Ecos de Sangue e Estrelas

22 Olhares que Dizem Mais


O dia estava a avançar na base militar, mas o ritmo nunca diminuía. Leaf Shepard, ainda com a adrenalina e as emoções da noite anterior a pesar-lhe na mente, acompanhava Garrus Vakarian enquanto revisavam os planos da próxima missão. Cada detalhe tinha de ser perfeito: sistemas de armas, rotas de infiltração e protocolos de segurança. Contudo, algo lhe pesava na mente, o nervoso miudinho ainda a percorrer-lhe o corpo sempre que sentia a presença silenciosa de Thane Krios à distância.

— Leaf, estás distraída. — A voz de Garrus cortou-lhe os pensamentos. Ele caminhava ao lado dela, os olhos fixos, a notar algo que ela tentava esconder. — Há algo que não me estás a dizer.

Leaf respirou fundo, tentando controlar o coração acelerado.

— Eu… apenas estou a processar algumas coisas, — respondeu, hesitante, sabendo que Garrus percebia mais do que ela queria admitir.

Do canto do olho, Leaf sentiu Thane Krios a observá-los em silêncio. O drell permanecia imóvel, os braços cruzados, a postura rigorosa, mas o olhar não lhe escapava. Leaf percebeu que cada gesto seu era analisado, medido, e que Thane compreendia mais do que aparentava. A presença dele misturava tensão e segurança, deixando-a numa posição emocionalmente vulnerável, mas ao mesmo tempo estranhamente confortável.

Garrus continuou, aproximando-se ligeiramente dela, como quem quer ler cada nuance da sua expressão.

— Leaf, se há algo… podes confiar em mim. — A preocupação na sua voz era clara, misturada com uma certa intensidade. — Não quero que escondas nada.

Leaf sentiu o nervoso miudinho intensificar-se. Por um lado, sabia que Garrus estava certo; por outro, a presença silenciosa de Thane complicava qualquer tentativa de honestidade completa. O drell permanecia distante, mas atento, cada músculo controlado, os olhos a seguir cada movimento dela sem que ele precisasse de falar.

— Está tudo bem, Garrus, — respondeu Leaf finalmente, tentando soar firme. — Só preciso de tempo para organizar os meus pensamentos.

Garrus assentiu, mas não parecia totalmente convencido. Respirou fundo, e num gesto instintivo, envolveu Leaf num abraço rápido, firme, mas não invasivo. Leaf sentiu o calor e a segurança do gesto, mas o nervoso miudinho percorreu-lhe o corpo de forma inesperada.

Thane observou a cena em silêncio absoluto, o olhar fixo e penetrante. Um punho fechou-se ligeiramente, escondido pelos braços cruzados, e uma tensão silenciosa percorreu os seus músculos. Ele percebeu a ligação entre Leaf e Garrus, e a sensação inesperada de ciúmes misturada com frustração fez-lhe compreender algo novo sobre si mesmo: ele não queria apenas proteger Leaf; queria fazer parte da sua vida de forma mais profunda.

Leaf respirou fundo, ainda aconchegada pelo abraço de Garrus, mas consciente do olhar silencioso de Thane. O nervoso miudinho persistia, e ela sabia que a dinâmica entre eles três acabara de se complicar ainda mais. Cada olhar, cada gesto, cada presença silenciosa estava a moldar relações, sentimentos e tensões que seriam difíceis de ignorar.

O silêncio que se seguiu não era apenas pausa, era carregado de significado. Garrus soltou Leaf lentamente, percebendo que Thane observava cada movimento. Leaf sentiu a tensão aumentar, consciente de que, apesar do abraço de segurança, nada entre eles seria simples a partir de agora.