Ecos de Sangue e Estrelas

4 Proteção Instintiva


Leaf Shepard respirava com dificuldade, o corpo ainda a tremer devido à adrenalina do último confronto. O calor da explosão da granada ainda pairava no ar, misturado com o cheiro de metal queimado e a poeira fina que cobria tudo à volta. Garrus Vakarian permanecia inconsciente, encostado a um escombro mais sólido, protegido parcialmente encoberto. Leaf não se afastava dele, o olhar fixo na sombra que a intrigava desde o início: o drell assassino.

Ela conseguiu finalmente ver o vulto mais claramente. O assassino permanecia imóvel, quase imperceptível entre os destroços. A postura era calma, os braços cruzados levemente à frente do corpo, e o seu olhar estava fixo em Garrus. Leaf sentiu um frio percorrer-lhe a espinha. A forma como observava o turiano era meticulosa, pensativa como se estudasse cada detalhe, avaliando a sua força, os reflexos, até a vulnerabilidade do momento.

— Hum… mas afinal quem… és tu? — murmurou Leaf baixinho para si mesma ao observá-lo de longe, sem se atrever a quebrar a distância entre eles.

Leaf olhou para Garrus, ainda inconsciente, e sentiu uma onda de preocupação misturada com irritação. Precisava de manter o foco. Novamente num movimento lento, arrastou-o para um local ligeiramente mais seguro, usando os destroços como barreira. Leaf aproveitou esse instante para ajustar a posição de Garrus, verificando rapidamente se os ferimentos eram críticos.

Enquanto fazia a verificação, sentiu os olhos do assassino sobre si, pesados, avaliando cada movimento. Leaf percebeu algo inesperado: por breves segundos, o assassino parecia hesitar, pensativo, quase humano na sua contemplação.

— Estranho… Porque não nos ataca? — sussurrou Leaf, os olhos nunca desviando-se do drell. Havia algo nele que ia além da frieza típica de um assassino. A sua presença era intensa, quase hipnotizante, e apesar do perigo que representava, Leaf sentiu uma curiosidade impossível de ignorar.

Foi nesse instante que outra granada Batarian, foi lançada por um atirador escondido, explodiu junto deles, lançando fragmentos metálicos por todos os lados. Leaf teve apenas um segundo para reagir. Um reflexo instintivo fez com que ela empurrasse Garrus para trás, mas não a tempo de protegê-lo totalmente.

— Garrus! — gritou, desesperada, enquanto corria na direção dele, tentando avaliar os danos. — Bolas!!!!

O projétil atingiu novamente a sua armadura, espalhando faíscas rachando o visor. Leaf instintivamente verificou o estado dele, sentindo uma mistura de medo e raiva.

— Aguenta, Garrus! Não me falhes agora! — murmurou, quase chorando, enquanto se abaixava junto ao corpo dele. O calor dos fragmentos ainda queimava no ar, mas Leaf não se importava. A prioridade era mantê-lo vivo.

Leaf ficou em pânico por um momento, segurando o corpo dele, sentindo a frieza temporária que a explosão deixara no seu corpo. Mas não havia tempo para desesperos, os Batarian ainda estavam por perto, recuando, mas a ameaça não tinha acabado.

Leaf olhou ao redor novamente e viu a sombra do drell, o assassino, ainda imóvel, à distância. O seu olhar penetrante estava fixo novamente em Garrus, mas parecia analisar também a determinação de Leaf. Por um segundo, o mundo pareceu parar. Leaf percebeu que aquele drell era diferente de qualquer inimigo que tivesse enfrentado. Ele aproximou-se, mas não se movia com violência irracional, mas com precisão silenciosa, quase cirúrgica.

— Nem… penses tocar nele. — murmurou Leaf, firme, com os olhos a arder com determinação, de punhos cerrados, com a respiração a acelerar. Cada fibra do seu corpo dizia-lhe que não podia recuar. Leaf colocou-se imediatamente entre o drell e Garrus, os ombros erguidos, os braços ligeiramente afastados, num gesto de desafio e proteção.

O assassino parou, os olhos a estudarem-na, a avaliar cada movimento. Leaf sentiu que, naquele instante, a decisão estava nas suas mãos. Qualquer passo em falso poderia custar-lhe a vida ou a de Garrus. Mas ela não recuou. Pelo contrário, manteve-se firme, usando o seu corpo como escudo humano, pronta para enfrentar qualquer ataque.

— Leaf… — murmurou Garrus, ainda inconsciente, mas a sua voz rouca transmitia uma mistura de dor e confiança. Leaf respirou fundo, sentindo a responsabilidade a crescer ainda mais.

O drell não avançou de imediato, para eles. Os seus olhos permaneceram fixos desta vez em Leaf, como se estivesse a calcular o próximo movimento, ponderando cada possibilidade. Por um breve instante, a intensidade do seu olhar fez com que Leaf vacilasse, mas a determinação de proteger Garrus superou qualquer medo.

O cenário à volta continuava caótico: os restos de paredes destruídas ofereciam alguma cobertura, mas a distância entre ela e o assassino era curta o suficiente para que qualquer erro fosse fatal. Leaf sentiu o peso da tensão no ar, cada respiração do drell parecia medir o ritmo da sua própria.

Leaf agarrou o corpo de Garrus e moveu-o ligeiramente para onde havia mais cobertura, sem perder a vista do assassino. A ameaça do drell estava presente, mas agora não havia espaço para hesitação. Leaf sabia que precisava de resistir e manter o controle da situação até que a ajuda chegasse.

— Se fizeres algum movimento… — sussurrou Leaf, quase inaudível, os dentes cerrados. O drell permaneceu imóvel, os seus olhos penetrantes fixos nos dela. Leaf percebeu algo inesperado: por breves segundos, o assassino pareceu hesitar, pensativo, como se questionasse a sua própria ação.

Leaf manteve-se firme, sentindo a adrenalina e o medo misturarem-se com uma estranha sensação de curiosidade. Ela estava determinada a proteger Garrus a qualquer custo, e aquele momento marcava uma linha invisível entre eles. A presença do drell era ameaçadora, mas também profundamente enigmática, como se um jogo silencioso estivesse prestes a começar.

O vento levantava poeira entre os escombros, e o silêncio pesado envolvia o cenário. Leaf respirou fundo, mantendo os ombros firmes, os olhos fixos no assassino. Por agora, o drell não avançava. Mas Leaf sabia que este confronto estava longe de terminar.

O momento permanecia suspenso, Leaf como escudo humano, Garrus vulnerável e o assassino à pouca distância, estudando cada movimento. O perigo continuava iminente, e a tensão no ar era palpável, deixando claro que este encontro não seria esquecido tão cedo.

Após algum tempo os Batarian recuaram cautelosamente e o drell, por fim, fez um movimento sutil, quase imperceptível, recuando alguns passos desaparecendo parcialmente entre os destroços, Leaf sentiu uma mistura de alívio e apreensão, onde sabia, que naquele instante, que aquele drell não era apenas mais um inimigo. Algo no seu olhar pensativo, na sua postura controlada e silenciosa, indicava que este seria um fator importante no futuro deles. Leaf sentiu a tensão diminuir ligeiramente, mas a certeza de que os encontros com ele apenas tinham começado, o que deixou-a em alerta.

Este não seria o último encontro com aquela sombra silenciosa e mortal, algo lhe dizia que o destino os iria cruzar novamente, de forma inesperada e perigosa.