Ecos de Sangue e Estrelas

18 Ciúmes Silenciosos


Os corredores da base militar estavam silenciosos naquela noite, iluminados apenas pelas luzes ténues que refletiam nas paredes metálicas. Leaf caminhava ao lado de Garrus, revendo mentalmente os detalhes da última missão, enquanto Thane os seguia a uma distância controlada. A tensão no ar era quase palpável; algo tinha mudado entre eles, ainda que nenhum ousasse abordar diretamente o assunto.

Leaf sentiu os olhos de Thane fixos nela por um instante mais longo do que o habitual. O drell permanecia silencioso, mas a intensidade do seu olhar não passava despercebida. Leaf tentou ignorar a sensação, concentrando-se na conversa com Garrus, mas o nervoso miudinho começou a percorrer-lhe o corpo.

— A missão correu melhor do que esperava, — comentou Garrus, os olhos atentos a cada detalhe da sala, como sempre. — Mas ainda há problemas a resolver com o fornecimento de armas que interceptámos.

Leaf assentiu, explicando os próximos passos, mas percebeu que Thane se aproximava um pouco mais, os passos quase silenciosos, medidos, observando cada gesto e palavra dela. A forma como ele a olhava mostrava mais do que interesse profissional, havia uma tensão que não podia ser ignorada.

Thane percebeu algo que Leaf não disse: a ligação entre ela e Garrus não era apenas companheiros de guerra. Cada toque, cada gesto entre os dois tinha uma familiaridade que o drell, silencioso e calculista, não podia deixar passar despercebida. Por dentro, uma pontada de ciúmes cresceu, algo que ele não tinha sentido antes, mas que agora se tornava impossível de ignorar.

Leaf estava alheia à turbulência interna de Thane, mas começou a notar a forma como ele se movia, ligeiramente mais próximo do que o habitual, os olhos a seguir cada ação dela com intensidade silenciosa. O nervoso miudinho que sentia quando ele a observava começou a surgir mesmo quando tentava focar-se no que Garrus dizia.

— Leaf, — disse Garrus, finalmente notando a tensão no ar — algo não está certo contigo. Pareces… distraída.

Leaf respirou fundo, tentando manter a compostura. — Estou apenas a pensar na missão… — respondeu, com a voz firme, mas ciente do olhar penetrante de Thane, que a analisava sem perder um detalhe.

Thane manteve-se em silêncio, mas cada movimento dele revelava um calculismo silencioso. O ciúme que sentia não se manifestava em palavras, mas em pequenas tensões nos ombros, nos olhos que nunca se desviavam dela, e na forma como se posicionava, sempre entre ela e possíveis distrações externas. Leaf sentiu essa tensão, mas não conseguiu decifrar por completo o que significava.

Garrus franziu a testa, percebendo a dinâmica silenciosa que se formava.

— Thane… está tudo bem contigo? — perguntou, com a voz firme, tentando sondar a reação do drell.

Thane respondeu apenas com um olhar frio e calculista, mas por dentro, a consciência de que havia sentimentos emergentes misturava-se com frustração: ele não conseguia ignorar a ligação entre Leaf e Garrus, e isso começava a irritá-lo, a mexer com emoções que nunca pensara sentir.

Leaf respirou fundo, sentindo a tensão entre os três. Sabia que a relação tinha mudado, que algo estava a emergir, mas não conseguia prever o impacto que isso teria sobre a equipa. O nervoso miudinho percorria-lhe o corpo, deixando claro que, daquela vez, não era apenas perigo físico que os rodeava, mas uma complexa rede de emoções silenciosas e intensas.