddie, se despedindo das irmãs Ferruccio.
— Tchau, “gato da mana” – disse Jeycianne, se despedindo com sarcasmo de referi-lo do tempo do relacionamento da irmã anos atrás.
— Tchau, Eddie! – disse Joanna, também se despedindo – Freddy – chama o irmão do Eddie para se despedir, sinalizando um beijo para o loiro, este fica vermelho de timidez – tchau!
— Tchau, Joanna – termina Freddy, completamente envergonhado.
— Freddy – disse Eddie, no qual o irmão caçula vira para o primogênito – e o Renan e a Kerol? Eles conseguiram alguma informação sobre aquele corredor misterioso?
— Mano – Freddy coça a cabeça – até agora, nada.
— Porra – lamenta Eddie – e a Lisa Berger?
— A Lisa Berger me ligou e ela pretende te visitar daqui a pouco, mano.
— Você nem me consultou...
— Mano, pra quê te consultar se tu tava dormente na hora em que ela me ligou?
De repente, um sinal de campainha é soado na porta e Freddy sai do quarto para atender a visita que acabou de chegar na residência. Enquanto isso, Eddie, ainda deitado, olha para cima e começa a pensar.
“Aquele beijo na testa que a Joanna me deu... me lembrou daquele tato da mão que senti na testa quando eu estava em coma no hospital... será que é a mão da... Lindinez?”
— Eddie Peugeot? – disse uma voz feminina.
— Sim?
Surge no quarto a moça de física cheinha de pele caucásia, com sarnas no rosto, de cabelos castanhos ondulados, vestindo uma calça comprida jeans com cinto rosa posicionado no meio da barriga, camiseta branca, sapatos pretos com meias brancas (não visíveis por conta da calça) e uns óculos de lente. Era a Lisa Berger.
— Como você está agora?
— Eu estou bem, mas estou impossibilitado de poder correr, porque o nocaute que levei pode afetar a minha consciência durante a corrida. Deve ser concussão.
— Mas é concussão, seu lindo – a moça coloca a mão no peitoral do Eddie e acaricia – seu irmão me contou pra que você precisa se descansar. Melhor que você não vai participar na outra semana, já que nesse dia será o complemento da primeira fase.
— Lisa – disse Eddie – primeiramente, houve punição ao Gael depois que a Bebe e você viram a briga? Segundamente, por que você está passando a minha mão no meu peito?
— Ao Gael? – tenta responder a primeira pergunta – Estamos analisando qualquer forma de punição à ele, seja em tentar confiscar o carro dele ou mais pior ainda... – Lisa continua acariciando o peitoral – agora a segunda pergunta... porque você é um gato quando está sem a camisa – Eddie fica vermelho.
— Lisa... você está sendo danada... mas eu estou de cueca e embrulhado nesse lençol! O que você pensa, me ver nu?
No outro lado da porta do quarto, o irmão Freddy está ouvindo toda a conversa entre o seu irmão e a promotora do torneio.
“Deixei uma camisinha debaixo do travesseiro se o clima começa a ficar mais que quente. O mano nem sabe, mas contei pra Lisa de onde está a camisinha”— pensa Freddy, imaginando o que pode acontecer... de repente com o seu irmão com a moça que está com ele.
De volta ao quarto...
— Você, Eddie, é muito bom corredor quando observei muito bem o seu desempenho nas três corridas de ontem – disse Lisa, aproximando-se mais ainda seu rosto para mais próximo ao do Eddie – agora eu quero que você me prove o seu outro desempenho, fora das quatro rodas.
“Olha, mano, tu tinha uma namorada muito boa do que tu quis e agora quer dar uma de sedutor pra ela? Está querendo de que o seu favoritismo na competição vá pra ela de que jeito? Pagar de playboy pra ela? Seduzir? Rolar um "tchaca-tchaca” secreto? Tu é leso, mano?”— Eddie relembra de uma fala do seu irmão ao entender “do jeito dele” sobre o seu favoritismo no torneio que está disputando.
“Freddy Peugeot, seu safado”— pensa Eddie após relembrar as “certas” falas do irmão – “articulou uma cilada pra Lisa Berger vir no meu quarto pra me seduzir, não é?”
— Senhorita, ainda é só um começo – disse Eddie – eu passei da primeira fase, tá? E isso é a sua recompensa, me seduzindo só porque me classifiquei para a próxima fase? Mas você sabe da minha recompensa por tentar me seduzir só porque você veio fazer uma visitinha?
— O qual? – questiona Lisa, que recebe em seguida um beijinho rápido – um selinho – como é conhecido.
— Tente na próxima vez, só que depois do campeonato todo, seja ganhando ou não aquele Camarão laranja – completa Eddie, que recebe de volta em seguida o mesmo selinho que deu na Lisa Berger.
— Me impressione muito na competição, Eddie, porque na próxima vez quando nos encontrar à sós – Lisa aproxima-se na orelha do Eddie e sussurra – mostre-me o teu fogo, seu gostosão – Eddie fica vermelho – porque o teu irmão deixou uma coisinha escondida debaixo do teu travesseiro – Lisa coloca a mão debaixo do travesseiro e tira um pacote de camisinha escondida, surpreendendo o Eddie – vou ficar com isso até o nosso próximo encontro.
“Eu sabia que o Freddy havia escondido isso para armar esse encontro”— pensa Eddie, ao observar o objeto na mão da moça.
— Lisa...
— Sim, Eddie?
— No nosso próximo encontro – aproxima-se na orelha da moça – você vai saber com certeza do meu fogo – sussurra – guarde muito bem esse item fundamental – se referindo ao pacote de camisinha que ela pegou debaixo do travesseiro.
No final, Lisa beija a bochecha do Eddie e logo depois, sai do quarto, enquanto o Eddie mantém-se deitado se tranquilizando depois de tudo o que aconteceu.
“Ela quer usar o meu favoritismo para me seduzir? Ela está apostando todas as fichas em mim? Conquistar o meu favoritismo para ela eu consegui, mas ela está querendo jogar todo o seu charme em mim só para ganhar essa competição”— pensa – “tenho é que focar bastante na competição, conferir se o carro tem as condições de vencer, pensando nisso, preciso ir, talvez, amanhã, conferir o carro lá na oficina dos gêmeos, e daí que nesse fim-de-semana, assistir as próximas corridas para estudar o desempenho dos meus futuros oponentes”.
“Freddy Peugeot, amanhã você vai apanhar e muito do seu irmão por articular esse encontro”— pensa, imaginando a bronca que irá dar para o seu irmão caçula.
“Pelo menos a Lisa Berger, com esse físico corporal, me lembrou da minha eterna amada pessoa...”
X///////X
Dia seguinte, 26 de setembro de 2016, Quarto do Eddie, 09:00
Em sua cama, Eddie continua dormindo tranquilamente... quando de repente, o seu celular que está na cômoda ao lado, toca de repente e acorda de imediato o próprio Eddie, que pega, observa o remetente – que era o Yuri – e atende a ligação:
— Alô?
— (Eddie?) – disse Yuri – (Você está bem?)
— Eu estou, cara – responde – dormi muito bem e amenizou um pouco a dor de cabeça que eu senti logo quando acordei ontem.
— (Ainda bem) – tranquiliza Yuri – (minha irmã e eu ficamos surpresos quando assistimos aquela corrida e aquela briga que você teve com aquele teu oponente.)
— As irmãs Ferruccio também ficaram chocadas, elas mais o meu irmão me socorreram depois daquela porrada o que aconteceu. Depois quando levei um soco daqueles, não me lembrava mais nada.
— (Irmãs Ferruccio? Quem são?)
— Jeycianne e Joanna. Elas são irmãs da...
— (Eu sei, Eddie, são as irmãs da Lindinez. Elas já visitaram a nossa oficina e demos uma geral nos carros delas.)
— Essa informação eu não sabia, Yuri, elas nunca me contaram que foram vocês que fizeram a personalização dos carros.
— (Como é que eu iria falar... Ô Eddie, nós estamos conferindo o carro em geral para a disputa da próxima fase.)
— Aham, mas vocês já sabiam que foi adiado para a próxima semana?
— (A gente sabia, Eddie) – responde Yuri – (mas nesse período finalmente podemos instalar as novas peças para o motor do carro, que vão chegar lá no porto esta semana.)
— Vocês já fizeram o contato da Lisa Berger para saber se é permitido ajustar o carro antes do recomeço da competição?
— (Minha irmã ligou para ela, e disse que sim é permitido ajustar o carro nesse período de intervalo. E olha, Eddie, a gente se preocupou tanto com o carro durante as suas corridas na competição que tivemos que comprar novas peças de motor, de caixa de câmbio, novas câmaras de pneu...)
— Yuri, esse carro é do Freddy! – avisa Eddie – já ligaram para ele para falar sobre isso?
— (Sim, Eddie) – responde – (Ele deu aval para a gente.)
— Essas modificações no motor, na caixa de câmbio, vão influenciar por uma melhor velocidade e aceleração?
— (Eddie, eu pesquisei tantos Opalas bem... como se dizem... envenenados e rachando nas rodovias, nas marginais, nas estradas, que tentei pesquisar as fichas técnicas como são os cavalos de potência... foi difícil. Mas para mim, pode sim senhor influenciar num bom desempenho.)
— E vocês já conseguiram a ficha técnica do carro do Geovanni?
— (Não, mas alguns amigos dele já me contaram quais são algumas especificações técnicas do carro. Porém, nós estamos estudando como o carro irá receber algumas atualizações para chegar ao nível dele.)
— Poxa... e que dia nesta semana chegará as peças?
— (Numa sexta-feira, Eddie) – disse Yuri – (porque essas peças são importadas e tive que desembolsar uma grana preta para pagar o frete que vai dos Estados Unidos para Manaus e mais o frete de Manaus para Maués e um táxi-frete para tirar do porto para a nossa oficina.) – Eddie coça a cabeça e fica com semblante de frustação – (Vai demorar mesmo, eu sei, mas a gente vai estar trabalhando. Minha irmã e eu estamos apenas focando no Opala para você.)
— Ô Yuri, me conte uma coisa... as irmãs Ferruccio devem estar preparando os carros para a continuidade da primeira fase?
— (Minha irmã e eu não sabemos sobre elas, Eddie.) – avisa Yuri – (Agora há pouco tivemos uma visita de uma moça de cabelos vermelhos...)
“Joanna”— reconhece Eddie, através da principal característica da pessoa que Yuri descreveu.
— (...ela exigiu melhores peças para motor e melhor caixa de câmbio para o carro dela que é um Escort preto. Porém, dissemos para ela que não temos uma peça de top de linha) – Eddie se alivia, temendo que a amiga (que é irmã da sua amada pessoa) quer que os gêmeos atualizem o carro dela para a competição – (Claro, queríamos proteger o segredo da atualização do Opala para que não vaze para elas, nós dois já sofremos um grande inferno astral meses atrás sobre a onda da nossa oficina. Lembra-se do nosso acordo que fizemos um time?)
— Claro.
— (É entre você, Chelinka, Freddy e eu, nós somos a equipe, para representar a nossa oficina na competição. Deixe a Jeycianne e Joanna só depois da competição e esqueça a amizade porque elas são as prováveis suas próximas oponentes no cruzamento da tabela.)
— Ok, Yuri.
— (Agora fique em paz, campeão, porque deixe com a gente que a gente vai tratar e melhorar o nosso carro representante para o decorrer da competição e nada vai vazar qualquer informação sigilosa para alguma pessoa envolvida com algum oponente.)
— Isso mesmo.
— (Ah, e tenho uma perguntinha pessoal para você... você está se apaixonando pela Lisa Berger?)
— O quê? Quem foi que te contou sobre isso?
— (Foi o Freddy que me contou que a Lisa Berger estava te visitando ontem a noite...)
— O Freddy que articulou isso. Por pouco quase transei porque o Freddy deixou uma camisinha debaixo do meu travesseiro, olha como o meu irmão é safado – Yuri ri na linha – é sério, fera, imagina você transando com a Lisa Berger só porque ela quer me aproveitar que eu sou favorito da competição? Olha que eu já imaginei muito antes da competição, diferente que o Freddy pensava.
— (Tá bom, eu entendo. Deixe isso pra lá e a gente se fala mais tarde.)
— Ou até sexta-feira para poder conferir o status do desempenho atualizado do carro, testar a dinâmica e dar uma voltinha na pista do aeroporto para sentir um gostinho de velocidade. Tchau – desliga em seguida.
Eddie então se suspira e se alivia.
“Tão linda e tão bonita de se ver,
Era tudo o que queria de te ter,
Com um cheiro tão gostoso de sentir,
Mesmo que tenha um porte diferente de mim”
“Em num mundo cheio de crueldade,
Você é a única que fazia me iluminar.
As flores do meu jardim,
Te daria um buquê acompanhado com amor”
“O cheiro do pôr-do-sol,
E o gosto de um beijo inesquecível”(*)
“Eddie...”
“Lindi...”
“Eu te amo, Eddie”
“Eu também te amo, Lindi... Feliz dia dos namorados”
As lembranças de um romance que vem do passado pesam demais para o Eddie, que está lagrimejando só de lembrar do momento em que ele e sua antiga namorada se beijam na praça da cidade enquanto deslumbravam de uma vista do pôr-do-sol no horizonte.
Esse momento de saudade é interrompido por uma ligação do celular do Eddie, no qual o próprio pega e atende.
— Alô?
— (Eddie Peugeot).
— Detetive Renan? – identifica Eddie – Fazia há um tempo que você não me ligava, mas conseguiu as informações do suspeito?
— (Kerol e eu estamos procurando, mas não se preocupe, vai estar tudo bem e você saberá quem foi esse suspeito.)
— Ok – responde Eddie – mas o que vocês, ou melhor, o que você quer agora, já que me ligou?
— (Eddie, sai da mansão e venha aqui fora agora. Preciso te mostrar uma coisa sobre o universo de corridas de rua ilegais em Maués.)
— Eu estou de cueca, preciso me vestir.
— (Parece que você andou transando com alguém.) – Renan tira sarro.
— O quê?
— (Brincadeira) – se desculpa – (se vista logo e venha agora, porque um Corvette C2 Stingray está te esperando aqui fora.)
— Tá bom, eu já vou – desliga em seguida, se levanta da cama e se direciona para o guarda roupa para se vestir.
X///////X
Eddie está saindo da residência, agora vestido apenas de calça jeans preta, tênis azul e camisa laranja – praticamente uma roupa casual. Antes, ele conferiu no seu celular se o irmão estava presente, porém, ele recebeu a mensagem que está passeando com Joanna na praia, daí porque está ausente. Mesmo assim, logo depois de passar pelo portão principal, Eddie se depara com um conhecido Chevrolet Corvette C2 Stingray de cor preta na sua frente.
Saindo do carro, aparece o casal de detetives Renan Hamilton-Button e Kerol Mori-Neiva, vestidos respectivamente de ternos pretos com gravatas, sapatos pretos e óculos escuros, deixando Eddie surpreso.
— Porra, parece que estou na Matrix!
— Claro que não é Matrix, Eddie – replica Kerol – Renan não é o Morfeu, você não é o Neo e nem sou a Trinity. Tudo isso, até o nosso carro, é real, nada de programação ilusório da Matrix.
— Ainda bem – se alivia Eddie – o que vocês querem agora, já que ainda estão investigando o tal suspeito daquela corrida?
— Eddie, você não está lembrado da minha ligação? – questiona Renan.
— Ah, lembrei – responde Eddie.
— Venha, entre aqui no carro e sente-se lá atrás – Renan abre a porta de passageiro e abaixa o banco para permitir a passagem para o banco de trás (que foi montada) no qual Eddie senta. O casal retorna ao veículo e deixa o local.
— Foi sofrida a sua última corrida, Eddie? – pergunta Renan, que está dirigindo o veículo.
— Foi, e tive que aturar bastante a pressão, especialmente na reta final, quando ele começou a usar o nitro, tive que usar ao mesmo tempo para manter a minha vantagem.
— E a briga foi feia? – pergunta Kerol.
— Foi, ele chegou a me acusar de ter jogado o filho dele para a cadeia através de um programa de TV e tal... – lembra Eddie – depois foi uma verdadeira luta de vale tudo até não me lembrar mais.
— Nós acompanhamos essa briga pela internet – disse Kerol – você tomou um nocaute simultâneo com o Gael Piochi e vocês dois ficaram desmaiados no chão.
— Afinal de contas, Eddie – disse Renan – quem era aquela moça de cabelos vermelhos que te socorreu junto com o seu irmão?
— A moça de cabelos vermelhos? – disse Eddie – era a Joanna Ferruccio, amiga do Freddy e irmã caçula de uma outra conhecida minha.
— Olha – disse Kerol – amigas conhecidas, Renan.
— E qual é o problema sobre elas? – questiona Eddie – elas são amigas minhas sim, são irmãs de uma conhecida minha.
— Nada, Eddie – responde a detetive dos cabelos azuis.
— E que local vocês estão me levando? – pergunta Eddie.
— Como o torneio está paralisado até a semana que vem, a gente vai te levar em alguns locais e redutos dos corredores que vão disputar o torneio, inclusive, do reduto do principal concorrente, o piloto Geovanni Dortmund – responde o detetive.
Eddie fica interessado só de ouvir o nome de Geovanni Dortmund, um dos prováveis oponentes do torneio.
— Mas agora, a gente vai para um reduto de onde são concentrados os mais corredores tanto de carro quanto de moto, o bairro Mário Fonseca.
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Estrada Miri-Moraes, Bairro Mário Fonseca
— Renan – disse Eddie – nesse posto foi onde acabei encontrando com a turma daqueles Opalas Diplomatas. Você sabe o que aconteceu durante uma das corridas.
— É – afirma o detetive.
Metros depois, o carro passa lentamente próximo ao mercado Verdurão Baratão, por onde nota a presença de um Mitsubishi Lancer Evolution 2004 branco – com para-choques e saias personalizados e adesivos de faixas pela carenagem – na área ao lado, também ao lado de uma oficina, porém, de motos.
— Aquele Lancer branco – disse Renan, observando o referido veículo – é de Tenório Basso. Ele não é natural de Maués e sim veio de Manaus com a intenção de disputar o torneio, pagou mais de 10 mil reais para modificar e turbinar o seu carro, importado do Japão, e que se interessou pelo torneio porque queria ganhar apenas dinheiro para as despesas da família que está quase falindo.
— Mas o Camaro vale mais de... – disse Eddie, que é interrompido pelo Renan.
— Esse prêmio vale uma espécie de petróleo barato, Eddie, estimado em 1 milhão de reais com peças de última geração mesmo sendo um carro de 1967, seja motor, rodas, volante, bancos... se fosse para o leilão, nem pense começar com um lance muito baixo de 10 mil reais, melhor 100 mil e ultrapassar a barreira de 1 milhão de reais.
— Mas seria mais caro que uma coleção de um Corvette antigo como este ou da primeira geração.
— Ou você queira colecionar um protótipo raro de um carro? – pergunta o detetive – esse seria mais cobiçado nos leilões em quesito automóveis.
— Renan – disse a detetive de cabelos azuis – mas se for um Lamborghini, tipo aqueles velozes ou uma Ferrari, não sairia mais caro?
— Teoricamente sim, mas há marcas de luxo que podem superar a barreira de bilhões de dólares nesses leilões como Koenigsegg, Bugatti, McLaren – Eddie ri ao ouvir essa marca, se referindo a péssima fase da equipe McLaren na Fórmula 1 – Pagani...
Depois de observar o provável futuro oponente de Eddie, o trio começa a passar pelo outro posto de gasolina na esquina da Estrada Miri-Moraes com Rua Boa Vista, que depois de virar para a referida rua, o trio estaciona em num restaurante oriental do local, o restaurante Yaakysooba Mawé.
— Nós vamos comprar yakissoba neste restaurante logo de manhã?
— Não, Eddie – nega Renan – olhe bem lá na oficina – aponta Renan à oficina localizada no mesmo local, porém, ao lado do restaurante.
Na oficina, há um Renault Mégane Sedan 2007 de cor preta – com pouca personalização, de insufilm preto 25% transparente, rodas pintadas de cor preta e adesivos de caveira e esqueleto humano – recebendo análises mecânicas no motor. Enquanto o mecânico analisa, ao seu lado está a dona do veículo, Steffane Flora Dortmund, uma jovem corredora de visual gótico.
— É a tal da Steffane – disse Eddie – ela é irmã de uma conhecida minha.
— Das irmãs Ferruccio? – pergunta a detetive dos cabelos azuis, com ironia.
— Não, as irmãs Ferruccio são três! – responde Eddie – Ela é de outra família.
— Steffane Flora Dortmund é corredora independente também vindo de Manaus para Maués exatamente para disputar os torneios de rachas na cidade, inclusive, do Maués Rumble Rally. Já que você citou que ela é irmã da sua conhecida, ela é irmã gêmea de uma repórter de TV chamada Coralina Flora Dortmund. Eu ainda não consegui muitas informações sobre ela, mas falam que é uma ótima corredora no volante.
— Vamos embora, Renan – disse a detetive de cabelos azuis – há muita gente para o Eddie saber quem são.
Os três deixam o estacionamento do restaurante de ré e retornam às ruas para explorar outros locais de onde o Renan e a Kerol apontaram como dos concorrentes do Eddie no torneio que está paralisado. A serenidade do Eddie sempre está focada sobre o principal provável oponente no torneio, Geovanni Dortmund, e tentar enxergar de longe alguns prováveis segredos do referido piloto.
Passando pela Rua Henrique Magnani, Eddie se depara em numa casa azulada de três andares na esquina com a Estrada Maués com dois carros dentro da garagem logo no primeiro andar, com três portões... Eddie começa a sentir uma visão do passado.
“Nesse local ficava a casa da família da Lindinez... da Jeyci... da Joanna... como mudou bastante... com o passar do tempo...”— relembra.
Esquina Estrada Maués/Rua Henrique Magnani, 18 de Maio de 1996, 14:03hs
“Boa tarde.”
“Boa tarde... a... a Lindinez está em casa?”
“Deixe eu chamá-la... Mana, o teu colega está aqui! Você pode entrar enquanto ela chega.”
“Você deve ser o irmão do Frederico, o Freddy como você o chama.”
“Eu sou sim. E você, qual é o seu nome?”
“Sou a Joanna, irmã caçula da Lindinez, e colega do seu irmão. Aquela que te atendeu na porta é a Jeycianne, a nossa irmã mais velha.”
“Ah... e cadê os seus pais?”
“Eles viajaram para Manaus... conseguiram um emprego lá no Distrito Industrial, mas nos deixaram aqui em Maués e a minha irmã ficou no encargo de cuidar-nos.”
“Caramba...”
“Detalhe, a minha irmã já se formou em dois anos atrás, a Lindinez fracassou em se formar no ano passado e espero que ano que vem, eu consigo me formar no terceiro ano. Espero que a Lindinez também se forma este ano junto contigo, você que é o cara da turma nos últimos anos.”
“Quem te contou que eu sou o cara da turma?”
“Seu irmão, leso! Ele é tão engraçado e sincero na hora em que a gente conversa e ele me disse que tu tá afim da Lindinez!”
“Freddy...”
“Não fique mordido, Eddie. Tu sabe que o seu irmão gosta de te bisbilhotar no intervalo quando vocês dois estão conversando às sós.”
“É a mania dele de ficar me espionando na merenda quando estou ao lado da Lindinez... na quadra... na sala...”
“Todo o irmão caçula tem essa mania, até eu já bisbilhotei a mana de longe contigo.”
“Já que vocês dois são tão próximos de ficarem conversando ouvindo fofocas do Freddy... Um dia, pergunte para ele se vocês dois se sentem atraídos? Lembre-se dessa pergunta.”
Dia presente
— Eddie! – grita a detetive de cabelos azuis, que acorda Eddie depois de um sono repentino durante o caminho.
— Caralho, pois não?
— Você estava dormindo, não estava? – pergunta o detetive.
— Porra, cara, eu caí no sono de repente.
— Ele dormiu quando passamos de um local em uma esquina da rua Henrique Magnani, Renan.
— Qual foi o local que vocês passaram e que eu não vi?
— Uma casa azulada de três andares que tinha três carros estacionados na frente fora da garagem – responde a detetive de cabelos azuis.
“É a casa da Lindinez, da Jeyci e da Joanna!”— pensa Eddie, identificando as características do local citado pela Kerol.
— Agora, Eddie, já que você acordou – disse o detetive – encontramos o local de uma pessoa que você esperará um dia que irá confrontá-lo no torneio – Eddie olha para uma garagem na esquina entre a Rua das Icabanas e Rua Henrique Magnani e repara a presença de um Fiat Strada Fire 2008 vermelho.
— É o carro do Geovanni... praticamente aquele local deve ser a casa dele! – disse Eddie.
— Ao mesmo tempo que é a casa dele – explica o detetive – é a oficina dele. Também mora a namorada dele que sempre está na companhia em algumas corridas que ele disputa. Nos intervalos de torneios, ele chama a sua equipe para preparar o seu carro para algumas competições, como o Maués Rumble Rally, Eddie.
— Ele deve ter uma equipe bem preparada em relação à oficina Twingarage de Yuri e Chelinka, que só tem apenas os próprios gêmeos – compara Eddie à oficina que representa – porém, a namorada dele vai acusar a nossa oficina de calote.
— Como assim, ‘calote’? – questiona a detetive de cabelos azuis.
— O carro dela quebrou naquela corrida da etapa preliminar que garantiria o acesso ao torneio, e levou para a Twingarage para consertar – explica Eddie – porém, os gêmeos ainda não o consertaram.
— Ih... – disse a detetive de cabelos azuis.
— Vai dar merda – disse o detetive.
— E muita merda – complementa Eddie – se eu não for ganhar esse torneio, a oficina Twingarage, com esse calote, vai fechar. Não só o carro será a recompensa... mas também uma bagatela de dinheiro pode ser o segundo prêmio para o vencedor. Eles não têm uma boa quantia de dinheiro para poder contratar uma equipe de mecânicos.
Renan e Kerol olham em si mesmos.
De longe, há uma movimentação, de onde a picape vermelha de Geovanni sai do local tendo o próprio referido dirigindo o veículo e começa a aproximar em direção ao carro dos detetives.
— Eddie, se abaixa agora! – avisa Kerol – ele não pode te ver! – Eddie se agacha para não ser detectado pelo Geovanni.
Agachado, Eddie começa a ouvir a conversa entre Geovanni e os detetives Renan e Kerol.
— Renan Hamilton-Button! – disse o moreno.
— Geovanni Dortmund – replica o detetive.
— Como vai aí, passeando pela cidade? – Renan e Kerol olham em si mesmos.
— Tudo bem, a gente estamos sim passeando pela cidade – disse o detetive, um pouco nervoso – aonde você vai?
— Estou indo para a outra oficina lá em Santa Luzia de onde a minha amiga...
“São amigos ou são namorados?”— pensa Eddie, questionando-se do relacionamento do seu futuro oponente.
— ...foi verificar como está o carro dela que havia quebrado há dias.
— Ah, tá – Renan disfarça o seu sorriso – Ok, por enquanto.
— Tchau! – despede-se Geovanni, que prossegue o seu rumo ao destino citado na conversa.
— Eddie, pode se levantar – disse a detetive de cabelos azuis, no qual Eddie se levanta depois de estar agachado e escondido.
— Estranho – disse Eddie, se levantando e sentando no banco – um dia ele esteve com ela juntos lá no torneio antes da minha corrida, e o meu irmão disse que os dois estão namorando segundo fofocas no grupo do Whatsapp.
— Você deve se lembrar daquele antigo programa do Silvio Santos que tinha aquela famosa pergunta: “é namoro ou amizade” – disse Renan, imitando a voz do referido apresentador ao citar o bordão, levando Eddie e Kerol à risada. O trio prossegue a procura de mais locais indicados.
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Residência do Eddie, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia, 10:09hs
Depois de alguns quilômetros percorridos pelos bairros Mirante do Éden, Mário Fonseca e Ramalho Júnior para encontrar alguns locais apontados pelos detetives Renan Hamilton-Button e Kerol Mori-Neiva como prováveis redutos dos corredores que podem ser oponentes do Eddie no torneio Maués Rumble Rally, o trio retorna de volta para a casa do Eddie no bairro de Santa Luzia.
Os detetives são os primeiros a sair do carro, e depois, Kerol abaixa o banco de passageiro para permitir a passagem do Eddie para sair do veículo.
— E aí, Eddie – disse o detetive – agora você se sente confiante para o seu retorno?
— Renan – disse Eddie – mesmo conhecendo esses redutos dos corredores, pra mim não vi e nem identifiquei um segredo deles. Mas o único segredo que eu conheço é estratégia. Isso vai ser o meu segredo para me preparar na próxima fase do torneio.
— Estratégia, muita estratégia, Eddie – disse a detetive dos cabelos azuis – essa palavra vai ser repetida várias vezes na sua cabeça.
— Mesmo que Yuri e Chelinka não tenha grana para conseguir contratar uma equipe de mecânicos, eu vou articular uma estratégia de preparação.
— A gente vai estar te acompanhando no dia, ok? – disse a detetive.
— A gente se vê mais uma vez, Eddie – disse o detetive, se despedindo, e depois, retorna junto com a Kerol ao seu Corvette preto.
Eddie observa o Corvette preto se partindo na sua frente, e logo depois, entra pelo portão da sua residência.
O celular toca.
— Alô?
— (Mano!) – disse uma voz masculina, bem familiar para o Eddie.
— Freddy.
— (Cara, você está bem?)
— Eu estou, Freddy, tive que dar uma passeada de pé – responde Eddie, mentindo sua justificativa, mesmo confirmando se está bem – e depois acabei de chegar aqui em casa.
— (Mano, eu ainda estou na praia com a Joanna) – disse Freddy – (você não imagina como é a roupa de praia que ela está usando.)
— Hehehe – ri Eddie – deve ser maiô ou biquíni? No meu tempo com a irmã dela, você já sabe quem é, o maiô dela era super... super... como eu devo dizer... linda! Me encantou naquele tempo.
— (Mano, ela está de maiô hoje, mas tem aquele famoso ditado, que o caçula sempre é bonito que o mais velho, e o maiô da Joanna é mais bonito que o da tua mina, aliás, a irmã dela daquele tempo.)
— Poxa... – disse surpreso.
— (Pra falar a verdade, mano, ela está aqui ao meu lado...)
— (Oi, Eddie!) – disse Joanna na linha – (o teu mano adorou a temperatura geladinha do rio aqui na praia. Por que você não vem também? Já convidei a mana Jeyci para vir aqui também...)
— Me desculpe, eu ainda não estou interessado de ir para a praia... preciso me descansar – justifica Eddie, recusando o pedido da amiga.
— (Tá bom, “Eddinho”, quando a gente sair, o seu irmão vai contar tudo o que nos divertimos. Tchau!) – se despede, e a ligação é encerrada. Em seguida, Eddie entra para dentro de sua residência.
X///////X
Quarto do Eddie
Sentado na cama com um computador portátil sobre o travesseiro que também está sobre as suas coxas, Eddie está digitando... uma carta.
“Querida Lindinez.
Aonde tu estás? A última vez que te vi foi há 20 anos atrás! Recentemente vi uma pessoa que me lembrou de ti no torneio Maués Rumble Rally dias atrás, dirigindo um Porsche Cayman lilás, com o seu nome anunciado para disputar uma corrida de série de três ainda na primeira fase... Era você mesmo, Lindinez?
Reencontrei as suas irmãs, Jeycianne e Joanna, que também disputarão a primeira fase do torneio, mas você ainda não apareceu por mim. Sofri um acidente grave há 15 meses, estou vivo novamente, porém estou não só buscando uma nova reputação nas ruas, mas também o responsável pelo duelo que acabei me colidindo no passado.
Se te reencontrasse antes, durante e depois do torneio, vai mexer com a minha cabeça sim de forma emotiva. Aquele beijo do dia 12 de junho de 1996 na praça jamais será esquecido na nossa memória.
Se morresse e tivesse que doar os meus órgãos, dividirei o meu coração ao meio, uma vai para você, e outra parte vai para o meu irmão.
Meu coração está incompleto sem ti, mas irei ganhar esse torneio por ti.
Beijos.
Eddie Peugeot — S2”
(CONTINUA)
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