Notas iniciais
Boa leitura!

As correntes pesam,

A vassoura também.

O chicote rasga, o tapa marca,

O pensamento é difícil

O sofrimento a engasga.

A senzala era uma prisão,

O lar é uma sina.

Todas com o mesmo desejo,

Desejo tosco, desejo imposto,

Pobres meninas.

Elas fazem ou ninguém!

O não fazer, a opressão.

Medo todas tem.

As lágrimas caem.

As pancadas doem.

Choro dos filhos dos senhores,

Berros dos filhos dos patrões,

Gritos das crianças de outros,

Mãe dos seus, mãe de muitos,

Mãe de todos.

O sol queimava sua pele,

Durante o corte da cana.

O forno queima suas mãos,

Sua vista arde, a pele inflama.

Pedaços de toda uma trama.

As roupas das senhoras são finas,

As delas são maltrapilhas.

Cabelos cacheados, não, cabelos lisos!

Um só visual, ditadura da beleza.

Um visual oprimido.

Vivem na dor e desespero,

Em fazerem sem desejo,

Amar quem não ama,

Deitar na mesma cama,

Repetir de novo aquele drama.

Mesmo depois de tudo isso.

Passado, presente, futuro,

Todo um pesadelo vivido,

Elas lutam, se caem levantam,

Sempre persistem.

Julgadas pela cor ou condição,

Recebem da sorte um não,

Marginais, guerreiras, heroínas.

Autênticas deusas caídas.

Dandaras, musas da vida!

Notas finais
Muito obrigado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!