Ecos de Sangue e Estrelas
7 Encontro na Penumbra
Leaf Shepard estava em casa, finalmente a permitir-se algum descanso depois dos eventos recentes. O apartamento estava silencioso, iluminado apenas por algumas lâmpadas suaves que lançavam sombras longas pelas paredes metálicas e pelo chão polido. Leaf tentava relaxar, mas a memória do drell assassino continuava a rondar-lhe a mente. A tensão não a deixava completamente tranquila sabia que ele não era alguém que simplesmente desaparecia.
Enquanto verificava os equipamentos e relatórios da última missão, um movimento subtil chamou a sua atenção. Leaf levantou o olhar e sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. No reflexo do espelho da sala, algo estava diferente. Ela percebeu uma presença atrás dela, silenciosa, quase imperceptível, mas carregada de intensidade.
— Quem está aí? — murmurou, mantendo a voz firme, mas sentindo o coração acelerar. Não houve resposta, apenas o silêncio pesado do apartamento.
Antes que pudesse reagir, sentiu um toque leve nas suas costas. Leaf ficou imóvel, reconhecendo imediatamente a ameaça: era o drell assassino. Sentiu a lâmina de uma navalha encostada suavemente ao seu pescoço, o toque frio contrastando com a tensão que percorria o seu corpo. A respiração do assassino estava calma, controlada, quase hipnotizante, e Leaf percebeu que qualquer movimento brusco poderia ser fatal.
O tempo pareceu suspender-se. Leaf sentiu uma mistura de medo, alerta e curiosidade. Ele não dizia nada, apenas permanecia ali, atrás dela, observando cada gesto e medindo cada respiração. Leaf sentiu o calor da presença dele, mesmo sem contacto físico direto, e percebeu que este encontro ia muito além do mero perigo físico.
— Não sei… quem és ou o que queres… — conseguiu finalmente perguntar, mantendo a firmeza na voz, apesar do nervoso miudinho que lhe percorria o corpo
O drell permaneceu em silêncio, a lâmina ainda encostada ao pescoço de Leaf, e o seu toque, paradoxalmente suave, transmitia uma estranha calma, quase desconcertante. Leaf sentiu um nervoso miudinho a percorrer-lhe o corpo, o coração a bater mais rápido, enquanto os instintos de sobrevivência competiam com uma sensação inesperada de curiosidade e confusão.
Leaf respirou fundo, mantendo-se imóvel, os olhos fixos no reflexo do assassino no espelho à sua frente. A navalha não se movia, mas a intensidade do olhar dele parecia atravessá-la. Leaf percebeu que, apesar do perigo, havia algo nele que desafiava a lógica de inimigo mortal: a forma como a observava indicava mais que intenção de matar, quase uma avaliação silenciosa do seu caráter.
Leaf aproveitou a fração de segundo em que ele ficou pensativo para agir. Num movimento rápido, girou o corpo, libertando-se parcialmente da proximidade mortal, e a mão dela agarrou a pistola que estava estrategicamente à sua frente. O metal frio transmitiu-lhe confiança, e Leaf ergueu a arma com firmeza.
Mas, antes que pudesse disparar, Leaf piscou os olhos, e quando voltou a focar-se, o assassino tinha desaparecido. Leaf sentiu o coração disparar ainda mais, um misto de alívio e frustração a percorrer-lhe as veias. Ele não estava ali, mas a sensação de presença dele continuava a pairar, como se o ar estivesse impregnado da sua essência silenciosa e calculista.
Leaf respirou fundo, mantendo a pistola firme nas mãos, os músculos ainda tensos. Ela sentiu a adrenalina a baixar lentamente, mas a mente continuava alerta. Algo na forma como o drell a observava indicava que aquele não era um simples inimigo, mas alguém que a estudava, que estava a medir cada reação, cada emoção. Leaf percebeu que a sua presença poderia tornar-se recorrente e que cada encontro futuro seria imprevisível e perigoso.
A quietude do apartamento contrastava com o turbilhão de emoções dentro dela. Leaf apoiou-se na parede, tentando recuperar o controlo. Sabia que o assassino podia regressar a qualquer momento, silencioso e letal. Mas a sensação de ter recuperado a pistola dava-lhe uma confiança silenciosa: não seria apanhada desprevenida.
Apesar de a navalha já não tocar no seu pescoço, o nervoso miudinho persistia. Leaf respirou fundo, consciente de que aquele encontro não apenas aumentava o perigo, mas também deixava uma estranha marca emocional. Algo no drell, na sua presença, no olhar pensativo e na hesitação momentânea, tinha perturbado a sua percepção de inimigo e aliado, deixando-a alerta para os encontros que ainda viriam.
Leaf ajustou a postura, firme, e decidiu que precisava de preparar-se. O drell não era apenas uma ameaça física, era um enigma silencioso que agora habitava a sua mente, e que a faria permanecer vigilante, a cada segundo, a cada passo do futuro.
Leaf apoiou-se na parede, respirando fundo, tentando acalmar o nervoso miudinho que percorria o seu corpo. Sabia que, apesar de ele ter desaparecido, o próximo encontro podia acontecer a qualquer momento e não havia margem para distrações.
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