Ecos de Criação

1 Ecos de Criação


Os Céus e o Inferno estavam em guerra, mas Inarius e Lilith sonhavam com liberdade. Juntos, roubaram a Pedra do Mundo e criaram o Santuário. Era um paraíso, um mundo onde os seus filhos, os nefalem, poderiam crescer sem a influência dos deuses.

Pela primeira vez, Inarius olhou para Lilith e viu mais do que uma aliada viu um futuro. Mas os sonhos proibidos têm um preço. Os Céus nunca esquecem. O Inferno nunca perdoa. E a semente da ruína já estava plantada.

Lilith observava os nefalem com orgulho. Eram fortes, destinados a superar anjos e demónios. Mas Inarius temia o seu poder. Ele queria equilíbrio; ela queria supremacia.

“Eles são a nossa esperança”, murmurou Lilith.

“Eles são um risco”, respondeu Inarius.

O amor que os unira começou a fragrementar. A discórdia crescia como uma sombra, ameaçando destruir o que haviam construído. No fundo, ambos sabiam: não poderiam coexistir para sempre.

O medo de Inarius tornou-se traição. Para proteger Santuário, ele expulsou Lilith, condenando-a ao vazio.

Ela gritou de fúria, mas ele não hesitou. O coração pesava-lhe no peito, mas convenceu-se de que era o certo. Sem ela, poderia manter a paz. Mas a paz era uma ilusão. Com Lilith banida, a fragilidade da sua criação tornou-se evidente.

E, nas sombras, o Inferno espreitava, pronto para reclamar o que era seu.

Milénios depois, Lilith regressou. O ódio ardia nos seus olhos, mas também algo mais profundo, determinação.

Ela voltaria a moldar o Santuário, desta vez sem Inarius a impedi-la. Ele, aprisionado e esquecido, não pôde detê-la.

Os humanos dobraram-se à sua presença, sedentos de poder e vingança. Inarius olhou do seu cativeiro e soube: o que haviam criado juntos agora os destruiria.

No campo de batalha, os olhares de Lilith e Inarius cruzaram-se uma última vez. Não restava amor, apenas cinzas daquilo que fora.

“Tu traíste-me”, sussurrou Lilith.

“E tu condenaste-nos”, respondeu Inarius.

O mundo que criaram estava agora mergulhado em caos. O santuário sobreviveria, mas eles não. O amor que os unira fora esquecido, esmagado pela guerra. E assim, anjo e demónio selaram o seu destino, prisioneiros das suas próprias escolhas.

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