Era fácil permanecer onde estava, fincado ao solo para encarar a musa. Ou melhor, encarar um instante que jamais retornaria e que espetava o fundo da memória. Morpheus poderia criar raízes, vergônteas verdes abraçariam seus tornozelos e passariam-se séculos.

Ele teria todo o tempo do mundo.

No entanto, o tempo não andaria para trás. E por isso, ele andou para frente, com o trancelim amarrado em seu pulso ainda esticando sem resistência.

Morpheus já atravessara cem anos de reclusão e penitência: prisão para o corpo, prisão para os próprios devaneios. Hoje estava livre, Calliope também.

Deixou as árvores de copas carmesim.