Ecos de Sangue e Estrelas
9 O Regresso Silencioso
Meses haviam passado desde que Leaf Shepard e Garrus Vakarian tinham enfrentado a emboscada Batarian e o encontro com Thane Krios. Durante esse tempo, o drell permaneceu uma sombra distante, ausente, mas nunca esquecido. Leaf tentava manter-se concentrada nas suas missões, treinamentos e relatórios com Garrus, mas o nome de Thane, a sua presença silenciosa e o olhar hipnotizante ainda ecoavam na sua mente.
Na manhã de uma missão de rotina, Leaf e Garrus receberam ordens de interrogar um suspeito de contrabando numa instalação industrial num planeta periférico. O destino parecia simples: recolher informações e garantir que não havia outras ameaças. Leaf ajustou a sua pistola ao lado, pronta para qualquer imprevisto, enquanto Garrus analisava a área com o visor ligado, cada movimento seu meticulosamente calculado.
— Leaf, mantém os sensores ligados. Algo aqui não me cheira bem, — disse Garrus, com os olhos percorrendo cada canto da instalação.
Leaf assentiu, tensa, mas tentando manter a calma. A experiência com Thane ainda a fazia hesitar em momentos de silêncio ou situações de aparente segurança. A sensação de estar a ser observada era quase constante, e ela não podia ignorá-la.
Quando chegaram ao local do suspeito, Leaf e Garrus encontraram-no morto. A cena era meticulosa: nenhum sinal de luta, nenhum som, apenas o corpo caído no chão com precisão quase cirúrgica. O sangue ainda fresco contrastava com a iluminação fria da instalação. Leaf sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha ao perceber quem havia deixado aquela marca.
Leaf olhou ao redor, instintivamente procurando qualquer sinal do responsável. Foi então que os seus olhos encontraram-no: Thane Krios. O drell permanecia a alguns metros de distância, observando-os calmamente, o corpo imóvel e a postura elegante e controlada. Os seus olhos penetrantes fixaram-se nos dela, num silêncio absoluto. Leaf sentiu o nervoso miudinho subir-lhe, mas a pistola manteve-se firme na sua mão.
— Thane Krios!!! — murmurou Leaf, quase inaudível, enquanto Garrus se posicionava defensivamente ao seu lado. — Porquê?
O drell não respondeu. O silêncio era pesado, carregado de tensão, mas também de significado. Leaf percebeu, mais uma vez, que Thane não era apenas um assassino frio, havia uma intenção calculada na sua ação. O olhar dele para Leaf foi intenso, como se medisse não só a sua reação, mas também o seu carácter e determinação.
Garrus franziu a testa, preparando-se para avançar, mas Leaf segurou o seu braço.
— Não podemos subestimá-lo. Ele não está aqui para brincadeiras.
Thane continuou a observá-la em silêncio, e a ausência de movimento parecia aumentar a tensão. Por breves segundos, Leaf sentiu que ele reconhecia algo nela, algo que ia além de ser um alvo ou adversário.
O som súbito de explosões e passos metálicos veio do exterior da instalação. Leaf e Garrus perceberam imediatamente: os Batarian tinham chegado. A missão de contrabando tinha sido um isco, e Thane estava lá, silencioso, observando cada movimento deles. Leaf sentiu o coração disparar não só pelo perigo físico, mas pelo enigma que Thane Krios representava.
Ele não avançou, ficou imóvel, mas o seu olhar permaneceu em Leaf por mais um instante antes de desaparecer parcialmente nas sombras da instalação. Leaf sabia que este encontro não era apenas sobre matar, era um aviso silencioso, e que a presença de Thane continuaria a ditar cada passo futuro.
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